Tafonomia e sistemática dos microfósseis das formações Tamengo e Guaicurus (Grupo Corumbá, faixa Paraguai Sul) e suas implicações paleoambientais
| Ano de defesa: | 2023 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/44/44141/tde-09112023-081950/ |
Resumo: | Este trabalho apresenta uma caracterização detalhada da tafonomia e da sistemática dos microfósseis das formações Tamengo e Guaicurus, Grupo Corumbá faixa Paraguai Sul, Brasil. Para tanto foram aplicados métodos de microscopia (óptica e eletrônica de varredura) e espectrometria Raman em microfósseis encontrados em seções delgadas e preparações palinológicas e de microfósseis mineralizados. A identificação das feições de origem tafonômica mostrou-se essencial para evitar identificações taxonômicas indevidas bem como a superestimação da paleodiversidade. A identificação e contagem dos microfósseis foi feita em amostras com preciso posicionamento estratigráfico, possibilitando avaliar sua distribuição e sua relação com os macrofósseis. Além dos microfósseis, também foram analisados pseudofósseis, a fim de estabelecer critérios que possam distingui-los dos fósseis bona fide. Esses pseudofósseis correspondem a materiais diagenéticos, como concreções de óxidos de ferro e também a artefatos formados em laboratório, pela reação entre amostras contendo pirita e o peróxido de hidrogênio, empregado na preparação de microfósseis mineralizados. Esses artefatos podem assumir formas semelhantes a de cloudinídeos, no entanto, distinguem-se destes pelo seu tamanho, sua composição de material amorfo contendo Fe, O, Ca e P e por não ocorrerem em seção delgada. Os microfósseis identificados a partir de amostras das formações Tamengo e Guaicurus são: Leiosphaeridia jacutica, Leiosphaeridia crassa, Leiosphaeridia minutissima, Leiosphaeridia cf. tenuissima, Germinosphaera sp. e fragmentos de macroalgas. Além desses, nos calcários da Formação Tamengo também foram encontrados tubos de Cloudina lucianoi, microfósseis vasiformes, Vendotaenia? sp., Myxococcoides? sp., Siphonophycus? sp. e uma testa retrabalhada de Bonniea cf. dacruchares. Eoholynia corumbensis foi identificada apenas na Formação Guaicurus. No resíduo palinológico, a quase totalidade dos espécimes identificados em ambas formações é constituída por Leiosphaeridia jacutica e Leiosphaeridia crassa. Esses acritarcos consistem em formas esféricas simples, que possuem distribuição cosmopolita nos ambientes marinhos no final do Ediacarano, ocorrendo também, em algumas seções, no início do Cambriano. Os microfósseis orgânicos apresentam menor viés tafonômico do que os macrofósseis, podendo ser encontrados em diferentes fácies, tanto carbonáticas como siliciclásticas, e de variadas granulometrias. Contudo, a aplicação bioestratigráfica desses microfósseis é muito limitada devido à sua ampla distribuição no registro fóssil, desde o Proterozoico ao Paleozoico. A abundância total e a abundância relativa dos microfósseis orgânicos apresenta variação ao longo das seções geológicas e entre as diferentes seções, constituindo mais uma fonte de informação para a auxiliar na interpretação paleoambiental. Grainstones, packstones e wackestones apresentam maior potencial de preservação dos microfósseis orgânicos do que mudstones carbonosos e siltitos/argilitos. Além disso, os microfósseis orgânicos de maior tamanho tendem a ser mais abundantes nas fácies de maior granulometria, como grainstones, o que pode ser interpretado como efeito das condições hidrodinâmicas na sua tafonomia. |
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Além dos microfósseis, também foram analisados pseudofósseis, a fim de estabelecer critérios que possam distingui-los dos fósseis bona fide. Esses pseudofósseis correspondem a materiais diagenéticos, como concreções de óxidos de ferro e também a artefatos formados em laboratório, pela reação entre amostras contendo pirita e o peróxido de hidrogênio, empregado na preparação de microfósseis mineralizados. Esses artefatos podem assumir formas semelhantes a de cloudinídeos, no entanto, distinguem-se destes pelo seu tamanho, sua composição de material amorfo contendo Fe, O, Ca e P e por não ocorrerem em seção delgada. Os microfósseis identificados a partir de amostras das formações Tamengo e Guaicurus são: Leiosphaeridia jacutica, Leiosphaeridia crassa, Leiosphaeridia minutissima, Leiosphaeridia cf. tenuissima, Germinosphaera sp. e fragmentos de macroalgas. Além desses, nos calcários da Formação Tamengo também foram encontrados tubos de Cloudina lucianoi, microfósseis vasiformes, Vendotaenia? sp., Myxococcoides? sp., Siphonophycus? sp. e uma testa retrabalhada de Bonniea cf. dacruchares. Eoholynia corumbensis foi identificada apenas na Formação Guaicurus. No resíduo palinológico, a quase totalidade dos espécimes identificados em ambas formações é constituída por Leiosphaeridia jacutica e Leiosphaeridia crassa. Esses acritarcos consistem em formas esféricas simples, que possuem distribuição cosmopolita nos ambientes marinhos no final do Ediacarano, ocorrendo também, em algumas seções, no início do Cambriano. Os microfósseis orgânicos apresentam menor viés tafonômico do que os macrofósseis, podendo ser encontrados em diferentes fácies, tanto carbonáticas como siliciclásticas, e de variadas granulometrias. Contudo, a aplicação bioestratigráfica desses microfósseis é muito limitada devido à sua ampla distribuição no registro fóssil, desde o Proterozoico ao Paleozoico. A abundância total e a abundância relativa dos microfósseis orgânicos apresenta variação ao longo das seções geológicas e entre as diferentes seções, constituindo mais uma fonte de informação para a auxiliar na interpretação paleoambiental. Grainstones, packstones e wackestones apresentam maior potencial de preservação dos microfósseis orgânicos do que mudstones carbonosos e siltitos/argilitos. Além disso, os microfósseis orgânicos de maior tamanho tendem a ser mais abundantes nas fácies de maior granulometria, como grainstones, o que pode ser interpretado como efeito das condições hidrodinâmicas na sua tafonomia.This work presents a detailed characterization of the taphonomy and systematics of the microfossils of the Tamengo and Guaicurus formations, Corumbá Group Southern Paraguay belt, Brazil. Microscopy methods (optical and scanning electron scanning) and Raman spectrometry were applied to microfossils found in thin sections, palynological residue and mineralized microfossils preparation. The identification of taphonomic features proved to be essential to avoid improper taxonomic identifications as well as the overestimation of paleodiversity. Identification and counting of microfossils were conducted in samples with precise stratigraphic positioning, making it possible to evaluate their distribution and their relationship with macrofossils. In addition to microfossils, pseudofossils have also been analyzed in order to establish criteria that can distinguish them from bona fide fossils. These pseudofossils correspond to diagenetic materials, such as concretions of iron oxide and also to artifacts formed in the laboratory by the reaction between samples containing pyrite and hydrogen peroxide, used in the preparation of mineralized microfossils. These artifacts can assume forms similar to cloudinids, however, they are distinguished from these by their size, their composition of amorphous material containing Fe, O, Ca and P and by not occurring in thin section. The microfossils identified from samples of the Tamengo and Guaicurus formations are: Leiosphaeridia jacutica, Leiosphaeridia crassa, Leiosphaeridia minutissima, Leiosphaeridia cf. tenuissima, Germinosphaera sp. and fragments of macroalgae. In addition to these, in the limestones of the Tamengo Formation were also found: tubes of Cloudina lucianoi, vase-shaped microfossils, Vendotaenia? sp., Myxococcoides? sp., Siphonophycus? sp. and a reworked test of Bonniea cf. dacruchares. Eoholynia corumbensis has been identified only in the Guaicurus Formation. In the palynological residue, almost all the specimens identified in both formations consist of Leiosphaeridia jacutica and Leiosphaeridia crassa. These acritarchs present simple spherical vesicles and have a cosmopolitan distribution in marine environments in the late Ediacaran, also occurring, in some sections, in the early Cambrian. Organic microfossils have less taphonomic bias than macrofossils, and can be found in different facies, both carbonate and siliciclastic, and of varied grain sizes. However, the biostratigraphic application of these microfossils is very limited due to their wide distribution in the fossil record, from the Proterozoic to the Paleozoic. The total abundance and relative abundance of organic microfossils varies along the geological sections and between the different sections, constituting another source of information to support the paleoenvironmental interpretation. Grainstones, packstones and wackestones have greater preservation potential of organic microfossils than carbonaceous mudstones and siltstones/argillites. In addition, larger organic microfossils tend to be more abundant in the facies of greater grain size, such as grainstones, which can be interpreted as an effect of hydrodynamic conditions on their taphonomy.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCarmo, Dermeval Aparecido doLeme, Juliana de Moraes Toniolo, Thiago de Freitas2023-09-29info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/44/44141/tde-09112023-081950/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2023-11-09T11:00:05Zoai:teses.usp.br:tde-09112023-081950Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212023-11-09T11:00:05Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Este trabalho apresenta uma caracterização detalhada da tafonomia e da sistemática dos microfósseis das formações Tamengo e Guaicurus, Grupo Corumbá faixa Paraguai Sul, Brasil. Para tanto foram aplicados métodos de microscopia (óptica e eletrônica de varredura) e espectrometria Raman em microfósseis encontrados em seções delgadas e preparações palinológicas e de microfósseis mineralizados. A identificação das feições de origem tafonômica mostrou-se essencial para evitar identificações taxonômicas indevidas bem como a superestimação da paleodiversidade. A identificação e contagem dos microfósseis foi feita em amostras com preciso posicionamento estratigráfico, possibilitando avaliar sua distribuição e sua relação com os macrofósseis. Além dos microfósseis, também foram analisados pseudofósseis, a fim de estabelecer critérios que possam distingui-los dos fósseis bona fide. Esses pseudofósseis correspondem a materiais diagenéticos, como concreções de óxidos de ferro e também a artefatos formados em laboratório, pela reação entre amostras contendo pirita e o peróxido de hidrogênio, empregado na preparação de microfósseis mineralizados. Esses artefatos podem assumir formas semelhantes a de cloudinídeos, no entanto, distinguem-se destes pelo seu tamanho, sua composição de material amorfo contendo Fe, O, Ca e P e por não ocorrerem em seção delgada. Os microfósseis identificados a partir de amostras das formações Tamengo e Guaicurus são: Leiosphaeridia jacutica, Leiosphaeridia crassa, Leiosphaeridia minutissima, Leiosphaeridia cf. tenuissima, Germinosphaera sp. e fragmentos de macroalgas. Além desses, nos calcários da Formação Tamengo também foram encontrados tubos de Cloudina lucianoi, microfósseis vasiformes, Vendotaenia? sp., Myxococcoides? sp., Siphonophycus? sp. e uma testa retrabalhada de Bonniea cf. dacruchares. Eoholynia corumbensis foi identificada apenas na Formação Guaicurus. No resíduo palinológico, a quase totalidade dos espécimes identificados em ambas formações é constituída por Leiosphaeridia jacutica e Leiosphaeridia crassa. Esses acritarcos consistem em formas esféricas simples, que possuem distribuição cosmopolita nos ambientes marinhos no final do Ediacarano, ocorrendo também, em algumas seções, no início do Cambriano. Os microfósseis orgânicos apresentam menor viés tafonômico do que os macrofósseis, podendo ser encontrados em diferentes fácies, tanto carbonáticas como siliciclásticas, e de variadas granulometrias. Contudo, a aplicação bioestratigráfica desses microfósseis é muito limitada devido à sua ampla distribuição no registro fóssil, desde o Proterozoico ao Paleozoico. A abundância total e a abundância relativa dos microfósseis orgânicos apresenta variação ao longo das seções geológicas e entre as diferentes seções, constituindo mais uma fonte de informação para a auxiliar na interpretação paleoambiental. Grainstones, packstones e wackestones apresentam maior potencial de preservação dos microfósseis orgânicos do que mudstones carbonosos e siltitos/argilitos. Além disso, os microfósseis orgânicos de maior tamanho tendem a ser mais abundantes nas fácies de maior granulometria, como grainstones, o que pode ser interpretado como efeito das condições hidrodinâmicas na sua tafonomia. |
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