Evolução das alterações cardíacas em longo prazo em pacientes com esclerose tuberosa

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Santorio, Nathalia Conci
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5160/tde-12022026-154910/
Resumo: O complexo esclerose tuberosa é uma doença genética de caráter autossômico dominante, resultante da mutação dos genes supressores de tumor Tuberous Sclerosis Complex 1 (TSC1) ou 2 (TSC2). Nesta doença ocorre a hiperativação da via mTOR, que desencadeia o surgimento de múltiplos tumores, sobretudo neurológicos e cutâneos. Os rabdomiomas cardíacos, presentes em quase metade dos casos, são a manifestação inicial mais frequente da doença e figuram dentre as principais causas de mortalidade em pacientes abaixo de 10 anos. Dados sobre evolução e acompanhamento de pacientes brasileiros com rabdomiomas associados à esclerose tuberosa são raros e incluem, em sua maioria, relatos de casos. O presente estudo objetiva descrever variáveis epidemiológicas, aspectos diagnósticos e clínicos evidenciados durante o seguimento desses pacientes em uma instituição cardiológica de alta complexidade. Trata-se de um estudo retrospectivo, descritivo, de centro único, baseado na coleta de dados de prontuários da instituição. Foram incluídos pacientes nas faixas etárias pediátrica (zero a 18 anos) e adulta (acima de 18 anos), de ambos os sexos, com diagnóstico confirmado de esclerose tuberosa com base nos critérios atualizados de 2021, no período de janeiro de 1997 até janeiro de 2024. Foram incluídos pacientes com ao menos dois ecocardiogramas transtorácicos seriados realizados no serviço, e excluídos pacientes com diagnóstico duvidoso e registros incompletos. Dos 69 pacientes avaliados, 42 (60,86%) apresentavam tumores cardíacos, sendo 41 rabdomiomas e um lipoma pericárdico, com tempo médio de seguimento de 6 anos. Os tumores cardíacos foram mais frequentemente múltiplos, em 75,6% dos casos. Linfangioleiomiomatose, angiomiolipomas renais, lesões ósseas escleróticas e fibromas periungueais e intraorais foram significativamente mais prevalentes na amostra sem tumores cardíacos, e também o uso de inibidores mTOR. Crises convulsivas foram mais frequentes em pacientes com tumores cardíacos (90,48% versus 51,85%, p = 0,0003). A grande maioria dos pacientes com rabdomiomas era assintomática em ambas as avaliações (73,8% e 85,71%, respectivamente), porém foram registrados episódios de arritmia em 21,43% da amostra durante o seguimento. Apenas um paciente apresentou disfunção ventricular, e um paciente necessitou de tratamento cirúrgico com evolução para óbito. Em relação à evolução clínica, a apresentação mais frequente foi a involução incompleta da massa, em 76,2% dos casos, com regressão completa em 16,7% dos casos e manutenção, aumento ou necessidade de tratamento cirúrgico em 7,2% dos casos. Não houve associação de nenhuma variável testada (idade, sexo, uso de inibidores mTOR e tumores múltiplos) com a evolução clínica. Nossos dados apontam para uma prevalência considerável de arritmias e manutenção de massas identificáveis ao longo do seguimento, reiterando a necessidade de seguimento cardiológico continuado.
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O presente estudo objetiva descrever variáveis epidemiológicas, aspectos diagnósticos e clínicos evidenciados durante o seguimento desses pacientes em uma instituição cardiológica de alta complexidade. Trata-se de um estudo retrospectivo, descritivo, de centro único, baseado na coleta de dados de prontuários da instituição. Foram incluídos pacientes nas faixas etárias pediátrica (zero a 18 anos) e adulta (acima de 18 anos), de ambos os sexos, com diagnóstico confirmado de esclerose tuberosa com base nos critérios atualizados de 2021, no período de janeiro de 1997 até janeiro de 2024. Foram incluídos pacientes com ao menos dois ecocardiogramas transtorácicos seriados realizados no serviço, e excluídos pacientes com diagnóstico duvidoso e registros incompletos. Dos 69 pacientes avaliados, 42 (60,86%) apresentavam tumores cardíacos, sendo 41 rabdomiomas e um lipoma pericárdico, com tempo médio de seguimento de 6 anos. Os tumores cardíacos foram mais frequentemente múltiplos, em 75,6% dos casos. Linfangioleiomiomatose, angiomiolipomas renais, lesões ósseas escleróticas e fibromas periungueais e intraorais foram significativamente mais prevalentes na amostra sem tumores cardíacos, e também o uso de inibidores mTOR. Crises convulsivas foram mais frequentes em pacientes com tumores cardíacos (90,48% versus 51,85%, p = 0,0003). A grande maioria dos pacientes com rabdomiomas era assintomática em ambas as avaliações (73,8% e 85,71%, respectivamente), porém foram registrados episódios de arritmia em 21,43% da amostra durante o seguimento. Apenas um paciente apresentou disfunção ventricular, e um paciente necessitou de tratamento cirúrgico com evolução para óbito. Em relação à evolução clínica, a apresentação mais frequente foi a involução incompleta da massa, em 76,2% dos casos, com regressão completa em 16,7% dos casos e manutenção, aumento ou necessidade de tratamento cirúrgico em 7,2% dos casos. Não houve associação de nenhuma variável testada (idade, sexo, uso de inibidores mTOR e tumores múltiplos) com a evolução clínica. Nossos dados apontam para uma prevalência considerável de arritmias e manutenção de massas identificáveis ao longo do seguimento, reiterando a necessidade de seguimento cardiológico continuado.The tuberous sclerosis complex is a genetic disorder of an autosomal dominant nature, resulting from mutations in the tumor suppressor genes Tuberous Sclerosis Complex 1 (TSC1) or 2 (TSC2). In this disease, there is hyperactivation of the mTOR pathway, which triggers the emergence of multiple tumors, especially neurological and cutaneous. Cardiac rhabdomyomas, present in almost half of the cases, are the most frequent initial manifestation of the disease and are among the main causes of mortality in patients under 10 years of age. Data on the evolution and follow-up of Brazilian patients with rhabdomyomas associated with tuberous sclerosis are scarce and mainly consist of case reports. This study aims to describe epidemiological variables, diagnostic aspects, and clinical features observed during the follow-up of these patients in a high-complexity cardiological institution. It is a retrospective, descriptive, single-center study based on the collection of data from the institution\'s medical records. Patients in the pediatric age group (zero to 18 years) and adult age group (over 18 years) of both genders were included, with a confirmed diagnosis of tuberous sclerosis based on the updated 2021 criteria, from January 1997 to January 2024. Patients with at least two serial transthoracic echocardiograms performed at the service were included, and patients with doubtful diagnoses and incomplete records were excluded. Among the 69 patients evaluated, 42 (60.86%) had cardiac tumors, with 41 rhabdomyomas and one pericardial lipoma, with a mean follow-up time of 6 years. Cardiac tumors were more frequently multiple, in 75.6% of cases. Lymphangioleiomyomatosis, renal angiomyolipomas, sclerotic bone lesions, and periungual and intraoral fibromas were significantly more prevalent in the sample without cardiac tumors, as well as the use of mTOR inhibitors. Seizures were more frequent in patients with cardiac tumors (90.48% vs. 51.85%, p = 0.0003). The vast majority of patients with rhabdomyomas were asymptomatic in both evaluations (73.8% and 85.71%, respectively); however, episodes of arrhythmia were recorded in 21.43% of the sample during follow-up. Only one patient presented with ventricular dysfunction, and one patient required surgical treatment, resulting in death. Regarding clinical evolution, the most frequent presentation was incomplete involution of the mass in 76.2% of cases, with complete regression in 16.7% of cases and maintenance, increase, or need for surgical treatment in 7.2% of cases. No association was found for any tested variable (age, sex, use of mTOR inhibitors, and multiple tumors) with clinical evolution. Our data indicate a considerable prevalence of arrhythmias and the persistence of identifiable masses throughout follow-up, emphasizing the need for continued cardiological monitoring.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPHotta, Viviane TiemiSantorio, Nathalia Conci2025-09-17info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5160/tde-12022026-154910/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-12T20:14:02Zoai:teses.usp.br:tde-12022026-154910Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-12T20:14:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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