Desigualdades socioeconômicas e clínicas na prevalência e gravidade das maloclusões em adolescentes brasileiros em 2023

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Pistelli, Gustavo Chab
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/25/25144/tde-05022026-154254/
Resumo: Na adolescência, são estabelecidos comportamentos e estilos de vida que poderão influenciar o padrão de morbidade e de cuidados de saúde. Este estudo ecológico, transversal e analítico, investigou a associação entre a presença de alterações oclusais, a experiência de cárie dentária e fatores socioeconômicos em adolescentes brasileiros de 15 a 19 anos, com base nos dados do levantamento epidemiológico nacional SB Brasil 2023, conduzido pelo Ministério da Saúde. A amostra analisada foi composta por 7.955 adolescentes, e os dados utilizados foram obtidos de forma secundária. O principal desfecho analisado foi a presença de alterações oclusais, avaliadas por meio do Índice de Necessidade de Tratamento Ortodôntico (DAI), enquanto a condição de saúde bucal foi medida pelo índice de Dentes Cariados, Perdidos e Obturados (CPOD). As variáveis independentes foram organizadas em dois níveis: contextual e individual. A prevalência de alterações oclusais moderadas a muito severas (DAI 31) foi de aproximadamente 45%, indicando necessidade de tratamento ortodôntico. O índice CPOD médio encontrado foi de 2,58, refletindo uma experiência de cárie relativamente controlada em nível nacional, embora desigual entre os subgrupos. Observou-se uma associação significativa entre maior DAI e maior CPOD, sugerindo que adolescentes com necessidade ortodôntica também apresentam maior comprometimento pela cárie dentária, evidenciando coexistência de agravos bucais em populações mais vulneráveis. As alterações oclusais e maiores valores de CPOD foram mais prevalentes entre adolescentes do sexo feminino, com idade entre 15 e 17 anos, autodeclarados pardos, residentes nas regiões Norte e Nordeste, em municípios com mais de 100 mil habitantes. Esses adolescentes apresentavam características como baixa renda familiar, atraso escolar, escolaridade de nível médio, recebimento de benefícios de programas sociais e perdas dentárias especialmente molares inferiores. Além disso, adolescentes com mães com baixa escolaridade e que frequentavam escolas públicas também apresentaram piores condições bucais. A análise reforça a influência dos determinantes sociais na saúde bucal e aponta que as desigualdades observadas têm raízes cumulativas, refletindo processos iniciados na infância. A frequência de visitas ao dentista esteve associada a melhores indicadores de saúde bucal, o que evidencia a importância do acesso regular a serviços odontológicos. As desigualdades regionais também foram expressivas, com as regiões Norte e Nordeste apresentando os piores indicadores em comparação ao Sul e Sudeste. Portanto os dados do SB Brasil 2023 demonstram a persistência de desigualdades estruturais na saúde bucal de adolescentes brasileiros. A associação entre maloclusões, experiência de cárie e fatores socioeconômicos reforça a necessidade de políticas públicas integradas e equitativas, que contemplem a prevenção e o acesso aos cuidados desde a infância, com atenção especial aos grupos mais vulneráveis. O monitoramento epidemiológico contínuo é fundamental para orientar estratégias, nas políticas públicas, eficazes em saúde bucal.
id USP_dd527dd5513855893f28edae932f80e9
oai_identifier_str oai:teses.usp.br:tde-05022026-154254
network_acronym_str USP
network_name_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
repository_id_str
spelling Desigualdades socioeconômicas e clínicas na prevalência e gravidade das maloclusões em adolescentes brasileiros em 2023Socioeconomic and clinical inequalities in the prevalence and severity of malocclusions in Brazilian adolescents in 2023AdolescentAdolescentesFatores socioeconômicosMalocclusionMaloclusãoPrevalencePrevalênciaSocioeconomic factorsNa adolescência, são estabelecidos comportamentos e estilos de vida que poderão influenciar o padrão de morbidade e de cuidados de saúde. Este estudo ecológico, transversal e analítico, investigou a associação entre a presença de alterações oclusais, a experiência de cárie dentária e fatores socioeconômicos em adolescentes brasileiros de 15 a 19 anos, com base nos dados do levantamento epidemiológico nacional SB Brasil 2023, conduzido pelo Ministério da Saúde. A amostra analisada foi composta por 7.955 adolescentes, e os dados utilizados foram obtidos de forma secundária. O principal desfecho analisado foi a presença de alterações oclusais, avaliadas por meio do Índice de Necessidade de Tratamento Ortodôntico (DAI), enquanto a condição de saúde bucal foi medida pelo índice de Dentes Cariados, Perdidos e Obturados (CPOD). As variáveis independentes foram organizadas em dois níveis: contextual e individual. A prevalência de alterações oclusais moderadas a muito severas (DAI 31) foi de aproximadamente 45%, indicando necessidade de tratamento ortodôntico. O índice CPOD médio encontrado foi de 2,58, refletindo uma experiência de cárie relativamente controlada em nível nacional, embora desigual entre os subgrupos. Observou-se uma associação significativa entre maior DAI e maior CPOD, sugerindo que adolescentes com necessidade ortodôntica também apresentam maior comprometimento pela cárie dentária, evidenciando coexistência de agravos bucais em populações mais vulneráveis. As alterações oclusais e maiores valores de CPOD foram mais prevalentes entre adolescentes do sexo feminino, com idade entre 15 e 17 anos, autodeclarados pardos, residentes nas regiões Norte e Nordeste, em municípios com mais de 100 mil habitantes. Esses adolescentes apresentavam características como baixa renda familiar, atraso escolar, escolaridade de nível médio, recebimento de benefícios de programas sociais e perdas dentárias especialmente molares inferiores. Além disso, adolescentes com mães com baixa escolaridade e que frequentavam escolas públicas também apresentaram piores condições bucais. A análise reforça a influência dos determinantes sociais na saúde bucal e aponta que as desigualdades observadas têm raízes cumulativas, refletindo processos iniciados na infância. A frequência de visitas ao dentista esteve associada a melhores indicadores de saúde bucal, o que evidencia a importância do acesso regular a serviços odontológicos. As desigualdades regionais também foram expressivas, com as regiões Norte e Nordeste apresentando os piores indicadores em comparação ao Sul e Sudeste. Portanto os dados do SB Brasil 2023 demonstram a persistência de desigualdades estruturais na saúde bucal de adolescentes brasileiros. A associação entre maloclusões, experiência de cárie e fatores socioeconômicos reforça a necessidade de políticas públicas integradas e equitativas, que contemplem a prevenção e o acesso aos cuidados desde a infância, com atenção especial aos grupos mais vulneráveis. O monitoramento epidemiológico contínuo é fundamental para orientar estratégias, nas políticas públicas, eficazes em saúde bucal.Adolescence establishes behaviors and lifestyles that can influence morbidity and health care patterns. This ecological, cross-sectional, and analytical study investigated the association between the presence of occlusal abnormalities, dental caries experience, and socioeconomic factors in Brazilian adolescents aged 15 to 19, based on data from the SB Brasil 2023 national epidemiological survey, conducted by the Ministry of Health. The sample consisted of 7,955 adolescents, and the data used were obtained secondary. The main outcome analyzed was the presence of occlusal abnormalities, assessed using the Orthodontic Treatment Need Index (DAI), while oral health status was measured by the Decayed, Missing, and Filled Teeth (DMFT) index. The independent variables were organized into two levels: contextual and individual. The prevalence of moderate to very severe occlusal abnormalities (DAI 31) was approximately 45%, indicating the need for orthodontic treatment. The mean DMFT index was 2.58, reflecting a relatively controlled caries experience nationwide, although uneven across subgroups. A significant association was observed between higher DAI and higher DMFT, suggesting that adolescents with orthodontic needs also have greater dental caries involvement, demonstrating the coexistence of oral health problems in more vulnerable populations. Occlusal abnormalities and higher DMFT values were more prevalent among female adolescents aged 15 to 17, self-identified as mixed race, living in the North and Northeast regions of Brazil, and in municipalities with over 100,000 inhabitants. These adolescents presented characteristics such as low family income, academic delay, high school education, receipt of social program benefits, and tooth lossespecially lower molars. Furthermore, adolescents whose mothers had low levels of education and who attended public schools also had worse oral health conditions. The analysis reinforces the influence of social determinants on oral health and indicates that the observed inequalities have cumulative roots, reflecting processes that begin in childhood. Frequent dental visits were associated with better oral health indicators, highlighting the importance of regular access to dental services. Regional inequalities were also significant, with the North and Northeast regions presenting the worst indicators compared to the South and Southeast. Therefore, the SB Brasil 2023 data demonstrate the persistence of structural inequalities in the oral health of Brazilian adolescents. The association between malocclusions, caries experience, and socioeconomic factors reinforces the need for integrated and equitable public policies that address prevention and access to care from childhood, with special attention to the most vulnerable groups. Continuous epidemiological monitoring is essential to guide effective public policy strategies in oral health.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBastos, Roosevelt da SilvaPistelli, Gustavo Chab2025-10-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/25/25144/tde-05022026-154254/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPReter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-02-23T17:43:02Zoai:teses.usp.br:tde-05022026-154254Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-02-23T17:43:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
dc.title.none.fl_str_mv Desigualdades socioeconômicas e clínicas na prevalência e gravidade das maloclusões em adolescentes brasileiros em 2023
Socioeconomic and clinical inequalities in the prevalence and severity of malocclusions in Brazilian adolescents in 2023
title Desigualdades socioeconômicas e clínicas na prevalência e gravidade das maloclusões em adolescentes brasileiros em 2023
spellingShingle Desigualdades socioeconômicas e clínicas na prevalência e gravidade das maloclusões em adolescentes brasileiros em 2023
Pistelli, Gustavo Chab
Adolescent
Adolescentes
Fatores socioeconômicos
Malocclusion
Maloclusão
Prevalence
Prevalência
Socioeconomic factors
title_short Desigualdades socioeconômicas e clínicas na prevalência e gravidade das maloclusões em adolescentes brasileiros em 2023
title_full Desigualdades socioeconômicas e clínicas na prevalência e gravidade das maloclusões em adolescentes brasileiros em 2023
title_fullStr Desigualdades socioeconômicas e clínicas na prevalência e gravidade das maloclusões em adolescentes brasileiros em 2023
title_full_unstemmed Desigualdades socioeconômicas e clínicas na prevalência e gravidade das maloclusões em adolescentes brasileiros em 2023
title_sort Desigualdades socioeconômicas e clínicas na prevalência e gravidade das maloclusões em adolescentes brasileiros em 2023
author Pistelli, Gustavo Chab
author_facet Pistelli, Gustavo Chab
author_role author
dc.contributor.none.fl_str_mv Bastos, Roosevelt da Silva
dc.contributor.author.fl_str_mv Pistelli, Gustavo Chab
dc.subject.por.fl_str_mv Adolescent
Adolescentes
Fatores socioeconômicos
Malocclusion
Maloclusão
Prevalence
Prevalência
Socioeconomic factors
topic Adolescent
Adolescentes
Fatores socioeconômicos
Malocclusion
Maloclusão
Prevalence
Prevalência
Socioeconomic factors
description Na adolescência, são estabelecidos comportamentos e estilos de vida que poderão influenciar o padrão de morbidade e de cuidados de saúde. Este estudo ecológico, transversal e analítico, investigou a associação entre a presença de alterações oclusais, a experiência de cárie dentária e fatores socioeconômicos em adolescentes brasileiros de 15 a 19 anos, com base nos dados do levantamento epidemiológico nacional SB Brasil 2023, conduzido pelo Ministério da Saúde. A amostra analisada foi composta por 7.955 adolescentes, e os dados utilizados foram obtidos de forma secundária. O principal desfecho analisado foi a presença de alterações oclusais, avaliadas por meio do Índice de Necessidade de Tratamento Ortodôntico (DAI), enquanto a condição de saúde bucal foi medida pelo índice de Dentes Cariados, Perdidos e Obturados (CPOD). As variáveis independentes foram organizadas em dois níveis: contextual e individual. A prevalência de alterações oclusais moderadas a muito severas (DAI 31) foi de aproximadamente 45%, indicando necessidade de tratamento ortodôntico. O índice CPOD médio encontrado foi de 2,58, refletindo uma experiência de cárie relativamente controlada em nível nacional, embora desigual entre os subgrupos. Observou-se uma associação significativa entre maior DAI e maior CPOD, sugerindo que adolescentes com necessidade ortodôntica também apresentam maior comprometimento pela cárie dentária, evidenciando coexistência de agravos bucais em populações mais vulneráveis. As alterações oclusais e maiores valores de CPOD foram mais prevalentes entre adolescentes do sexo feminino, com idade entre 15 e 17 anos, autodeclarados pardos, residentes nas regiões Norte e Nordeste, em municípios com mais de 100 mil habitantes. Esses adolescentes apresentavam características como baixa renda familiar, atraso escolar, escolaridade de nível médio, recebimento de benefícios de programas sociais e perdas dentárias especialmente molares inferiores. Além disso, adolescentes com mães com baixa escolaridade e que frequentavam escolas públicas também apresentaram piores condições bucais. A análise reforça a influência dos determinantes sociais na saúde bucal e aponta que as desigualdades observadas têm raízes cumulativas, refletindo processos iniciados na infância. A frequência de visitas ao dentista esteve associada a melhores indicadores de saúde bucal, o que evidencia a importância do acesso regular a serviços odontológicos. As desigualdades regionais também foram expressivas, com as regiões Norte e Nordeste apresentando os piores indicadores em comparação ao Sul e Sudeste. Portanto os dados do SB Brasil 2023 demonstram a persistência de desigualdades estruturais na saúde bucal de adolescentes brasileiros. A associação entre maloclusões, experiência de cárie e fatores socioeconômicos reforça a necessidade de políticas públicas integradas e equitativas, que contemplem a prevenção e o acesso aos cuidados desde a infância, com atenção especial aos grupos mais vulneráveis. O monitoramento epidemiológico contínuo é fundamental para orientar estratégias, nas políticas públicas, eficazes em saúde bucal.
publishDate 2025
dc.date.none.fl_str_mv 2025-10-10
dc.type.status.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/publishedVersion
dc.type.driver.fl_str_mv info:eu-repo/semantics/doctoralThesis
format doctoralThesis
status_str publishedVersion
dc.identifier.uri.fl_str_mv https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/25/25144/tde-05022026-154254/
url https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/25/25144/tde-05022026-154254/
dc.language.iso.fl_str_mv por
language por
dc.relation.none.fl_str_mv
dc.rights.driver.fl_str_mv Reter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.
info:eu-repo/semantics/openAccess
rights_invalid_str_mv Reter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.
eu_rights_str_mv openAccess
dc.format.none.fl_str_mv application/pdf
dc.coverage.none.fl_str_mv
dc.publisher.none.fl_str_mv Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
publisher.none.fl_str_mv Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
dc.source.none.fl_str_mv
reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
instname:Universidade de São Paulo (USP)
instacron:USP
instname_str Universidade de São Paulo (USP)
instacron_str USP
institution USP
reponame_str Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
collection Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP
repository.name.fl_str_mv Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)
repository.mail.fl_str_mv virginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.br
_version_ 1865492427134992384