Desigualdades entre populações vulnerabilizadas durante a pandemia da COVID-19 no Brasil
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22133/tde-22112024-162629/ |
Resumo: | INTRODUÇÃO: A pandemia da COVID-19 intensificou desigualdades sociais, atingindo as populações vulnerabilizadas no Brasil, resultando em dificuldade de acesso à saúde e à proteção social. Assim, objetivou-se analisar as desigualdades entre populações vulnerabilizadas durante a pandemia da COVID-19 no Brasil. MÉTODOS: Conduziu-se um estudo transversal, realizado por meio de entrevistas de campo conduzidas no período de maio de 2022 a setembro de 2023 nas capitais das 26 unidades federativas e no Distrito Federal brasileiro, utilizando um instrumento validado. A população do estudo foi composta por migrantes e ou refugiados internacionais (artigo 1), populações em situação de rua (artigo 2) e pessoas residentes em favelas (artigo 3). Foram realizadas análises descritivas e de regressão logística binária, esta última para identificar fatores associados às desigualdades sociais das populações estudadas. RESULTADOS: A maioria dos grupos populacionais analisados nos três artigos foi composta por pessoas negras ou pardas, que enfrentam desigualdades devido à raça, gênero e classe social. Homens em situação de rua e migrantes, assim como mulheres nas favelas, sofreram insegurança alimentar e perda significativa de renda. As disparidades regionais agravaram a situação, com as populações do Norte e Nordeste enfrentando dificuldades econômicas. No Sul, apesar de uma menor perda de renda, a insegurança alimentar foi elevada entre os moradores de favelas. As análises evidenciam que a intersecção evidencia que negros e pardos com renda, com menos de um salário mínimo sofreram mais com a perda de renda e insegurança alimentar. Entre migrantes e refugiados, mesmo aqueles empregados, observou-se perda de renda, principalmente entre aqueles com renda inferior a um salário mínimo. Pessoas em situação de rua, homens negros/pardos, casados e dependentes do SUS enfrentaram dificuldades alimentares, enquanto aqueles com melhor escolaridade e renda superior a um salário mínimo apresentaram menor perda de renda. Entre os moradores de favelas, a insegurança alimentar foi menor entre os brancos, e a perda de renda foi maior entre àqueles com menor renda. CONCLUSÃO: Os achados evidenciam que a pandemia da COVID-19 aprofundou as desigualdades existentes, afetando desproporcionalmente as populações vulnerabilizadas no Brasil. A intersecção de raça, gênero, classe social e geográfica revelou que indivíduos negros e pardos, particularmente aqueles com baixa renda, enfrentaram desafios em termos de perda de renda e insegurança alimentar. Os achados destacam a necessidade urgente de políticas públicas que abordem de forma integrada as múltiplas dimensões da vulnerabilidade, uma vez que os fatores se interseccionam, e corroboram para um quadro profundo de desigualdade e injustiça, fazendo que a COVID-19 seja um marcador da exclusão, e deletéria e fatal na mulher preta, pobre, sem escolaridade, e de baixa renda. |
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Desigualdades entre populações vulnerabilizadas durante a pandemia da COVID-19 no BrasilInequalities among vulnerable populations during the COVID-19 pandemic in BrazilCOVID-19COVID-19Impactos sociaisPandemiaPandemicPopulações vulneráveisSocial impactsVulnerable populationsINTRODUÇÃO: A pandemia da COVID-19 intensificou desigualdades sociais, atingindo as populações vulnerabilizadas no Brasil, resultando em dificuldade de acesso à saúde e à proteção social. Assim, objetivou-se analisar as desigualdades entre populações vulnerabilizadas durante a pandemia da COVID-19 no Brasil. MÉTODOS: Conduziu-se um estudo transversal, realizado por meio de entrevistas de campo conduzidas no período de maio de 2022 a setembro de 2023 nas capitais das 26 unidades federativas e no Distrito Federal brasileiro, utilizando um instrumento validado. A população do estudo foi composta por migrantes e ou refugiados internacionais (artigo 1), populações em situação de rua (artigo 2) e pessoas residentes em favelas (artigo 3). Foram realizadas análises descritivas e de regressão logística binária, esta última para identificar fatores associados às desigualdades sociais das populações estudadas. RESULTADOS: A maioria dos grupos populacionais analisados nos três artigos foi composta por pessoas negras ou pardas, que enfrentam desigualdades devido à raça, gênero e classe social. Homens em situação de rua e migrantes, assim como mulheres nas favelas, sofreram insegurança alimentar e perda significativa de renda. As disparidades regionais agravaram a situação, com as populações do Norte e Nordeste enfrentando dificuldades econômicas. No Sul, apesar de uma menor perda de renda, a insegurança alimentar foi elevada entre os moradores de favelas. As análises evidenciam que a intersecção evidencia que negros e pardos com renda, com menos de um salário mínimo sofreram mais com a perda de renda e insegurança alimentar. Entre migrantes e refugiados, mesmo aqueles empregados, observou-se perda de renda, principalmente entre aqueles com renda inferior a um salário mínimo. Pessoas em situação de rua, homens negros/pardos, casados e dependentes do SUS enfrentaram dificuldades alimentares, enquanto aqueles com melhor escolaridade e renda superior a um salário mínimo apresentaram menor perda de renda. Entre os moradores de favelas, a insegurança alimentar foi menor entre os brancos, e a perda de renda foi maior entre àqueles com menor renda. CONCLUSÃO: Os achados evidenciam que a pandemia da COVID-19 aprofundou as desigualdades existentes, afetando desproporcionalmente as populações vulnerabilizadas no Brasil. A intersecção de raça, gênero, classe social e geográfica revelou que indivíduos negros e pardos, particularmente aqueles com baixa renda, enfrentaram desafios em termos de perda de renda e insegurança alimentar. Os achados destacam a necessidade urgente de políticas públicas que abordem de forma integrada as múltiplas dimensões da vulnerabilidade, uma vez que os fatores se interseccionam, e corroboram para um quadro profundo de desigualdade e injustiça, fazendo que a COVID-19 seja um marcador da exclusão, e deletéria e fatal na mulher preta, pobre, sem escolaridade, e de baixa renda.Introduction: The COVID-19 pandemic intensified social inequalities, impacting vulnerable populations in Brazil and resulting in difficulties accessing healthcare and social protection. Therefore, this study aimed to analyze the inequalities among vulnerable populations during the COVID-19 pandemic in Brazil. Methods: A cross-sectional study was conducted through field interviews from May 2022 to September 2023 in the capitals of the 26 federative units and the Federal District of Brazil, using a validated instrument. The study population comprised international migrants and/or refugees (article 1), homeless populations (article 2), and people living in slums (article 3). Descriptive analyses and binary logistic regression were performed, with the latter used to identify factors associated with the social inequalities of the studied populations. Results: The majority of the population groups analyzed in the three articles consisted of Black or mixed-race people who face inequalities due to race, gender, and social class. Homeless men and migrants, as well as women in slums, experienced food insecurity and significant income loss. Regional disparities exacerbated the situation, with populations in the North and Northeast facing economic difficulties. In the South, despite a lower income loss, food insecurity was high among slum dwellers. The analyses show that the intersectionality indicates that Black and mixed-race individuals with incomes below the minimum wage suffered more from income loss and food insecurity. Among migrants and refugees, even those employed experienced income loss, particularly those with incomes below the minimum wage. Homeless people, especially Black/mixed-race men who were married and dependent on the public healthcare system, faced food difficulties, whereas those with higher education and income above the minimum wage experienced less income loss. Among slum dwellers, food insecurity was lower among white individuals, and income loss was greater among those with lower incomes. Conclusion: The findings demonstrate that the COVID-19 pandemic deepened existing inequalities, disproportionately affecting vulnerable populations in Brazil. The intersection of race, gender, social class, and geography revealed that Black and mixed-race individuals, particularly those with low incomes, faced challenges in terms of income loss and food insecurity. The findings highlight the urgent need for public policies that address the multiple dimensions of vulnerability in an integrated manner, as these factors intersect and contribute to a profound state of inequality and injustice, making COVID-19 a marker of exclusion, and deleterious and fatal for Black women who are poor, uneducated, and have low incomes.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPArcêncio, Ricardo AlexandreMoura, Heriederson Sávio Dias2024-08-14info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22133/tde-22112024-162629/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-02-26T21:33:02Zoai:teses.usp.br:tde-22112024-162629Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-02-26T21:33:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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