Câncer de mama em mulheres vivendo com HIV: perfil sociodemográfico, aspectos clínicos, desfechos e sobrevida
| Ano de defesa: | 2024 |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5139/tde-13022025-101859/ |
Resumo: | Introdução: Mulheres que vivem com HIV têm apresentado maior sobrevida nas últimas décadas com o advento das terapias antirretrovirais; paralelamente, o diagnóstico de câncer de mama está aumentando nessa população. Os dados da literatura ainda escassos sobre a relação entre a infecção pelo HIV e o câncer de mama. Quanto aos protocolos de rastreamento, diagnóstico e tratamento, a maior parte dos serviços segue condutas semelhantes às aplicadas para a população sem HIV. No Brasil, há ainda poucos dados publicados sobre incidência, rastreamento e evolução das neoplasias malignas de mama em pacientes que vivem com HIV. Objetivos: avaliar as características epidemiológicas, clínicas, de tratamento, evolução e sobrevida de mulheres vivendo com o HIV diagnosticadas com câncer de mama, atendidas no Setor de Mastologia da Divisão de Ginecologia no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), do HCFMUSP no período de 2008 a 2023. Adicionalmente, avaliar a presença de fatores de risco, carga viral, linfócitos CD4 e terapia antiretroviral na ocasião do diagnóstico, avaliar as características tumorais, estadiamento, tipo de tratamento e os desfechos de sobrevida nessa população. Métodos: estudo de coorte retrospectiva, por meio da análise de prontuários de pacientes com câncer de mama e HIV atendidas nas instituições da pesquisa, no período de 2008 a 2023. Resultados: 66 pacientes com câncer de mama e HIV foram avaliadas. A maioria (56,1%) foi diagnosticada com a neoplasia de mama na faixa etária entre 50 e 70 anos, seguida por 24,2% entre 40 e 50 anos. A raça predominante foi a branca (59,7%) e 42,6% das pacientes eram casadas. A maioria, 81,8% das pacientes apresentaram carcinoma ductal invasivo do tipo não especial, 12,1% tiveram carcinoma ductal in situ e 4,5% o carcinoma lobular invasivo. A cirurgia foi o tratamento predominante em 81,2% das mulheres, 69,7% receberam radioterapia adjuvante e 54,5% foram submetidas a quimioterapia. Durante o período do estudo, nove pacientes faleceram. A sobrevivência mediana estimada foi de 120 meses (erro padrão= 58.956), com intervalo de confiança de 95% entre 4.446 e 235.554 meses. A taxa de sobrevivência acumulada foi de 83,0% após cinco anos. Quando analisadas as pacientes com diagnóstico do câncer de mama antes dos 50 anos e após os 50 anos, não houve variação estatisticamente significativa entre os grupos. Conclusão: Essa pesquisa é a maior coorte de mulheres vivendo com HIV que foram diagnosticadas com câncer de mama já descrita no Brasil até o momento. As pacientes estudadas eram, predominantemente, brancas, casadas e cursaram o ensino fundamental. Quanto à idade ao diagnóstico da infecção pelo HIV a média etária foi 37,5 anos. Já o diagnóstico do câncer de mama foi realizado entre 50 e 70 anos em 56,1 % dos casos, com média etária de 53 anos. A idade da menarca foi predominante acima de 12 anos, 89,4% tiveram mais de um parto e este ocorreu antes dos 30 anos, sendo que 61,8% amamentaram. Apenas 16,3% referiram uso de contraceptivos hormonais e somente 3,8% utilizaram terapia hormonal. Entretanto, embora apenas 20,7% apresentassem obesidade e 33,3% fizessem uso regular de álcool, 61% referiram serem tabagistas, havendo assim predominância do uso de tabaco enquanto fator de risco na amostra estudada. Quanto aos antecedentes familiares, apenas 18,6% referiram ter parentes de primeiro grau com o diagnóstico de câncer de mama. Os valores de dos linfócitos T CD4 avaliados na ocasião do diagnóstico do câncer de mama, variaram de 306 a 2448 cel/mm3, sendo a média 822,8 e a mediana 554. A maior parte das pacientes, 96,1% apresentavam a carga viral indetectável no início do tratamento para a neoplasia da mama e quanto ao uso de terapia antirretroviral, notou-se que 78,8% faziam uso regular das medicações, sendo a drogas mais utilizadas Lamivudina (67,3%), Tenofovir (63,5%) e Dolutegravir (26,9%). O tipo histológico mais comum foi o carcinoma ductal invasivo do tipo não especial (81,8%), com predominância do subtipo molecular luminal (60,3%), sendo 22,4% luminal A e 37,9% luminal B. Os tumores apresentavam predominância do grau histológico II (58,6%) e grau nuclear 2 (45,8%). A presença de infiltrado linfocitário tumoral (TILs) foi observada em 12,1% das amostras. Quanto ao estadiamento ao diagnóstico, verificou-se que a maioria das mulheres (66,2%) foram diagnosticadas em estádios iniciais IA, IB e IIA da neoplasia. A cirurgia foi realizada em 81,2% das mulheres, sendo que 69,7% receberam radioterapia adjuvante e 54,5% foram submetidas a quimioterapia. Durante o período do estudo, nove pacientes faleceram. A taxa de sobrevivência em cinco anos de 83,0% observada nesta população é mais elevada do que a maior parte das estimativas de outros estudos já publicados com populações semelhantes. Tal achado contribui para a discussão de medidas para implementação de estratégias mais direcionadas para o cuidado integral das mulheres vivendo com HIV que muitas vezes estão marginalizadas em diferentes cenários de suas vidas |
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Câncer de mama em mulheres vivendo com HIV: perfil sociodemográfico, aspectos clínicos, desfechos e sobrevidaBreast cancer in women living with HIV: sociodemographic profile, clinical aspects, outcomes and survivalAIDSAidsAntirretroviraisBreast cancerCancerCâncerCâncer de mamaChemotherapyHAARTHIVHIVImmunotherapyImunoterapiaQuimioterapiaSobrevidaSurvivalsurvivorshipIntrodução: Mulheres que vivem com HIV têm apresentado maior sobrevida nas últimas décadas com o advento das terapias antirretrovirais; paralelamente, o diagnóstico de câncer de mama está aumentando nessa população. Os dados da literatura ainda escassos sobre a relação entre a infecção pelo HIV e o câncer de mama. Quanto aos protocolos de rastreamento, diagnóstico e tratamento, a maior parte dos serviços segue condutas semelhantes às aplicadas para a população sem HIV. No Brasil, há ainda poucos dados publicados sobre incidência, rastreamento e evolução das neoplasias malignas de mama em pacientes que vivem com HIV. Objetivos: avaliar as características epidemiológicas, clínicas, de tratamento, evolução e sobrevida de mulheres vivendo com o HIV diagnosticadas com câncer de mama, atendidas no Setor de Mastologia da Divisão de Ginecologia no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), do HCFMUSP no período de 2008 a 2023. Adicionalmente, avaliar a presença de fatores de risco, carga viral, linfócitos CD4 e terapia antiretroviral na ocasião do diagnóstico, avaliar as características tumorais, estadiamento, tipo de tratamento e os desfechos de sobrevida nessa população. Métodos: estudo de coorte retrospectiva, por meio da análise de prontuários de pacientes com câncer de mama e HIV atendidas nas instituições da pesquisa, no período de 2008 a 2023. Resultados: 66 pacientes com câncer de mama e HIV foram avaliadas. A maioria (56,1%) foi diagnosticada com a neoplasia de mama na faixa etária entre 50 e 70 anos, seguida por 24,2% entre 40 e 50 anos. A raça predominante foi a branca (59,7%) e 42,6% das pacientes eram casadas. A maioria, 81,8% das pacientes apresentaram carcinoma ductal invasivo do tipo não especial, 12,1% tiveram carcinoma ductal in situ e 4,5% o carcinoma lobular invasivo. A cirurgia foi o tratamento predominante em 81,2% das mulheres, 69,7% receberam radioterapia adjuvante e 54,5% foram submetidas a quimioterapia. Durante o período do estudo, nove pacientes faleceram. A sobrevivência mediana estimada foi de 120 meses (erro padrão= 58.956), com intervalo de confiança de 95% entre 4.446 e 235.554 meses. A taxa de sobrevivência acumulada foi de 83,0% após cinco anos. Quando analisadas as pacientes com diagnóstico do câncer de mama antes dos 50 anos e após os 50 anos, não houve variação estatisticamente significativa entre os grupos. Conclusão: Essa pesquisa é a maior coorte de mulheres vivendo com HIV que foram diagnosticadas com câncer de mama já descrita no Brasil até o momento. As pacientes estudadas eram, predominantemente, brancas, casadas e cursaram o ensino fundamental. Quanto à idade ao diagnóstico da infecção pelo HIV a média etária foi 37,5 anos. Já o diagnóstico do câncer de mama foi realizado entre 50 e 70 anos em 56,1 % dos casos, com média etária de 53 anos. A idade da menarca foi predominante acima de 12 anos, 89,4% tiveram mais de um parto e este ocorreu antes dos 30 anos, sendo que 61,8% amamentaram. Apenas 16,3% referiram uso de contraceptivos hormonais e somente 3,8% utilizaram terapia hormonal. Entretanto, embora apenas 20,7% apresentassem obesidade e 33,3% fizessem uso regular de álcool, 61% referiram serem tabagistas, havendo assim predominância do uso de tabaco enquanto fator de risco na amostra estudada. Quanto aos antecedentes familiares, apenas 18,6% referiram ter parentes de primeiro grau com o diagnóstico de câncer de mama. Os valores de dos linfócitos T CD4 avaliados na ocasião do diagnóstico do câncer de mama, variaram de 306 a 2448 cel/mm3, sendo a média 822,8 e a mediana 554. A maior parte das pacientes, 96,1% apresentavam a carga viral indetectável no início do tratamento para a neoplasia da mama e quanto ao uso de terapia antirretroviral, notou-se que 78,8% faziam uso regular das medicações, sendo a drogas mais utilizadas Lamivudina (67,3%), Tenofovir (63,5%) e Dolutegravir (26,9%). O tipo histológico mais comum foi o carcinoma ductal invasivo do tipo não especial (81,8%), com predominância do subtipo molecular luminal (60,3%), sendo 22,4% luminal A e 37,9% luminal B. Os tumores apresentavam predominância do grau histológico II (58,6%) e grau nuclear 2 (45,8%). A presença de infiltrado linfocitário tumoral (TILs) foi observada em 12,1% das amostras. Quanto ao estadiamento ao diagnóstico, verificou-se que a maioria das mulheres (66,2%) foram diagnosticadas em estádios iniciais IA, IB e IIA da neoplasia. A cirurgia foi realizada em 81,2% das mulheres, sendo que 69,7% receberam radioterapia adjuvante e 54,5% foram submetidas a quimioterapia. Durante o período do estudo, nove pacientes faleceram. A taxa de sobrevivência em cinco anos de 83,0% observada nesta população é mais elevada do que a maior parte das estimativas de outros estudos já publicados com populações semelhantes. Tal achado contribui para a discussão de medidas para implementação de estratégias mais direcionadas para o cuidado integral das mulheres vivendo com HIV que muitas vezes estão marginalizadas em diferentes cenários de suas vidasBackground: Women living with HIV have experienced increased survival over recent decades with the advent of antiretroviral therapies; concurrently, breast cancer diagnoses are rising in this population. Literature on the relationship between HIV infection and breast cancer remains scarce. Most screening, diagnostic, and treatment protocols follow similar practices as those applied to the HIV-negative population. In Brazil, there is still limited published data on the incidence, screening, and progression of breast malignancies in HIV-positive patients. Objectives: To evaluate the epidemiological, clinical, and treatment characteristics, as well as the progression and survival of women living with HIV diagnosed with breast cancer, who were treated at the Mastology Sector of the Gynecological Division at the São Paulo State Cancer Institute (ICESP), Hospital das Clínicas, Faculty of Medicine, University of São Paulo, from 2008 to 2023. Additionally, to assess the presence of risk factors, viral load, CD4 lymphocytes, and antiretroviral therapy at the time of diagnosis, as well as tumor characteristics, staging, type of treatment, and survival outcomes in this population. Methods: A retrospective cohort study analyzing medical records of breast cancer and HIV patients treated at the research institutions from 2008 to 2023. Results: Sixty-six patients with breast cancer and HIV were evaluated. Most (56.1%) were diagnosed with breast cancer between the ages of 50 and 70, followed by 24.2% between 40 and 50 years. The predominant race was white (59.7%), and 42.6% of patients were married. Most (81.8%) had invasive ductal carcinoma of the not otherwise specified type, 12.1% had ductal carcinoma in situ, and 4.5% had invasive lobular carcinoma. Surgery was the predominant treatment in 81.2% of women, 69.7% received adjuvant radiotherapy, and 54.5% underwent chemotherapy. During the study period, nine patients died. The median estimated survival was 120 months (standard error = 58.956), with a 95% confidence interval between 4.446 and 235.554 months. The 5-year cumulative survival rate was 83.0%. There was no statistically significant variation in survival between patients diagnosed with breast cancer before and after age 50. Conclusion: This study represents the largest cohort of HIV-positive women diagnosed with breast cancer reported in Brazil to date. The women studied were predominantly white, married, and had completed elementary education. The average age at HIV diagnosis was 37.5 years, while breast cancer diagnosis occurred between 50 and 70 years in 56.1% of cases, with an average age of 53 years. Menarche occurred predominantly after age 12, 89.4% had multiple births before age 30, and 61.8% breastfed. Only 16.3% reported using hormonal contraceptives, and only 3.8% used hormone therapy. Despite only 20.7% having obesity and 33.3% using alcohol regularly, 61% were smokers, indicating tobacco use as a predominant risk factor in the studied sample. Regarding family history, only 18.6% reported having first-degree relatives with breast cancer. CD4 T lymphocyte counts at the time of breast cancer diagnosis ranged from 306 to 2448 cells/mm³, with a mean of 822.8 and a median of 554. Most patients (96.1%) had an undetectable viral load at the start of breast cancer treatment, and 78.8% were on regular antiretroviral therapy, with the most commonly used drugs being Lamivudine (67.3%), Tenofovir (63.5%), and Dolutegravir (26.9%). The most common histological type was invasive ductal carcinoma not otherwise specified (81.8%), with a predominance of the luminal molecular subtype (60.3%), including 22.4% luminal A and 37.9% luminal B. Tumors predominantly had histological grade II (58.6%) and nuclear grade 2 (45.8%). Tumor-infiltrating lymphocytes (TILs) were observed in 12.1% of samples. Regarding staging a diagnosis, most women (66.2%) were diagnosed at early stages IA, IB, and IIA. Surgery was performed in 81.2% of women, with 69.7% receiving adjuvant radiotherapy and 54.5% undergoing chemotherapy. During the study period, nine patients died. The 5-year survival rate of 83.0% observed in this population is higher than most estimates from other similar studies. This finding contributes to the discussion of implementing more targeted strategies for the comprehensive care of these women, who are often marginalized in various aspects of their livesBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPLinhares, Iara MorenoZambone, Mila Meneguelli Miranda2024-09-26info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5139/tde-13022025-101859/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-02-21T18:06:02Zoai:teses.usp.br:tde-13022025-101859Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-02-21T18:06:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Câncer de mama em mulheres vivendo com HIV: perfil sociodemográfico, aspectos clínicos, desfechos e sobrevida Zambone, Mila Meneguelli Miranda AIDS Aids Antirretrovirais Breast cancer Cancer Câncer Câncer de mama Chemotherapy HAART HIV HIV Immunotherapy Imunoterapia Quimioterapia Sobrevida Survival survivorship |
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Introdução: Mulheres que vivem com HIV têm apresentado maior sobrevida nas últimas décadas com o advento das terapias antirretrovirais; paralelamente, o diagnóstico de câncer de mama está aumentando nessa população. Os dados da literatura ainda escassos sobre a relação entre a infecção pelo HIV e o câncer de mama. Quanto aos protocolos de rastreamento, diagnóstico e tratamento, a maior parte dos serviços segue condutas semelhantes às aplicadas para a população sem HIV. No Brasil, há ainda poucos dados publicados sobre incidência, rastreamento e evolução das neoplasias malignas de mama em pacientes que vivem com HIV. Objetivos: avaliar as características epidemiológicas, clínicas, de tratamento, evolução e sobrevida de mulheres vivendo com o HIV diagnosticadas com câncer de mama, atendidas no Setor de Mastologia da Divisão de Ginecologia no Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (ICESP), do HCFMUSP no período de 2008 a 2023. Adicionalmente, avaliar a presença de fatores de risco, carga viral, linfócitos CD4 e terapia antiretroviral na ocasião do diagnóstico, avaliar as características tumorais, estadiamento, tipo de tratamento e os desfechos de sobrevida nessa população. Métodos: estudo de coorte retrospectiva, por meio da análise de prontuários de pacientes com câncer de mama e HIV atendidas nas instituições da pesquisa, no período de 2008 a 2023. Resultados: 66 pacientes com câncer de mama e HIV foram avaliadas. A maioria (56,1%) foi diagnosticada com a neoplasia de mama na faixa etária entre 50 e 70 anos, seguida por 24,2% entre 40 e 50 anos. A raça predominante foi a branca (59,7%) e 42,6% das pacientes eram casadas. A maioria, 81,8% das pacientes apresentaram carcinoma ductal invasivo do tipo não especial, 12,1% tiveram carcinoma ductal in situ e 4,5% o carcinoma lobular invasivo. A cirurgia foi o tratamento predominante em 81,2% das mulheres, 69,7% receberam radioterapia adjuvante e 54,5% foram submetidas a quimioterapia. Durante o período do estudo, nove pacientes faleceram. A sobrevivência mediana estimada foi de 120 meses (erro padrão= 58.956), com intervalo de confiança de 95% entre 4.446 e 235.554 meses. A taxa de sobrevivência acumulada foi de 83,0% após cinco anos. Quando analisadas as pacientes com diagnóstico do câncer de mama antes dos 50 anos e após os 50 anos, não houve variação estatisticamente significativa entre os grupos. Conclusão: Essa pesquisa é a maior coorte de mulheres vivendo com HIV que foram diagnosticadas com câncer de mama já descrita no Brasil até o momento. As pacientes estudadas eram, predominantemente, brancas, casadas e cursaram o ensino fundamental. Quanto à idade ao diagnóstico da infecção pelo HIV a média etária foi 37,5 anos. Já o diagnóstico do câncer de mama foi realizado entre 50 e 70 anos em 56,1 % dos casos, com média etária de 53 anos. A idade da menarca foi predominante acima de 12 anos, 89,4% tiveram mais de um parto e este ocorreu antes dos 30 anos, sendo que 61,8% amamentaram. Apenas 16,3% referiram uso de contraceptivos hormonais e somente 3,8% utilizaram terapia hormonal. Entretanto, embora apenas 20,7% apresentassem obesidade e 33,3% fizessem uso regular de álcool, 61% referiram serem tabagistas, havendo assim predominância do uso de tabaco enquanto fator de risco na amostra estudada. Quanto aos antecedentes familiares, apenas 18,6% referiram ter parentes de primeiro grau com o diagnóstico de câncer de mama. Os valores de dos linfócitos T CD4 avaliados na ocasião do diagnóstico do câncer de mama, variaram de 306 a 2448 cel/mm3, sendo a média 822,8 e a mediana 554. A maior parte das pacientes, 96,1% apresentavam a carga viral indetectável no início do tratamento para a neoplasia da mama e quanto ao uso de terapia antirretroviral, notou-se que 78,8% faziam uso regular das medicações, sendo a drogas mais utilizadas Lamivudina (67,3%), Tenofovir (63,5%) e Dolutegravir (26,9%). O tipo histológico mais comum foi o carcinoma ductal invasivo do tipo não especial (81,8%), com predominância do subtipo molecular luminal (60,3%), sendo 22,4% luminal A e 37,9% luminal B. Os tumores apresentavam predominância do grau histológico II (58,6%) e grau nuclear 2 (45,8%). A presença de infiltrado linfocitário tumoral (TILs) foi observada em 12,1% das amostras. Quanto ao estadiamento ao diagnóstico, verificou-se que a maioria das mulheres (66,2%) foram diagnosticadas em estádios iniciais IA, IB e IIA da neoplasia. A cirurgia foi realizada em 81,2% das mulheres, sendo que 69,7% receberam radioterapia adjuvante e 54,5% foram submetidas a quimioterapia. Durante o período do estudo, nove pacientes faleceram. A taxa de sobrevivência em cinco anos de 83,0% observada nesta população é mais elevada do que a maior parte das estimativas de outros estudos já publicados com populações semelhantes. Tal achado contribui para a discussão de medidas para implementação de estratégias mais direcionadas para o cuidado integral das mulheres vivendo com HIV que muitas vezes estão marginalizadas em diferentes cenários de suas vidas |
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