Progressão da espessura íntima-média carotídea e sua relação com os fatores de risco cardiovascular tradicionais nos participantes do Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) após oito anos de seguimento
| Ano de defesa: | 2025 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5169/tde-25032026-143231/ |
Resumo: | Introdução: A aterosclerose é um processo inflamatório crônico e sistêmico, de progressão lenta e silenciosa, que se inicia precocemente na vida. Ela representa a principal base fisiopatológica das doenças cardiovasculares (DCV), ainda hoje a maior causa de morbimortalidade global. Sua fase subclínica pode ser avaliada por métodos não invasivos, sendo a ultrassonografia de carótidas empregada pela acurácia, segurança e reprodutibilidade. A medida da espessura íntima-média carotídea (EIMC) é reconhecida como marcador intermediário da aterosclerose e permite estudar sua progressão. Nesse contexto, coortes internacionais como ARIC, MESA, Rotterdam e Malmö trouxeram contribuições relevantes, mas estudos em países de renda média permanecem escassos. O Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) oferece uma oportunidade singular de avaliar a progressão da EIMC em uma população diversa do ponto de vista étnico e socioeconômico. O objetivo deste trabalho foi analisar a associação entre fatores de risco cardiovasculares (FRCV) tradicionais pressão arterial, hemoglobina glicada, colesterol não HDL, índice de massa corporal e tabagismo e a progressão da EIMC em oito anos de seguimento no ELSA-Brasil. Adicionalmente, objetivamos estimar a progressão esperada da EIMC na ausência de exposição a FRCV, a partir de modelos estatísticos ajustados. Métodos: Foram incluídos 7.166 participantes do ELSA-Brasil com dados completos de ultrassonografia de carótidas na linha de base (20082010) e após oito anos de acompanhamento (20162018). Os níveis de exposição a pressão arterial, hemoglobina glicada, colesterol não HDL, índice de massa corporal e tabagismo durante o seguimento de oito anos foram sumarizados em um escore de exposição geral a FRCV (intervalo de 0 a 40 pontos). As medidas de EIMC foram obtidas de forma automatizada, utilizando software dedicado, com análise da parede posterior da carótida comum distal em três ciclos cardíacos. Variáveis sociodemográficas, clínicas e laboratoriais foram coletadas segundo protocolos padronizados. Modelos de regressão linear de efeitos mistos foram empregados para estimar a progressão da EIMC e sua associação com FRCV. Resultados: A amostra apresentou idade média inicial de 50,6 ± 8,7 anos, sendo 57,2% mulheres e 59,7% autodeclarados brancos. Pressão arterial elevada, maiores níveis de hemoglobina glicada, colesterol não HDL e índice de massa corporal mostraram-se independentemente associados à progressão da EIMC, com efeitos aditivos. Não houve associação entre o tabagismo e progressão da EIMC. Cada incremento de um ponto no escore geral de exposição esteve relacionado a um aumento médio de 2,1 µm/ano na EIMC. Uma análise estratificada em subgrupos definidos por idade, sexo e raça evidenciou que a progressão da EIMC na ausência de exposição a FRCV (progressão fisiológica), variou entre 4,3 e 9,1 µm/ano. Conclusão: A progressão da EIMC foi significativamente associada à presença de FRCV, com destaque para pressão arterial elevada, hemoglobina glicada elevada, colesterol não-HDL elevado e índice de massa corporal elevado. A progressão fisiológica representou parte significativa da evolução da medida durante o seguimento. O uso de EIMC em medidas repetidas deve levar em consideração esse padrão de evolução. |
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Progressão da espessura íntima-média carotídea e sua relação com os fatores de risco cardiovascular tradicionais nos participantes do Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) após oito anos de seguimentoProgression of carotid intima-media thickness and its relationship with traditional cardiovascular risk factors in participants of the Brazilian Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil) after eight years of follow-upAterosclerose subclínicaCardiovascular risk factorsCarotid intima-media thicknessEspessura íntima-média carotídeaEstudo longitudinalFatores de risco cardiovascularLongitudinal studySubclinical atherosclerosisUltrasonographyUltrassonografiaIntrodução: A aterosclerose é um processo inflamatório crônico e sistêmico, de progressão lenta e silenciosa, que se inicia precocemente na vida. Ela representa a principal base fisiopatológica das doenças cardiovasculares (DCV), ainda hoje a maior causa de morbimortalidade global. Sua fase subclínica pode ser avaliada por métodos não invasivos, sendo a ultrassonografia de carótidas empregada pela acurácia, segurança e reprodutibilidade. A medida da espessura íntima-média carotídea (EIMC) é reconhecida como marcador intermediário da aterosclerose e permite estudar sua progressão. Nesse contexto, coortes internacionais como ARIC, MESA, Rotterdam e Malmö trouxeram contribuições relevantes, mas estudos em países de renda média permanecem escassos. O Estudo Longitudinal da Saúde do Adulto (ELSA-Brasil) oferece uma oportunidade singular de avaliar a progressão da EIMC em uma população diversa do ponto de vista étnico e socioeconômico. O objetivo deste trabalho foi analisar a associação entre fatores de risco cardiovasculares (FRCV) tradicionais pressão arterial, hemoglobina glicada, colesterol não HDL, índice de massa corporal e tabagismo e a progressão da EIMC em oito anos de seguimento no ELSA-Brasil. Adicionalmente, objetivamos estimar a progressão esperada da EIMC na ausência de exposição a FRCV, a partir de modelos estatísticos ajustados. Métodos: Foram incluídos 7.166 participantes do ELSA-Brasil com dados completos de ultrassonografia de carótidas na linha de base (20082010) e após oito anos de acompanhamento (20162018). Os níveis de exposição a pressão arterial, hemoglobina glicada, colesterol não HDL, índice de massa corporal e tabagismo durante o seguimento de oito anos foram sumarizados em um escore de exposição geral a FRCV (intervalo de 0 a 40 pontos). As medidas de EIMC foram obtidas de forma automatizada, utilizando software dedicado, com análise da parede posterior da carótida comum distal em três ciclos cardíacos. Variáveis sociodemográficas, clínicas e laboratoriais foram coletadas segundo protocolos padronizados. Modelos de regressão linear de efeitos mistos foram empregados para estimar a progressão da EIMC e sua associação com FRCV. Resultados: A amostra apresentou idade média inicial de 50,6 ± 8,7 anos, sendo 57,2% mulheres e 59,7% autodeclarados brancos. Pressão arterial elevada, maiores níveis de hemoglobina glicada, colesterol não HDL e índice de massa corporal mostraram-se independentemente associados à progressão da EIMC, com efeitos aditivos. Não houve associação entre o tabagismo e progressão da EIMC. Cada incremento de um ponto no escore geral de exposição esteve relacionado a um aumento médio de 2,1 µm/ano na EIMC. Uma análise estratificada em subgrupos definidos por idade, sexo e raça evidenciou que a progressão da EIMC na ausência de exposição a FRCV (progressão fisiológica), variou entre 4,3 e 9,1 µm/ano. Conclusão: A progressão da EIMC foi significativamente associada à presença de FRCV, com destaque para pressão arterial elevada, hemoglobina glicada elevada, colesterol não-HDL elevado e índice de massa corporal elevado. A progressão fisiológica representou parte significativa da evolução da medida durante o seguimento. O uso de EIMC em medidas repetidas deve levar em consideração esse padrão de evolução.Introduction: Atherosclerosis is a slowly progressing, silent, systemic inflammatory process that begins early in life. It represents the main pathophysiological basis of cardiovascular disease (CVD), still a major cause of global morbidity and mortality. Its subclinical phase can be assessed by non-invasive methods, with carotid ultrasound widely used for its accuracy, safety, and reproducibility. Carotid intima-media thickness (CIMT) is recognized as an intermediate marker of atherosclerosis and allows for the study of its progression. In this context, international cohorts such as ARIC, MESA, the Rotterdam and Malmö studies have made relevant contributions, but studies in middle income countries remain scarce. The Brazilian Longitudinal Study of Adult Health (ELSA-Brasil) offers a unique opportunity to assess CIMT progression in an ethnically and socioeconomically diverse population. The objective of this study was to analyze the association between traditional cardiovascular risk factors (CVRF) blood pressure, glycated hemoglobin, non-HDL cholesterol, body mass index, and smoking and CIMT progression over eight years of follow-up in the ELSA-Brasil study. Additionally, we aimed to estimate the expected CIMT progression in the absence of CVRF exposure, using adjusted statistical models. Methods: We included 7,166 participants with complete carotid ultrasound data at baseline (20082010) and after eight years of follow-up (20162018). Exposure levels of blood pressure, glycated hemoglobin, non-HDL cholesterol, body mass index, and smoking during the eight year follow-up were summarized in an overall CVRF exposure score (range, 040 points). CIMT measurements were obtained automatically using dedicated software, upon analysis of distal common carotid artery far wall in three cardiac cycles. Sociodemographic, clinical, and laboratory variables were collected according to standardized protocols. Mixed-effects linear regression models were used to estimate CIMT progression and its association with CVRF. Results: The sample had a mean baseline age of 50.6 ± 8.7 years, 57.2% were women and 59.7% self-reported as White. Elevated blood pressure, higher levels of glycated hemoglobin, non-HDL cholesterol, and body mass index were independently associated with CIMT progression, with additive effects. There was no association between smoking and CIMT progression. Each 1-point increase in the overall exposure score was associated with an average increase of 2.1 µm/year in CIMT. A stratified analysis showed that CIMT progression in the absence of CVRF exposure (physiological progression), stratified into subgroups defined by age, sex, and race, ranged from 4.3 to 9.1 µm/year. Conclusion: CIMT progression was significantly associated with the presence of CVRF, particularly high blood pressure, high glycated hemoglobin, high non-HDL cholesterol, and high body mass index. Physiological progression represented a significant portion of the measurement progression during the follow-up. The use of CIMT in repeated measures should consider these patterns.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSantos, Itamar de SouzaMeireles, Danilo Peron2025-11-25info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5169/tde-25032026-143231/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-25T18:18:02Zoai:teses.usp.br:tde-25032026-143231Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-25T18:18:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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