Evidências para um modelo de língua baseado no uso: o infinitivo flexionado em português brasileiro

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2012
Autor(a) principal: Canever, Fernanda
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8139/tde-02082012-133430/
Resumo: A luz de modelos de língua baseados no uso (Langacker, 2000), que assumem que os princípios fundamentais da estrutura linguística são derivados da experiência com a língua, o objetivo deste estudo é contribuir para a investigação de como se dá o contínuo processo de atualização do nosso conhecimento linguístico, em especial explorando a questão de como algumas inovações são incorporadas na língua. Para responder a essa questão, ainda em aberto na literatura baseada no uso, o fenômeno linguístico investigado foi o infinitivo flexionado, cujo uso gramáticos modernos consideram intrigante. A partir de um recorte de construções com o infinitivo que apresentam variação entre as formas flexionada e não-flexionada, foi feita uma quantificaçãoo da variação no emprego da flexão do infinitivo em um corpus sincrônico de língua escrita culta. Para o levantamento dos dados, foi compilado um corpus de 11.000.000 palavras formado por 180 teses e dissertações de alunos do curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Sociais da USP, que recebeu o nome de Corpus LLIC-PósLetrasUsp. Como se trata de um grande volume de dados, a extração dos dados feita de modo automático com o software livre R, apontado atualmente como o mais completo concordanceador disponível (Gries, 2009). Os resultados encontrados no estudo de corpus apontam para diferentes tendências de emprego da flexão a depender dos contextos sintáticos em que ocorrem. Apesar de ter sido verificada uma tendência à não-flexão em algumas construções, tais como as perífrases modais e aspectuais, nas orações finais, causais e temporais, por exemplo, a preferência pela forma flexionada do infinitivo é clara. Uma vez que modelos baseados no uso propõem que há uma correlação entre a frequência de ocorrência de estruturas e seu grau de arraigamento cognitivo, a alta frequência de ocorrência de formas flexionadas do infinitivo em variados contextos sintáticos, inclusive em contextos em que o sujeito do infinitivo está claro, demonstra que a flexão do infinitivo está se tornando cada vez mais arraigada na gramática dos falantes. Assim, esta pesquisa vem ressaltar a importância dos estudos de frequência para o mapeamento dos fatos linguísticos e para a descrição gramatical das línguas naturais. Neste estudo, também é feito um esboço de um modelo de língua baseado no uso mais dinâmico e mais social, que incorpora as propostas dos estudos da terceira onda\" (third wave) de investigação sociolinguística e que representa uma tentativa inicial de acomodar a teoria da variação dentro do quadro teórico baseado no uso.
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Para responder a essa questão, ainda em aberto na literatura baseada no uso, o fenômeno linguístico investigado foi o infinitivo flexionado, cujo uso gramáticos modernos consideram intrigante. A partir de um recorte de construções com o infinitivo que apresentam variação entre as formas flexionada e não-flexionada, foi feita uma quantificaçãoo da variação no emprego da flexão do infinitivo em um corpus sincrônico de língua escrita culta. Para o levantamento dos dados, foi compilado um corpus de 11.000.000 palavras formado por 180 teses e dissertações de alunos do curso de Letras da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Sociais da USP, que recebeu o nome de Corpus LLIC-PósLetrasUsp. Como se trata de um grande volume de dados, a extração dos dados feita de modo automático com o software livre R, apontado atualmente como o mais completo concordanceador disponível (Gries, 2009). Os resultados encontrados no estudo de corpus apontam para diferentes tendências de emprego da flexão a depender dos contextos sintáticos em que ocorrem. Apesar de ter sido verificada uma tendência à não-flexão em algumas construções, tais como as perífrases modais e aspectuais, nas orações finais, causais e temporais, por exemplo, a preferência pela forma flexionada do infinitivo é clara. Uma vez que modelos baseados no uso propõem que há uma correlação entre a frequência de ocorrência de estruturas e seu grau de arraigamento cognitivo, a alta frequência de ocorrência de formas flexionadas do infinitivo em variados contextos sintáticos, inclusive em contextos em que o sujeito do infinitivo está claro, demonstra que a flexão do infinitivo está se tornando cada vez mais arraigada na gramática dos falantes. Assim, esta pesquisa vem ressaltar a importância dos estudos de frequência para o mapeamento dos fatos linguísticos e para a descrição gramatical das línguas naturais. Neste estudo, também é feito um esboço de um modelo de língua baseado no uso mais dinâmico e mais social, que incorpora as propostas dos estudos da terceira onda\" (third wave) de investigação sociolinguística e que representa uma tentativa inicial de acomodar a teoria da variação dentro do quadro teórico baseado no uso.In light of usage-based models (Langacker, 2000), which assume that the fundamental principles of linguistic structure derive from the experience with language, the aim of this study is to contribute to the investigation of the continuous update of linguistic knowledge, especially by exploring the question of how some innovations propagate and are incorporated in speakers\' grammars. To address this open question in the usage-based literature, the in ected innitive, which modern grammarians consider intriguing (Cunha & Cintra, 2008), was investigated. After selecting some innitive constructions which show variation between the in ected and unin ected forms, the variation in the usage of the innitive in these constructions was quantied in a syncronic standard written corpus. To obtain the data, a corpus containing 11.000.000 words and consisting of 180 theses and dissertations written by students of the Faculty of Philosophy, Letters and Social Sciences of University of S~ao Paulo was compiled and named Corpus LLIC-PosLetrasUsp. Given the size of the corpus, the data extraction was achieved automatically through the use of the open software R, considered the most powerful concordancer available at the moment (Gries, 2009). Depending on the constructions in which the innitive occurs, the results point to dierent tendencies in the usage of the in ection. Even though there is no preference for the in ection in constructions such as modal and aspect periphrases, in causal, nal and temporal clauses, for instance, the preference for in ected forms is clear. Because usage-based models assume that there is a correlation between the frequency of occurence of a structure and its degree of entrenchment, the high frequency of occurence of the in ected innitive in dierent syntactic contexts, including contexts in which where the innitive subject is clear, shows that the in ection of the innitive is becoming continuously more entrenched in speakers\' grammars. Thus, this study highlights the importance of frequency studies in the investigation of linguistic phenomena and in the grammatical description of natural languages. This study also presents the sketch of a proposal named A more dynamic and a more social usage-based model, which, by incorporating the view of the \\third wave\"of sociolinguistic investigation (Campbell-Kibler, 2008, 2009; Eckert, 2005, 2008), represents an initial attempt to accommodate variation theory within the usage-based framework.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPViotti, Evani de CarvalhoCanever, Fernanda2012-03-16info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttp://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8139/tde-02082012-133430/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2016-07-28T16:10:32Zoai:teses.usp.br:tde-02082012-133430Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212016-07-28T16:10:32Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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