Fissuras craniofaciais raras: uma caracterização clínica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Virmond, Luiza do Amaral
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/61/61132/tde-04102024-142951/
Resumo: Introdução: as fissuras craniofaciais raras (FCR) são anomalias de caracterização clínica complexa, comumente descritas utilizando-se a classificação numérica proposta por Paul Tessier. Podem ser divididas em sindrômicas (com outras anomalias) ou não sindrômicas. Objetivos: caracterizar uma amostra de indivíduos com FCRs. Métodos: estudo retrospectivo realizado no Hospital de Reabilitação de Anomalias Craniofaciais (HRAC/USP), aprovado pelo Comitê de Ética (n°4.687.932). Foram incluídos pacientes com FCRs (em tecido mole) associadas, ou não, a outras anomalias congênitas. As FCRs foram descritas a partir de dados secundários, incluindo registros médicos e fotografias, e classificadas de acordo com a classificação de Tessier. Aspectos clínicos e genéticos foram considerados, e os casos foram divididos em dois grupos: Grupo 1, FCR não sindrômica e Grupo 2, FCR sindrômica. Resultados/discussão: foram incluídos 315 indivíduos com FCRs, de forma geral, o sexo feminino foi o mais afetado (M: 131 e F: 184; p=0,003) e as FCRs n.º 0 e 7 foram as mais frequentes. Fizeram parte do Grupo 1 80 indivíduos (25,4%), com predominância do sexo feminino (M: 28 e F: 52; p=0,007). Todas as FCR de Tessier foram observadas, com exceção da n.º 14, as fissuras faciais foram as mais frequentes nesse grupo e as cranianas foram encontradas apenas em associação com sua extensão facial. A fissura n.º 4 foi a mais frequente no Grupo 1 e comumente associada a fissura n.º 3, sugerindo correlação etiopatogênica. Não foram observados fatores de risco relevantes, no Grupo 1 e foi observado recorrência familial em dois casos com fissura n.º 4. Fizeram parte do Grupo 2, 235 indivíduos (74,6%), sendo possível identificar uma condição clínica reconhecível em 189 (80,4%). Neste grupo, todas as FCR foram observadas, a n.º 0 foi a mais frequente e predominantemente identificada nos casos com envolvimento do processo frontonasal e a n.º 7, a segunda mais frequente, predominantemente observada nos casos com defeito de 1º e 2º arcos faríngeos, especialmente na microssomia craniofacial, condição esta a mais frequentemente observada. Ainda neste grupo, todas as condições observadas já foram associadas às FCR na literatura. A análise da comparação estatística entre os dois grupos (1 e 2) identificou diferenças significativas como: a maior frequência do acometimento bilateral no Grupo 1, maior frequência das fissuras cranianas no Grupo 2 e a maior frequência da fissura n.º 4 e da n.º 7 no Grupo 1 e no Grupo 2, respectivamente. Conclusão: O presente estudo amplia o conhecimento relacionado às FCR, destacando a distinção entre os casos sindrômicos e não sindrômicos. Diferentes padrões de acometimento de fissuras, incidência, associações clínicas e diferenças de gênero foram observados. A recorrência familial encontrada nos casos não sindrômicos, o número considerável de condições clínicas sem etiologia definida e de casos sem diagnóstico sindrômico, endossam a importância da investigação genética nas FCRs.
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Aspectos clínicos e genéticos foram considerados, e os casos foram divididos em dois grupos: Grupo 1, FCR não sindrômica e Grupo 2, FCR sindrômica. Resultados/discussão: foram incluídos 315 indivíduos com FCRs, de forma geral, o sexo feminino foi o mais afetado (M: 131 e F: 184; p=0,003) e as FCRs n.º 0 e 7 foram as mais frequentes. Fizeram parte do Grupo 1 80 indivíduos (25,4%), com predominância do sexo feminino (M: 28 e F: 52; p=0,007). Todas as FCR de Tessier foram observadas, com exceção da n.º 14, as fissuras faciais foram as mais frequentes nesse grupo e as cranianas foram encontradas apenas em associação com sua extensão facial. A fissura n.º 4 foi a mais frequente no Grupo 1 e comumente associada a fissura n.º 3, sugerindo correlação etiopatogênica. Não foram observados fatores de risco relevantes, no Grupo 1 e foi observado recorrência familial em dois casos com fissura n.º 4. Fizeram parte do Grupo 2, 235 indivíduos (74,6%), sendo possível identificar uma condição clínica reconhecível em 189 (80,4%). Neste grupo, todas as FCR foram observadas, a n.º 0 foi a mais frequente e predominantemente identificada nos casos com envolvimento do processo frontonasal e a n.º 7, a segunda mais frequente, predominantemente observada nos casos com defeito de 1º e 2º arcos faríngeos, especialmente na microssomia craniofacial, condição esta a mais frequentemente observada. Ainda neste grupo, todas as condições observadas já foram associadas às FCR na literatura. A análise da comparação estatística entre os dois grupos (1 e 2) identificou diferenças significativas como: a maior frequência do acometimento bilateral no Grupo 1, maior frequência das fissuras cranianas no Grupo 2 e a maior frequência da fissura n.º 4 e da n.º 7 no Grupo 1 e no Grupo 2, respectivamente. Conclusão: O presente estudo amplia o conhecimento relacionado às FCR, destacando a distinção entre os casos sindrômicos e não sindrômicos. Diferentes padrões de acometimento de fissuras, incidência, associações clínicas e diferenças de gênero foram observados. A recorrência familial encontrada nos casos não sindrômicos, o número considerável de condições clínicas sem etiologia definida e de casos sem diagnóstico sindrômico, endossam a importância da investigação genética nas FCRs.Introduction: Rare craniofacial clefts (RCCs) are anomalies with complex clinical characteristics, commonly described using Paul Tessier\'s numerical classification. Can be divided into syndromic (with other anomalies) or nonsyndromic. Objectives: to characterize a sample of individuals with RCCs. Methods: a retrospective study conducted at the Hospital of Rehabilitation of Craniofacial Anomalies (HRAC/USP), approved by the Ethics Committee (n.º 4.687.932). Individuals with RCCs (in soft tissue), whether associated with other congenital anomalies or not, were included. RCCs were described using secondary data, including medical records and photographs, and classified according to Tessier\'s classification. Clinical and genetic aspects were considered, and cases were divided into two groups: Group 1, nonsyndromic RCC, and Group 2, syndromic RFC. Results/Discussion: a total of 315 individuals with RCCs were included, with females being the most affected (M: 131 and F: 184; p<0.003), and RCCs n.º 0 and 7 being the most frequent. Group 1 included 80 individuals (25.4%), with a similar female predominance (M: 28 and F: 52; p<0.007). All Tessier\'s RCCs were observed, except n.º 14; facial clefts were most common in this group, with cranial clefts found only in association with facial extension. Cleft n.º 4 was the most frequent in Group 1, commonly associated with cleft n.º 3, suggesting an etiopathogenic correlation. No relevant risk factors were observed in Group 1, and familial recurrence was observed in two cases with cleft n.º. 4. Group 2 included 235 individuals (74.6%), with a recognizable clinical condition identified in 189 (80.4%). In this group, all RCCs were observed, with n.º 0 being the most frequent, predominantly identified in cases involving the frontonasal process, and n.º 7, the second most frequent, predominantly observed in cases with defects of the 1st and 2nd pharyngeal arches, especially in craniofacial microsomia, the most frequently observed condition. Additionally, all conditions observed in this group have been previously associated with RCCs in literature. Statistical comparison between the two groups (1 and 2) identified significant differences such as the higher frequency of bilateral involvement in Group 1, higher frequency of cranial clefts in Group 2, and higher frequency of cleft n.º 4 and 7 in Group 1 and Group 2, respectively. In 46 cases in this group (19.6%), a specific condition could not be identified. Conclusion: this study enhances the knowledge related to RCCs, highlighting the distinction between syndromic and nonsyndromic cases. Different patterns of cleft involvement, incidence, clinical associations, and gender differences were observed. The familial recurrence found in nonsyndromic cases, the considerable number of clinical conditions without defined etiology, and cases without syndromic diagnosis endorse the importance of genetic investigation in RCCs.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCeide, Roseli Maria ZechiNakata, Nancy Mizue KokitsuVirmond, Luiza do Amaral2024-08-09info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/61/61132/tde-04102024-142951/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-10-25T14:25:02Zoai:teses.usp.br:tde-04102024-142951Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-10-25T14:25:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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