Trastuzumabe no tratamento do câncer de mama HER2 positivo - 15 anos de experiência em um hospital público terciário
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17154/tde-17012025-120209/ |
Resumo: | INTRODUÇÃO: O câncer de mama (CM) é a neoplasia mais comum entre as mulheres (30,1%), com 2,3 milhões de casos-novos e 666.000 mortes em 2022. O subtipo com hiper expressão de HER2 (Receptor do fator de crescimento epidérmico humano 2), responsável por 15-20% dos casos, é mais agressivo e tem pior prognóstico. Trastuzumabe (TZB) é um anticorpo monoclonal anti-HER2, aprovado pelo FDA em 1998 e pela ANVISA em 1999. No entanto, somente em 2012 TZB passou a ser fornecido pelo SUS para pacientes com CM-HER2 positivo no Brasil. OBJETIVO: Avaliar o impacto do uso de TZB na sobrevida global (SG) de pacientes com CM-HER2 positivo tratados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP(HCFMRP-USP). MÉTODOS: Estudo de coorte retrospectivo e longitudinal, incluindo pacientes diagnosticados com CM HER2 positivo entre 01/01/2005 e 31/08/2020. Identificação e análise dos dados foram realizadas com ferramentas de ciência de dados. Utilizou-se Python e bibliotecas como Pandas, Pandasql, Pyjanitor e Datetime. Os pacientes foram identificados no sistema HCFMRP-USP, um ERP e prontuário eletrônico com banco de dados próprio. Cinco fontes desse sistema foram usadas para a identificação dos pacientes. O banco de dados inicial foi avaliado para inconsistências e dados essenciais faltantes foram verificados manualmente. O processo de extração de dados foi continuamente aprimorado usando a metodologia PDCA (plan-do-check-act). RESULTADOS: Identificaram-se 3.057 pacientes com CM, dos quais 596 (20%) tinham HER2 positivo e foram incluídos na análise. Todos os pacientes eram do sexo feminino, com idade média de 54,6±13,6 anos (15% tinham ≤40 anos). Quanto ao estadiamento clínico, 12,7% estavam no estádio I; 32,5% no estádio II; 39,6% no estádio III e 15,1% no estádio IV. O tratamento inicial foi medicamentoso em 55,9% dos casos (quimioterapia, hormonioterapia ou TZB) e cirúrgico em 43,8%. O tratamento inicial foi definitivo/adjuvante em 43%; neoadjuvante em 41,8% e paliativo em 15,2%. Cerca de 32,2% dos pacientes não receberam TZB. O número médio de ciclos de TZB por paciente foi 21,9±23,3, variando de 1 a 185. Com um seguimento médio de 76,5±41,8 meses no grupo que usou TZB e 62,7±54,01 meses no grupo que não usou, a mediana de SG foi superior no grupo que usou TZB (145,9 meses; IC95% 120,2 - não atingida) em comparação ao grupo que não usou (114,6 meses; IC95%-74,15-146,35). A SG em 5 e 10 anos foi de 80% e 58% no grupo que usou TZB, e 62% e 48% no grupo que não usou, com HR de 2,63 (IC95%;1,97 - 3,51). A regressão de Cox mostrou que o grupo que não usou TZB teve um risco de óbito 2,55 vezes maior que o grupo que usou (HR2,55; IC95%-1,32-4,93). Observou-se menor risco de óbito nos grupos que receberam TZB, exceto nos estágios I e II e com início do tratamento >60 dias. CONCLUSÃO: Em uma coorte de pacientes tratados em um hospital público brasileiro, 1/3 não teve acesso ao TZB. Observou-se um aumento na SG com o uso do TZB, alinhado aos dados de estudos clínicos, com menor benefício em neoplasias iniciais e em tratamentos iniciados após 60 dias. |
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Trastuzumabe no tratamento do câncer de mama HER2 positivo - 15 anos de experiência em um hospital público terciárioTrastuzumab in the management of HER2-positive breast cancer: fifteen years of clinical experience at a tertiary public hospitalAcessibilidade aos serviços de saúdeBreast neoplasmsHealth services accessibilityNeoplasia de mamaReceptor ErbB-2Receptor ErbB-2SobrevidaSurvivalTrastuzumabTrastuzumabINTRODUÇÃO: O câncer de mama (CM) é a neoplasia mais comum entre as mulheres (30,1%), com 2,3 milhões de casos-novos e 666.000 mortes em 2022. O subtipo com hiper expressão de HER2 (Receptor do fator de crescimento epidérmico humano 2), responsável por 15-20% dos casos, é mais agressivo e tem pior prognóstico. Trastuzumabe (TZB) é um anticorpo monoclonal anti-HER2, aprovado pelo FDA em 1998 e pela ANVISA em 1999. No entanto, somente em 2012 TZB passou a ser fornecido pelo SUS para pacientes com CM-HER2 positivo no Brasil. OBJETIVO: Avaliar o impacto do uso de TZB na sobrevida global (SG) de pacientes com CM-HER2 positivo tratados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP(HCFMRP-USP). MÉTODOS: Estudo de coorte retrospectivo e longitudinal, incluindo pacientes diagnosticados com CM HER2 positivo entre 01/01/2005 e 31/08/2020. Identificação e análise dos dados foram realizadas com ferramentas de ciência de dados. Utilizou-se Python e bibliotecas como Pandas, Pandasql, Pyjanitor e Datetime. Os pacientes foram identificados no sistema HCFMRP-USP, um ERP e prontuário eletrônico com banco de dados próprio. Cinco fontes desse sistema foram usadas para a identificação dos pacientes. O banco de dados inicial foi avaliado para inconsistências e dados essenciais faltantes foram verificados manualmente. O processo de extração de dados foi continuamente aprimorado usando a metodologia PDCA (plan-do-check-act). RESULTADOS: Identificaram-se 3.057 pacientes com CM, dos quais 596 (20%) tinham HER2 positivo e foram incluídos na análise. Todos os pacientes eram do sexo feminino, com idade média de 54,6±13,6 anos (15% tinham ≤40 anos). Quanto ao estadiamento clínico, 12,7% estavam no estádio I; 32,5% no estádio II; 39,6% no estádio III e 15,1% no estádio IV. O tratamento inicial foi medicamentoso em 55,9% dos casos (quimioterapia, hormonioterapia ou TZB) e cirúrgico em 43,8%. O tratamento inicial foi definitivo/adjuvante em 43%; neoadjuvante em 41,8% e paliativo em 15,2%. Cerca de 32,2% dos pacientes não receberam TZB. O número médio de ciclos de TZB por paciente foi 21,9±23,3, variando de 1 a 185. Com um seguimento médio de 76,5±41,8 meses no grupo que usou TZB e 62,7±54,01 meses no grupo que não usou, a mediana de SG foi superior no grupo que usou TZB (145,9 meses; IC95% 120,2 - não atingida) em comparação ao grupo que não usou (114,6 meses; IC95%-74,15-146,35). A SG em 5 e 10 anos foi de 80% e 58% no grupo que usou TZB, e 62% e 48% no grupo que não usou, com HR de 2,63 (IC95%;1,97 - 3,51). A regressão de Cox mostrou que o grupo que não usou TZB teve um risco de óbito 2,55 vezes maior que o grupo que usou (HR2,55; IC95%-1,32-4,93). Observou-se menor risco de óbito nos grupos que receberam TZB, exceto nos estágios I e II e com início do tratamento >60 dias. CONCLUSÃO: Em uma coorte de pacientes tratados em um hospital público brasileiro, 1/3 não teve acesso ao TZB. Observou-se um aumento na SG com o uso do TZB, alinhado aos dados de estudos clínicos, com menor benefício em neoplasias iniciais e em tratamentos iniciados após 60 dias.Introduction: Breast cancer (BC) is the most common neoplasm among women (30.1%), with 2.3 million new cases and 666,000 deaths in 2022. The subtype with HER2 (human epidermal growth factor receptor 2) overexpression, accounting for 15-20% of cases, is more aggressive and has a poorer prognosis. Trastuzumab (TZB) is an anti-HER2 monoclonal antibody, approved by the FDA in 1998 and by ANVISA in 1999. However, TZB was only provided by the Brazilian Unified Health System (SUS) for patients with HER2-positive BC starting in 2012. Objective: To evaluate the impact of TZB on the overall survival (OS) of patients with HER2-positive BC treated at the Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto Medical School, University of São Paulo (HCFMRP-USP). Methods: This retrospective and longitudinal cohort study included patients diagnosed with HER2-positive BC between January 1, 2005, and August 31, 2020. Data identification and analysis were conducted using data science tools, employing Python and libraries such as Pandas, Pandasql, Pyjanitor, and Datetime. Patients were identified within the HCFMRP-USP system, an ERP and electronic medical record system with its database. Five sources from this system were used to identify patients. The initial database was assessed for inconsistencies, and missing essential data were manually verified. The data extraction process was continuously refined using the PDCA (plan-do-check-act) methodology. Results: A total of 3,057 BC patients were identified, of which 596 (20%) were HER2-positive and included in the analysis. All patients were female, with a mean age of 54.6±13.6 years (15% were ≤40 years old). Regarding clinical staging, 12.7% were at stage I, 32.5% at stage II, 39.6% at stage III, and 15.1% at stage IV. Initial treatment was medical (chemotherapy, hormone therapy, or TZB) in 55.9% of cases and surgical in 43.8%. Initial treatment was definitive/adjuvant in 43%, neoadjuvant in 41.8%, and palliative in 15.2%. Approximately 32.2% of patients did not receive TZB. The average number of TZB cycles per patient was 21.9±23.3, ranging from 1 to 185. With a mean follow-up of 76.5±41.8 months in the TZB group and 62.7±54.01 months in the non-TZB group, the median OS was higher in the TZB group (145.9 months; 95% CI 120.2 - not reached) compared to the non-TZB group (114.6 months; 95% CI 74.15-146.35). The 5- and 10-year OS was 80% and 58% in the TZB group, and 62% and 48% in the non-TZB group, with an HR of 2.63 (95% CI 1.97 - 3.51). Cox regression showed that the non-TZB group had a 2.55 times higher risk of death than the TZB group (HR 2.55; 95% CI 1.32-4.93). A lower risk of death was observed in the TZB groups, except in stages I and II and with treatment initiation >60 days. Conclusion: In a cohort of patients treated at a public hospital in Brazil, one-third did not have access to TZB. An increase in OS with the use of TZB was observed, consistent with clinical study data, with less benefit in early neoplasms and treatments initiated after 60 days.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPazin Filho, AntonioRapatoni, Liane2024-08-26info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17154/tde-17012025-120209/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-05-05T10:35:21Zoai:teses.usp.br:tde-17012025-120209Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-05-05T10:35:21Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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INTRODUÇÃO: O câncer de mama (CM) é a neoplasia mais comum entre as mulheres (30,1%), com 2,3 milhões de casos-novos e 666.000 mortes em 2022. O subtipo com hiper expressão de HER2 (Receptor do fator de crescimento epidérmico humano 2), responsável por 15-20% dos casos, é mais agressivo e tem pior prognóstico. Trastuzumabe (TZB) é um anticorpo monoclonal anti-HER2, aprovado pelo FDA em 1998 e pela ANVISA em 1999. No entanto, somente em 2012 TZB passou a ser fornecido pelo SUS para pacientes com CM-HER2 positivo no Brasil. OBJETIVO: Avaliar o impacto do uso de TZB na sobrevida global (SG) de pacientes com CM-HER2 positivo tratados no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto - USP(HCFMRP-USP). MÉTODOS: Estudo de coorte retrospectivo e longitudinal, incluindo pacientes diagnosticados com CM HER2 positivo entre 01/01/2005 e 31/08/2020. Identificação e análise dos dados foram realizadas com ferramentas de ciência de dados. Utilizou-se Python e bibliotecas como Pandas, Pandasql, Pyjanitor e Datetime. Os pacientes foram identificados no sistema HCFMRP-USP, um ERP e prontuário eletrônico com banco de dados próprio. Cinco fontes desse sistema foram usadas para a identificação dos pacientes. O banco de dados inicial foi avaliado para inconsistências e dados essenciais faltantes foram verificados manualmente. O processo de extração de dados foi continuamente aprimorado usando a metodologia PDCA (plan-do-check-act). RESULTADOS: Identificaram-se 3.057 pacientes com CM, dos quais 596 (20%) tinham HER2 positivo e foram incluídos na análise. Todos os pacientes eram do sexo feminino, com idade média de 54,6±13,6 anos (15% tinham ≤40 anos). Quanto ao estadiamento clínico, 12,7% estavam no estádio I; 32,5% no estádio II; 39,6% no estádio III e 15,1% no estádio IV. O tratamento inicial foi medicamentoso em 55,9% dos casos (quimioterapia, hormonioterapia ou TZB) e cirúrgico em 43,8%. O tratamento inicial foi definitivo/adjuvante em 43%; neoadjuvante em 41,8% e paliativo em 15,2%. Cerca de 32,2% dos pacientes não receberam TZB. O número médio de ciclos de TZB por paciente foi 21,9±23,3, variando de 1 a 185. Com um seguimento médio de 76,5±41,8 meses no grupo que usou TZB e 62,7±54,01 meses no grupo que não usou, a mediana de SG foi superior no grupo que usou TZB (145,9 meses; IC95% 120,2 - não atingida) em comparação ao grupo que não usou (114,6 meses; IC95%-74,15-146,35). A SG em 5 e 10 anos foi de 80% e 58% no grupo que usou TZB, e 62% e 48% no grupo que não usou, com HR de 2,63 (IC95%;1,97 - 3,51). A regressão de Cox mostrou que o grupo que não usou TZB teve um risco de óbito 2,55 vezes maior que o grupo que usou (HR2,55; IC95%-1,32-4,93). Observou-se menor risco de óbito nos grupos que receberam TZB, exceto nos estágios I e II e com início do tratamento >60 dias. CONCLUSÃO: Em uma coorte de pacientes tratados em um hospital público brasileiro, 1/3 não teve acesso ao TZB. Observou-se um aumento na SG com o uso do TZB, alinhado aos dados de estudos clínicos, com menor benefício em neoplasias iniciais e em tratamentos iniciados após 60 dias. |
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