Elucidação dos mecanismos e fatores celulares envolvidos na redistribuição intracelular de SERINC5 promovida por Nef do HIV-1
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17136/tde-25092024-092317/ |
Resumo: | SERINC5 é um fator de restrição que diminui drasticamente a infecciosidade do HIV-1. Expresso na membrana plasmática, SERINC5 é incorporado nas partículas virais recém-sintetizadas, comprometendo a capacidade desses vírus de infectar uma nova célula-alvo. Em contrapartida, o HIV-1 codifica a proteína multifuncional Nef, capaz de impedir a incorporação de SERINC5 nos vírus ao manipular a maquinaria de tráfego intracelular de proteínas. Especificamente, Nef acelera a endocitose de SERINC5 da membrana plasmática, mediada pelo complexo adaptador de clatrina 2 (AP-2), removendo SERINC5 do sítio de montagem e brotamento do HIV-1. No entanto, os componentes celulares e o mecanismo molecular envolvido não são totalmente compreendidos. O presente estudo teve por objetivo principal elucidar os mecanismos pelos quais Nef do HIV-1 altera o tráfego subcelular de SERINC5. Iniciamos esse estudo identificando o compartimento intracelular para o qual Nef redistribui SERINC5. Através de imunofluorescência e microscopia confocal, observamos que Nef induz um acúmulo de SERINC5 na região perinuclear, colocalizando com um marcador de Golgi em células HeLa. Uma vez que o complexo AP-1 - já bem descrito parceiro de interação de Nef - seleciona e controla o tráfego de proteínas-cargas entre endossomos e o complexo de Golgi, investigamos se AP-1 apresenta um papel neste efeito de Nef. Para isso, células HeLa wildtype (WT) ou AP-1µ1a knockout (KO) foram analisadas por meio de imunofluorescência e microscopia confocal, citometria de fluxo, ultracentrifugação de partículas virais e western blot. As análises dos dados mostraram que, na ausência de AP-1, Nef mantém sua habilidade de remover SERINC da membrana plasmática, provavelmente via AP-2. Porém, ao invés de induzir o acúmulo da proteína no complexo de Golgi, SERINC5 foi observado em um padrão vesicular associado a compartimentos positivos para LAMP-1, um marcador da via endocítica tardia. Um fenótipo similar foi encontrado utilizando o ensaio de uptake de anticorpo, sugerindo que AP-1 desenvolve um papel essencial na aceleração do tráfego retrógrado de SERINC5 promovido por Nef. Este trabalho também mostrou que Nef é capaz de interferir na saída de SERINC5 recém-sintetizado do Golgi, o que pode contribuir para a retenção intracelular de SERINC5 observada. Os resultados preliminares de produção de vírus e visualização por western blot demonstraram que, aparentemente, a ausência de AP-1 não comprometeu a capacidade de Nef de reduzir a incorporação de SERINC5 nas partículas virais. No entanto, a depleção de AP-1 reduziu a produção viral, e resultou também na diminuição da incorporação de SERINC5 no HIV-1 independente de Nef. De fato, as análises seguintes demonstraram que a localização de SERINC5 na membrana plasmática, bem como sua estabilidade, são alterados na ausência de AP-1. Em conjunto, os dados deste trabalho revelou que Nef altera tanto o tráfego retrógrado quanto o anterógrado de SERINC5, induzindo sua acumulação no complexo de Golgi de forma dependente de AP-1. Também foi demonstrado que AP-1 atua no tráfego regular de SERINC5, possivelmente desempenhando um papel relevante para a incorporação dessa proteína nos vírus. |
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Elucidação dos mecanismos e fatores celulares envolvidos na redistribuição intracelular de SERINC5 promovida por Nef do HIV-1Elucidation of the mechanisms and cellular factors involved in the intracellular redistribution of SERINC5 promoted by HIV-1 NefAP-1AP-1Complexo de GolgiGolgi complexHIV-1HIV-1NefNefSERINC5SERINC5SERINC5 é um fator de restrição que diminui drasticamente a infecciosidade do HIV-1. Expresso na membrana plasmática, SERINC5 é incorporado nas partículas virais recém-sintetizadas, comprometendo a capacidade desses vírus de infectar uma nova célula-alvo. Em contrapartida, o HIV-1 codifica a proteína multifuncional Nef, capaz de impedir a incorporação de SERINC5 nos vírus ao manipular a maquinaria de tráfego intracelular de proteínas. Especificamente, Nef acelera a endocitose de SERINC5 da membrana plasmática, mediada pelo complexo adaptador de clatrina 2 (AP-2), removendo SERINC5 do sítio de montagem e brotamento do HIV-1. No entanto, os componentes celulares e o mecanismo molecular envolvido não são totalmente compreendidos. O presente estudo teve por objetivo principal elucidar os mecanismos pelos quais Nef do HIV-1 altera o tráfego subcelular de SERINC5. Iniciamos esse estudo identificando o compartimento intracelular para o qual Nef redistribui SERINC5. Através de imunofluorescência e microscopia confocal, observamos que Nef induz um acúmulo de SERINC5 na região perinuclear, colocalizando com um marcador de Golgi em células HeLa. Uma vez que o complexo AP-1 - já bem descrito parceiro de interação de Nef - seleciona e controla o tráfego de proteínas-cargas entre endossomos e o complexo de Golgi, investigamos se AP-1 apresenta um papel neste efeito de Nef. Para isso, células HeLa wildtype (WT) ou AP-1µ1a knockout (KO) foram analisadas por meio de imunofluorescência e microscopia confocal, citometria de fluxo, ultracentrifugação de partículas virais e western blot. As análises dos dados mostraram que, na ausência de AP-1, Nef mantém sua habilidade de remover SERINC da membrana plasmática, provavelmente via AP-2. Porém, ao invés de induzir o acúmulo da proteína no complexo de Golgi, SERINC5 foi observado em um padrão vesicular associado a compartimentos positivos para LAMP-1, um marcador da via endocítica tardia. Um fenótipo similar foi encontrado utilizando o ensaio de uptake de anticorpo, sugerindo que AP-1 desenvolve um papel essencial na aceleração do tráfego retrógrado de SERINC5 promovido por Nef. Este trabalho também mostrou que Nef é capaz de interferir na saída de SERINC5 recém-sintetizado do Golgi, o que pode contribuir para a retenção intracelular de SERINC5 observada. Os resultados preliminares de produção de vírus e visualização por western blot demonstraram que, aparentemente, a ausência de AP-1 não comprometeu a capacidade de Nef de reduzir a incorporação de SERINC5 nas partículas virais. No entanto, a depleção de AP-1 reduziu a produção viral, e resultou também na diminuição da incorporação de SERINC5 no HIV-1 independente de Nef. De fato, as análises seguintes demonstraram que a localização de SERINC5 na membrana plasmática, bem como sua estabilidade, são alterados na ausência de AP-1. Em conjunto, os dados deste trabalho revelou que Nef altera tanto o tráfego retrógrado quanto o anterógrado de SERINC5, induzindo sua acumulação no complexo de Golgi de forma dependente de AP-1. Também foi demonstrado que AP-1 atua no tráfego regular de SERINC5, possivelmente desempenhando um papel relevante para a incorporação dessa proteína nos vírus.SERINC5 is a restriction factor that significantly reduces the infectivity of HIV-1. Expressed on the plasma membrane, SERINC5 is incorporated into newly synthesized viral particles, compromising these viruses\' ability to infect a new target cell. In contrast, HIV-1 encodes the multifunctional protein Nef, capable of preventing the incorporation of SERINC5 into viruses by manipulating the intracellular protein trafficking machinery. Specifically, Nef accelerates the endocytosis of SERINC5 from the plasma membrane, mediated by the clathrin adaptor complex 2 (AP-2), removing SERINC5 from the assembly and budding site of HIV-1. However, the cellular components and molecular mechanism involved are not fully understood. The present study aimed to elucidate the mechanisms by which HIV-1 Nef alters the subcellular trafficking of SERINC5. We initiated our study by identifying the intracellular compartment to which Nef redistributes SERINC5. Through immunofluorescence and confocal microscopy, we observed that Nef induces a perinuclear accumulation of SERINC5, which colocalized with a Golgi marker in HeLa cells. Since the AP-1 complex - a well-described Nef\'s interaction partner - selects and controls the trafficking of protein-cargo between endosomes and the Golgi complex, we investigated whether AP-1 plays a role in this effect of Nef. To achieve this goal, we used wildtype (WT) or AP-1µ1a knockout (KO) HeLa cells to perform immunofluorescence and confocal microscopy, flow cytometry, viral particle ultracentrifugation, and western blot analysis. The data showed that in the absence of AP-1, Nef retains its ability to remove SERINC from the plasma membrane, presumably by AP-2. However, instead of inducing protein accumulation in the Golgi, SERINC5 was observed in a vesicular pattern associated with compartments positive for LAMP-1, a marker of the late endocytic pathway. A similar phenotype was found using antibody uptake assays, suggesting that AP-1 plays an essential role in the acceleration of SERINC5 retrograde trafficking promoted by Nef. Our investigation also indicated that Nef interferes with the exit of newly synthesized SERINC5 from the Golgi, which may contribute to the observed intracellular retention of SERINC5. Our preliminary virus production and western blot results indicated that in the absence of AP-1, the ability of Nef to reduce SERINC5 incorporation of into viral particles is not compromised. However, AP-1 depletion reduced viral production and also resulted in decreased incorporation of SERINC5 into HIV-1, independently of Nef. Indeed, our subsequent analyses showed that the localization of SERINC5 on the plasma membrane, as well as its stability, are altered in the absence of AP-1. Together the data presented here revealed that Nef alters both the retrograde and anterograde trafficking of SERINC5, leading to its accumulation in the Golgi complex in an AP-1-dependent manner. We also demonstrated that AP-1 acts in the regular trafficking of SERINC5, possibly playing a relevant role in the incorporation of this protein into viruses.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSilva, Luis Lamberti Pinto daCosta, Cristina Santos da2024-06-11info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17136/tde-25092024-092317/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-10-17T17:38:02Zoai:teses.usp.br:tde-25092024-092317Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-10-17T17:38:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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SERINC5 é um fator de restrição que diminui drasticamente a infecciosidade do HIV-1. Expresso na membrana plasmática, SERINC5 é incorporado nas partículas virais recém-sintetizadas, comprometendo a capacidade desses vírus de infectar uma nova célula-alvo. Em contrapartida, o HIV-1 codifica a proteína multifuncional Nef, capaz de impedir a incorporação de SERINC5 nos vírus ao manipular a maquinaria de tráfego intracelular de proteínas. Especificamente, Nef acelera a endocitose de SERINC5 da membrana plasmática, mediada pelo complexo adaptador de clatrina 2 (AP-2), removendo SERINC5 do sítio de montagem e brotamento do HIV-1. No entanto, os componentes celulares e o mecanismo molecular envolvido não são totalmente compreendidos. O presente estudo teve por objetivo principal elucidar os mecanismos pelos quais Nef do HIV-1 altera o tráfego subcelular de SERINC5. Iniciamos esse estudo identificando o compartimento intracelular para o qual Nef redistribui SERINC5. Através de imunofluorescência e microscopia confocal, observamos que Nef induz um acúmulo de SERINC5 na região perinuclear, colocalizando com um marcador de Golgi em células HeLa. Uma vez que o complexo AP-1 - já bem descrito parceiro de interação de Nef - seleciona e controla o tráfego de proteínas-cargas entre endossomos e o complexo de Golgi, investigamos se AP-1 apresenta um papel neste efeito de Nef. Para isso, células HeLa wildtype (WT) ou AP-1µ1a knockout (KO) foram analisadas por meio de imunofluorescência e microscopia confocal, citometria de fluxo, ultracentrifugação de partículas virais e western blot. As análises dos dados mostraram que, na ausência de AP-1, Nef mantém sua habilidade de remover SERINC da membrana plasmática, provavelmente via AP-2. Porém, ao invés de induzir o acúmulo da proteína no complexo de Golgi, SERINC5 foi observado em um padrão vesicular associado a compartimentos positivos para LAMP-1, um marcador da via endocítica tardia. Um fenótipo similar foi encontrado utilizando o ensaio de uptake de anticorpo, sugerindo que AP-1 desenvolve um papel essencial na aceleração do tráfego retrógrado de SERINC5 promovido por Nef. Este trabalho também mostrou que Nef é capaz de interferir na saída de SERINC5 recém-sintetizado do Golgi, o que pode contribuir para a retenção intracelular de SERINC5 observada. Os resultados preliminares de produção de vírus e visualização por western blot demonstraram que, aparentemente, a ausência de AP-1 não comprometeu a capacidade de Nef de reduzir a incorporação de SERINC5 nas partículas virais. No entanto, a depleção de AP-1 reduziu a produção viral, e resultou também na diminuição da incorporação de SERINC5 no HIV-1 independente de Nef. De fato, as análises seguintes demonstraram que a localização de SERINC5 na membrana plasmática, bem como sua estabilidade, são alterados na ausência de AP-1. Em conjunto, os dados deste trabalho revelou que Nef altera tanto o tráfego retrógrado quanto o anterógrado de SERINC5, induzindo sua acumulação no complexo de Golgi de forma dependente de AP-1. Também foi demonstrado que AP-1 atua no tráfego regular de SERINC5, possivelmente desempenhando um papel relevante para a incorporação dessa proteína nos vírus. |
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