Alterações de conectividade cerebral no córtex olfatório pós-COVID-19: um estudo com ressonância magnética funcional de 7 Teslas

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Leão, Felipe Carvalho
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5143/tde-27012026-165043/
Resumo: Introdução: A disfunção olfatória persistente (DOP) é uma sequela frequente da infecção por SARS-CoV-2, mas seus substratos neurais centrais permanecem pouco caracterizados, especialmente com o uso de neuroimagem em campo ultra-alto. Objetivo: Delinear alterações morfométricas corticais e mudanças na conectividade funcional da rede olfatória em indivíduos com DOP pós-COVID-19, utilizando RMf-rs 7T. Métodos: Estudo transversal com 30 adultos (14 com DOP e 16 controles normósmicos). A função olfatória foi avaliada pelo teste Connecticut Chemosensory Clinical Research Center (CCCRC). As imagens estruturais e funcionais foram adquiridas em equipamento Siemens 7T MAGNETOM. A conectividade funcional foi estimada com base em correlações entre 28 regiões de interesse olfatórias, utilizando o CONN Toolbox. Parâmetros morfométricos foram extraídos com o FreeSurfer. As comparações entre grupos foram feitas com ANCOVA Bayesiana, controlando idade e corrigindo para múltiplas comparações. Resultados: O grupo DOP apresentou escores CCCRC significativamente menores (3,89 ± 1,15 vs. 6,84 ± 0,52; p < 0,001). A análise de conectividade funcional revelou reduções significativas (p-FDR < 0,05) em circuitos insulo-orbitofrontais e talâmico-insulares, com destaque para a desconexão entre a ínsula dorsal e o córtex orbitofrontal medial lateral direito. Também foram observadas conexões fortalecidas entre áreas orbitofrontais bilaterais e entre núcleos talâmicos, sugerindo reorganização funcional compensatória. As alterações foram predominantemente localizadas no hemisfério direito e em conexões inter-hemisféricas. Não houve diferenças volumétricas entre os grupos. A análise de espessura cortical demonstrou redução significativa nos sulcos orbitais lateral esquerdo e em formato de H, independentemente da idade. Conclusão: Indivíduos com DOP pós-COVID-19 apresentam desacoplamentos funcionais e reorganizações adaptativas em regiões-chave da rede olfatória, associados à atrofia orbitofrontal, conforme revelado pela RMf 7T.
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Métodos: Estudo transversal com 30 adultos (14 com DOP e 16 controles normósmicos). A função olfatória foi avaliada pelo teste Connecticut Chemosensory Clinical Research Center (CCCRC). As imagens estruturais e funcionais foram adquiridas em equipamento Siemens 7T MAGNETOM. A conectividade funcional foi estimada com base em correlações entre 28 regiões de interesse olfatórias, utilizando o CONN Toolbox. Parâmetros morfométricos foram extraídos com o FreeSurfer. As comparações entre grupos foram feitas com ANCOVA Bayesiana, controlando idade e corrigindo para múltiplas comparações. Resultados: O grupo DOP apresentou escores CCCRC significativamente menores (3,89 ± 1,15 vs. 6,84 ± 0,52; p < 0,001). A análise de conectividade funcional revelou reduções significativas (p-FDR < 0,05) em circuitos insulo-orbitofrontais e talâmico-insulares, com destaque para a desconexão entre a ínsula dorsal e o córtex orbitofrontal medial lateral direito. Também foram observadas conexões fortalecidas entre áreas orbitofrontais bilaterais e entre núcleos talâmicos, sugerindo reorganização funcional compensatória. As alterações foram predominantemente localizadas no hemisfério direito e em conexões inter-hemisféricas. Não houve diferenças volumétricas entre os grupos. A análise de espessura cortical demonstrou redução significativa nos sulcos orbitais lateral esquerdo e em formato de H, independentemente da idade. Conclusão: Indivíduos com DOP pós-COVID-19 apresentam desacoplamentos funcionais e reorganizações adaptativas em regiões-chave da rede olfatória, associados à atrofia orbitofrontal, conforme revelado pela RMf 7T.Background: Persistent olfactory dysfunction (OD) is a frequent sequela of SARS-CoV-2 infection, yet its central neural correlates remain poorly characterized, particularly through ultrahigh-field neuroimaging. Objective: To delineate cortical morphometric alterations and intrinsic functional connectivity changes in the olfactory network of individuals with post-COVID-19 OD using 7 Tesla resting-state functional MRI (rs-fMRI). Methods: This cross-sectional study included 30 adults (14 with confirmed OD and 16 normosmic controls). Olfactory function was assessed with the Connecticut Chemosensory Clinical Research Center test (CCCRC). Structural and functional neuroimaging data were acquired using a Siemens 7T MAGNETOM scanner. Functional connectivity was assessed via ROI-to-ROI correlations among 28 anatomically defined olfactory-related regions using the CONN Toolbox. Morphometric parameters, including cortical thickness and regional volumes, were extracted with FreeSurfer. Group comparisons were conducted using Bayesian ANCOVA, controlling for age and correcting for multiple comparisons (FDR). Results: Participants with OD had significantly lower CCCRC scores (3.89 ± 1.15 vs. 6.84 ± 0.52; p < 0.001). Functional connectivity analysis revealed significant reductions (FDR-corrected p < 0.05) in insulo-orbitofrontal and thalamo-insular pathways, especially between the left dorsal insula and right lateral medial orbitofrontal cortex. Conversely, increased connectivity was found between bilateral orbitofrontal regions and between anterior thalamic nuclei, suggesting compensatory reorganization. Alterations were predominantly observed in the right hemisphere and inter-hemispheric pathways. No significant volumetric differences were identified. However, cortical thickness was significantly reduced in the left lateral orbital sulcus and H-shaped orbital sulcus, independent of age. Conclusion: Post-COVID-19 OD is associated with disrupted functional connectivity and compensatory remodeling in core olfactory circuits, accompanied by selective orbitofrontal cortical thinning. These findings, revealed by ultrahigh-resolution 7T rs-fMRI, provide novel insights into the central mechanisms of long-term olfactory dysfunction.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPinna, Fabio de RezendeLeão, Felipe Carvalho2025-08-20info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5143/tde-27012026-165043/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-01-28T14:50:02Zoai:teses.usp.br:tde-27012026-165043Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-01-28T14:50:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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description Introdução: A disfunção olfatória persistente (DOP) é uma sequela frequente da infecção por SARS-CoV-2, mas seus substratos neurais centrais permanecem pouco caracterizados, especialmente com o uso de neuroimagem em campo ultra-alto. Objetivo: Delinear alterações morfométricas corticais e mudanças na conectividade funcional da rede olfatória em indivíduos com DOP pós-COVID-19, utilizando RMf-rs 7T. Métodos: Estudo transversal com 30 adultos (14 com DOP e 16 controles normósmicos). A função olfatória foi avaliada pelo teste Connecticut Chemosensory Clinical Research Center (CCCRC). As imagens estruturais e funcionais foram adquiridas em equipamento Siemens 7T MAGNETOM. A conectividade funcional foi estimada com base em correlações entre 28 regiões de interesse olfatórias, utilizando o CONN Toolbox. Parâmetros morfométricos foram extraídos com o FreeSurfer. As comparações entre grupos foram feitas com ANCOVA Bayesiana, controlando idade e corrigindo para múltiplas comparações. Resultados: O grupo DOP apresentou escores CCCRC significativamente menores (3,89 ± 1,15 vs. 6,84 ± 0,52; p < 0,001). A análise de conectividade funcional revelou reduções significativas (p-FDR < 0,05) em circuitos insulo-orbitofrontais e talâmico-insulares, com destaque para a desconexão entre a ínsula dorsal e o córtex orbitofrontal medial lateral direito. Também foram observadas conexões fortalecidas entre áreas orbitofrontais bilaterais e entre núcleos talâmicos, sugerindo reorganização funcional compensatória. As alterações foram predominantemente localizadas no hemisfério direito e em conexões inter-hemisféricas. Não houve diferenças volumétricas entre os grupos. A análise de espessura cortical demonstrou redução significativa nos sulcos orbitais lateral esquerdo e em formato de H, independentemente da idade. Conclusão: Indivíduos com DOP pós-COVID-19 apresentam desacoplamentos funcionais e reorganizações adaptativas em regiões-chave da rede olfatória, associados à atrofia orbitofrontal, conforme revelado pela RMf 7T.
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