O Cio da Terra: a geografia dos sertões cantados por Pena Branca e Xavantinho
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-23092025-105441/ |
Resumo: | A música caipira é um gênero musical formatado no século XX, especialmente a partir da década de 1930, quando as primeiras gravações foram lançadas em disco por iniciativa de Cornélio Pires. A gestação desse gênero está relacionada ao contexto de amplo interesse pelo sertão, seja pelas suas sonoridades percebidas como substrato da nacionalidade musical, seja pela preocupação geopolítica com a fragilidade da presença estatal nessas áreas. Os registros em disco são possíveis em virtude da industrialização incipiente, e seu mercado são as cidades. Nota-se, desde então, que esses fenômenos estão relacionados e dizem respeito, de um lado, à maturação da indústria cultural no Brasil e, de outro, à alteridade territorial (STRAFORINI, 2009), realizada, em síntese, via integração nacional tanto no plano material, quanto simbólico. A estabilidade desse segmento cultural da atividade econômica se dá a partir da década de 1960, ponto de ruptura e diferenciação na música caipira. Em 1980 Pena Branca e Xavantinho iniciam sua carreira em disco, lançando - a partir daí - dez álbuns. Essa discografia coincide com o período de metropolização de algumas capitais brasileiras, especialmente a paulista, de onde os dois irmãos lançaram suas músicas. Reconhecidos entre ouvintes, colegas de profissão e agentes culturais como legítimos artífices caipiras, a música de Pena Branca e Xavantinho é uma linguagem espacial (DOZENA, 2019) narrativa, densa de conteúdos geográficos, destacando se aí a descrição dos sertões por meio de paisagens. Sertão é uma palavra-mundo (MOREIRA, 2012) constituída - histórica e geograficamente - na forma de um imaginário (MORAES, 2011b), portanto esta investigação busca fazer um contraponto entre o cancioneiro e o imaginário às voltas de sertão para rastrear outras interpretações sobre essas áreas. Para tal foram transcritas as canções da discografia autoral e as entrevistas. LP\'s e CD\'s foram avaliados em relação às mensagens e imagens trazidas. Através dos conceitos de paisagem como modo de ver (COSGROVE, 1984) e paisagem como texto (DUNCAN, 1990) - desenvolvidos dentro das renovações epistemológicas da Geografia Cultural - este trabalho, primeiro, encontrou representações de uma relação afetiva entre o caipira e o sertão, que contrastam radicalmente com outras interpretações para as quais essas áreas são zonas distantes, sujeitas a violência e a um uso exclusivamente predatório da terra. Esse vínculo afetivo é permanente e - no trânsito destes grupos dos campos para as cidades - foi sublimado, radicalizado, de modo que as paisagens sertanejas se destacam pela rarefação humana e pela exuberância da natureza. Na cidade, vivendo sob condições de vulnerabilidade social, o sertanejo se apoia na memória para reconstruir paisagens sertanejas amparadas sobre um forte sentimento de saudade que estrutura as narrativas. Os sertões de Pena Branca e Xavantinho renovam o desafio conceitual presente nesta palavra, pois ao longo da carreira os dois irmãos buscaram gravar outros compositores cujas letras tratam da vida no campo, de modo que, ouvidos em conjunto, seus registros não designam uma realidade geográfica exclusiva, mas sim um imaginário para o qual convergem características comuns aos sertões de todo país, compondo paisagens que revelam ser o Brasil, um grande sertão |
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Nota-se, desde então, que esses fenômenos estão relacionados e dizem respeito, de um lado, à maturação da indústria cultural no Brasil e, de outro, à alteridade territorial (STRAFORINI, 2009), realizada, em síntese, via integração nacional tanto no plano material, quanto simbólico. A estabilidade desse segmento cultural da atividade econômica se dá a partir da década de 1960, ponto de ruptura e diferenciação na música caipira. Em 1980 Pena Branca e Xavantinho iniciam sua carreira em disco, lançando - a partir daí - dez álbuns. Essa discografia coincide com o período de metropolização de algumas capitais brasileiras, especialmente a paulista, de onde os dois irmãos lançaram suas músicas. Reconhecidos entre ouvintes, colegas de profissão e agentes culturais como legítimos artífices caipiras, a música de Pena Branca e Xavantinho é uma linguagem espacial (DOZENA, 2019) narrativa, densa de conteúdos geográficos, destacando se aí a descrição dos sertões por meio de paisagens. Sertão é uma palavra-mundo (MOREIRA, 2012) constituída - histórica e geograficamente - na forma de um imaginário (MORAES, 2011b), portanto esta investigação busca fazer um contraponto entre o cancioneiro e o imaginário às voltas de sertão para rastrear outras interpretações sobre essas áreas. Para tal foram transcritas as canções da discografia autoral e as entrevistas. LP\'s e CD\'s foram avaliados em relação às mensagens e imagens trazidas. Através dos conceitos de paisagem como modo de ver (COSGROVE, 1984) e paisagem como texto (DUNCAN, 1990) - desenvolvidos dentro das renovações epistemológicas da Geografia Cultural - este trabalho, primeiro, encontrou representações de uma relação afetiva entre o caipira e o sertão, que contrastam radicalmente com outras interpretações para as quais essas áreas são zonas distantes, sujeitas a violência e a um uso exclusivamente predatório da terra. Esse vínculo afetivo é permanente e - no trânsito destes grupos dos campos para as cidades - foi sublimado, radicalizado, de modo que as paisagens sertanejas se destacam pela rarefação humana e pela exuberância da natureza. Na cidade, vivendo sob condições de vulnerabilidade social, o sertanejo se apoia na memória para reconstruir paisagens sertanejas amparadas sobre um forte sentimento de saudade que estrutura as narrativas. Os sertões de Pena Branca e Xavantinho renovam o desafio conceitual presente nesta palavra, pois ao longo da carreira os dois irmãos buscaram gravar outros compositores cujas letras tratam da vida no campo, de modo que, ouvidos em conjunto, seus registros não designam uma realidade geográfica exclusiva, mas sim um imaginário para o qual convergem características comuns aos sertões de todo país, compondo paisagens que revelam ser o Brasil, um grande sertãoCaipira music is a musical genre formatted in the 20th century, especially from the 1930s onwards, when the first recordings were released on disc with the initiative of Cornélio Pires. The emergence of this genre is related to the context of broad interest in the sertão, whether due to its sounds perceived as a substrate of musical nationality, or due to geopolitical concern with the fragility of the state presence in these areas. Disc records are possible due to incipient industrialization, and their market is the cities. It has been noted, since then, that these phenomena are related to, and concern, on the one hand, the maturation of the cultural industry in Brazil and, on the other, territorial alterity (STRAFORINI, 2009), carried out, in short, through national integration both on a material and symbolic level. The stability of this cultural segment of economic activity begins in the 1960s, a point of rupture and differentiation in caipira music. In 1980 Pena Branca and Xavantinho began their disc recording career, having released - from then on - ten albums. This discography aligns with the period of metropolization of some Brazilian capitals, especially São Paulo, where the two brothers released their music. Recognized among listeners, professional colleagues and cultural agents as legitimate country craftsmen, the music of Pena Branca and Xavantinho is a spatial language (DOZENA, 2019) narrative, dense with geographic content, highlighting the description of the sertões through landscapes. Sertão is a palavra-mundo (world-word) (MOREIRA, 2012) constituted - historically and geographically - in the form of an imaginary (MORAES, 2011b), therefore, this investigation seeks to make a counterpoint between the songbook and the imaginary around the sertão to trace other interpretations about these areas. To attain this objective, the songs from the author\'s discography and the interviews were transcribed. LP\'s and CD\'s were analyzed regarding the messages and images brought by them. Through the concepts of landscape as a way of seeing (COSGROVE, 1984) and landscape as text (DUNCAN, 1990) - developed within the epistemological renewals of Cultural Geography - this work, first, found representations of an affective relationship between caipira and sertão, which contrast radically with other interpretations for which these areas are distant zones, subject to violence and an exclusively predatory use of the land. This affective bond is permanent and - in the migration of these groups from the countryside to the cities - it was sublimated, radicalized, so that the country landscapes stand out for their human rarefaction and the exuberance of nature. In the city, living under conditions of social vulnerability, the countryman relies on memory to reconstruct country landscapes supported by a strong feeling of longing that structures the narratives. The sertões of Pena Branca and Xavantinho renew the conceptual challenge present in this word, as, throughout their careers, the two brothers sought to record other composers whose lyrics deal with life in the countryside, so that, when heard together, their records do not designate an exclusive geographic reality, but rather an imaginary to which common characteristics of the sertões of the entire country converge, composing landscapes that reveal Brazil to be a great sertãoBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPValverde, Rodrigo Ramos Hospodar FelippeSousa, Renato Dias de2025-03-07info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-23092025-105441/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-23T14:01:02Zoai:teses.usp.br:tde-23092025-105441Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-23T14:01:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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A música caipira é um gênero musical formatado no século XX, especialmente a partir da década de 1930, quando as primeiras gravações foram lançadas em disco por iniciativa de Cornélio Pires. A gestação desse gênero está relacionada ao contexto de amplo interesse pelo sertão, seja pelas suas sonoridades percebidas como substrato da nacionalidade musical, seja pela preocupação geopolítica com a fragilidade da presença estatal nessas áreas. Os registros em disco são possíveis em virtude da industrialização incipiente, e seu mercado são as cidades. Nota-se, desde então, que esses fenômenos estão relacionados e dizem respeito, de um lado, à maturação da indústria cultural no Brasil e, de outro, à alteridade territorial (STRAFORINI, 2009), realizada, em síntese, via integração nacional tanto no plano material, quanto simbólico. A estabilidade desse segmento cultural da atividade econômica se dá a partir da década de 1960, ponto de ruptura e diferenciação na música caipira. Em 1980 Pena Branca e Xavantinho iniciam sua carreira em disco, lançando - a partir daí - dez álbuns. Essa discografia coincide com o período de metropolização de algumas capitais brasileiras, especialmente a paulista, de onde os dois irmãos lançaram suas músicas. Reconhecidos entre ouvintes, colegas de profissão e agentes culturais como legítimos artífices caipiras, a música de Pena Branca e Xavantinho é uma linguagem espacial (DOZENA, 2019) narrativa, densa de conteúdos geográficos, destacando se aí a descrição dos sertões por meio de paisagens. Sertão é uma palavra-mundo (MOREIRA, 2012) constituída - histórica e geograficamente - na forma de um imaginário (MORAES, 2011b), portanto esta investigação busca fazer um contraponto entre o cancioneiro e o imaginário às voltas de sertão para rastrear outras interpretações sobre essas áreas. Para tal foram transcritas as canções da discografia autoral e as entrevistas. LP\'s e CD\'s foram avaliados em relação às mensagens e imagens trazidas. Através dos conceitos de paisagem como modo de ver (COSGROVE, 1984) e paisagem como texto (DUNCAN, 1990) - desenvolvidos dentro das renovações epistemológicas da Geografia Cultural - este trabalho, primeiro, encontrou representações de uma relação afetiva entre o caipira e o sertão, que contrastam radicalmente com outras interpretações para as quais essas áreas são zonas distantes, sujeitas a violência e a um uso exclusivamente predatório da terra. Esse vínculo afetivo é permanente e - no trânsito destes grupos dos campos para as cidades - foi sublimado, radicalizado, de modo que as paisagens sertanejas se destacam pela rarefação humana e pela exuberância da natureza. Na cidade, vivendo sob condições de vulnerabilidade social, o sertanejo se apoia na memória para reconstruir paisagens sertanejas amparadas sobre um forte sentimento de saudade que estrutura as narrativas. Os sertões de Pena Branca e Xavantinho renovam o desafio conceitual presente nesta palavra, pois ao longo da carreira os dois irmãos buscaram gravar outros compositores cujas letras tratam da vida no campo, de modo que, ouvidos em conjunto, seus registros não designam uma realidade geográfica exclusiva, mas sim um imaginário para o qual convergem características comuns aos sertões de todo país, compondo paisagens que revelam ser o Brasil, um grande sertão |
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