A dominação na constituição psíquica das mulheres: subjugação e resistência
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-11072024-154024/ |
Resumo: | Este trabalho tem como objetivo analisar como a dominação, fenômeno histórico, social e político, que consiste no processo de reificação, é internalizada pelas mulheres. A partir do diálogo entre a primeira geração da teoria crítica da sociedade, a teoria feminista interseccional e a psicanálise, sobretudo nas acepções de S. Ferenczi, D. Winnicott e J. Benjamin, investigo o tema da dominação das mulheres e as consequências subjetivas desse processo que objetifica e desumaniza as mulheres. A dominação das mulheres engendrada pela relação, imposta a elas, com a natureza, produziu historicamente sua objetificação, isto é, a negação de seu estatuto de sujeito. A partir de um estudo dialético constatamos que a dominação promove, tanto por meio da violência, quanto da diferenciação entre meninas e meninos na constituição psíquica, uma subjetividade objetificada nas mulheres, que tem como consequência a sua submissão na relação com o outro. A violência contra as mulheres, prevalente na sociedade brasileira, promove submissão por meio da experiência traumática fragmentadora do eu e de um constante sentimento de insegurança. Já a diferenciação entre meninas e meninos na constituição psíquica, através da identificação da menina com a mãe, e do menino com o pai, que representam ideais de feminilidade e masculinidade socialmente convencionados, nega à primeira a possibilidade de alçar uma existência autônoma e livre, arquitetando na mulher uma feminilidade submissa. Apesar das graves consequências da dominação para o psiquismo das mulheres, elas resistem tanto historicamente quanto subjetivamente à subjugação. Essa resistência, que pode se manifestar de variadas formas, necessita tanto de cuidados em saúde mental para as mulheres, ancorados nos estudos dos processos de dominação psíquica e nas ferramentas clínicas da psicanálise, quanto do esclarecimento dos processos históricos e sociais de dominação de gênero, para existir enquanto essencial ferramenta política contra a sociedade patriarcal e capitalista. |
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A dominação na constituição psíquica das mulheres: subjugação e resistênciaDomination in the psychic constitution of women: subjugation and resistanceConstituição psíquica das mulheresDominação das mulheresDomination of womenGender violencePsicanálise e FeminismoPsychoanalysis and FeminismResistanceResistênciaSubmissãoSubmissionViolência de gêneroWomen's psychic constitutionEste trabalho tem como objetivo analisar como a dominação, fenômeno histórico, social e político, que consiste no processo de reificação, é internalizada pelas mulheres. A partir do diálogo entre a primeira geração da teoria crítica da sociedade, a teoria feminista interseccional e a psicanálise, sobretudo nas acepções de S. Ferenczi, D. Winnicott e J. Benjamin, investigo o tema da dominação das mulheres e as consequências subjetivas desse processo que objetifica e desumaniza as mulheres. A dominação das mulheres engendrada pela relação, imposta a elas, com a natureza, produziu historicamente sua objetificação, isto é, a negação de seu estatuto de sujeito. A partir de um estudo dialético constatamos que a dominação promove, tanto por meio da violência, quanto da diferenciação entre meninas e meninos na constituição psíquica, uma subjetividade objetificada nas mulheres, que tem como consequência a sua submissão na relação com o outro. A violência contra as mulheres, prevalente na sociedade brasileira, promove submissão por meio da experiência traumática fragmentadora do eu e de um constante sentimento de insegurança. Já a diferenciação entre meninas e meninos na constituição psíquica, através da identificação da menina com a mãe, e do menino com o pai, que representam ideais de feminilidade e masculinidade socialmente convencionados, nega à primeira a possibilidade de alçar uma existência autônoma e livre, arquitetando na mulher uma feminilidade submissa. Apesar das graves consequências da dominação para o psiquismo das mulheres, elas resistem tanto historicamente quanto subjetivamente à subjugação. Essa resistência, que pode se manifestar de variadas formas, necessita tanto de cuidados em saúde mental para as mulheres, ancorados nos estudos dos processos de dominação psíquica e nas ferramentas clínicas da psicanálise, quanto do esclarecimento dos processos históricos e sociais de dominação de gênero, para existir enquanto essencial ferramenta política contra a sociedade patriarcal e capitalista.This work aims to analyse how domination, a historical, social and political phenomenon that consists of the process of reification, is internalized by women. Based on the dialogue among the first generation of scholars from critical theory of society, intersectional feminist theory, and psychoanalysis, especially in the terms of of S. Ferenczi, D. Winnicott, and J. Benjamin, I investigate the subjective consequences of gender domination, which objectifies and dehumanizes women. The domination of women engendered by the relationship imposed on them with nature has historically produced their objectification, that is, the denial of their status as subjects.. Based on a dialectical study, we found that domination promotes, both through violence and through the differentiation between girls and boys in psychic development, an objectified subjectivity in women, resulting in their submission in their relationships with others. Violence against women, prevalent in Brazilian society, promotes submission through the traumatic experience that fragments the self and a constant feeling of insecurity. Psychic development, through the identification of the girl with the mother and the boy with the father, who represent socially agreed ideals of femininity and masculinity, denies the former the possibility of an autonomous and free existence, creating submissive femininity in women. Despite the severe consequences of domination on women\'s psyches, they resist subjugation both historically and subjectively. Their resistance, which can manifest itself in a variety of ways, requires both mental health care for women, anchored in studies of the processes of psychic domination and the clinical tools of psychoanalysis, and enlightenment regarding the social dynamics of gender domination, in order to exist as an essential political tool against patriarchal and capitalist society.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSilva, Pedro Fernando daBichir, Mayara Machado2024-04-26info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47131/tde-11072024-154024/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-05-16T17:27:51Zoai:teses.usp.br:tde-11072024-154024Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-05-16T17:27:51Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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