Políticas de branqueamento no Brasil da Primeira República (1889-1930): Mestiçagem como ideologia e a transmissão psíquica do impensável
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-30082025-173152/ |
Resumo: | A pesquisa tem como objetivo refletir sobre a questão proposta por M.I.A Fernandes (2005), em Negatividade e Vínculo A Mestiçagem como Ideologia. Nesta interroga, a partir do entendimento de que a ideologia cumpre, nos grupos sociais, a função de articulação entre o processo psíquico e o processo grupal, se, no Brasil: A mestiçagem, como ideologia, estabeleceria essa ligação concorrendo para a construção do mito de um Brasil sem barreiras mascarando as discriminações ou, garantindo a continuidade de um processo de contínua transformação, de criação? (Fernandes, 2005, p.142-143). O caminho para essas reflexões será desenvolvido a partir do entendimento de que o escravismo brasileiro expulsou os escravizados do contrato narcísico originário. Além disso, o modelo brasileiro de abolição da escravidão, somado às políticas de branqueamento implementadas no período da Primeira República (1889-1930), constituíram expressões operadas da mestiçagem e da branquitude como ideologias. O escravismo e sua particular forma de abolição, bem como as políticas de branqueamento, são compreendidos nesta pesquisa como violências fundadoras. Refletiremos sobre essas violências a partir da metapsicologia de René Kaës, em especial o conceito de alianças inconscientes e seu papel na problemática da transmissão psíquica do negativo entre e nas gerações. E, por meio do diálogo com Pierre Benghozi, introduzimos a compreensão da violência como ataque aos vínculos de filiação e afiliação, a partir dos quais é tecida a malhagem dos continentes psíquicos familiares, grupais e comunitários. Essas reflexões se organizam com base no contexto brasileiro, marcado pela opção econômica por um regime escravista vigente ao longo de quase quatro séculos (XVI ao XIX), seguido por um processo de abolição que não incluiu qualquer mecanismo de reparação, nem mesmo a implementação de ações para a inclusão social, política e econômica dos recém libertos e população afrodescendente. |
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Políticas de branqueamento no Brasil da Primeira República (1889-1930): Mestiçagem como ideologia e a transmissão psíquica do impensávelWhitening Policies in Brazil during the First Republic (1889-1930): Miscegenation as Ideology and the Psychic Transmission of the UnthinkableAlianças inconscientesBondsBranquitudeGroup MetapsychologyIdeologiaIdeologyMestiçagemMetapsicologia de grupoMiscegenationPsychic TransmissionTransmissão psíquicaUnconscious AlliancesVínculosWhitenessA pesquisa tem como objetivo refletir sobre a questão proposta por M.I.A Fernandes (2005), em Negatividade e Vínculo A Mestiçagem como Ideologia. Nesta interroga, a partir do entendimento de que a ideologia cumpre, nos grupos sociais, a função de articulação entre o processo psíquico e o processo grupal, se, no Brasil: A mestiçagem, como ideologia, estabeleceria essa ligação concorrendo para a construção do mito de um Brasil sem barreiras mascarando as discriminações ou, garantindo a continuidade de um processo de contínua transformação, de criação? (Fernandes, 2005, p.142-143). O caminho para essas reflexões será desenvolvido a partir do entendimento de que o escravismo brasileiro expulsou os escravizados do contrato narcísico originário. Além disso, o modelo brasileiro de abolição da escravidão, somado às políticas de branqueamento implementadas no período da Primeira República (1889-1930), constituíram expressões operadas da mestiçagem e da branquitude como ideologias. O escravismo e sua particular forma de abolição, bem como as políticas de branqueamento, são compreendidos nesta pesquisa como violências fundadoras. Refletiremos sobre essas violências a partir da metapsicologia de René Kaës, em especial o conceito de alianças inconscientes e seu papel na problemática da transmissão psíquica do negativo entre e nas gerações. E, por meio do diálogo com Pierre Benghozi, introduzimos a compreensão da violência como ataque aos vínculos de filiação e afiliação, a partir dos quais é tecida a malhagem dos continentes psíquicos familiares, grupais e comunitários. Essas reflexões se organizam com base no contexto brasileiro, marcado pela opção econômica por um regime escravista vigente ao longo de quase quatro séculos (XVI ao XIX), seguido por um processo de abolição que não incluiu qualquer mecanismo de reparação, nem mesmo a implementação de ações para a inclusão social, política e econômica dos recém libertos e população afrodescendente.The aim of this research is to reflect on the question proposed by M.I.A. Fernandes (2005) in Negativity and Bonding - Miscegenation as Ideology. Based on the understanding that ideology plays the role of articulating the psychic process and the group process in social groups, she asks whether, in Brazil: Miscegenation, as an ideology, would establish this link, contributing to the construction of the myth of a Brazil without barriers, masking discrimination or guaranteeing the continuity of a process of continuous transformation, of creation? (Fernandes, 2005, p.142-143). The path to these reflections will be developed from the understanding that Brazilian slavery expelled the enslaved from the originary narcissistic contract. In addition, the Brazilian model of abolishing slavery, together with the « whitening » policies implemented during the First Republic (1889-1930), were expressions of miscegenation and whiteness as ideologies. Slavery and its particular form of abolition, as well as « whitening » policies, are understood in this research as founding violences. We will reflect on this violence based on the metapsychology of René Kaës, especially the concept of unconscious alliances and their role in the problem of the psychic transmission of the negative between and within generations. And, through dialogue with Pierre Benghozi, we introduce the understanding of violence as an attack on the bonds of filiation and affiliation, bonds from which the meshwork of family, group and community psychic continents is woven. These reflections will be organized on the basis of the Brazilian context, marked by the economic option for a slave regime that was in force for almost four centuries (16th to 19th), followed by an abolition process that did not include any mechanism for reparation, not even the implementation of actions for the social, political and economic inclusion of the recently freed and Afro-descendant population.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFernandes, Maria Inês AssumpçãoFogagnoli, Adriana Cardoso2025-05-16info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/47/47134/tde-30082025-173152/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-09-04T17:03:46Zoai:teses.usp.br:tde-30082025-173152Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-09-04T17:03:46Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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