Protagonismo feminino no Sistema Ancestral de Saúde Indígena - SASI: rituais indígenas e o povo Katokinn no Alto Sertão do nordeste brasileiro
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-25082025-170008/ |
Resumo: | O objetivo do estudo foi compreender as concepções e a pragmática de produção de cuidados em saúde do povo Katokinn, no Alto Sertão alagoano do nordeste brasileiro Trata-se de estudo qualitativo utilizando a etnografia e elementos da pesquisa participante e ocorreu entre 2019 a 2024, tendo ocorrido de forma virtual, no ano de 2020, devido à pandemia Covid-19. Os dados foram produzidos através da observação participante, diário de campo, rodas de conversa, contação de causos, entrevistas abertas e semiestruturadas e relatos de sonhos. No tratamento dos dados utilizei os recursos de imersão, leitura e releitura exaustiva do material produzido. O tratamento dos dados identificou os seguintes resultados: o protagonismo feminino em um amplo e complexo Sistema Ancestral de Saúde Indígena-SASI, envolvendo várias as etnias próximas à Katokinn até a Pankararu, em Pernambuco. A dimensão do SASI se estende a dois subsistemas de produção de cuidados em saúde, o qual são o Sistema Único de Saúde-SUS e a Linha da Esquerda, composta por ritualidades afro-brasileira e indígena-afro-brasileira. Outro resultado importante foi a concepção de saúde dos Katokinn que se assemelha a dos demais povos indígenas, guardadas as particularidades étnicas e cosmológicas. Nessa concepção ampliada de saúde, os Katokinn, e demais povos, definem a demarcação e proteção dos territórios indígenas como fundamentais. E ainda, que sem a cura dos seres humanos se reconectando à Mãe Terra, não pode existir a saúde planetária e ancestral. Para que a saúde, não apenas indígena, mas de toda a humanidade, possa existir, esse processo amplo é necessário. Para que esse objetivo seja atingido, a colonialidade e a modernidade precisam ser enfrentadas. A interpretação do resultado e suas categorias de análise se ancorou em autorias cuja produção intelectual se apresentam como contracolonial e de exposição da falência do modelo civilizatório pautado na modernidade, tendo a centralidade de raça e gênero, na perspectiva da justiça social. Considerei produções de intelectuais preferencialmente indígenas e, eventualmente, as não indígenas. Os intelectuais da Katokinn também ajudaram na análise dos resultados e na criação de conceitos teórico, assim como eu também precisei construir alguns para realizar a análise na perspectiva dos paradigmas e epistemologias indígenas/negras. Exercitei uma escrita contracolonial com o que denominei de reconciliação epistêmica, enquanto recurso necessário para a interculturalidade. |
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Protagonismo feminino no Sistema Ancestral de Saúde Indígena - SASI: rituais indígenas e o povo Katokinn no Alto Sertão do nordeste brasileiroFemale protagonism in the Ancestral Indigenous Health System - SASI: Indigenous rituals and the Katokinn people in the Alto Sertão of northeastern BrazilCuidados de SaúdeHealth CareIndígenas NordestinosIndigenous HealthNortheastern Indigenous PeoplePublic HealthSaúde ColetivaSaúde IndígenaO objetivo do estudo foi compreender as concepções e a pragmática de produção de cuidados em saúde do povo Katokinn, no Alto Sertão alagoano do nordeste brasileiro Trata-se de estudo qualitativo utilizando a etnografia e elementos da pesquisa participante e ocorreu entre 2019 a 2024, tendo ocorrido de forma virtual, no ano de 2020, devido à pandemia Covid-19. Os dados foram produzidos através da observação participante, diário de campo, rodas de conversa, contação de causos, entrevistas abertas e semiestruturadas e relatos de sonhos. No tratamento dos dados utilizei os recursos de imersão, leitura e releitura exaustiva do material produzido. O tratamento dos dados identificou os seguintes resultados: o protagonismo feminino em um amplo e complexo Sistema Ancestral de Saúde Indígena-SASI, envolvendo várias as etnias próximas à Katokinn até a Pankararu, em Pernambuco. A dimensão do SASI se estende a dois subsistemas de produção de cuidados em saúde, o qual são o Sistema Único de Saúde-SUS e a Linha da Esquerda, composta por ritualidades afro-brasileira e indígena-afro-brasileira. Outro resultado importante foi a concepção de saúde dos Katokinn que se assemelha a dos demais povos indígenas, guardadas as particularidades étnicas e cosmológicas. Nessa concepção ampliada de saúde, os Katokinn, e demais povos, definem a demarcação e proteção dos territórios indígenas como fundamentais. E ainda, que sem a cura dos seres humanos se reconectando à Mãe Terra, não pode existir a saúde planetária e ancestral. Para que a saúde, não apenas indígena, mas de toda a humanidade, possa existir, esse processo amplo é necessário. Para que esse objetivo seja atingido, a colonialidade e a modernidade precisam ser enfrentadas. A interpretação do resultado e suas categorias de análise se ancorou em autorias cuja produção intelectual se apresentam como contracolonial e de exposição da falência do modelo civilizatório pautado na modernidade, tendo a centralidade de raça e gênero, na perspectiva da justiça social. Considerei produções de intelectuais preferencialmente indígenas e, eventualmente, as não indígenas. Os intelectuais da Katokinn também ajudaram na análise dos resultados e na criação de conceitos teórico, assim como eu também precisei construir alguns para realizar a análise na perspectiva dos paradigmas e epistemologias indígenas/negras. Exercitei uma escrita contracolonial com o que denominei de reconciliação epistêmica, enquanto recurso necessário para a interculturalidade.The study\'s objective was to understand the conceptions and pragmatics of healthcare production among the Katokinn people in the Alto Sertão of Alagoas, northeastern Brazil. This qualitative study employed ethnography and elements of participatory research, taking place between 2019 and 2. The study was conducted virtually in 2020 due to the COVID-19 pandemic. Data were produced through participant observation, field diary, conversation circles, storytelling, open and semi-structured interviews and dream reports. When processing the data, I used the resources of immersion, reading and exhaustive re-reading of the material produced. Data processing identified the following results: female protagonism in a broad and complex Ancestral Indigenous Health System-SASI, involving several ethnicities close to Katokinn to Pankararu, in Pernambuco. The dimension of SASI extends to two sub-systems of health care production: the Unified Health System (SUS) and Linha da Esquerda, composed of Afro-Brazilian and indigenous-Afro-Brazilian rituals. Another important result was Katokinn\'s conception of health, similar to that of many indigenous peoples, preserved as ethnic and cosmological particularities. In this expanded conception of health, the Katokinn and other peoples define the demarcation and protection of indigenous territories. And yet, without the healing of human beings reconnecting to Mother Earth, planetary and ancestral health cannot exist. For health, not just for Indigenous people, but for all humanity, to exist, this broad process is necessary. For this objective to be achieved, colonialism and modernity need to be faced. The interpretation of the result and its categories of analysis were anchored in authors whose intellectual production presents itself as counter-colonial and exposes the failure of the civilizational model based on modernity, with the centrality of race and gender, from the perspective of social justice. We consider intellectual productions preferably indigenous and occasionally non-indigenous. Katokinn intellectuals also helped in analyzing the results and creating theoretical concepts, just as I also needed to build some to carry out the analysis from the perspective of indigenous/black paradigms and epistemologies. I practised counter-colonial writing with what I called epistemic reconciliation, as a necessary resource for interculturally.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFrança Junior, IvanQueiroz, Sandra Bomfim de2025-06-18info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6143/tde-25082025-170008/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-25T20:15:02Zoai:teses.usp.br:tde-25082025-170008Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-25T20:15:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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