Imobilização da lacase CotA em esponjas de poliuretano: síntese, caracterização e aplicações
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17131/tde-04042025-100625/ |
Resumo: | A enzima lacase (EC 1.10.3.2) é uma oxidorredutase pertencente à família das enzimas de cobre azul. É uma enzima bem caracterizada e com reconhecida capacidade de operar em condições extremas de temperatura e pH e atividade na oxidação de uma ampla gama de substratos, incluindo compostos fenólicos e materiais lignocelulósicos. Isso a torna uma ferramenta valiosa para a biocatálise, bem como para o tratamento de efluentes industriais e águas residuais. A presente tese estuda a imobilização da lacase da bactéria Bacillus subtilis (CotA) em um suporte de poliuretano, visando sua aplicação em processos de biorremediação, como na degradação de corantes. A pesquisa teve como objetivos sintetizar um suporte capaz de manter a atividade enzimática da CotA, caracterizar as propriedades bioquímicas da enzima imobilizada, avaliar sua capacidade de reutilização e explorar sua eficácia na degradação de corantes. A CotA, expressa como proteína heteróloga em Escherichia coli BL21 Star, foi purificada e submetida a testes de atividade com o substrato ácido 2,2\'-azino-bis(3-etilbenzotiazolina-6-sulfônico) (ABTS), tanto na presença quanto na ausência de solventes orgânicos utilizados na síntese do suporte de poliuretano. A enzima foi inicialmente imobilizada em esponjas de poliuretano através do método de aprisionamento. O pH ótimo da CotA imobilizada foi 3,5 e a temperatura ótima 55 ºC, e 50% de atividade foi mantida após 25 minutos a 90 ºC. No entanto, a CotA imobilizada apresentou uma capacidade limitada de reuso, perdendo cerca de 50% da atividade após o primeiro ciclo, provavelmente devido à lixiviação da enzima. Para superar essas limitações, a estratégia de imobilização foi alterada com a adição de quitosana e glutaraldeído ao suporte, promovendo a imobilização covalente da enzima. Essa nova abordagem resultou em esponjas com maior atividade enzimática total, com aumento da temperatura ótima para 70 ºC. A estabilidade térmica também aumentou, com a manutenção de mais de 40% de atividade após 60 minutos a 90 ºC e uma estabilidade mais duradoura na temperatura de 65ºC, mantendo 75% da atividade após 4 horas. Além disso, mais de 50% da atividade foi mantida nas esponjas após 10 ciclos de reuso. Ainda, houve uma alta estabilidade de armazenamento, com retenção de mais de 90% da atividade após 30 dias em tampão a 4 ºC e também com a possibilidade de armazenamento das esponjas secas. Esponjas contendo CotA imobilizada covalentemente também foram aplicadas na descoloração dos corantes fenólicos Azul de Bromofenol e Vermelho de Fenol. As esponjas contendo enzima alcançaram uma remoção de 85% do corante, enquanto que a mesma quantidade de enzima livre promoveu uma descoloração de 25%. Conclui-se que as esponjas de poliuretano desenvolvidas são um suporte adequado para a imobilização da lacase CotA, e que a imobilização covalente, possibilitada pela adição de quitosana e o tratamento com glutaraldeído, ofereceu vantagens significativas em termos de estabilidade enzimática, operacional e de armazenamento. |
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Imobilização da lacase CotA em esponjas de poliuretano: síntese, caracterização e aplicaçõesImmobilization of laccase CotA in polyurethane sponges: synthesis, characterization, and applicationsBioremediationBiorremediaçãoEnzymatic ImmobilizationImobilização enzimáticaLacaseLaccaseOxidoreductasesOxidorredutasesPoliuretanoPolyurethaneA enzima lacase (EC 1.10.3.2) é uma oxidorredutase pertencente à família das enzimas de cobre azul. É uma enzima bem caracterizada e com reconhecida capacidade de operar em condições extremas de temperatura e pH e atividade na oxidação de uma ampla gama de substratos, incluindo compostos fenólicos e materiais lignocelulósicos. Isso a torna uma ferramenta valiosa para a biocatálise, bem como para o tratamento de efluentes industriais e águas residuais. A presente tese estuda a imobilização da lacase da bactéria Bacillus subtilis (CotA) em um suporte de poliuretano, visando sua aplicação em processos de biorremediação, como na degradação de corantes. A pesquisa teve como objetivos sintetizar um suporte capaz de manter a atividade enzimática da CotA, caracterizar as propriedades bioquímicas da enzima imobilizada, avaliar sua capacidade de reutilização e explorar sua eficácia na degradação de corantes. A CotA, expressa como proteína heteróloga em Escherichia coli BL21 Star, foi purificada e submetida a testes de atividade com o substrato ácido 2,2\'-azino-bis(3-etilbenzotiazolina-6-sulfônico) (ABTS), tanto na presença quanto na ausência de solventes orgânicos utilizados na síntese do suporte de poliuretano. A enzima foi inicialmente imobilizada em esponjas de poliuretano através do método de aprisionamento. O pH ótimo da CotA imobilizada foi 3,5 e a temperatura ótima 55 ºC, e 50% de atividade foi mantida após 25 minutos a 90 ºC. No entanto, a CotA imobilizada apresentou uma capacidade limitada de reuso, perdendo cerca de 50% da atividade após o primeiro ciclo, provavelmente devido à lixiviação da enzima. Para superar essas limitações, a estratégia de imobilização foi alterada com a adição de quitosana e glutaraldeído ao suporte, promovendo a imobilização covalente da enzima. Essa nova abordagem resultou em esponjas com maior atividade enzimática total, com aumento da temperatura ótima para 70 ºC. A estabilidade térmica também aumentou, com a manutenção de mais de 40% de atividade após 60 minutos a 90 ºC e uma estabilidade mais duradoura na temperatura de 65ºC, mantendo 75% da atividade após 4 horas. Além disso, mais de 50% da atividade foi mantida nas esponjas após 10 ciclos de reuso. Ainda, houve uma alta estabilidade de armazenamento, com retenção de mais de 90% da atividade após 30 dias em tampão a 4 ºC e também com a possibilidade de armazenamento das esponjas secas. Esponjas contendo CotA imobilizada covalentemente também foram aplicadas na descoloração dos corantes fenólicos Azul de Bromofenol e Vermelho de Fenol. As esponjas contendo enzima alcançaram uma remoção de 85% do corante, enquanto que a mesma quantidade de enzima livre promoveu uma descoloração de 25%. Conclui-se que as esponjas de poliuretano desenvolvidas são um suporte adequado para a imobilização da lacase CotA, e que a imobilização covalente, possibilitada pela adição de quitosana e o tratamento com glutaraldeído, ofereceu vantagens significativas em termos de estabilidade enzimática, operacional e de armazenamento.The enzyme laccase (EC 1.10.3.2) is an oxidoreductase belonging to the family of blue copper enzymes. It is a well-characterized enzyme with a recognized ability to operate in extreme conditions of temperature and pH and it performs the oxidation of a wide range of substrates, including phenolic compounds and lignocellulosic materials. These features make it a valuable tool for biocatalysis, as well as for the treatment of industrial effluents and wastewater. This thesis studies the immobilization of laccase from the bacterium Bacillus subtilis (CotA) on a polyurethane support, aiming for its application in bioremediation processes, such as the degradation of dyes. The research aimed to synthesize a support capable of maintaining the enzymatic activity of CotA, characterize the biochemical properties of the immobilized enzyme, evaluate its reusability, and explore its effectiveness in dye degradation. CotA, expressed as a heterologous protein in Escherichia coli BL21 Star, was purified and subjected to activity tests with the substrate 2,2\'-azino-bis(3-ethylbenzothiazoline-6-sulfonic acid) (ABTS), both in the presence and the absence of organic solvents used in the synthesis of the polyurethane support. The enzyme was initially immobilized in polyurethane sponges through the entrapment method. The optimal pH of the immobilized CotA was 3.5 and the optimal temperature was 55 ºC, with 50% of activity maintained after 25 minutes at 90 ºC. However, the immobilized CotA has a limited reuse capacity, losing about 50% of its activity after the first cycle, likely due to enzyme leaching. To overcome these limitations, the immobilization strategy was modified by adding chitosan and glutaraldehyde to the support, promoting the covalent immobilization of the enzyme. This new approach resulted in sponges with higher total enzymatic activity and an optimal temperature increase to 70 ºC. Thermal stability has also increased, with the maintenance of over 40% activity after 60 minutes at 90 ºC and a more lasting stability at a temperature of 65 ºC, maintaining 75% of activity after 4 hours. Furthermore, more than 50% of activity was retained in the sponges after 10 reuse cycles. Additionally, there was high storage stability, with over 90% activity retention after 30 days in buffer at 4 ºC, as well as the possibility of storing the dry sponges. Sponges containing covalently immobilized CotA were also applied in the decolorization of the phenolic dyes Bromophenol Blue and Phenol Red. The sponges with CotA achieved a removal of 85% of the dye, while the same amount of free enzyme promoted decolorization of 25%. It is concluded that the developed polyurethane sponges are a suitable support for the immobilization of CotA laccase and that covalent immobilization was possible by the addition of chitosan and treatment with glutaraldehyde, providing significant advantages in terms of enzymatic, operational and storage stability.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPWard, Richard JohnSoares, Jéssica de Moura2024-12-12info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17131/tde-04042025-100625/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-08-08T17:29:02Zoai:teses.usp.br:tde-04042025-100625Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-08-08T17:29:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A enzima lacase (EC 1.10.3.2) é uma oxidorredutase pertencente à família das enzimas de cobre azul. É uma enzima bem caracterizada e com reconhecida capacidade de operar em condições extremas de temperatura e pH e atividade na oxidação de uma ampla gama de substratos, incluindo compostos fenólicos e materiais lignocelulósicos. Isso a torna uma ferramenta valiosa para a biocatálise, bem como para o tratamento de efluentes industriais e águas residuais. A presente tese estuda a imobilização da lacase da bactéria Bacillus subtilis (CotA) em um suporte de poliuretano, visando sua aplicação em processos de biorremediação, como na degradação de corantes. A pesquisa teve como objetivos sintetizar um suporte capaz de manter a atividade enzimática da CotA, caracterizar as propriedades bioquímicas da enzima imobilizada, avaliar sua capacidade de reutilização e explorar sua eficácia na degradação de corantes. A CotA, expressa como proteína heteróloga em Escherichia coli BL21 Star, foi purificada e submetida a testes de atividade com o substrato ácido 2,2\'-azino-bis(3-etilbenzotiazolina-6-sulfônico) (ABTS), tanto na presença quanto na ausência de solventes orgânicos utilizados na síntese do suporte de poliuretano. A enzima foi inicialmente imobilizada em esponjas de poliuretano através do método de aprisionamento. O pH ótimo da CotA imobilizada foi 3,5 e a temperatura ótima 55 ºC, e 50% de atividade foi mantida após 25 minutos a 90 ºC. No entanto, a CotA imobilizada apresentou uma capacidade limitada de reuso, perdendo cerca de 50% da atividade após o primeiro ciclo, provavelmente devido à lixiviação da enzima. Para superar essas limitações, a estratégia de imobilização foi alterada com a adição de quitosana e glutaraldeído ao suporte, promovendo a imobilização covalente da enzima. Essa nova abordagem resultou em esponjas com maior atividade enzimática total, com aumento da temperatura ótima para 70 ºC. A estabilidade térmica também aumentou, com a manutenção de mais de 40% de atividade após 60 minutos a 90 ºC e uma estabilidade mais duradoura na temperatura de 65ºC, mantendo 75% da atividade após 4 horas. Além disso, mais de 50% da atividade foi mantida nas esponjas após 10 ciclos de reuso. Ainda, houve uma alta estabilidade de armazenamento, com retenção de mais de 90% da atividade após 30 dias em tampão a 4 ºC e também com a possibilidade de armazenamento das esponjas secas. Esponjas contendo CotA imobilizada covalentemente também foram aplicadas na descoloração dos corantes fenólicos Azul de Bromofenol e Vermelho de Fenol. As esponjas contendo enzima alcançaram uma remoção de 85% do corante, enquanto que a mesma quantidade de enzima livre promoveu uma descoloração de 25%. Conclui-se que as esponjas de poliuretano desenvolvidas são um suporte adequado para a imobilização da lacase CotA, e que a imobilização covalente, possibilitada pela adição de quitosana e o tratamento com glutaraldeído, ofereceu vantagens significativas em termos de estabilidade enzimática, operacional e de armazenamento. |
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