Avaliação do complexo perineal (Nível III) em puérperas com alto risco de lesão do assoalho pélvico à ultrassonografia endovaginal 3D
| Ano de defesa: | 2025 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5139/tde-18032026-124502/ |
Resumo: | Introdução: Embora parto vaginal esteja amplamente consolidado como fator de risco para disfunções de assoalho pélvico, os únicos sítios de lesão já sistematicamente investigados são laceração obstétrica de esfíncter anal e avulsão do músculo levantador do ânus. É provável que outros tipos de lesão tecidual ainda não explorados, e que se mantêm assintomáticos no período pós-parto, contribuam para o desenvolvimento de disfunções sintomáticas ao longo da vida. Estudos longitudinais indicam que o prolapso genital é em grande parte mediado pelo aumento do hiato urogenital. Contudo, o conhecimento sobre quais lesões ocorrem durante o parto que podem levar ao aumento progressivo do hiato e à manifestação do prolapso ainda é limitado. Estudos recentes sobre o mecanismo de fechamento de Nível III de suporte pélvico (níveis de DeLancey) introduziram o conceito de complexo perineal, formado pelos músculos levantador do ânus, membrana perineal e corpo perineal, que são interconectados por tecido conjuntivo denso da fáscia endopélvica. Esses elementos, sob um controle nervoso sofisticado, constituem uma unidade anatômica e funcional singular. Para avançar o conhecimento sobre trauma obstétrico ao assoalho pélvico é necessário identificar as possíveis lesões em cada dessas estruturas e compreender como essas alterações interagem entre elas e impactam no funcionamento do complexo perineal. Objetivo: Desenvolver, por meio de ultrassonografia endovaginal tridimensional (USEV 3D) realizada seis meses após o parto, uma técnica para avaliação dos três elementos do complexo perinealmúsculo levantador do ânus, membrana perineal e corpo perineal - analisando a correlação de padrões de defeito vistos ao exame de imagem com o fechamento hiatal (Nível III) e o efeito do parto vaginal, com ou sem avulsão do levantador, sobre tais padrões. Resultados: Foram avaliadas 126 mulheres, sendo 94 submetidas a parto normal e 32 a parto cesáreo. Os três componentes do complexo perineal foram adequadamente identificados de forma consistente em todos os exames, e suas alterações puderam ser classificadas de acordo com score desenvolvido de forma reprodutível. A presença ou ausência de defeito de levantador do ânus não alterou a direção das fibras dos músculos pubococcígeo e do puborretal, nem o ângulo da membrana perineal. O padrão de defeito de Nível III encontrado em mulheres com anatomia normal caracterizou-se pela convergência dos tecidos para a linha média ao nível do corpo perineal que, quando mantido, indicou preservação das interconexões estruturais. A configuração normal deste padrão foi dividida em dois componentes: Aparência em Ampulheta e Banda Transversa, que em conjunto constituem o padrão H-B (do inglês, Hourglass Appearance - Transverse Band). O score proposto apresentou excelente confiabilidade intra e inter-avaliadores. Dentre as mulheres com parto vaginal, a ausência da Aparência em Ampulheta e da Banda Transversa foi, respectivamente, 2,4 e 4,1 vezes mais frequente. Um padrão H-B alterado foi identificado em 45% dos casos, evidenciando anormalidades de imagem no Nível III em quase metade da amostra. No grupo controle (cesariana), as duas características estiveram presentes 2,3 vezes mais frequentemente e ausentes em apenas 913% dos casos. Alterações do padrão H-B foram também associadas a lacerações perineais de segundo ou maior grau. Adicionalmente, defeitos do levantador do ânus associaram-se a pior suporte pélvico, maior circunferência cefálica e maior peso neonatal. Conclusão: Aos seis meses pós-parto, em mulheres com alto risco para lesão do assoalho pélvico, foi possível identificar um padrão de defeito de Nível III à ultrassonografia e desenvolver um sistema de score reprodutível. Alteração do padrão H-B apresentou forte associação com o parto vaginal, sendo esta alteração mais frequente na presença de defeito de levantador do ânus, e constituindo anormalidade distinta da avulsão desse músculo. Nesta coorte, o padrão H-B não influenciou o suporte dos órgãos pélvicos, as medidas do hiato ao repouso ou a orientação das fibras musculares e o ângulo da membrana perineal. A confirmação de que alterações do padrão H-B representam lesões obstétricas poderá ampliar o conhecimento sobre o trauma do assoalho pélvico e embasar estratégias preventivas. |
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Avaliação do complexo perineal (Nível III) em puérperas com alto risco de lesão do assoalho pélvico à ultrassonografia endovaginal 3DPerineal complex (Level III) assessment in postpartum women at high risk for pelvic floor injury on 3D endovaginal ultrasoundAssoalho pélvicoAumento de hiato genitalComplexo perinealDisrupção do complexo perinealDistúrbios do assoalho pélvicoHiatal enlargementPelvic floorPelvic floor disordersPerineal complexPerineal complex disruptionPeríodo pós-partoPostpartum periodUltrasonographyUltrassonografiaIntrodução: Embora parto vaginal esteja amplamente consolidado como fator de risco para disfunções de assoalho pélvico, os únicos sítios de lesão já sistematicamente investigados são laceração obstétrica de esfíncter anal e avulsão do músculo levantador do ânus. É provável que outros tipos de lesão tecidual ainda não explorados, e que se mantêm assintomáticos no período pós-parto, contribuam para o desenvolvimento de disfunções sintomáticas ao longo da vida. Estudos longitudinais indicam que o prolapso genital é em grande parte mediado pelo aumento do hiato urogenital. Contudo, o conhecimento sobre quais lesões ocorrem durante o parto que podem levar ao aumento progressivo do hiato e à manifestação do prolapso ainda é limitado. Estudos recentes sobre o mecanismo de fechamento de Nível III de suporte pélvico (níveis de DeLancey) introduziram o conceito de complexo perineal, formado pelos músculos levantador do ânus, membrana perineal e corpo perineal, que são interconectados por tecido conjuntivo denso da fáscia endopélvica. Esses elementos, sob um controle nervoso sofisticado, constituem uma unidade anatômica e funcional singular. Para avançar o conhecimento sobre trauma obstétrico ao assoalho pélvico é necessário identificar as possíveis lesões em cada dessas estruturas e compreender como essas alterações interagem entre elas e impactam no funcionamento do complexo perineal. Objetivo: Desenvolver, por meio de ultrassonografia endovaginal tridimensional (USEV 3D) realizada seis meses após o parto, uma técnica para avaliação dos três elementos do complexo perinealmúsculo levantador do ânus, membrana perineal e corpo perineal - analisando a correlação de padrões de defeito vistos ao exame de imagem com o fechamento hiatal (Nível III) e o efeito do parto vaginal, com ou sem avulsão do levantador, sobre tais padrões. Resultados: Foram avaliadas 126 mulheres, sendo 94 submetidas a parto normal e 32 a parto cesáreo. Os três componentes do complexo perineal foram adequadamente identificados de forma consistente em todos os exames, e suas alterações puderam ser classificadas de acordo com score desenvolvido de forma reprodutível. A presença ou ausência de defeito de levantador do ânus não alterou a direção das fibras dos músculos pubococcígeo e do puborretal, nem o ângulo da membrana perineal. O padrão de defeito de Nível III encontrado em mulheres com anatomia normal caracterizou-se pela convergência dos tecidos para a linha média ao nível do corpo perineal que, quando mantido, indicou preservação das interconexões estruturais. A configuração normal deste padrão foi dividida em dois componentes: Aparência em Ampulheta e Banda Transversa, que em conjunto constituem o padrão H-B (do inglês, Hourglass Appearance - Transverse Band). O score proposto apresentou excelente confiabilidade intra e inter-avaliadores. Dentre as mulheres com parto vaginal, a ausência da Aparência em Ampulheta e da Banda Transversa foi, respectivamente, 2,4 e 4,1 vezes mais frequente. Um padrão H-B alterado foi identificado em 45% dos casos, evidenciando anormalidades de imagem no Nível III em quase metade da amostra. No grupo controle (cesariana), as duas características estiveram presentes 2,3 vezes mais frequentemente e ausentes em apenas 913% dos casos. Alterações do padrão H-B foram também associadas a lacerações perineais de segundo ou maior grau. Adicionalmente, defeitos do levantador do ânus associaram-se a pior suporte pélvico, maior circunferência cefálica e maior peso neonatal. Conclusão: Aos seis meses pós-parto, em mulheres com alto risco para lesão do assoalho pélvico, foi possível identificar um padrão de defeito de Nível III à ultrassonografia e desenvolver um sistema de score reprodutível. Alteração do padrão H-B apresentou forte associação com o parto vaginal, sendo esta alteração mais frequente na presença de defeito de levantador do ânus, e constituindo anormalidade distinta da avulsão desse músculo. Nesta coorte, o padrão H-B não influenciou o suporte dos órgãos pélvicos, as medidas do hiato ao repouso ou a orientação das fibras musculares e o ângulo da membrana perineal. A confirmação de que alterações do padrão H-B representam lesões obstétricas poderá ampliar o conhecimento sobre o trauma do assoalho pélvico e embasar estratégias preventivas.Introduction: Although vaginal birth is a well-established major risk factor for pelvic floor disorders, the only injuries that have been systematically investigated are anal sphincter laceration and levator ani avulsion. It is likely that other types of unexplored tissue damage or disruption that present as asymptomatic injuries immediately following delivery are also responsible for the development of symptomatic pelvic floor disorders later in life. Longitudinal studies show that the development of prolapse after childbirth is greatly mediated by an enlarged hiatus, yet our understanding of what injuries lead to progressive hiatal enlargement and prolapse remains limited. Recent work on Level III closure mechanism has introduced the concept of the Perineal Complex which is composed by the perineal membrane, perineal body and levator ani muscles, all interconnected by dense connective tissue of the endopelvic fascia. These elements, governed by a sophisticated neural control system, form a unique anatomical and functional unit. To advance our knowledge on birth trauma, it is logical to consider the possibility of injury to one or more of these three anatomical structures and how these individual injuries influence one another. Objective: We sought to develop a sonographic technique that allows evaluation of the appearance of all three elements of the perineal complex and examine how potential defect patterns correlate with Level III hiatal closure, and what effect vaginal birth with and without ultrasounddetermined levator ani muscle injury has on them. Methods: This was a secondary analysis of a prospective longitudinal study of postpartum women at high risk for pelvic floor injury (POPI). Six-month 3D endovaginal ultrasound images and data were assessed to evaluate the three perineal complex components and a scoring system for potential imaging abnormalities was developed and used. Results: A total of 126 women were included in the present study; the cohort was composed of vaginal deliveries (n=94) and cesarean sections (n=32). The three perineal complex components could be reliably identified, and their abnormal appearance reliably scored on 3D endovaginal ultrasound. When compared cesarean section, vaginal delivery with or without LA defect did not alter pubococcygeus and puborectalis muscle fiber direction or perineal membrane angle. A novel Level III defect pattern was identified: it is formed by the convergence of tissue to the midline at the perineal body level and, when present, represents preserved interconnections between perineal structures. Its normal configuration was divided into two features: the Hourglass Appearance and the Transverse Band; when combined, these form the H-B pattern. The devised scoring system had excellent intra- and inter-rater reliability. In the vaginal delivery group, the Hourglass Appearance and Transverse Band were 2.4 and 4.1 times more likely to be absent than in the cesarean section women, respectively. An altered H-B pattern (total score) was seen in 45% of vaginal deliveries, indicating Level III imaging abnormalities in nearly half the group and underscoring the prevalence of birth-related changes among high-risk women. In the cesarean section control group, both features were present 2.3 times more often than in vaginal delivery women and were absent in 9-13% of cases. In addition, LA defects were associated with worse pelvic support and larger neonatal head circumference and weight, consistent with findings in the existing literature. Finally, altered H-B patterns were associated with second- or greater-degree perineal lacerations. Conclusion: Among women at high risk for pelvic floor injury, at six months postpartum, we were able to identify a Level III defect patterns and develop a repeatable scoring system. Loss of the H-B pattern was strongly associated with vaginal delivery and was even more frequent when a levator defect was present. Also, an altered H-B pattern represents a distinct imaging abnormality, separate from a levator avulsion. At six months postpartum, the H-B pattern was not associated with pelvic organ support, hiatus measurements, levator fiber direction or perineal membrane orientation in this cohort. If proven to represent a childbirth-related injury, H-B pattern alterations can be studied to further advance our knowledge on pelvic floor trauma.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPHaddad, Jorge MilhemRodrigues, Fernanda Pipitone2025-10-30info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5139/tde-18032026-124502/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-18T20:24:02Zoai:teses.usp.br:tde-18032026-124502Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-18T20:24:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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