Fisiologia reprodutiva do peixe-boi da Amazônia (Trichechus inunguis) em cativeiro: ciclicidade ovariana e padrões hormonais em machos e fêmeas em dois trimestres diferentes do ano

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2012
Autor(a) principal: Rodrigo de Souza Amaral
Orientador(a): Claudio Alvarenga de Oliveira
Banca de defesa: Marcelo Alcindo de Barros Vaz Guimarães, Gisele Akemi Oda, Ricardo José Garcia Pereira, Vera Maria Ferreira da Silva
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade de São Paulo
Programa de Pós-Graduação: Reprodução Animal
Departamento: Não Informado pela instituição
País: BR
Link de acesso: https://doi.org/10.11606/T.10.2012.tde-05102012-104124
Resumo: Os objetivos deste estudo foram determinar os níveis hormonais urinários e salivares durante o ciclo estral em peixes-bois da Amazônia, e verificar a existência de variação nos padrões dos hormônios reprodutivos presentes na saliva e na urina durante dois trimestres diferentes do ano. Foram utilizados 7 animais (4 machos e 3 fêmeas) adultos, alojados no LMA/INPA. As coletas ocorreram durante dois anos em dois trimestres diferentes do ano (Trimestre I e Trimestre II), onde, durante 12 semanas de cada trimestre foram colhidas amostras de saliva dos machos e urina e saliva das fêmeas. A testosterona salivar nos machos foi dosada por radioimunoensaio usando conjunto diagnóstico comercial. Os estrógenos, progestinas e LH urinários e progesterona e estradiol salivares nas fêmeas foram dosados por enzimaimunoensaio. O ciclo estral foi estimado em 39,67&plusmn;1,15 dias e 44&plusmn;2,00 dias para as matrizes urinária e salivar, respectivamente, com a presença peculiar de dois picos de estrógenos concomitantes com picos de LH urinário antes da elevação das progestinas, característica anteriormente observada somente para elefantes. Nos machos, a testosterona salivar apresentou um pico no final do Trimestre II (35,91&plusmn;5,64 pg/mL; P<0,05), sugerindo uma antecipação dos machos de T. inunguis à época reprodutiva das fêmeas. Para as fêmeas, os esteroides urinários e salivares e o LH urinário apresentaram valores significativamente maiores na maioria dos meses do Trimestre I quando comparado ao Trimestre II (P<0,05), e as fêmeas, em grande parte, apresentaram padrão hormonal cíclico no Trimestre I e padrão acíclico no Trimestre II, sugerindo, assim, a existência de sazonalidade reprodutiva na espécie mesmo em condições de cativeiro. Desta forma, foi possível concluir que as características peculiares do ciclo estral do peixe-boi da Amazônia podem ter importância biológica na estratégia reprodutiva da espécie, como ocorrem em elefantes; que aparentemente T. inunguis apresenta sazonalidade reprodutiva, e esta seria sincronizada por outro fator ambiental que não a disponibilidade de alimento; e que é possível utilizar tanto a matriz urinária quanto a salivar no monitoramento endócrino-reprodutivo de peixe-boi da Amazônia, sendo ferramentas importantes para estudos da biologia reprodutiva da espécie.
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Foram utilizados 7 animais (4 machos e 3 fêmeas) adultos, alojados no LMA/INPA. As coletas ocorreram durante dois anos em dois trimestres diferentes do ano (Trimestre I e Trimestre II), onde, durante 12 semanas de cada trimestre foram colhidas amostras de saliva dos machos e urina e saliva das fêmeas. A testosterona salivar nos machos foi dosada por radioimunoensaio usando conjunto diagnóstico comercial. Os estrógenos, progestinas e LH urinários e progesterona e estradiol salivares nas fêmeas foram dosados por enzimaimunoensaio. O ciclo estral foi estimado em 39,67&plusmn;1,15 dias e 44&plusmn;2,00 dias para as matrizes urinária e salivar, respectivamente, com a presença peculiar de dois picos de estrógenos concomitantes com picos de LH urinário antes da elevação das progestinas, característica anteriormente observada somente para elefantes. Nos machos, a testosterona salivar apresentou um pico no final do Trimestre II (35,91&plusmn;5,64 pg/mL; P<0,05), sugerindo uma antecipação dos machos de T. inunguis à época reprodutiva das fêmeas. Para as fêmeas, os esteroides urinários e salivares e o LH urinário apresentaram valores significativamente maiores na maioria dos meses do Trimestre I quando comparado ao Trimestre II (P<0,05), e as fêmeas, em grande parte, apresentaram padrão hormonal cíclico no Trimestre I e padrão acíclico no Trimestre II, sugerindo, assim, a existência de sazonalidade reprodutiva na espécie mesmo em condições de cativeiro. Desta forma, foi possível concluir que as características peculiares do ciclo estral do peixe-boi da Amazônia podem ter importância biológica na estratégia reprodutiva da espécie, como ocorrem em elefantes; que aparentemente T. inunguis apresenta sazonalidade reprodutiva, e esta seria sincronizada por outro fator ambiental que não a disponibilidade de alimento; e que é possível utilizar tanto a matriz urinária quanto a salivar no monitoramento endócrino-reprodutivo de peixe-boi da Amazônia, sendo ferramentas importantes para estudos da biologia reprodutiva da espécie. The aims of this study were to define urinary and salivary hormone levels during estrous cycle in Amazonian manatees; and to verify the existence of differences on urinary and salivary reproductive hormones during two different trimesters of the year. Seven adult animals (4 males and 3 females), kept at LMA/INPA were analyzed. Salivary samples from males and urinary and salivary samples from females were collected during 12 weeks in two different trimesters, during two consecutive years. Salivary testosterone from males was measured by radioimmunoassay kit. Urinary estrogens progestins and LH and salivary estradiol and progesterone from females were measured by enzyme immunoassay. The estrous cycle showed duration of 39.67&plusmn;1.15 days and 44.00&plusmn;2.00 days for urinary and salivary matrices, respectively, and showed two estrogens peaks accompanied by peaks of urinary LH before the rise of progestins. This hormonal pattern was previously reported only in elephants. The males showed a salivary testosterone peak at the end of Trimester II (35.91&plusmn;5.64 pg/ml; P<0.05), this fact suggest a male anticipation to the female reproductive season. The females showed high values of urinary and salivary steroids and urinary LH during most of months of the Trimester I when compared with the Trimester II (P<0.05), and the females usually showed hormonal cyclic pattern during Trimester I and acyclic pattern during Trimester II, suggesting the existence of reproductive seasonality even in captive conditions. Therefore, I conclude that the peculiar characteristics of Amazonian manatees estrous cycle may have biological importance for mating strategies, as in elephants; T. inunguis apparently shows reproductive seasonality, and it is not synchronized by food availability; it is possible to use as saliva as urine to monitor the reproductive physiology of Amazonian manatee, being important tools in studies about reproductive biology for this species. https://doi.org/10.11606/T.10.2012.tde-05102012-104124info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USP2023-12-21T18:16:58Zoai:teses.usp.br:tde-05102012-104124Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212016-07-28T16:10:35Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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