O que as crianças nos ensinam: a construção de sentidos com a leitura e a escrita na Educação Infantil e na família
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48138/tde-24102025-151023/ |
Resumo: | As práticas de leitura e escrita na Educação Infantil têm ocupado um espaço crescente nas discussões educacionais contemporâneas. Em meio às disputas entre o cuidado, o brincar e as práticas escolares tradicionais e repetitivas que atravessam cotidianamente as instituições dessa etapa de ensino, emergem diferentes concepções sobre o que significa aprender a ler e escrever na infância e qual o papel das crianças nesse processo. Inserida nesse contexto, esta tese tem como objetivo investigar como as crianças constroem sentidos sobre as práticas de leitura e escrita vivenciadas na Educação Infantil e nos contextos familiares, considerando os modos como reconfiguram essas experiências a partir de seus repertórios culturais e interações. A pesquisa foi realizada em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) da cidade de Teresina/PI com crianças da pré-escola, suas professoras e familiares. Trata-se de um estudo de caso etnográfico, ancorado em uma abordagem interpretativa, que mobilizou observações participantes, entrevistas, registros escritos e fotográficos e propostas investigativas desenvolvidas com as crianças, como leitura de livros, rodas de conversa, produção de desenhos, cartazes e listas. O estudo dialoga com os Estudos Sociais da Infância, que compreendem as crianças como sujeitos culturais e produtoras de saberes (Sarmento, 2004; Corsaro, 2011), e com perspectivas que defendem a linguagem escrita como prática social e situada (Soares, 2020; Araujo, 2023; Brandão; Rosa, 2021). Também se apoia em autores que discutem a escuta como princípio ético e metodológico nas pesquisas com crianças (Cruz, 2008, Graue; Walsh, 2003; Spyrou, 2011). As análises evidenciam que, mesmo em contextos marcados por práticas escolares tradicionais, muitas vezes orientadas por metas de desempenho e expectativas avaliativas em torno da leitura e da escrita, as crianças mobilizam saberes, memórias e afetos para construir sentidos próprios sobre o que significa ler e escrever. Seus gestos, traços, falas e silêncios revelam uma relação com a escrita que vai além da apropriação do sistema de representação da linguagem: elas escrevem para dizer de si, registrar o vivido, expressar desejos e se comunicar com o outro. A pesquisa também indica que, embora os adultos envolvidos na Educação Infantil e na investigação busquem se afastar de posturas adultocêntricas, as marcas de uma escolarização tradicional, sustentada por metas de desempenho e práticas repetitivas, permanecem presentes nas instituições. Ainda assim, as crianças intervêm, expandem, ressignificam e, por vezes, subvertem as propostas de atividades, reafirmando sua agência e a potência das infâncias. Os resultados sugerem a urgência de práticas pedagógicas mais abertas, sustentadas pela escuta sensível e comprometidas com o reconhecimento das múltiplas linguagens infantis como modos legítimos de construir conhecimento e de habitar o mundo. |
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O que as crianças nos ensinam: a construção de sentidos com a leitura e a escrita na Educação Infantil e na famíliaWhat children teach us: the construction of meaning from reading and writing in Early Childhood Education and in the familyChildhood; Reading and writing; Early childhood education; Listening to children; Children's culturesInfância; Leitura e escrita; Educação Infantil; Escuta das crianças; Culturas infantisAs práticas de leitura e escrita na Educação Infantil têm ocupado um espaço crescente nas discussões educacionais contemporâneas. Em meio às disputas entre o cuidado, o brincar e as práticas escolares tradicionais e repetitivas que atravessam cotidianamente as instituições dessa etapa de ensino, emergem diferentes concepções sobre o que significa aprender a ler e escrever na infância e qual o papel das crianças nesse processo. Inserida nesse contexto, esta tese tem como objetivo investigar como as crianças constroem sentidos sobre as práticas de leitura e escrita vivenciadas na Educação Infantil e nos contextos familiares, considerando os modos como reconfiguram essas experiências a partir de seus repertórios culturais e interações. A pesquisa foi realizada em um Centro Municipal de Educação Infantil (CMEI) da cidade de Teresina/PI com crianças da pré-escola, suas professoras e familiares. Trata-se de um estudo de caso etnográfico, ancorado em uma abordagem interpretativa, que mobilizou observações participantes, entrevistas, registros escritos e fotográficos e propostas investigativas desenvolvidas com as crianças, como leitura de livros, rodas de conversa, produção de desenhos, cartazes e listas. O estudo dialoga com os Estudos Sociais da Infância, que compreendem as crianças como sujeitos culturais e produtoras de saberes (Sarmento, 2004; Corsaro, 2011), e com perspectivas que defendem a linguagem escrita como prática social e situada (Soares, 2020; Araujo, 2023; Brandão; Rosa, 2021). Também se apoia em autores que discutem a escuta como princípio ético e metodológico nas pesquisas com crianças (Cruz, 2008, Graue; Walsh, 2003; Spyrou, 2011). As análises evidenciam que, mesmo em contextos marcados por práticas escolares tradicionais, muitas vezes orientadas por metas de desempenho e expectativas avaliativas em torno da leitura e da escrita, as crianças mobilizam saberes, memórias e afetos para construir sentidos próprios sobre o que significa ler e escrever. Seus gestos, traços, falas e silêncios revelam uma relação com a escrita que vai além da apropriação do sistema de representação da linguagem: elas escrevem para dizer de si, registrar o vivido, expressar desejos e se comunicar com o outro. A pesquisa também indica que, embora os adultos envolvidos na Educação Infantil e na investigação busquem se afastar de posturas adultocêntricas, as marcas de uma escolarização tradicional, sustentada por metas de desempenho e práticas repetitivas, permanecem presentes nas instituições. Ainda assim, as crianças intervêm, expandem, ressignificam e, por vezes, subvertem as propostas de atividades, reafirmando sua agência e a potência das infâncias. Os resultados sugerem a urgência de práticas pedagógicas mais abertas, sustentadas pela escuta sensível e comprometidas com o reconhecimento das múltiplas linguagens infantis como modos legítimos de construir conhecimento e de habitar o mundo.The practices of reading and writing in Early Childhood Education have occupied a growing space in contemporary educational discussions. Amidst disputes between care, play, and schooled practices that permeate the daily life of Early Childhood Education institutions, different conceptions emerge about what it means to learn to read and write in childhood and the role of children in this process. Situated in this context, this thesis aims to investigate how children construct meanings about reading and writing practices experienced in Early Childhood Education and in their family contexts, considering the ways in which they reconfigure these experiences from their cultural and interactional repertoires. The research was conducted in a Municipal Center for Early Childhood Education (CMEI) in the city of Teresina/PI with preschool children, their teachers, and families. It is an ethnographic case study, anchored in an interpretive approach, which mobilized participant observation, interviews, photographic and written records, and investigative proposals developed with the children, such as reading books, conversation circles, drawing production, letters, and lists. The study dialogues with the Social Studies of Childhood, which understand children as cultural subjects and producers of knowledge (Sarmiento, 2004; Corsaro, 2011), and with perspectives that defend a written language as a social and situated practice (Soares, 2020; Araujo, 2023; Brandão; Rosa, 2021). It is also supported by authors who discuss listening as an ethical and methodological principle in research with children (Cruz, 2008, Graue, Walsh, 2003; Spyrou, 2011). The analyses show that, even in contexts marked by traditional school practices, many times guided by performance metrics and evaluative expectations in the realm of reading and writing, children mobilize knowledge, memories, and affections to build their own meanings about what it signifies to read and write. Their gestures, traces, speeches, and silences reveal a relationship with written language that goes beyond the appropriation of the code: they write to say, to register what has been lived, to express desires, and to communicate with the other. The research also indicates that, although the adults involved in Early Childhood Education and in the investigation seek to move away from adult-centric postures, the marks of schooling remain present in institutional practices. Nevertheless, children\'s agencies intervene, expand, resignify, and, at times, subvert the proposals, reaffirming their agency and the potential of childhoods. The results suggest the emergence of more open pedagogical practices, supported by sensitive listening and committed to the recognition of the multiple languages of childhood as legitimate ways of constructing knowledge and of inhabiting the world.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPietri, Emerson deGonçalves, Edilma Mendes Rodrigues2025-09-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48138/tde-24102025-151023/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-11T18:16:06Zoai:teses.usp.br:tde-24102025-151023Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-11T18:16:06Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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