Envelhecimento estético como expressão da autenticidade: experiência de mulheres idosas em uma perspectiva fenomenológica e decolonial
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-26112025-150243/ |
Resumo: | Na sociedade contemporânea, diferentes mídias divulgam padrões de beleza coloniais que valorizam a juventude, tornando escassas referências que enalteçam os traços da velhice. Esse cenário pode trazer angústia para as pessoas que envelhecem, especialmente às mulheres que sofrem com a pressão estética, além de fomentar a lógica de que o envelhecimento deve ser combatido e movimentar a indústria bilionária de tecnologias anti-idade. À luz do método da fenomenologia hermenêutica com perspectiva decolonial, este projeto visou compreender a experiência de mulheres idosas em seu processo de envelhecimento estético. Foram realizadas quatro entrevistas reflexivas com mulheres com mais de 60 anos residentes da cidade de São Paulo. As participantes se apresentaram a partir de diferentes aspectos que consideraram relevantes em suas trajetórias. Essa contextualização existencial abrangente possibilitou a elaboração da noção de estética ampliada, que inclui mas não se resume à questão da aparência física. A estética foi compreendida como a expressão da autenticidade, ou seja, o estilo próprio de ser, a maneira única de habitar o corpo, ocupar espaços, relacionar-se com os outros e consigo. Nessa perspectiva, a estética autêntica é constituída ao longo da existência, está imbricada na temporalidade e situada no contexto sociocultural. Logo, o envelhecimento estético seria o processo de manutenção dos sentidos próprios de ser que se transformam durante a vida. Trata-se de um movimento complexo perante as condições concretas da existência e limitações impostas pela facticidade de ser-no-mundo-com-os-outros. A experiência das mulheres foi impactada diretamente por fatores socioeconômicos, corporais, interpessoais e por opressões de lógicas machistas, racistas e etaristas que viveram. A estética pessoal se manifesta, também, na relação com a aparência física, pois o modo como se sentem com a autoimagem e a forma que cuidam dela é única e constituída a partir da história de vida própria. Nenhuma entrevistada demonstrou desespero decorrente do envelhecimento da aparência, tampouco estavam obstinadas a rejuvenescer. A ideia de beleza superou os limites da aparência física, pois as participantes indicaram diversos aspectos que consideravam belos em seu ser. Assim, o envelhecimento estético convoca para a reconciliação da imagem corporal perante as mudanças ao longo da vida. Pode ser questionado o ideal de beleza jovial a fim de encontrar novas perspectivas sobre o belo. Esse processo permite o indivíduo se expressar sem as amarras da estética da juventude, mas a partir de sua autenticidade e do que é significativo para si. A problematização desenvolvida das lógicas impessoais sobre o ser-mulher-velha pretende ajudar profissionais a acolherem a população idosa de forma atenta para não reproduzirem estereótipos opressores sobre as mulheres e a velhice. Ainda, buscou-se gerar reflexões críticas que contribuam para o encontro de possibilidades existenciais autênticas, em que tomadas de decisões sobre a aparência física, ou sobre qualquer outro âmbito da vida, sejam feitas a partir de sentidos próprios e singulares. |
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Envelhecimento estético como expressão da autenticidade: experiência de mulheres idosas em uma perspectiva fenomenológica e decolonialAesthetic aging as an expression of authenticity: the experience of elderly women from a phenomenological and decolonial perspectiveAestheticsAgingDecolonialidadeDecolonialityEnvelhecimentoEstéticaFenomenologiaMulheresPhenomenologyWomenNa sociedade contemporânea, diferentes mídias divulgam padrões de beleza coloniais que valorizam a juventude, tornando escassas referências que enalteçam os traços da velhice. Esse cenário pode trazer angústia para as pessoas que envelhecem, especialmente às mulheres que sofrem com a pressão estética, além de fomentar a lógica de que o envelhecimento deve ser combatido e movimentar a indústria bilionária de tecnologias anti-idade. À luz do método da fenomenologia hermenêutica com perspectiva decolonial, este projeto visou compreender a experiência de mulheres idosas em seu processo de envelhecimento estético. Foram realizadas quatro entrevistas reflexivas com mulheres com mais de 60 anos residentes da cidade de São Paulo. As participantes se apresentaram a partir de diferentes aspectos que consideraram relevantes em suas trajetórias. Essa contextualização existencial abrangente possibilitou a elaboração da noção de estética ampliada, que inclui mas não se resume à questão da aparência física. A estética foi compreendida como a expressão da autenticidade, ou seja, o estilo próprio de ser, a maneira única de habitar o corpo, ocupar espaços, relacionar-se com os outros e consigo. Nessa perspectiva, a estética autêntica é constituída ao longo da existência, está imbricada na temporalidade e situada no contexto sociocultural. Logo, o envelhecimento estético seria o processo de manutenção dos sentidos próprios de ser que se transformam durante a vida. Trata-se de um movimento complexo perante as condições concretas da existência e limitações impostas pela facticidade de ser-no-mundo-com-os-outros. A experiência das mulheres foi impactada diretamente por fatores socioeconômicos, corporais, interpessoais e por opressões de lógicas machistas, racistas e etaristas que viveram. A estética pessoal se manifesta, também, na relação com a aparência física, pois o modo como se sentem com a autoimagem e a forma que cuidam dela é única e constituída a partir da história de vida própria. Nenhuma entrevistada demonstrou desespero decorrente do envelhecimento da aparência, tampouco estavam obstinadas a rejuvenescer. A ideia de beleza superou os limites da aparência física, pois as participantes indicaram diversos aspectos que consideravam belos em seu ser. Assim, o envelhecimento estético convoca para a reconciliação da imagem corporal perante as mudanças ao longo da vida. Pode ser questionado o ideal de beleza jovial a fim de encontrar novas perspectivas sobre o belo. Esse processo permite o indivíduo se expressar sem as amarras da estética da juventude, mas a partir de sua autenticidade e do que é significativo para si. A problematização desenvolvida das lógicas impessoais sobre o ser-mulher-velha pretende ajudar profissionais a acolherem a população idosa de forma atenta para não reproduzirem estereótipos opressores sobre as mulheres e a velhice. Ainda, buscou-se gerar reflexões críticas que contribuam para o encontro de possibilidades existenciais autênticas, em que tomadas de decisões sobre a aparência física, ou sobre qualquer outro âmbito da vida, sejam feitas a partir de sentidos próprios e singulares.In contemporary society, different forms of media promote colonial beauty standards that glorify youth, thereby contributing to a lack of references that value the distinct features and identities of older adults. This scenario can cause distress for aging individuals, especially women, who suffer from aesthetic pressures. It also reinforces the logic that aging must be fought against, fueling the billion-dollar anti-aging industry. Using the method of hermeneutic phenomenology with a decolonial perspective, this project aimed to understand the experience of elderly women in their process of aesthetic aging. Four reflective interviews were conducted with women over 60 years old living in the city of São Paulo. The participants presented themselves based on different aspects they considered meaningful in their life trajectories. This comprehensive existential contextualization enabled the development of an expanded notion of aesthetics, which includes, but is not limited to, physical appearance. Aesthetics was understood as the expression of authenticity: that is, ones own style of being, the unique way of inhabiting the body, occupying space, and relating to others and to oneself. From this perspective, authentic aesthetics is shaped throughout existence, intertwined with temporality, and situated within a sociocultural context. Thus, aesthetic aging is the process of maintaining one\'s own evolving meanings of being throughout life. It is a complex movement in the face of the concrete conditions of existence and the limitations imposed by the facticity of being-in-the-world-with-others. The womens experiences were directly impacted by socioeconomic, bodily, and interpersonal factors, as well as by oppressive logics of sexism, racism, and ageism. Personal aesthetics is also expressed in the relationship with physical appearance as the way each woman feels about her self-image and cares for it. Therefore, it is shaped by her singular life history. None of the interviewees expressed despair over aging appearance, nor were they obsessed with rejuvenation. The idea of beauty transcended physical appearance, as participants identified various aspects they considered beautiful in their being. Aesthetic aging calls for reconciliation with bodily image in the face of lifes changes. The youthful beauty ideal can be questioned in order to find new perspectives on what is beautiful. This process allows individuals to express themselves free from the constraints of youthful aesthetics, grounded instead in their authenticity and what is meaningful to them. The critical examination of impersonal logics about being an \"old woman\" aims to support professionals in welcoming the elderly population attentively, without reproducing oppressive stereotypes about women and old age. Furthermore, this work seeks to inspire critical reflections that contribute to the discovery of authentic existential possibilities in which decisions regarding physical appearance, or any other aspect of life, are made based on personal and unique meanings.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPRosa, Helena RinaldiGiberti, Gabriela Machado2025-10-31info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-26112025-150243/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-28T09:02:02Zoai:teses.usp.br:tde-26112025-150243Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-28T09:02:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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