Riscos psicossociais no trabalho: uma análise jurídica do adoecimento mental e a responsabilidade civil do empregador no Brasil

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Duarte, Renan Fernandes
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2138/tde-23052024-141004/
Resumo: Em um contexto de alarmante aumento de transtornos mentais e comportamentais na população global, há uma necessidade premente de analisar a influência do ambiente de trabalho no crescimento desses transtornos. Especificamente, as questões relativas aos riscos psicossociais no ambiente de trabalho têm recebido atenção insuficiente em termos legislativos, jurisprudenciais e acadêmicos, especialmente no âmbito do Direito. Os dados apresentados pela Organização Mundial da Saúde e pelo IBGE revelam um panorama preocupante quanto ao adoecimento mental global e nacionalmente. Neste cenário, a relação entre trabalho e saúde mental é de vital importância. A presente pesquisa se justifica, portanto, pela crescente relevância do tema e pela ausência de estudos e normativas jurídicas que abordem de forma satisfatória os riscos psicossociais no ambiente de trabalho e suas consequências legais. A pesquisa preenche uma lacuna no campo do Direito do Trabalho, trazendo novas perspectivas e contribuições para o entendimento e abordagem dos riscos psicossociais, e como eles se relacionam com a responsabilização dos empregadores em casos de adoecimento mental. Nesse contexto, o principal objetivo desta pesquisa é analisar se os riscos psicossociais podem ser enquadrados como \"risco especial com potencialidade lesiva\", levando à responsabilidade objetiva do empregador em casos de adoecimento mental, conforme entendimento do STF no julgamento do Tema 932. Este objetivo principal é acompanhado por objetivos específicos que incluem a discussão e compreensão do atual entendimento doutrinário sobre o ambiente de trabalho e os riscos psicossociais, avaliação da jurisprudência atual sobre esses riscos, exploração das diferentes modalidades de responsabilidade civil aplicáveis no Direito do Trabalho, investigação das nuances da responsabilização em casos de adoecimento mental e finalmente, a formulação de hipóteses de responsabilidade objetiva para categorias de empregos expostas a riscos psicossociais. A pesquisa se baseia em uma abordagem dedutiva, utilizando-se de literatura preexistente para elaborar um modelo geral. Será feito um levantamento bibliográfico, priorizando materiais revisados por pares em bases como Scopus, Web of Science, entre outras. A pesquisa também fará uma análise qualitativa do Tema 932 pelo STF. Quanto à pesquisa jurisprudencial, será adotada uma abordagem qualitativa descritiva, focada em acórdãos dos TST, TRT2 e TRT15. A seleção priorizará acórdãos relacionados ao adoecimento mental e responsabilidade do empregador, devido à identificação de termos insuficientemente abordados na literatura. Quanto aos resultados e conclusões encontrados, a pesquisa aponta que, enquanto o trabalho pode ser uma fonte de equilíbrio para o trabalhador, certas condições podem acarretar riscos à saúde mental, com consequências psicológicas e somáticas. Apesar da jurisprudência não relacionar frequentemente o adoecimento ao ambiente de trabalho, é vital reconhecer os riscos psicossociais equivalentemente aos demais riscos. A tese propõe uma reinterpretação dos dispositivos legais vigentes e sugere uma consideração dos fatores de risco psicossociais como forma de poluição labor-ambiental, possibilitando a responsabilização objetiva do empregador, conforme interpretação sistêmica da Constituição de 1988 e legislação ambiental. A responsabilização objetiva do empregador é defendida, requerendo métricas claras, atualizações legislativas e gestão de trabalho consciente, visando um ambiente laboral saudável e sustentável.
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Neste cenário, a relação entre trabalho e saúde mental é de vital importância. A presente pesquisa se justifica, portanto, pela crescente relevância do tema e pela ausência de estudos e normativas jurídicas que abordem de forma satisfatória os riscos psicossociais no ambiente de trabalho e suas consequências legais. A pesquisa preenche uma lacuna no campo do Direito do Trabalho, trazendo novas perspectivas e contribuições para o entendimento e abordagem dos riscos psicossociais, e como eles se relacionam com a responsabilização dos empregadores em casos de adoecimento mental. Nesse contexto, o principal objetivo desta pesquisa é analisar se os riscos psicossociais podem ser enquadrados como \"risco especial com potencialidade lesiva\", levando à responsabilidade objetiva do empregador em casos de adoecimento mental, conforme entendimento do STF no julgamento do Tema 932. Este objetivo principal é acompanhado por objetivos específicos que incluem a discussão e compreensão do atual entendimento doutrinário sobre o ambiente de trabalho e os riscos psicossociais, avaliação da jurisprudência atual sobre esses riscos, exploração das diferentes modalidades de responsabilidade civil aplicáveis no Direito do Trabalho, investigação das nuances da responsabilização em casos de adoecimento mental e finalmente, a formulação de hipóteses de responsabilidade objetiva para categorias de empregos expostas a riscos psicossociais. A pesquisa se baseia em uma abordagem dedutiva, utilizando-se de literatura preexistente para elaborar um modelo geral. Será feito um levantamento bibliográfico, priorizando materiais revisados por pares em bases como Scopus, Web of Science, entre outras. A pesquisa também fará uma análise qualitativa do Tema 932 pelo STF. Quanto à pesquisa jurisprudencial, será adotada uma abordagem qualitativa descritiva, focada em acórdãos dos TST, TRT2 e TRT15. A seleção priorizará acórdãos relacionados ao adoecimento mental e responsabilidade do empregador, devido à identificação de termos insuficientemente abordados na literatura. Quanto aos resultados e conclusões encontrados, a pesquisa aponta que, enquanto o trabalho pode ser uma fonte de equilíbrio para o trabalhador, certas condições podem acarretar riscos à saúde mental, com consequências psicológicas e somáticas. Apesar da jurisprudência não relacionar frequentemente o adoecimento ao ambiente de trabalho, é vital reconhecer os riscos psicossociais equivalentemente aos demais riscos. A tese propõe uma reinterpretação dos dispositivos legais vigentes e sugere uma consideração dos fatores de risco psicossociais como forma de poluição labor-ambiental, possibilitando a responsabilização objetiva do empregador, conforme interpretação sistêmica da Constituição de 1988 e legislação ambiental. A responsabilização objetiva do empregador é defendida, requerendo métricas claras, atualizações legislativas e gestão de trabalho consciente, visando um ambiente laboral saudável e sustentável.In a context of a concerning rise in mental and behavioral disorders in the global population, there is an urgent need to analyze the influence of the work environment on the growth of these disorders. Specifically, issues related to psychosocial risks in the workplace have received insufficient attention in legislative, jurisprudential, and academic terms, especially within the scope of Law. Data presented by the World Health Organization and IBGE reveal a worrying panorama regarding global and national mental illness. In this scenario, the relationship between work and mental health is of vital importance. The present research is thus justified by the growing relevance of the topic and the absence of studies and legal norms that satisfactorily address the psychosocial risks in the workplace and their legal consequences. The research fills a gap in the field of Labor Law, bringing new perspectives and contributions to the understanding and approach of psychosocial risks, and how they relate to employers\' liability in cases of mental illness. In this context, the main goal of this research is to analyze if psychosocial risks can be classified as a \"special risk with harmful potential,\" leading to the objective responsibility of the employer in cases of mental illness, according to the STF\'s understanding in the judgment of Theme 932. This main objective is accompanied by specific objectives that include the discussion and understanding of the current doctrinal perspective on the work environment and psychosocial risks, evaluation of current jurisprudence on these risks, exploration of different modalities of civil liability applicable in Labor Law, investigation of the nuances of accountability in cases of mental illness, and finally, the formulation of objective responsibility hypotheses for job categories exposed to psychosocial risks. The research is based on a deductive approach, using pre-existing literature to develop a general model. A bibliographic survey will be carried out, prioritizing peer-reviewed materials in databases like Scopus, Web of Science, among others. The research will also conduct a qualitative analysis of Theme 932 by the STF. Regarding jurisprudential research, a qualitative descriptive approach will be adopted, focused on rulings of the TST, TRT2, and TRT15. The selection will prioritize rulings related to mental illness and employer responsibility, due to the identification of terms insufficiently addressed in the literature. As for the results and conclusions found, the research points out that while work can be a source of balance for the worker, certain conditions can pose risks to mental health, with psychological and somatic consequences. Although jurisprudence does not often link illness to the work environment, it is vital to recognize psychosocial risks equivalently to other risks. The thesis proposes a reinterpretation of current legal provisions and suggests considering psychosocial risk factors as a form of labor-environmental pollution, enabling the objective liability of the employer, as per the systemic interpretation of the 1988 Constitution and environmental legislation. The objective liability of the employer is advocated, requiring clear metrics, legislative updates, and conscious work management, aiming for a healthy and sustainable work environment.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFeliciano, Guilherme GuimarãesDuarte, Renan Fernandes2023-12-06info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2138/tde-23052024-141004/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-12-05T20:04:02Zoai:teses.usp.br:tde-23052024-141004Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-12-05T20:04:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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