Análise da expressão de proteínas secretadas pelos osteócitos em biopsias ósseas de pacientes com doença renal crônica e sobrecarga de ferro antes e após tratamento com desferroxamina
| Ano de defesa: | 2025 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5148/tde-26112025-155609/ |
Resumo: | Introdução: A doença renal crônica (DRC) é uma condição prevalente que afeta cerca de 10% da população mundial, com uma quantidade crescente de casos, especialmente em virtude do envelhecimento populacional, maior prevalência de diabetes mellitus e hipertensão arterial, que são as causas principais da doença renal. A DRC cursa com inúmeras complicações, como a anemia e os distúrbios mineral e ósseo (DMO). O tratamento da anemia envolve aplicação de eritropoetina recombinante e reposição de ferro (Fe), porém, tal reposição pode levar à sobrecarga desse elemento em órgãos como o coração, fígado e a medula óssea. No tecido ósseo de pacientes com DRC os efeitos da sobrecarga de ferro e do seu tratamento com quelantes de Fe como a desferroxamina (DFO) são pouco estudados, especialmente na remodelação óssea e na expressão de proteínas expressas pelos osteócitos e que participam de várias etapas do processo de remodelação óssea, dentre elas E11, CD44, RANKL, OPG, Scl, DKK1, DMP1, MEPE, PHEX e FGF23. Objetivos: Avaliar os efeitos da sobrecarga de Fe nos parâmetros bioquímicos que permitem avaliar o metabolismo do Fe, no tecido ósseo mediante análise histomorfométrica da biópsia óssea, bem como na expressão das proteínas secretadas pelos osteócitos, antes e após o tratamento com DFO. Esses resultados são comparados com aqueles obtidos em tecido ósseo normal. Resultados: O tratamento com DFO mostrou redução no nível de todos os parâmetros que permitem avaliar o metabolismo do Fe. O tratamento concomitante dos distúrbios do metabolismo mineral mostrou diminuição na concentração de cálcio (Ca), aumento da concentração da fosfatase alcalina (FA), e diminuição da concentração dos níveis do fator de crescimento de fibroblastos (FGF23) intacto e c-terminal. Quanto ao tecido ósseo, houve aumento da separação entre as trabéculas e diminuição da superfície osteoblástica. As associações observadas entre a variação dos níveis de Fe e de ferritina sérica apresentaram melhora, mas não níveis normais de parâmetros estruturais e de mineralização óssea. A análise da expressão das proteínas osteocíticas mostrou que o tratamento com DFO ocasionou aumento na expressão de DMP1, e diminuição na expressão de DKK1 e PHEX, proteínas envolvidas na remodelação e mineralização óssea. O tratamento com DFO também diminui a expressão do receptor RAGE que sugere melhor controle do estresse oxidativo. As comparações da expressão das proteínas osteocíticas, antes e depois do tratamento com DFO, com as mesmas proteínas no tecido ósseo normal, mostraram aumento da expressão de proteínas como a E11 e CD44 que atuam na formação dos dendritos e no citoesqueleto. Neste caso entende-se que ocorra uma tentativa de atuação na organização dessas células, diante das alterações na remodelação óssea observadas na DRC. Conclusão: O tratamento com DFO em pacientes com DRC e sobrecarga de Fe permite modular a remodelação óssea e a expressão de proteínas osteocíticas, que também atuam no processo. |
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Análise da expressão de proteínas secretadas pelos osteócitos em biopsias ósseas de pacientes com doença renal crônica e sobrecarga de ferro antes e após tratamento com desferroxaminaAnalysis of the proteins expression secreted by osteocytes in patients with chronic kidney disease and iron overload before and after treatment with deferoxamineBiópsia ósseaBone biopsyChronic kidney diseaseDesferoxamineDesferroxaminaDistúrbio do metabolismo mineralDoença renal crônicaHemodiáliseHemodialysisImmunohistochemistryImunohistoquímicaIron overloadMineral and bone metabolism disorderSobrecarga de ferroIntrodução: A doença renal crônica (DRC) é uma condição prevalente que afeta cerca de 10% da população mundial, com uma quantidade crescente de casos, especialmente em virtude do envelhecimento populacional, maior prevalência de diabetes mellitus e hipertensão arterial, que são as causas principais da doença renal. A DRC cursa com inúmeras complicações, como a anemia e os distúrbios mineral e ósseo (DMO). O tratamento da anemia envolve aplicação de eritropoetina recombinante e reposição de ferro (Fe), porém, tal reposição pode levar à sobrecarga desse elemento em órgãos como o coração, fígado e a medula óssea. No tecido ósseo de pacientes com DRC os efeitos da sobrecarga de ferro e do seu tratamento com quelantes de Fe como a desferroxamina (DFO) são pouco estudados, especialmente na remodelação óssea e na expressão de proteínas expressas pelos osteócitos e que participam de várias etapas do processo de remodelação óssea, dentre elas E11, CD44, RANKL, OPG, Scl, DKK1, DMP1, MEPE, PHEX e FGF23. Objetivos: Avaliar os efeitos da sobrecarga de Fe nos parâmetros bioquímicos que permitem avaliar o metabolismo do Fe, no tecido ósseo mediante análise histomorfométrica da biópsia óssea, bem como na expressão das proteínas secretadas pelos osteócitos, antes e após o tratamento com DFO. Esses resultados são comparados com aqueles obtidos em tecido ósseo normal. Resultados: O tratamento com DFO mostrou redução no nível de todos os parâmetros que permitem avaliar o metabolismo do Fe. O tratamento concomitante dos distúrbios do metabolismo mineral mostrou diminuição na concentração de cálcio (Ca), aumento da concentração da fosfatase alcalina (FA), e diminuição da concentração dos níveis do fator de crescimento de fibroblastos (FGF23) intacto e c-terminal. Quanto ao tecido ósseo, houve aumento da separação entre as trabéculas e diminuição da superfície osteoblástica. As associações observadas entre a variação dos níveis de Fe e de ferritina sérica apresentaram melhora, mas não níveis normais de parâmetros estruturais e de mineralização óssea. A análise da expressão das proteínas osteocíticas mostrou que o tratamento com DFO ocasionou aumento na expressão de DMP1, e diminuição na expressão de DKK1 e PHEX, proteínas envolvidas na remodelação e mineralização óssea. O tratamento com DFO também diminui a expressão do receptor RAGE que sugere melhor controle do estresse oxidativo. As comparações da expressão das proteínas osteocíticas, antes e depois do tratamento com DFO, com as mesmas proteínas no tecido ósseo normal, mostraram aumento da expressão de proteínas como a E11 e CD44 que atuam na formação dos dendritos e no citoesqueleto. Neste caso entende-se que ocorra uma tentativa de atuação na organização dessas células, diante das alterações na remodelação óssea observadas na DRC. Conclusão: O tratamento com DFO em pacientes com DRC e sobrecarga de Fe permite modular a remodelação óssea e a expressão de proteínas osteocíticas, que também atuam no processo.Introduction: Chronic kidney disease (CKD) is a prevalent condition affecting approximately 10% of the worlds population, with a rising number of cases, particularly due to the aging population and the higher prevalence of diabetes mellitus and hypertension, which are the main causes of kidney disease. CKD has numerous complications, such as anemia and mineral bone disorders (MBD). Anemia treatment involves recombinant erythropoietin and iron supplementation, however it can result in overload of this element in organs such as the heart, liver, and bone marrow. In the bone tissue of CKD patients, the effects of this overload and its treatment with iron chelators such as desferrioxamine (DFO) have not been extensively studied, mainly in bone remodeling and in the expression of proteins expressed by osteocytes cells, which regulate various remodeling stages. These proteins include E11, CD44, RANKL, OPG, Scl, DKK1, DMP-1, MEPE, PHEX, and FGF23. Objectives: To evaluate the effects of iron overload in the biochemical parameters related to iron metabolism, on bone tissue through histomorphometric analysis of bone biopsies and osteocyte-related proteins before and after treatment with DFO. Additionally, the study aims to compare the results with the normal bone tissue. Results: Treatment with DFO showed a reduction in all iron metabolism parameters. Concurrent treatment of mineral metabolism disorders presented a decrease in the calcium concentration, increase in alkaline phosphatase levels, and reduced concentrations of intact and c-terminal FGF-23 levels. Regarding the bone tissue, there was an increase in the separation between the trabeculae and a decrease in the osteoblastic surface. The associations observed between the variation of iron and serum ferritin levels showed improvement, but not normalization of structural parameters and bone mineralization. Analysis of the osteocyte protein expression revealed that the treatment with DFO led to an increase in the DMP1 expression and a decrease of DKK1 and PHEX - proteins involved in bone mineralization and remodeling. DFO treatment also reduce the expression of the RAGE receptor, suggesting better oxidative stress control. Comparisons of osteocyte protein expression, before and after treatment with DFO, with the same proteins in normal bone tissue showed an increase in the expression of proteins such as E11 and CD44, that act in the formation of dendrite and the cytoskeletal organization, indicating an attempt to regulate this osteocyte structure and bone remodeling observed in CKD. Conclusions: The treatment with DFO in patients with CKD and iron overload modulates bone remodeling and the expression of the osteocytic protein, which also act in this process.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPJorgetti, VandaMachado, Hanna Karla Andrade Guapyassú2025-07-24info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5148/tde-26112025-155609/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-11-26T18:23:07Zoai:teses.usp.br:tde-26112025-155609Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-11-26T18:23:07Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Introdução: A doença renal crônica (DRC) é uma condição prevalente que afeta cerca de 10% da população mundial, com uma quantidade crescente de casos, especialmente em virtude do envelhecimento populacional, maior prevalência de diabetes mellitus e hipertensão arterial, que são as causas principais da doença renal. A DRC cursa com inúmeras complicações, como a anemia e os distúrbios mineral e ósseo (DMO). O tratamento da anemia envolve aplicação de eritropoetina recombinante e reposição de ferro (Fe), porém, tal reposição pode levar à sobrecarga desse elemento em órgãos como o coração, fígado e a medula óssea. No tecido ósseo de pacientes com DRC os efeitos da sobrecarga de ferro e do seu tratamento com quelantes de Fe como a desferroxamina (DFO) são pouco estudados, especialmente na remodelação óssea e na expressão de proteínas expressas pelos osteócitos e que participam de várias etapas do processo de remodelação óssea, dentre elas E11, CD44, RANKL, OPG, Scl, DKK1, DMP1, MEPE, PHEX e FGF23. Objetivos: Avaliar os efeitos da sobrecarga de Fe nos parâmetros bioquímicos que permitem avaliar o metabolismo do Fe, no tecido ósseo mediante análise histomorfométrica da biópsia óssea, bem como na expressão das proteínas secretadas pelos osteócitos, antes e após o tratamento com DFO. Esses resultados são comparados com aqueles obtidos em tecido ósseo normal. Resultados: O tratamento com DFO mostrou redução no nível de todos os parâmetros que permitem avaliar o metabolismo do Fe. O tratamento concomitante dos distúrbios do metabolismo mineral mostrou diminuição na concentração de cálcio (Ca), aumento da concentração da fosfatase alcalina (FA), e diminuição da concentração dos níveis do fator de crescimento de fibroblastos (FGF23) intacto e c-terminal. Quanto ao tecido ósseo, houve aumento da separação entre as trabéculas e diminuição da superfície osteoblástica. As associações observadas entre a variação dos níveis de Fe e de ferritina sérica apresentaram melhora, mas não níveis normais de parâmetros estruturais e de mineralização óssea. A análise da expressão das proteínas osteocíticas mostrou que o tratamento com DFO ocasionou aumento na expressão de DMP1, e diminuição na expressão de DKK1 e PHEX, proteínas envolvidas na remodelação e mineralização óssea. O tratamento com DFO também diminui a expressão do receptor RAGE que sugere melhor controle do estresse oxidativo. As comparações da expressão das proteínas osteocíticas, antes e depois do tratamento com DFO, com as mesmas proteínas no tecido ósseo normal, mostraram aumento da expressão de proteínas como a E11 e CD44 que atuam na formação dos dendritos e no citoesqueleto. Neste caso entende-se que ocorra uma tentativa de atuação na organização dessas células, diante das alterações na remodelação óssea observadas na DRC. Conclusão: O tratamento com DFO em pacientes com DRC e sobrecarga de Fe permite modular a remodelação óssea e a expressão de proteínas osteocíticas, que também atuam no processo. |
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