A formação médica para o cuidado à saúde de populações vulneráveis: avaliando as bases orientadoras em cursos de medicina no Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Rodrigues, Raphaela Rezende Nogueira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5137/tde-25032026-160037/
Resumo: A formação médica no Brasil, conforme preconizam as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) de 2014, deve promover um perfil de egresso crítico, reflexivo e comprometido com a responsabilidade social. Contudo, persiste um descompasso entre os discursos normativos e a prática pedagógica, especialmente no que se refere ao ensino voltado à saúde de populações vulnerabilizadas. Esta tese tem por objetivo analisar como os cursos de medicina no Brasil têm incorporado ou negligenciado o ensino sobre essas populações, considerando documentos oficiais, planos curriculares e percepções de estudantes e docentes. Trata-se de uma pesquisa de métodos mistos, composta por três etapas articuladas. A primeira consistiu em uma revisão de escopo da literatura científica sobre o tema. A segunda realizou a análise documental de Projetos Pedagógicos de Curso, ementas e perfis de egresso de instituições brasileiras. A terceira etapa baseou se em 18 entrevistas semiestruturadas com estudantes e docentes de diferentes regiões do país, analisadas com base em abordagem temática crítica. Os resultados indicam que a presença de conteúdos sobre populações vulnerabilizadas é majoritariamente pontual, opcional e desvinculada de estratégias pedagógicas sistematizadas. Observou-se a atuação de um currículo oculto que silencia desigualdades, reforçando um modelo biomédico descontextualizado. A responsabilidade social, quando presente, assume sentidos diversos desde uma postura técnica até a possibilidade de transformação social. Conclui-se que a efetivação do ensino sobre populações vulnerabilizadas requer mais do que inclusão normativa: exige coerência institucional, intencionalidade pedagógica e ruptura com práticas formativas excludentes. O fortalecimento de uma formação médica crítica e socialmente implicada depende da incorporação efetiva de estratégias que reconheçam e enfrentem as desigualdades estruturais em saúde.
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