Tempo biológico e globalização: uma análise com trabalhadores do comércio exterior

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2023
Autor(a) principal: Santos, Luciene Barbosa de Sousa
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100135/tde-07022024-161410/
Resumo: A vida humana contemporânea se expressa por uma temporalidade que é nova na natureza, consequência em grande parte da revolução tecnológica nas comunicações e caracterizada pelo potencial aumento de realização de tarefas, pela velocidade e apressamento das ações e pela comunicação a distância em tempo real. Tal condição também é fruto do processo de globalização, surgido como uma das possibilidades de organização social da vida humana no final do século XV. A partir desse processo, intensificaram-se as oportunidades de trocas comerciais entre regiões distantes geograficamente, o que provocou mudanças de ordem social, econômica, política e sobretudo cultural, que se relacionam à experiência do espaço-tempo. Milton Santos, David Harvey e Ricardo Antunes, em suas considerações sobre as consequências da produção e circulação do capital, contribuem para uma análise, na qual é possível compreender aspectos sociais e biológicos de temporização do corpo humano, horários de trabalho, assim como possíveis conflitos. Associados à capacidade e à saúde do trabalhador, estes conflitos emergem da organização temporal do trabalho e, nesta pesquisa, se investiga como o tempo biológico é desafiado pelas atuais condições tecnológicas de comunicação. O presente estudo foca em profissionais do comércio exterior, que precisam se comunicar com outras regiões do globo, o que gera possíveis divergências entre os horários de trabalho praticados no Brasil e em outros países, caracterizando uma espécie de conflito temporal. Para pensar sobre esse problema e compreender os conflitos entre o tempo biológico e o tempo de atividade de comunicação de profissionais deste setor, far-se-á uma análise à luz da interdisciplinaridade. Para tanto, foram mobilizados os estudos da história, da geografia e da cronobiologia e esta, de caráter multidisciplinar, validada a partir dos meados do século XX, uma subárea da biologia que trata dos ritmos biológicos, do tempo cíclico da natureza e a possível incompatibilidade com os horários sociais. Os resultados dos questionários e entrevistas revelaram que os trabalhadores do comércio exterior vivenciam a experiência de tempo de trabalho de modo incomum. Isso se deve ao fato de que o cumprimento de parte de suas tarefas depende do fuso horário de outros países. Eles se conectam ao trabalho a qualquer hora do dia ou da noite e relataram dificuldades em se adaptar a esses horários de trabalho, especialmente devido à interrupção e a redução do período de sono noturno. A análise deste padrão de trabalho, do ponto de vista da Cronobiologia, desvela uma espécie de perversidade temporal que ainda passa despercebida pelas estruturas sociais responsáveis pela saúde no trabalho e que, no entanto, são ameaças à saúde do trabalhador.
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Milton Santos, David Harvey e Ricardo Antunes, em suas considerações sobre as consequências da produção e circulação do capital, contribuem para uma análise, na qual é possível compreender aspectos sociais e biológicos de temporização do corpo humano, horários de trabalho, assim como possíveis conflitos. Associados à capacidade e à saúde do trabalhador, estes conflitos emergem da organização temporal do trabalho e, nesta pesquisa, se investiga como o tempo biológico é desafiado pelas atuais condições tecnológicas de comunicação. O presente estudo foca em profissionais do comércio exterior, que precisam se comunicar com outras regiões do globo, o que gera possíveis divergências entre os horários de trabalho praticados no Brasil e em outros países, caracterizando uma espécie de conflito temporal. Para pensar sobre esse problema e compreender os conflitos entre o tempo biológico e o tempo de atividade de comunicação de profissionais deste setor, far-se-á uma análise à luz da interdisciplinaridade. Para tanto, foram mobilizados os estudos da história, da geografia e da cronobiologia e esta, de caráter multidisciplinar, validada a partir dos meados do século XX, uma subárea da biologia que trata dos ritmos biológicos, do tempo cíclico da natureza e a possível incompatibilidade com os horários sociais. Os resultados dos questionários e entrevistas revelaram que os trabalhadores do comércio exterior vivenciam a experiência de tempo de trabalho de modo incomum. Isso se deve ao fato de que o cumprimento de parte de suas tarefas depende do fuso horário de outros países. Eles se conectam ao trabalho a qualquer hora do dia ou da noite e relataram dificuldades em se adaptar a esses horários de trabalho, especialmente devido à interrupção e a redução do período de sono noturno. A análise deste padrão de trabalho, do ponto de vista da Cronobiologia, desvela uma espécie de perversidade temporal que ainda passa despercebida pelas estruturas sociais responsáveis pela saúde no trabalho e que, no entanto, são ameaças à saúde do trabalhador.Contemporary human life is expressed with a temporality that is new in nature, largely a consequence of technological revolution in communications and it is characterized by the potential increase in the performance of tasks, in the speed and haste of actions, and by real-time distance communication. This condition is also the result of the globalization process, which emerged as one of the possibilities for the social organization of human life at the end of the 15th century. From this process onwards, there was a turning point and an intensification of opportunities for commercial exchanges between geographically distant regions and as consequences there were social, economic, political and, above all, cultural changes that are related to the experience of space-time.Milton Santos, David Harvey and Ricardo Antunes, in their considerations on the consequences of the production and circulation of capital, contribute to an analysis, in which it is possible to understand social and biological aspects of timing of the human body, work schedules, as well as possible conflicts.Associated with the worker\'s ability and health, these conflicts emerge from the temporal organization of work. In this research, we explore how biological time is challenged by current technological conditions of communication. This study focuses on foreign trade professionals, who need to perform their work, they have to communicate with other regions of the globe, which generates possible divergences between working hours practiced in Brazil and in other countries, characterizing a kind of temporal conflict. To think about this problem and understand the conflicts between the biological timing and the communication activity time of professionals in this sector, an analysis will be made in the light of interdisciplinarity. For this purpose, studies of, history, geography and chronobiology were mobilized, and this, of a multidisciplinary nature, validated from the middle of the 20th century, a subarea of biology that deals with biological rhythms, the cyclical time of nature and the possible incompatibility of social hours. The results of the questionnaires and interviews revealed that foreign trade workers experience working time in an unusual way. This is due to the fact that the fulfillment of part of its tasks depends on the time zone of other countries. They connect to work at any time of the day or night and report difficulties in adapting to these work schedules, especially due to the interruption and reduction of nighttime sleep. The analysis of this work pattern from the point of view of Chronobiology reveals a type of temporal perversity that still goes unnoticed by the social structures responsible for health at work and which, however, pose threats to the worker\'s health.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPedrazzoli Neto, MarioSantos, Luciene Barbosa de Sousa2023-12-12info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/100/100135/tde-07022024-161410/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-04T19:35:01Zoai:teses.usp.br:tde-07022024-161410Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-04T19:35:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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