Transtornos mentais são doenças do cérebro? Uma crítica à cerebralização da psicopatologia
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-05022025-191455/ |
Resumo: | Entre os anos 1980 e 1990, consolidou-se um horizonte epistemológico de pesquisa no qual o cérebro é o objeto privilegiado para o estudo do psíquico. Novas tecnologias de estudo do cérebro e um programa de pesquisa que visava vincular os fenômenos psíquicos aos seus fundamentos biológicos no órgão prometiam avanços nunca antes vistos no campo da psicologia, psiquiatria e saúde mental. Essa abordagem permitiria uma melhor compreensão dos transtornos mentais, questões de aprendizagem, emoções, afetos, pensamentos e demais objetos relacionados a nossa vida mental. O entusiasmo em relação ao progresso que viria das ciências neurais na virada do milênio não se restringiu aos muros da academia. Ele se espraia na sociedade por meios como o do jornalismo científico e objetos culturais de toda sorte, retratando o cérebro como personagem capital das nossas vidas psíquicas. Cria-se uma gramática culturalmente compartilhada que faz com que os sujeitos passem a entender a si e aos outros com um vocabulário neuroquímico. Não se restringindo a ser um programa de pesquisa e um horizonte de intervenções clínicas em saúde, a matriz de compreensão cerebralista dos fenômenos psíquicos é também um modo de subjetivação da contemporaneidade. Essa dissertação visa refletir sobre os alcances e os limites desse programa de biologização do psiquismo, detendo-se em uma de suas vertentes na contemporaneidade: a cerebralização da psicopatologia. Abordando um complexo formado por pesquisa acadêmica, divulgação científica, modos de subjetivação e consequências clínicas de um projeto científico que entende que transtornos mentais são fundamentalmente doenças do cérebro, o objetivo dessa pesquisa é verificar as consequências dessa forma de se compreender a psicopatologia. Longe de ser uma forma necessária e mais avançada de compreensão dos transtornos mentais, essa matriz cerebralista é uma dentre outras que podemos eleger para abordar o psíquico e intervir sobre questões a ele relacionadas. Sua eleição, portanto, deveria passar pelo escrutínio crítico de seus limites e possibilidades. É nessa direção que essa pesquisa deseja contribuir. |
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Transtornos mentais são doenças do cérebro? Uma crítica à cerebralização da psicopatologiaAre Mental Disorders Brain Diseases? A Critique of the Cerebralization of PsychopathologyBiologicismBiologicismoBrainCérebroMental disordersPsicopatologiaPsychopathologyTranstornos mentaisEntre os anos 1980 e 1990, consolidou-se um horizonte epistemológico de pesquisa no qual o cérebro é o objeto privilegiado para o estudo do psíquico. Novas tecnologias de estudo do cérebro e um programa de pesquisa que visava vincular os fenômenos psíquicos aos seus fundamentos biológicos no órgão prometiam avanços nunca antes vistos no campo da psicologia, psiquiatria e saúde mental. Essa abordagem permitiria uma melhor compreensão dos transtornos mentais, questões de aprendizagem, emoções, afetos, pensamentos e demais objetos relacionados a nossa vida mental. O entusiasmo em relação ao progresso que viria das ciências neurais na virada do milênio não se restringiu aos muros da academia. Ele se espraia na sociedade por meios como o do jornalismo científico e objetos culturais de toda sorte, retratando o cérebro como personagem capital das nossas vidas psíquicas. Cria-se uma gramática culturalmente compartilhada que faz com que os sujeitos passem a entender a si e aos outros com um vocabulário neuroquímico. Não se restringindo a ser um programa de pesquisa e um horizonte de intervenções clínicas em saúde, a matriz de compreensão cerebralista dos fenômenos psíquicos é também um modo de subjetivação da contemporaneidade. Essa dissertação visa refletir sobre os alcances e os limites desse programa de biologização do psiquismo, detendo-se em uma de suas vertentes na contemporaneidade: a cerebralização da psicopatologia. Abordando um complexo formado por pesquisa acadêmica, divulgação científica, modos de subjetivação e consequências clínicas de um projeto científico que entende que transtornos mentais são fundamentalmente doenças do cérebro, o objetivo dessa pesquisa é verificar as consequências dessa forma de se compreender a psicopatologia. Longe de ser uma forma necessária e mais avançada de compreensão dos transtornos mentais, essa matriz cerebralista é uma dentre outras que podemos eleger para abordar o psíquico e intervir sobre questões a ele relacionadas. Sua eleição, portanto, deveria passar pelo escrutínio crítico de seus limites e possibilidades. É nessa direção que essa pesquisa deseja contribuir.Between the 1980s and 1990s, an epistemological research framework emerged, positioning the brain as the primary object for studying the psyche. New brain studies technologies and a research program aimed at linking psychic phenomena to their biological foundations within the organ promised unprecedented advancements in psychology, psychiatry and mental health. This approach promised to enhance understanding of mental disorders, learning processes, emotions, affections, thoughts and other aspects related to mental life. The enthusiasm about the progress brought by neural sciences at the turn of the millennium extended beyond academia, reaching society through scientific journalism and various cultural artifacts, portraying the brain as a central figure in our psychic lives. A culturally shared grammar emerged, leading individuals to perceive themselves and others through a neurochemical vocabulary. Beyond being a research program and a framework for clinical health interventions, the cerebralist model of understanding psychic phenomena also represents a mode of subjectivation in contemporary times. This thesis aims to reflect on the scope and limitations of this program, focusing on one of its contemporary aspects: the cerebralization of psychopathology. By addressing a complex network ranging from academic research, scientific dissemination, modes of subjectivation to the clinical consequences of a scientific project that views mental disorders as fundamentally brain diseases, this research seeks to examine the consequences of this understanding of psychopathology. Far from being a necessary or more advanced way to comprehend mental disorders, the cerebralist framework is one among several available for addressing psychic phenomena and intervening in related issues. Its adoption, therefore, should undergo critical scrutiny regarding its limitations and possibilities. This research seeks to contribute to that direction.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPSilva Junior, Nelson daNeves Neto, Antonio de Almeida2024-10-15info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-05022025-191455/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-02-05T21:23:02Zoai:teses.usp.br:tde-05022025-191455Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-02-05T21:23:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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