Efeitos de vizinhança sobre o crescimento de espécies pioneiras e não-pioneiras em plantio de restauração ecológica
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41134/tde-12082025-162447/ |
Resumo: | Em uma comunidade vegetal, os efeitos de vizinhança entre indivíduos próximos influenciam sua estrutura e dinâmica. Esses efeitos incluem as interações de competição e facilitação e podem sofrer influências das características das espécies e indivíduos envolvidos. Semelhanças de nicho entre espécies de um mesmo grupo sucessional e maiores demandas por recursos por indivíduos grandes podem intensificar os efeitos negativos de vizinhança. Nesse contexto, investigamos os efeitos de vizinhança sobre o crescimento de espécies arbóreas em um plantio de restauração em área originalmente ocupada por Floresta de Restinga, considerando os grupos sucessionais das espécies (pioneiras e não-pioneiras) e o tempo transcorrido desde o início plantio. Usamos dados de 19 espécies plantadas em dois sistemas de plantio: em núcleos e em linhas. Para cada espécie, em dois intervalos de tempo, aplicamos quatro modelos lineares para avaliar a influência do grupo sucessional das vizinhas sobre os efeitos de vizinhança (relacionados à área basal das vizinhas): i) efeito igual de todas as vizinhas; ii) efeitos diferentes de vizinhas pioneiras e não-pioneiras; iii) efeito dependente da identidade espécie-específica das vizinhas; iv) ausência de efeito de vizinhança. Contrariamente às expectativas, em muitos casos, o grupo sucessional das vizinhas não foi um fator relevante para explicar diferenças no crescimento das espécies focais. Em relação aos grupos sucessionais das espécies focais, os resultados indicaram que muitas espécies pioneiras apenas sofreram efeitos de vizinhança (em sua maioria negativos) no intervalo de tempo mais tardio, sendo um efeito independente da identidade das vizinhas. As espécies focais não-pioneiras sofreram efeitos negativos desde o início, mas com variações entre a dependência ou não da identidade das vizinhas. Mais tardiamente, o efeito sobre várias espécies não-pioneiras se assemelhou ao das pioneiras no segundo intervalo, sendo determinado predominantemente pela abundância total das vizinhas. Vale ressaltar que algumas espécies de vizinhas se destacaram por terem efeitos frequentemente negativos (Erythrina speciosa) ou positivos (Myrsine coriacea) sobre as focais. Em suma, os efeitos de vizinhança sobre o crescimento foram principalmente negativos e é possível que muitos sejam resultantes de efeitos simultâneos de facilitação por sombreamento (especialmente sobre espécies não-pioneiras no início do plantio) e competição por recursos no solo. Além disso, apesar de semelhanças nas respostas de espécies focais de um mesmo grupo, os efeitos de vizinhança foram muitas vezes influenciados pela identidade, tanto das espécies focais quanto das vizinhas, mas, com o tempo, se tornaram mais homogêneos. Como este trabalho ocorreu em um contexto de restauração ecológica, os resultados podem influenciar futuros projetos de restauração. Dados os efeitos predominantemente negativos das vizinhas sobre o crescimento das plantas em núcleos, em futuros plantios em núcleos, pode ser mais adequado aumentar o espaçamento entre indivíduos, evitar o plantio de espécies que têm mais efeitos negativos e aumentar o uso daquelas que têm efeitos positivos. |
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Efeitos de vizinhança sobre o crescimento de espécies pioneiras e não-pioneiras em plantio de restauração ecológicaNeighborhood effects on the growth of pioneer and non-pioneer species in ecological restoration plantingCommunity ecologyCompetiçãoCompetitionEcologia da restauraçãoEcologia de comunidadesFacilitaçãoFacilitacionGrupos sucessionaisRestoration ecologySuccessional groupEm uma comunidade vegetal, os efeitos de vizinhança entre indivíduos próximos influenciam sua estrutura e dinâmica. Esses efeitos incluem as interações de competição e facilitação e podem sofrer influências das características das espécies e indivíduos envolvidos. Semelhanças de nicho entre espécies de um mesmo grupo sucessional e maiores demandas por recursos por indivíduos grandes podem intensificar os efeitos negativos de vizinhança. Nesse contexto, investigamos os efeitos de vizinhança sobre o crescimento de espécies arbóreas em um plantio de restauração em área originalmente ocupada por Floresta de Restinga, considerando os grupos sucessionais das espécies (pioneiras e não-pioneiras) e o tempo transcorrido desde o início plantio. Usamos dados de 19 espécies plantadas em dois sistemas de plantio: em núcleos e em linhas. Para cada espécie, em dois intervalos de tempo, aplicamos quatro modelos lineares para avaliar a influência do grupo sucessional das vizinhas sobre os efeitos de vizinhança (relacionados à área basal das vizinhas): i) efeito igual de todas as vizinhas; ii) efeitos diferentes de vizinhas pioneiras e não-pioneiras; iii) efeito dependente da identidade espécie-específica das vizinhas; iv) ausência de efeito de vizinhança. Contrariamente às expectativas, em muitos casos, o grupo sucessional das vizinhas não foi um fator relevante para explicar diferenças no crescimento das espécies focais. Em relação aos grupos sucessionais das espécies focais, os resultados indicaram que muitas espécies pioneiras apenas sofreram efeitos de vizinhança (em sua maioria negativos) no intervalo de tempo mais tardio, sendo um efeito independente da identidade das vizinhas. As espécies focais não-pioneiras sofreram efeitos negativos desde o início, mas com variações entre a dependência ou não da identidade das vizinhas. Mais tardiamente, o efeito sobre várias espécies não-pioneiras se assemelhou ao das pioneiras no segundo intervalo, sendo determinado predominantemente pela abundância total das vizinhas. Vale ressaltar que algumas espécies de vizinhas se destacaram por terem efeitos frequentemente negativos (Erythrina speciosa) ou positivos (Myrsine coriacea) sobre as focais. Em suma, os efeitos de vizinhança sobre o crescimento foram principalmente negativos e é possível que muitos sejam resultantes de efeitos simultâneos de facilitação por sombreamento (especialmente sobre espécies não-pioneiras no início do plantio) e competição por recursos no solo. Além disso, apesar de semelhanças nas respostas de espécies focais de um mesmo grupo, os efeitos de vizinhança foram muitas vezes influenciados pela identidade, tanto das espécies focais quanto das vizinhas, mas, com o tempo, se tornaram mais homogêneos. Como este trabalho ocorreu em um contexto de restauração ecológica, os resultados podem influenciar futuros projetos de restauração. Dados os efeitos predominantemente negativos das vizinhas sobre o crescimento das plantas em núcleos, em futuros plantios em núcleos, pode ser mais adequado aumentar o espaçamento entre indivíduos, evitar o plantio de espécies que têm mais efeitos negativos e aumentar o uso daquelas que têm efeitos positivos.In plant communities, neighborhood effects influence community structure and dynamics. These effects, including competition and facilitation, can be influenced by species and individuals characteristics. Niche similarities among species from the same successional group and higher resource demands from larger individuals may intensify negative neighborhood effects. In this context, we investigated neighborhood effects on tree growth in a restoration planting established in an area originally covered by Restinga Forest, considering the successional groups of the species (pioneer and non-pioneer) and the time elapsed since initial planting. We analyzed stem diameter data from 19 species planted in two systems: nuclei and row planting. For each species, across two time intervals, we applied four linear models to assess the influence of neighbors successional groups on neighborhood effects (related to neighbors basal area): (i) equal effects from all neighbors; (ii) distinct effects from pioneer and non-pioneer neighbors; (iii) effects dependent on the species-specific identity of neighbors; and (iv) no neighborhood effects. Contrary to expectations, in many cases, the successional group of neighbors was not a key factor in explaining differences in the growth of focal species. Regarding focal species successional groups, results indicated that many pioneer species only experienced neighborhood effects (mostly negative) in the later time interval, and these effects were independent of neighbor identity. Non-pioneer focal species experienced negative effects from the start, but with variations depending on whether the effects were influenced by neighbor identity. At later stages, the effects on several non-pioneer species resembled those observed for pioneer species in the second interval, being predominantly determined by the total neighbor abundance. It is worth noting that some neighbor species had consistently negative (Erythrina speciosa) or positive (Myrsine coriacea) effects on focal species. Overall, neighborhood effects on growth were primarily negative, likely resulting from simultaneous facilitation through shading (especially for non-pioneer species in the early stages of planting) and competition for soil resources. Additionally, although there were similarities in the responses of focal species within the same group, neighborhood effects were frequently influenced by the identity of both focal and neighbor species but became more homogeneous over time. Since this study was conducted in an ecological restoration context, the findings may inform future restoration projects. Given the predominantly negative effects of neighbors on growth in nucleation plantings, future plantings in this system may benefit from increasing spacing between individuals, avoiding species with stronger negative effects, and prioritizing those with positive effects.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMartini, Adriana Maria ZanforlinPrado, Paulo Inácio de Knegt López deFerreira, Joyce Fernandes2025-06-03info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41134/tde-12082025-162447/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-13T17:41:02Zoai:teses.usp.br:tde-12082025-162447Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-13T17:41:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Em uma comunidade vegetal, os efeitos de vizinhança entre indivíduos próximos influenciam sua estrutura e dinâmica. Esses efeitos incluem as interações de competição e facilitação e podem sofrer influências das características das espécies e indivíduos envolvidos. Semelhanças de nicho entre espécies de um mesmo grupo sucessional e maiores demandas por recursos por indivíduos grandes podem intensificar os efeitos negativos de vizinhança. Nesse contexto, investigamos os efeitos de vizinhança sobre o crescimento de espécies arbóreas em um plantio de restauração em área originalmente ocupada por Floresta de Restinga, considerando os grupos sucessionais das espécies (pioneiras e não-pioneiras) e o tempo transcorrido desde o início plantio. Usamos dados de 19 espécies plantadas em dois sistemas de plantio: em núcleos e em linhas. Para cada espécie, em dois intervalos de tempo, aplicamos quatro modelos lineares para avaliar a influência do grupo sucessional das vizinhas sobre os efeitos de vizinhança (relacionados à área basal das vizinhas): i) efeito igual de todas as vizinhas; ii) efeitos diferentes de vizinhas pioneiras e não-pioneiras; iii) efeito dependente da identidade espécie-específica das vizinhas; iv) ausência de efeito de vizinhança. Contrariamente às expectativas, em muitos casos, o grupo sucessional das vizinhas não foi um fator relevante para explicar diferenças no crescimento das espécies focais. Em relação aos grupos sucessionais das espécies focais, os resultados indicaram que muitas espécies pioneiras apenas sofreram efeitos de vizinhança (em sua maioria negativos) no intervalo de tempo mais tardio, sendo um efeito independente da identidade das vizinhas. As espécies focais não-pioneiras sofreram efeitos negativos desde o início, mas com variações entre a dependência ou não da identidade das vizinhas. Mais tardiamente, o efeito sobre várias espécies não-pioneiras se assemelhou ao das pioneiras no segundo intervalo, sendo determinado predominantemente pela abundância total das vizinhas. Vale ressaltar que algumas espécies de vizinhas se destacaram por terem efeitos frequentemente negativos (Erythrina speciosa) ou positivos (Myrsine coriacea) sobre as focais. Em suma, os efeitos de vizinhança sobre o crescimento foram principalmente negativos e é possível que muitos sejam resultantes de efeitos simultâneos de facilitação por sombreamento (especialmente sobre espécies não-pioneiras no início do plantio) e competição por recursos no solo. Além disso, apesar de semelhanças nas respostas de espécies focais de um mesmo grupo, os efeitos de vizinhança foram muitas vezes influenciados pela identidade, tanto das espécies focais quanto das vizinhas, mas, com o tempo, se tornaram mais homogêneos. Como este trabalho ocorreu em um contexto de restauração ecológica, os resultados podem influenciar futuros projetos de restauração. Dados os efeitos predominantemente negativos das vizinhas sobre o crescimento das plantas em núcleos, em futuros plantios em núcleos, pode ser mais adequado aumentar o espaçamento entre indivíduos, evitar o plantio de espécies que têm mais efeitos negativos e aumentar o uso daquelas que têm efeitos positivos. |
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