Insônia e apneia do sono comórbida em pacientes referidos a polissonografia

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Yanagimori, Marcela
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USP
Universidade de São Paulo
Faculdade de Medicina
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5150/tde-15042026-153548/
Resumo: Introdução: Apneia obstrutiva do sono (AOS) e insônia são os distúrbios do sono mais prevalentes. Apesar do crescente reconhecimento da comorbidade entre insônia e apneia do sono (COMISA) como uma entidade clínica distinta, seus mecanismos fisiopatológicos permanecem insuficientemente compreendidos. Além disso, a ausência de protocolos diagnósticos padronizados capazes de identificar simultaneamente ambas as condições limita intervenções oportunas e aumenta o risco de subdiagnóstico. A interação sinérgica entre a arquitetura fragmentada do sono e a disfunção autonômica podem contribuir para a piora de desfechos clínicos, embora os mecanismos definitivos ainda não tenham sido esclarecidos. Objetivos: Esta tese é composta por três artigos que, a partir de abordagens complementares, visam aprofundar o entendimento da fisiopatologia e das manifestações clínicas e otimizar o reconhecimento da COMISA. Os objetivos específicos de cada artigo são: Artigo 1: Comparar o limiar de despertar respiratório, um dos mecanismos fisiopatológicos envolvidos na apneia obstrutiva do sono, em indivíduos com COMISA e com AOS. Artigo 2: Se dedicou à caracterização clínica de indivíduos com AOS, insônia e COMISA. Artigo 3: Validar instrumentos diagnósticos simplificados baseados no questionário de índice de gravidade de insônia (IGI), com o intuito de facilitar a triagem e o reconhecimento da COMISA. Métodos. Foram incluídos pacientes encaminhados para polissonografia com suspeita de AOS de uma campanha de diagnóstico de AOS promovida pelo Instituto do Coração/HCFMUSP em conjunto com a Secretaria Estadual da Saúde do Estado de São Paulo, que preencheram questionários sobre gravidade de insônia (IGI), sonolência (Epworth), qualidade de sono (Pitssburgh) e qualidade de vida (WHOQOLbref). Participantes com pontuação no IGI 15 foram definidos como tendo insônia. A apneia do sono foi definida por um índice de apneia-hipopneia (IAH) 15 eventos/hora. Metodologia específica ao Artigo 1: Baixo limiar de despertar respiratório foi determinado por meio de uma pontuação previamente validada, baseada em três variáveis da polissonografia: índice de apneia e hipopneia, nadir da saturação de oxigênio (SpO) e a frequência de hipopneias. Metodologia específica ao Artigo 2: Foram considerados todos os pacientes encaminhados para polissonografia durante a campanha de diagnóstico de AOS. Um modelo de regressão linear múltipla foi utilizado para testar preditores de sonolência, qualidade do sono e qualidade de vida em indivíduos com suspeita de AOS. Metodologia específica ao Artigo 3: Quatro diferentes coortes de indivíduos com distúrbios do sono foram avaliadas. As coortes 1, 2 e 3 incluíram indivíduos com apneia obstrutiva do sono (AOS). A coorte 4 incluiu apenas indivíduos com insônia. O desempenho do IGI-2 e IGI-3 foi comparado ao diagnóstico de insônia baseado no IGI-7 utilizando análise da curva ROC. Resultados. Artigo 1: A proporção de participantes com baixo limiar de despertar respiratório nos grupos com AOS isolada e COMISA foi semelhante (29% vs 33%, p = 0.71). Artigo 2: O IGI foi um preditor independente de sonolência, qualidade do sono e qualidade de vida, enquanto a gravidade da AOS foi preditora apenas de sonolência. Artigo 3: Utilizando a coorte 1, os melhores pontos de corte para o IGI-2 e IGI-3 foram 6 e 8, respectivamente. A área sob a curva (AUC) para o IGI-2 foi de 0,900, 0,951 e 0,893 nas coortes 1, 2 e 4, respectivamente. A AUC para o IGI-3 foi de 0,924, 0,961 e 0,936 nas coortes 1, 2 e 4, respectivamente. Os achados demonstraram boa performance do IGI-2 e 3 para o diagnóstico da insônia. Conclusões: Artigo 1: A proporção semelhante de baixo limiar de despertar respiratório entre indivíduos com COMISA e aqueles com AOS sugere que esse parâmetro respiratório pode não estar relacionado à reativivade aumentada a eventos estressores característica da insônia; Artigo 2: A insônia foi comum entre os indivíduos encaminhados para polissonografia e teve um impacto maior sobre a sonolência, qualidade do sono e qualidade de vida do que a AOS; Avaliar a insônia é fundamental em pacientes com suspeita de AOS e pode levar a abordagens terapêuticas distintas e mais eficazes. Artigo 3: O IGI-2 e o IGI-3 são ferramentas de triagem válidas para insônia em indivíduos com distúrbios do sono. O reconhecimento facilitado da insônia entre indivíduos com AOS pode melhorar os desfechos clínicos.
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A interação sinérgica entre a arquitetura fragmentada do sono e a disfunção autonômica podem contribuir para a piora de desfechos clínicos, embora os mecanismos definitivos ainda não tenham sido esclarecidos. Objetivos: Esta tese é composta por três artigos que, a partir de abordagens complementares, visam aprofundar o entendimento da fisiopatologia e das manifestações clínicas e otimizar o reconhecimento da COMISA. Os objetivos específicos de cada artigo são: Artigo 1: Comparar o limiar de despertar respiratório, um dos mecanismos fisiopatológicos envolvidos na apneia obstrutiva do sono, em indivíduos com COMISA e com AOS. Artigo 2: Se dedicou à caracterização clínica de indivíduos com AOS, insônia e COMISA. Artigo 3: Validar instrumentos diagnósticos simplificados baseados no questionário de índice de gravidade de insônia (IGI), com o intuito de facilitar a triagem e o reconhecimento da COMISA. Métodos. Foram incluídos pacientes encaminhados para polissonografia com suspeita de AOS de uma campanha de diagnóstico de AOS promovida pelo Instituto do Coração/HCFMUSP em conjunto com a Secretaria Estadual da Saúde do Estado de São Paulo, que preencheram questionários sobre gravidade de insônia (IGI), sonolência (Epworth), qualidade de sono (Pitssburgh) e qualidade de vida (WHOQOLbref). Participantes com pontuação no IGI 15 foram definidos como tendo insônia. A apneia do sono foi definida por um índice de apneia-hipopneia (IAH) 15 eventos/hora. Metodologia específica ao Artigo 1: Baixo limiar de despertar respiratório foi determinado por meio de uma pontuação previamente validada, baseada em três variáveis da polissonografia: índice de apneia e hipopneia, nadir da saturação de oxigênio (SpO) e a frequência de hipopneias. Metodologia específica ao Artigo 2: Foram considerados todos os pacientes encaminhados para polissonografia durante a campanha de diagnóstico de AOS. Um modelo de regressão linear múltipla foi utilizado para testar preditores de sonolência, qualidade do sono e qualidade de vida em indivíduos com suspeita de AOS. Metodologia específica ao Artigo 3: Quatro diferentes coortes de indivíduos com distúrbios do sono foram avaliadas. As coortes 1, 2 e 3 incluíram indivíduos com apneia obstrutiva do sono (AOS). A coorte 4 incluiu apenas indivíduos com insônia. O desempenho do IGI-2 e IGI-3 foi comparado ao diagnóstico de insônia baseado no IGI-7 utilizando análise da curva ROC. Resultados. Artigo 1: A proporção de participantes com baixo limiar de despertar respiratório nos grupos com AOS isolada e COMISA foi semelhante (29% vs 33%, p = 0.71). Artigo 2: O IGI foi um preditor independente de sonolência, qualidade do sono e qualidade de vida, enquanto a gravidade da AOS foi preditora apenas de sonolência. Artigo 3: Utilizando a coorte 1, os melhores pontos de corte para o IGI-2 e IGI-3 foram 6 e 8, respectivamente. A área sob a curva (AUC) para o IGI-2 foi de 0,900, 0,951 e 0,893 nas coortes 1, 2 e 4, respectivamente. A AUC para o IGI-3 foi de 0,924, 0,961 e 0,936 nas coortes 1, 2 e 4, respectivamente. Os achados demonstraram boa performance do IGI-2 e 3 para o diagnóstico da insônia. Conclusões: Artigo 1: A proporção semelhante de baixo limiar de despertar respiratório entre indivíduos com COMISA e aqueles com AOS sugere que esse parâmetro respiratório pode não estar relacionado à reativivade aumentada a eventos estressores característica da insônia; Artigo 2: A insônia foi comum entre os indivíduos encaminhados para polissonografia e teve um impacto maior sobre a sonolência, qualidade do sono e qualidade de vida do que a AOS; Avaliar a insônia é fundamental em pacientes com suspeita de AOS e pode levar a abordagens terapêuticas distintas e mais eficazes. Artigo 3: O IGI-2 e o IGI-3 são ferramentas de triagem válidas para insônia em indivíduos com distúrbios do sono. O reconhecimento facilitado da insônia entre indivíduos com AOS pode melhorar os desfechos clínicos.Introduction: Obstructive sleep apnea (OSA) and insomnia are the most prevalent sleep disorders. Although the comorbidity between insomnia and obstructive sleep apnea (COMISA) is increasingly recognized as a distinct clinical entity, its underlying pathophysiological mechanisms remain poorly understood. Moreover, the absence of standardized diagnostic guidelines capable of concurrently identifying both conditions hinders timely intervention and heightens the risk of underdiagnosis. The synergistic interplay between fragmented sleep architecture and autonomic dysfunction may contribute to adverse clinical outcomes; however, the definitive mechanisms have yet to be fully elucidated. Objectives: This thesis comprises three papers employing complementary methodological approaches that aim to improve the understanding of COMISA pathophysiology, its clinical manifestations and its recognition. The specific aims were as follows: Study 1: To compare the arousal threshold, a key pathophysiological mechanism implicated in obstructive sleep apnea, between individuals with COMISA and those with OSA alone. Study 2: Determine clinical characteristics of individuals with OSA, insomnia and COMISA. Study 3: To validate simplified diagnostic instruments derived from the Insomnia Severity Index (ISI) for the purpose of facilitating COMISA screening and recognition. Methods: Participants were patients referred for polysomnography with suspected OSA as part of a diagnostic campaign coordinated by the Heart Institute (InCor)/HCFMUSP in partnership with the São Paulo State Department of Health. All participants completed the following instruments: Insomnia Severity Index (ISI), Epworth Sleepiness Scale, Pittsburgh Sleep Quality Index, and the WHOQOL-bref quality-of-life questionnaire. Insomnia was defined as an ISI score 15. Sleep apnea was defined as an apneahypopnea index (AHI) 15 events/hour. Study 1: Low arousal threshold (AT) was determined using a previously validated score based on three polysomnographic variables: AHI, oxygen saturation nadir (SpO), and hypopnea frequency. Study 2: All individuals referred for polysomnography during the diagnostic campaign were included. Multiple linear regression analyses were conducted to identify predictors of sleepiness, sleep quality, and quality of life in individuals with suspected OSA. Study 3: Four cohorts of individuals with sleep disorders were assessed. Cohorts 1, 2, and 3 comprised participants with OSA, while cohort 4 included only individuals with insomnia. The diagnostic performance of ISI-2 and ISI-3 was compared with the standard ISI-7 insomnia classification using receiver operating characteristic (ROC) curve analysis. Results: Study 1: The prevalence of low AT was similar between the OSA-only and COMISA groups (29% vs 33%; p = 0.71). Study 2: ISI score was an independent predictor of sleepiness, sleep quality, and quality of life, whereas OSA severity predicted only sleepiness. Study 3: In cohort 1, optimal cutoff points for ISI-2 and ISI-3 were 6 and 8, respectively. The area under the curve (AUC) for ISI-2 was 0.900, 0.951, and 0.893 in cohorts 1, 2, and 4, respectively; for ISI-3, AUC values were 0.924, 0.961, and 0.936. Our findings showed that ISI-2 and 3 had good performance to diagnose insomnia. Conclusions: Study 1: The similar proportion of low AT among COMISA and patients with OSA suggests that the respiratory arousal threshold may not be related to the increased arousability of insomnia. Study 2: Insomnia was prevalent among individuals referred for polysomnography and exerted a greater influence on sleepiness, sleep quality, and quality of life than OSA. The assessment of insomnia is essential in patients with suspected OSA and may allow more effective and individualized therapeutic strategies. Study 3: ISI-2 and ISI-3 are validated screening tools for insomnia in populations with sleep disorders. Improved detection of insomnia in COMISA may facilitate targeted interventions and enhance clinical outcomes.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USPUniversidade de São PauloFaculdade de MedicinaGenta, Pedro RodriguesYanagimori, Marcela2025-10-292026-04-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5150/tde-15042026-153548/doi:10.11606/T.5.2025.tde-15042026-153548Liberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USP2026-04-27T15:49:02Zoai:teses.usp.br:tde-15042026-153548Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-27T15:49:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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