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O atendimento de adolescentes autores de violência sexual: a complexidade do cuidado em rede em um serviço de assistência social

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Gomes, Luana Cristina Silveira
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/83/83131/tde-02062025-164532/
Resumo: A violência sexual praticada por adolescentes contra crianças ou outros adolescentes constitui um fenômeno multifacetado, demandando análises transdisciplinares e contextualizadas. Ancorado no paradigma da complexidade de Edgar Morin e na abordagem interseccional, compreende-se tal fenômeno como resultado de uma rede de fatores interligados, que abrangem dimensões individuais, sociais, culturais e estruturais. Este estudo objetiva analisar a rede de cuidado voltada para adolescentes em conflito com a lei, autores de violência sexual contra crianças ou outros adolescentes, sob a perspectiva dos profissionais do CREAS. Para isso, investiga-se como esses profissionais, inseridos nos serviços do Sistema de Garantia de Direitos em João Pessoa-PB, atuam no atendimento a essa população, considerando as adversidades impostas pelo contexto sociopolítico e os desafios na operacionalização do cuidado. A pesquisa visa ainda identificar alternativas para potencializar o enfrentamento da violência dessa natureza e evitar sua perpetuação, abordando questões como a criminalização da pobreza, discriminações racial e de gênero, carência de recursos institucionais, fragilidades no apoio social e lacunas na educação sexual. Adotou-se metodologia qualitativa, com realização de 11 entrevistas semiestruturadas com profissionais de distintas formações atuantes no CREAS, complementadas por observação das práticas da rotina no serviço e análise de registros sobre os adolescentes. Os resultados integraram os princípios dialógico, recursivo e hologramático de Morin (2015). De maneira dialógica reconhece-se que os adolescentes que cometem violência sexual são, ao mesmo tempo, agentes e produtos de contextos sociais e familiares complexos. Isso conduz a adoção de abordagens que equilibrem responsabilização e compreensão. A partir do princípio recursivo, entende-se que a violência é parte de um ciclo que se retroalimenta, exigindo intervenções que atuem tanto nas causas quanto nos efeitos, rompendo o ciclo de perpetuação. Integrando o principio hologramático, percebe-se que cada caso de violência reflete dinâmicas sociais mais amplas, e que as intervenções devem ser holísticas, considerando o indivíduo, a família e a comunidade. A integração do Paradigma da Complexidade e da abordagem interseccional reforça que lidar com adolescentes em conflito com a lei transcende a mera responsabilização penal. Trata-se de compreender as redes estruturais e simbólicas que moldam suas trajetórias desde violências históricas até a reprodução de desigualdades inscritas em marcadores como raça, classe e gênero. O estudo destaca a necessidade de estratégias integradas, capazes de superar barreiras estruturais e promover respostas efetivas às complexidades do fenômeno com ênfase na perspectiva da educação sexual dos adolescentes e na formação continuada dos profissionais dos CREAS.
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Este estudo objetiva analisar a rede de cuidado voltada para adolescentes em conflito com a lei, autores de violência sexual contra crianças ou outros adolescentes, sob a perspectiva dos profissionais do CREAS. Para isso, investiga-se como esses profissionais, inseridos nos serviços do Sistema de Garantia de Direitos em João Pessoa-PB, atuam no atendimento a essa população, considerando as adversidades impostas pelo contexto sociopolítico e os desafios na operacionalização do cuidado. A pesquisa visa ainda identificar alternativas para potencializar o enfrentamento da violência dessa natureza e evitar sua perpetuação, abordando questões como a criminalização da pobreza, discriminações racial e de gênero, carência de recursos institucionais, fragilidades no apoio social e lacunas na educação sexual. Adotou-se metodologia qualitativa, com realização de 11 entrevistas semiestruturadas com profissionais de distintas formações atuantes no CREAS, complementadas por observação das práticas da rotina no serviço e análise de registros sobre os adolescentes. Os resultados integraram os princípios dialógico, recursivo e hologramático de Morin (2015). De maneira dialógica reconhece-se que os adolescentes que cometem violência sexual são, ao mesmo tempo, agentes e produtos de contextos sociais e familiares complexos. Isso conduz a adoção de abordagens que equilibrem responsabilização e compreensão. A partir do princípio recursivo, entende-se que a violência é parte de um ciclo que se retroalimenta, exigindo intervenções que atuem tanto nas causas quanto nos efeitos, rompendo o ciclo de perpetuação. Integrando o principio hologramático, percebe-se que cada caso de violência reflete dinâmicas sociais mais amplas, e que as intervenções devem ser holísticas, considerando o indivíduo, a família e a comunidade. A integração do Paradigma da Complexidade e da abordagem interseccional reforça que lidar com adolescentes em conflito com a lei transcende a mera responsabilização penal. Trata-se de compreender as redes estruturais e simbólicas que moldam suas trajetórias desde violências históricas até a reprodução de desigualdades inscritas em marcadores como raça, classe e gênero. O estudo destaca a necessidade de estratégias integradas, capazes de superar barreiras estruturais e promover respostas efetivas às complexidades do fenômeno com ênfase na perspectiva da educação sexual dos adolescentes e na formação continuada dos profissionais dos CREAS.Sexual violence perpetrated by adolescents against children or other adolescents constitutes a multifaceted phenomenon, requiring transdisciplinary and contextualized analyses. Anchored in Edgar Morins complexity paradigm and an intersectional approach, this phenomenon is understood as the result of an interconnected network of factors encompassing individual, social, cultural, and structural dimensions. This study aims to analyze the care network focused on adolescents in conflict with the law who have committed sexual violence against children or other adolescents, from the perspective of professionals at CREAS (Specialized Social Assistance Reference Center). To this end, it investigates how these professionals, working within the System for the Guarantee of Rights in João Pessoa-PB, Brazil, engage with this population, considering the adversities imposed by the sociopolitical context and the challenges in operationalizing care. The research also seeks to identify alternatives to strengthen efforts to address this type of violence and prevent its perpetuation, addressing issues such as the criminalization of poverty, racial and gender discrimination, institutional resource shortages, weaknesses in social support, and gaps in sexual education. A qualitative methodology was adopted, involving 11 semi-structured interviews with professionals from diverse backgrounds working at CREAS, complemented by observations of daily practices within the service and analysis of records related to the adolescents. The results integrated Morins (2015) dialogic, recursive, and holographic principles. Dialogically, it is recognized that adolescents who commit sexual violence are simultaneously agents and products of complex social and familial contexts. This leads to the adoption of approaches that balance accountability and understanding. From the recursive principle, violence is seen as part of a self-reinforcing cycle, demanding interventions that address both causes and effects to break the cycle of perpetuation. Through the holographic principle, each case of violence is understood to reflect broader social dynamics, requiring holistic interventions that consider the individual, family, and community. The integration of the Complexity Paradigm and the intersectional approach reinforces that addressing adolescents in conflict with the law transcends mere legal accountability. It involves understanding the structural and symbolic networks shaping their trajectoriesfrom historical violence to the reproduction of inequalities embedded in markers such as race, class, and gender. The study emphasizes the need for integrated strategies capable of overcoming structural barriers and promoting effective responses to the complexities of the phenomenon, with an emphasis on sexual education for adolescents and continuous training for CREAS professionals.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCarvalho, Maria das Graças Bomfim deGomes, Luana Cristina Silveira2025-03-21info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/83/83131/tde-02062025-164532/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-07-22T16:07:02Zoai:teses.usp.br:tde-02062025-164532Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-07-22T16:07:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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