As díades de cuidado na instituição: ressonâncias para cuidadoras e crianças

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Barboza, Alana Madeiro de Melo
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-23032026-173032/
Resumo: Esta tese investiga os efeitos da institucionalização sobre os processos de subjetivação de crianças e cuidadoras em instituições de acolhimento, a partir de uma perspectiva psicanalítica fundamentada em Winnicott, Klein, Bowlby, Freud e Ferenczi. O estudo parte da hipótese de que o acolhimento, ao mesmo tempo em que reproduz falhas ambientais e rupturas, também pode abrir possibilidades de criação, reparação e elaboração simbólica. A pesquisa foi realizada por meio de uma abordagem clínico-qualitativa e interpretativa, utilizando instrumentos como entrevistas clínicas, observações institucionais, análise de prontuários, diários clínicos e a aplicação do procedimento projetivo Desenho-Estória com Tema. Os participantes foram três crianças institucionalizadas e três cuidadoras, cujas narrativas e produções simbólicas foram analisadas em profundidade. Os resultados revelaram que o acolhimento institucional constitui um espaço paradoxal. Por um lado, oferece proteção material, estabilidade e garantia de direitos básicos; por outro, expõe crianças e cuidadoras a descontinuidades afetivas, lutos não simbolizados e precariedade emocional. Nas crianças, observou-se a mobilização de defesas primitivas, como cisão, projeção, retraimento, regressão, docilidade exagerada e conformidade hiperadaptada, como recursos de autopreservação diante da instabilidade relacional. Essas defesas, ainda que restrinjam a espontaneidade e a criatividade, foram compreendidas como tentativas vitais de sobrevivência psíquica. Entre as cuidadoras, identificaram-se igualmente estratégias defensivas primitivas, como distanciamento afetivo, idealizações maternas e racionalização, acionadas frente à sobrecarga de trabalho, à invisibilidade social e às constantes despedidas. Esses mecanismos revelaram o impacto subjetivo da função de cuidar em contextos de vulnerabilidade e a necessidade de espaços institucionais que reconheçam e sustentem também quem cuida. A análise mostrou que o brincar, a escuta sensível e os vínculos estabelecidos no cotidiano podem operar como espaços potenciais, permitindo elaboração simbólica e reinvestimento afetivo, tanto para as crianças quanto para as cuidadoras. O estudo conclui que o acolhimento institucional deve ser entendido como campo intersubjetivo, que pode favorecer processos de subjetivação quando estruturado por práticas de cuidado responsivas e por políticas públicas que apoiem tanto os acolhidos quanto as cuidadoras. As considerações finais defendem que as defesas primitivas observadas não devem ser vistas apenas como sinais de patologia, mas como recursos adaptativos diante das falhas ambientais, que podem se transformar em caminhos para a criação e para a simbolização quando encontram um ambiente suficientemente bom. A pesquisa aponta, assim, para a necessidade de práticas institucionais sensíveis, capazes de transformar precariedades em experiências de pertencimento e continuidade, reafirmando o cuidado como gesto clínico, político e ético.
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Os participantes foram três crianças institucionalizadas e três cuidadoras, cujas narrativas e produções simbólicas foram analisadas em profundidade. Os resultados revelaram que o acolhimento institucional constitui um espaço paradoxal. Por um lado, oferece proteção material, estabilidade e garantia de direitos básicos; por outro, expõe crianças e cuidadoras a descontinuidades afetivas, lutos não simbolizados e precariedade emocional. Nas crianças, observou-se a mobilização de defesas primitivas, como cisão, projeção, retraimento, regressão, docilidade exagerada e conformidade hiperadaptada, como recursos de autopreservação diante da instabilidade relacional. Essas defesas, ainda que restrinjam a espontaneidade e a criatividade, foram compreendidas como tentativas vitais de sobrevivência psíquica. Entre as cuidadoras, identificaram-se igualmente estratégias defensivas primitivas, como distanciamento afetivo, idealizações maternas e racionalização, acionadas frente à sobrecarga de trabalho, à invisibilidade social e às constantes despedidas. Esses mecanismos revelaram o impacto subjetivo da função de cuidar em contextos de vulnerabilidade e a necessidade de espaços institucionais que reconheçam e sustentem também quem cuida. A análise mostrou que o brincar, a escuta sensível e os vínculos estabelecidos no cotidiano podem operar como espaços potenciais, permitindo elaboração simbólica e reinvestimento afetivo, tanto para as crianças quanto para as cuidadoras. O estudo conclui que o acolhimento institucional deve ser entendido como campo intersubjetivo, que pode favorecer processos de subjetivação quando estruturado por práticas de cuidado responsivas e por políticas públicas que apoiem tanto os acolhidos quanto as cuidadoras. As considerações finais defendem que as defesas primitivas observadas não devem ser vistas apenas como sinais de patologia, mas como recursos adaptativos diante das falhas ambientais, que podem se transformar em caminhos para a criação e para a simbolização quando encontram um ambiente suficientemente bom. A pesquisa aponta, assim, para a necessidade de práticas institucionais sensíveis, capazes de transformar precariedades em experiências de pertencimento e continuidade, reafirmando o cuidado como gesto clínico, político e ético.This doctoral thesis investigates the effects of institutionalization on the processes of subjectivation of children and caregivers in residential care institutions, from a psychoanalytic perspective grounded in Winnicott, Klein, Bowlby, Freud, and Ferenczi. The study assumes that institutional care, while reproducing environmental failures and relational ruptures, may also open possibilities for creation, repair, and symbolic elaboration. The research employed a clinical-qualitative and interpretative approach, using instruments such as clinical interviews, institutional observations, chart analysis, clinical diaries, and the projective procedure Thematic Drawing-and-Story. Participants included three institutionalized children and three caregivers, whose narratives and symbolic productions were analyzed in depth. Findings revealed that institutional care constitutes a paradoxical space. On the one hand, it provides material protection, stability, and the guarantee of basic rights; on the other, it exposes both children and caregivers to affective discontinuities, unprocessed grief, and emotional precariousness. Among children, primitive defenses such as splitting, projection, withdrawal, regression, exaggerated docility, and hyperadapted conformity emerged as survival resources in the face of relational instability. Although these defenses restricted spontaneity and creativity, they were understood as vital psychic mechanisms of self-preservation. Among caregivers, primitive strategies such as emotional distancing, maternal idealizations, and rationalization were observed, often mobilized in response to workload, social invisibility, and repeated separations. These defenses revealed the subjective impact of caregiving under vulnerable conditions, as well as the need for institutional spaces that sustain and recognize those who provide care. The analysis also demonstrated that play, sensitive listening, and everyday bonds may operate as potential spaces, enabling symbolic elaboration and affective reinvestment for both children and caregivers. The study concludes that institutional care should be understood as an intersubjective field, capable of fostering processes of subjectivation when structured through responsive care practices and public policies that support both children and caregivers. Finally, the research argues that primitive defenses must not be regarded solely as pathological signs, but rather as adaptive resources that, when met by a sufficiently good environment, can transform into opportunities for creation and symbolic elaboration. Thus, the study highlights the need for sensitive institutional practices that transform precariousness into experiences of belonging and continuity, reaffirming care as a clinical, political, and ethical act.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPTardivo, Leila Salomao de La Plata CuryBarboza, Alana Madeiro de Melo2025-12-03info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47133/tde-23032026-173032/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-24T20:55:02Zoai:teses.usp.br:tde-23032026-173032Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-24T20:55:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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