Perfil dos pacientes com hemorragia intracerebral espontânea atendidos em um centro de referência brasileiro entre os anos de 2014 e 2019
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
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| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17140/tde-08092025-110922/ |
Resumo: | Introdução: A hemorragia intracerebral espontânea (HIC) representa uma das formas mais graves de acidente vascular cerebral (AVC), com altas taxas de mortalidade e incapacidade. Apesar dos avanços no entendimento de sua fisiopatologia e fatores prognósticos, o manejo da HIC continua sendo um desafio clínico, especialmente em países de baixa e média renda, onde os dados epidemiológicos são escassos. Objetivo: Caracterizar o perfil clínico, radiológico e etiológico dos pacientes com HIC espontânea atendidos em um centro terciário brasileiro, e analisar preditores de mortalidade e desfechos funcionais. Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo e observacional, baseado no banco de dados REAVER (Registro de Acidente Vascular Encefálico de Ribeirão Preto), incluindo pacientes com diagnóstico de HIC espontânea entre janeiro de 2014 e dezembro de 2019. Dados clínicos, laboratoriais e de neuroimagem foram coletados. A classificação etiológica foi realizada utilizando a escala SMASH-U, com avaliação da concordância interobservador. Análises de regressão logística multivariada foram conduzidas para identificar preditores independentes de mortalidade intra-hospitalar, mortalidade em três meses e desfechos funcionais desfavoráveis. Resultados: Foram analisados 278 pacientes. A média de idade foi de 60,6 ± 13,7 anos, e 63,3% eram do sexo masculino. A hipertensão arterial sistêmica foi o fator de risco mais frequente (75,5%). A localização mais comum do hematoma foi a região nucleocapsular (41,7%). A mortalidade intra hospitalar foi de 30,2%, e a mortalidade em três meses alcançou 32,4%. De acordo com a classificação SMASH-U, predominou a etiologia hipertensiva (62,9%), com alta concordância interobservador (κ = 0,96). Os preditores independentes de mortalidade intra-hospitalar foram o uso de varfarina (OR 5,08; IC 95% 1,59-16,24), localização infratentorial (OR 5,09; IC 95% 2,18-11,91), volume do hematoma (OR 1,03 por mL; IC 95% 1,02-1,05) e presença de hemoventrículo (OR 2,18; IC 95% 1,14-4,16). Fatores semelhantes, incluindo menor escore na Escala de Coma de Glasgow na admissão, estiveram associados a maior mortalidade em três meses e piores desfechos funcionais. Conclusões: Este estudo reforça a elevada morbimortalidade associada à HIC espontânea e destaca a importância da identificação precoce de fatores prognósticos, como volume do hematoma, nível de consciência, localização infratentorial e presença de hemoventrículo. A classificação SMASH-U mostrou-se útil para a caracterização etiológica e demonstrou excelente reprodutibilidade entre avaliadores. Os achados fornecem dados valiosos para a epidemiologia da HIC no Brasil. |
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Perfil dos pacientes com hemorragia intracerebral espontânea atendidos em um centro de referência brasileiro entre os anos de 2014 e 2019Profile of patients with intracerebral hematoma treated at a brazilian referral center from 2014 to 2019Acidente vascular cerebral hemorrágicoEpidemiologia do AVCHemorragia intracerebralHemorragia intracerebral espontâneaHemorrhagic strokeIntracerebral hemorrhageNeurological prognosisPrognóstico neurológicoSMASH-USpontaneous intracerebral hemorrhageStroke epidemiologyIntrodução: A hemorragia intracerebral espontânea (HIC) representa uma das formas mais graves de acidente vascular cerebral (AVC), com altas taxas de mortalidade e incapacidade. Apesar dos avanços no entendimento de sua fisiopatologia e fatores prognósticos, o manejo da HIC continua sendo um desafio clínico, especialmente em países de baixa e média renda, onde os dados epidemiológicos são escassos. Objetivo: Caracterizar o perfil clínico, radiológico e etiológico dos pacientes com HIC espontânea atendidos em um centro terciário brasileiro, e analisar preditores de mortalidade e desfechos funcionais. Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo e observacional, baseado no banco de dados REAVER (Registro de Acidente Vascular Encefálico de Ribeirão Preto), incluindo pacientes com diagnóstico de HIC espontânea entre janeiro de 2014 e dezembro de 2019. Dados clínicos, laboratoriais e de neuroimagem foram coletados. A classificação etiológica foi realizada utilizando a escala SMASH-U, com avaliação da concordância interobservador. Análises de regressão logística multivariada foram conduzidas para identificar preditores independentes de mortalidade intra-hospitalar, mortalidade em três meses e desfechos funcionais desfavoráveis. Resultados: Foram analisados 278 pacientes. A média de idade foi de 60,6 ± 13,7 anos, e 63,3% eram do sexo masculino. A hipertensão arterial sistêmica foi o fator de risco mais frequente (75,5%). A localização mais comum do hematoma foi a região nucleocapsular (41,7%). A mortalidade intra hospitalar foi de 30,2%, e a mortalidade em três meses alcançou 32,4%. De acordo com a classificação SMASH-U, predominou a etiologia hipertensiva (62,9%), com alta concordância interobservador (κ = 0,96). Os preditores independentes de mortalidade intra-hospitalar foram o uso de varfarina (OR 5,08; IC 95% 1,59-16,24), localização infratentorial (OR 5,09; IC 95% 2,18-11,91), volume do hematoma (OR 1,03 por mL; IC 95% 1,02-1,05) e presença de hemoventrículo (OR 2,18; IC 95% 1,14-4,16). Fatores semelhantes, incluindo menor escore na Escala de Coma de Glasgow na admissão, estiveram associados a maior mortalidade em três meses e piores desfechos funcionais. Conclusões: Este estudo reforça a elevada morbimortalidade associada à HIC espontânea e destaca a importância da identificação precoce de fatores prognósticos, como volume do hematoma, nível de consciência, localização infratentorial e presença de hemoventrículo. A classificação SMASH-U mostrou-se útil para a caracterização etiológica e demonstrou excelente reprodutibilidade entre avaliadores. Os achados fornecem dados valiosos para a epidemiologia da HIC no Brasil.Introduction: Spontaneous intracerebral hemorrhage (ICH) represents one of the most severe forms of stroke, with high rates of mortality and disability. Although advances have been made in understanding its pathophysiology and prognostic factors, the management of ICH remains a clinical challenge, particularly in low- and middle-income countries where epidemiological data are scarce. Objective: To characterize the clinical, radiological, and etiological profile of patients with spontaneous ICH treated in a Brazilian tertiary care center, and to analyze predictors of mortality and functional outcomes. Methods: A retrospective, observational study was conducted based on the REAVER (Registro de Acidente Vascular Encefálico de Ribeirão Preto) database, including patients with a diagnosis of spontaneous ICH between January 2014 and December 2019. Clinical, laboratory, and neuroimaging data were collected. The etiological classification was performed using the SMASH-U scale, with interobserver agreement assessed. Multivariate logistic regression analyses were performed to identify independent predictors of in-hospital mortality, three-month mortality, and poor functional outcomes. Results: A total of 278 patients were analyzed. Mean age was 60.6 ± 13.7 years, and 63.3% were male. Systemic arterial hypertension was the most frequent risk factor (75.5%). The most common hematoma location was the basal ganglia (41.7%). In-hospital mortality was 30.2%, and three-month mortality reached 32.4%. According to the SMASH-U classification, hypertensive etiology predominated (62.9%), with a high interobserver concordance (κ = 0.96). Independent predictors of in-hospital mortality were warfarin use (OR 5.08; 95% CI 1.59-16.24), infratentorial location (OR 5.09; 95% CI 2.18-11.91), hematoma volume (OR 1.03 per mL; 95% CI 1.02-1.05), and intraventricular extension (OR 2.18; 95% CI 1.14-4.16). Similar factors, including lower Glasgow Coma Scale score on admission, were associated with higher three-month mortality and worse functional outcomes. Conclusions: This study reinforces the high morbidity and mortality associated with spontaneous ICH and highlights the importance of early identification of prognostic factors such as hematoma volume, level of consciousness, infratentorial location, and intraventricular extension. The SMASH-U classification proved useful for etiological characterization and demonstrated excellent interobserver reliability. The findings contribute valuable data to the epidemiology of ICH in Brazil.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPontes Neto, Octávio MarquesVincenzi, Otávio Costa2025-05-16info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/17/17140/tde-08092025-110922/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-03-03T17:28:03Zoai:teses.usp.br:tde-08092025-110922Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-03-03T17:28:03Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Perfil dos pacientes com hemorragia intracerebral espontânea atendidos em um centro de referência brasileiro entre os anos de 2014 e 2019 Profile of patients with intracerebral hematoma treated at a brazilian referral center from 2014 to 2019 |
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Perfil dos pacientes com hemorragia intracerebral espontânea atendidos em um centro de referência brasileiro entre os anos de 2014 e 2019 Vincenzi, Otávio Costa Acidente vascular cerebral hemorrágico Epidemiologia do AVC Hemorragia intracerebral Hemorragia intracerebral espontânea Hemorrhagic stroke Intracerebral hemorrhage Neurological prognosis Prognóstico neurológico SMASH-U Spontaneous intracerebral hemorrhage Stroke epidemiology |
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Introdução: A hemorragia intracerebral espontânea (HIC) representa uma das formas mais graves de acidente vascular cerebral (AVC), com altas taxas de mortalidade e incapacidade. Apesar dos avanços no entendimento de sua fisiopatologia e fatores prognósticos, o manejo da HIC continua sendo um desafio clínico, especialmente em países de baixa e média renda, onde os dados epidemiológicos são escassos. Objetivo: Caracterizar o perfil clínico, radiológico e etiológico dos pacientes com HIC espontânea atendidos em um centro terciário brasileiro, e analisar preditores de mortalidade e desfechos funcionais. Métodos: Foi realizado um estudo retrospectivo e observacional, baseado no banco de dados REAVER (Registro de Acidente Vascular Encefálico de Ribeirão Preto), incluindo pacientes com diagnóstico de HIC espontânea entre janeiro de 2014 e dezembro de 2019. Dados clínicos, laboratoriais e de neuroimagem foram coletados. A classificação etiológica foi realizada utilizando a escala SMASH-U, com avaliação da concordância interobservador. Análises de regressão logística multivariada foram conduzidas para identificar preditores independentes de mortalidade intra-hospitalar, mortalidade em três meses e desfechos funcionais desfavoráveis. Resultados: Foram analisados 278 pacientes. A média de idade foi de 60,6 ± 13,7 anos, e 63,3% eram do sexo masculino. A hipertensão arterial sistêmica foi o fator de risco mais frequente (75,5%). A localização mais comum do hematoma foi a região nucleocapsular (41,7%). A mortalidade intra hospitalar foi de 30,2%, e a mortalidade em três meses alcançou 32,4%. De acordo com a classificação SMASH-U, predominou a etiologia hipertensiva (62,9%), com alta concordância interobservador (κ = 0,96). Os preditores independentes de mortalidade intra-hospitalar foram o uso de varfarina (OR 5,08; IC 95% 1,59-16,24), localização infratentorial (OR 5,09; IC 95% 2,18-11,91), volume do hematoma (OR 1,03 por mL; IC 95% 1,02-1,05) e presença de hemoventrículo (OR 2,18; IC 95% 1,14-4,16). Fatores semelhantes, incluindo menor escore na Escala de Coma de Glasgow na admissão, estiveram associados a maior mortalidade em três meses e piores desfechos funcionais. Conclusões: Este estudo reforça a elevada morbimortalidade associada à HIC espontânea e destaca a importância da identificação precoce de fatores prognósticos, como volume do hematoma, nível de consciência, localização infratentorial e presença de hemoventrículo. A classificação SMASH-U mostrou-se útil para a caracterização etiológica e demonstrou excelente reprodutibilidade entre avaliadores. Os achados fornecem dados valiosos para a epidemiologia da HIC no Brasil. |
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