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Justiça e políticas restaurativas: investimentos securitários no governo e penalização de jovens

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Wilke, Helena Cecilia Barreto Bruno
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-26062025-172224/
Resumo: Por meio de análise genealógica das relações de governo, esta pesquisa investiga os efeitos da justiça restaurativa e suas práticas atualmente, incorporadas em milhares de projetos em escolas, bairros e municípios inteiros, por todo o Brasil, enquanto técnica preventiva e proativa de resolução de conflitos e promoção da \"cultura de paz\" voltada a crianças e jovens. Parte-se da configuração da justiça restaurativa no âmbito das prerrogativas da Organização das Nações Unidas (ONU) para o controle do crime, de forma articulada às revisões do conceito de segurança da organização a partir da década de 1990. Complementarmente, identifica processos políticos e sociais democráticos brasileiros que abriram espaço para a justiça restaurativa no país, especialmente por meio do resgate da história contido nas assembleias do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), criado em 1991, que culminaram na introdução da justiça restaurativa na legislação brasileira por meio do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Para além do escopo político institucional, explora-se o \"movimento social\" composto por juízes, ativistas e acadêmicos na década de 1990, que esteve diretamente envolvido com a introdução dos primeiros projetos-pilotos de justiça restaurativa no Brasil. Os materiais de pesquisa consistem no mapeamento e sistematização de políticas, projetos e programas de justiça restaurativa realizados no país a partir de 2015; em atas de congressos, resoluções, assembleias e relatórios da ONU; bem como documentação referente ao sistema socioeducativo brasileiro, em especial atas de reuniões do CONANDA e relatórios do SINASE. Inclui ainda entrevistas com operadores do direito envolvidos com a aplicação da justiça restaurativa voltada a crianças e jovens no país. Parte-se, assim, de dois eixos de análise. Em primeiro lugar, investiga-se as metamorfoses da justiça restaurativa no âmbito da ONU, que hoje vem se configurando enquanto conectora do engajamento de sujeitos com estratégias consideradas democráticas e proativas de policiamento. Em segundo lugar, analisa-se a sua consonância com a racionalidade neoliberal, entendida não apenas como promotora de políticas de recrudescimento penal, mas também de modo a preconizar o investimento em capital humano e no comportamento seguro e resiliente desde a infância. Assim é possível investigar como as práticas restaurativas, em seu trânsito por políticas sociais, educacionais e de segurança vêm contribuindo para o aumento de camadas de punição, se se considera que a punição abarca elementos não somente da esfera penal, mas também social, como demonstra a perspectiva das \"vulnerabilidades\", definidas tanto como a propensão em se tornar vítima como perpetrador de um crime. Inclui-se, ainda, análise da aplicação recente da justiça restaurativa nos Tribunais para Povos Indígenas do Canadá, onde a codificação de questões sociais pelo sistema penal e com vieses colonialistas tem contribuído para a dilatação da rede penal. Por fim, problematiza-se os intercâmbios contemporâneos entre práticas restaurativas e o abolicionismo penal atualizado hoje principalmente por movimentos sociais de abolição da polícia, com base em um levantamento da literatura contemporânea sobre o tema na América do Norte
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Parte-se da configuração da justiça restaurativa no âmbito das prerrogativas da Organização das Nações Unidas (ONU) para o controle do crime, de forma articulada às revisões do conceito de segurança da organização a partir da década de 1990. Complementarmente, identifica processos políticos e sociais democráticos brasileiros que abriram espaço para a justiça restaurativa no país, especialmente por meio do resgate da história contido nas assembleias do Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), criado em 1991, que culminaram na introdução da justiça restaurativa na legislação brasileira por meio do Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Para além do escopo político institucional, explora-se o \"movimento social\" composto por juízes, ativistas e acadêmicos na década de 1990, que esteve diretamente envolvido com a introdução dos primeiros projetos-pilotos de justiça restaurativa no Brasil. Os materiais de pesquisa consistem no mapeamento e sistematização de políticas, projetos e programas de justiça restaurativa realizados no país a partir de 2015; em atas de congressos, resoluções, assembleias e relatórios da ONU; bem como documentação referente ao sistema socioeducativo brasileiro, em especial atas de reuniões do CONANDA e relatórios do SINASE. Inclui ainda entrevistas com operadores do direito envolvidos com a aplicação da justiça restaurativa voltada a crianças e jovens no país. Parte-se, assim, de dois eixos de análise. Em primeiro lugar, investiga-se as metamorfoses da justiça restaurativa no âmbito da ONU, que hoje vem se configurando enquanto conectora do engajamento de sujeitos com estratégias consideradas democráticas e proativas de policiamento. Em segundo lugar, analisa-se a sua consonância com a racionalidade neoliberal, entendida não apenas como promotora de políticas de recrudescimento penal, mas também de modo a preconizar o investimento em capital humano e no comportamento seguro e resiliente desde a infância. Assim é possível investigar como as práticas restaurativas, em seu trânsito por políticas sociais, educacionais e de segurança vêm contribuindo para o aumento de camadas de punição, se se considera que a punição abarca elementos não somente da esfera penal, mas também social, como demonstra a perspectiva das \"vulnerabilidades\", definidas tanto como a propensão em se tornar vítima como perpetrador de um crime. Inclui-se, ainda, análise da aplicação recente da justiça restaurativa nos Tribunais para Povos Indígenas do Canadá, onde a codificação de questões sociais pelo sistema penal e com vieses colonialistas tem contribuído para a dilatação da rede penal. Por fim, problematiza-se os intercâmbios contemporâneos entre práticas restaurativas e o abolicionismo penal atualizado hoje principalmente por movimentos sociais de abolição da polícia, com base em um levantamento da literatura contemporânea sobre o tema na América do NorteThrough genealogical analysis of government relations, this research investigates the effects of restorative justice and its current practices, incorporated into thousands of projects in schools, neighborhoods and entire municipalities throughout Brazil, as a preventive and proactive technique of conflict resolution and promotion of a \"culture of peace\" for children and young people. The study starts from the configuration of restorative justice in the scope of United Nations (UN) prerogatives for crime control, articulating the revisions of the organization\'s concept of security from the 1990s. Complementarily, it identifies Brazilian political and social democratic processes that created space for restorative justice in the country, especially by recovering the history contained in assemblies of the Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente (CONANDA), created in 1991, that culminated with the introduction of restorative justice in Brazilian legislation through the Sistema Nacional de Atendimento Socioeducativo (SINASE). Beyond the institutional political scope, the research explores the \"social movement\" composed of judges, activists and academics in the 1990s that was directly involved in introducing the first restorative justice pilot projects in Brazil. The material consists in mapping the systematization of policies, projects and programs of restorative justice implemented in the country from 2015; minutes of congresses, resolutions, assemblies and reports of the UN; as well as documentation regarding the Brazilian education system, particularly in meetings of the CONANDA and reports of the SINASE. It also includes interviews with professionals involved in the implementation of restorative justice to children and young people in the country. It thus takes two axes of analysis. First, it investigates the metamorphoses of restorative justice within the scope of the UN, which nowadays has been configured as a connector of the engagement of individuals with strategies considered democratic and proactive policing. Second, it analyzes its alignment with neoliberal rationality, not only understood as promoting the toughening of penal measures, but also as investments in human capital and in safe and resilient behavior since childhood. This approach allows for investigating how restorative practices, in their transition to social, educational, and security policies, are contributing to increased layers of punishment. This consideration is crucial as punishment encompasses elements that are not only penal but also social, as demonstrated by the perspective of \'vulnerabilities,\' defined as both the propensity to become a victim and a perpetrator of a crime. The research also includes an analysis of the recent application of restorative justice in the Indigenous Peoples\' Court of Canada, where the codification of social issues by the penal system with colonialist bias contributed to the penal net widening. Finally, the study exposes the contemporary exchanges between restorative practices and penal abolitionism, updated nowadays mainly by social movements for police abolition, based on a survey of contemporary literature on this theme in North AmericaBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMinhoto, Laurindo DiasWilke, Helena Cecilia Barreto Bruno2025-04-17info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8132/tde-26062025-172224/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-26T20:27:02Zoai:teses.usp.br:tde-26062025-172224Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-26T20:27:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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