Microbiota intestinal em pacientes adultos portadores de diabetes tipo 1

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Figueredo, Leandro Silva
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5168/tde-06062025-171605/
Resumo: Introdução: O diabetes mellitus tipo 1 (DM1) é uma doença autoimune caracterizada pela deficiência de insulina endógena. Apesar de ser uma condição hereditária, a incidência de DM1 em indivíduos de baixo risco genético aumentou significativamente nas últimas décadas. Agentes ambientais assumem um papel importante e podem contribuir de maneira expressiva para sua patogênese. Diversas exposições ambientais podem estar implicadas e, dentre elas, alterações da microbiota intestinal (MI). Interações relevantes foram descritas entre MI, controle glicêmico e dieta, mas a causalidade ainda não é completamente conhecida. Objetivo: Identificar a composição da MI em pacientes adultos portadores de DM1 e correlacionar os achados com consumo alimentar, composição corporal e variáveis relacionadas ao controle glicêmico. Métodos: Quarenta pacientes foram selecionados a partir do estudo VALIDYS e divididos em dois grupos. O grupo controle foi formado por pacientes saudáveis (n=20) e o grupo DM1 foi formado por pacientes com diagnóstico confirmado de DM1 (n=20). Os pacientes foram pareados por idade, sexo e índice de massa corporal (IMC). Os dados utilizados para estudo incluíram variáveis bioquímicas e de composição corporal, dados de consumo alimentar e avaliação da MI em amostras de fezes por sequenciamento genético pela técnica 16S rRNA. As leituras de sequência bruta do gene 16S rRNA foram processadas, cortadas e agrupadas em variantes de sequência de amplicons (ASVs) usando DADA2 no ambiente R (versão 1.30.1). A diversidade da MI foi avaliada a partir de comparações entre os índices de Chao1, Shannon e Simpson. Resultados: Não foram identificadas diferenças significativas de características de consumo alimentar, variáveis de composição corporal e MI entre pacientes com DM1 e o grupo controle. Apesar disso, dados de correlação apontam diferenças importantes entre a interação da MI e consumo alimentar, variáveis clínicas, composição corporal e tratamento farmacológico. A composição corporal de pacientes com DM1 foi marcada por maior percentual de gordura corporal e menor percentual de massa magra, e isto parece ter impacto inverso na abundância relativa de algumas espécies bacterianas. Em relação ao controle saudável, pacientes com DM1 apresentam correlações positivas entre o consumo de alimentos industrializados, Bacteroides finegoldii e Clostridium leptum, e correlação negativa entre a ingestão calórica total e Oxalobacter formigene. No grupo DM1, a presença ou atividade de Eubacterium siraeum pode estar associada a um perfil metabólico relacionado ao acúmulo de gordura corporal, e a presença ou atividade de Clostridium aldenense e Clostridium clostridioforme pode estar associado a manutenção da massa magra. Conclusão: A MI de pacientes com DM1 pode ser mais vulnerável aos efeitos negativos de elementos de uma dieta inadequada, enquanto indivíduos saudáveis parecem apresentar maior resiliência da MI frente à mesma exposição alimentar. Dada a ausência de diferenças na MI de pacientes com DM1 em relação ao grupo controle, o número e a natureza das correlações observadas podem revelar mecanismos subjacentes a influência da MI no DM1
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Objetivo: Identificar a composição da MI em pacientes adultos portadores de DM1 e correlacionar os achados com consumo alimentar, composição corporal e variáveis relacionadas ao controle glicêmico. Métodos: Quarenta pacientes foram selecionados a partir do estudo VALIDYS e divididos em dois grupos. O grupo controle foi formado por pacientes saudáveis (n=20) e o grupo DM1 foi formado por pacientes com diagnóstico confirmado de DM1 (n=20). Os pacientes foram pareados por idade, sexo e índice de massa corporal (IMC). Os dados utilizados para estudo incluíram variáveis bioquímicas e de composição corporal, dados de consumo alimentar e avaliação da MI em amostras de fezes por sequenciamento genético pela técnica 16S rRNA. As leituras de sequência bruta do gene 16S rRNA foram processadas, cortadas e agrupadas em variantes de sequência de amplicons (ASVs) usando DADA2 no ambiente R (versão 1.30.1). A diversidade da MI foi avaliada a partir de comparações entre os índices de Chao1, Shannon e Simpson. Resultados: Não foram identificadas diferenças significativas de características de consumo alimentar, variáveis de composição corporal e MI entre pacientes com DM1 e o grupo controle. Apesar disso, dados de correlação apontam diferenças importantes entre a interação da MI e consumo alimentar, variáveis clínicas, composição corporal e tratamento farmacológico. A composição corporal de pacientes com DM1 foi marcada por maior percentual de gordura corporal e menor percentual de massa magra, e isto parece ter impacto inverso na abundância relativa de algumas espécies bacterianas. Em relação ao controle saudável, pacientes com DM1 apresentam correlações positivas entre o consumo de alimentos industrializados, Bacteroides finegoldii e Clostridium leptum, e correlação negativa entre a ingestão calórica total e Oxalobacter formigene. No grupo DM1, a presença ou atividade de Eubacterium siraeum pode estar associada a um perfil metabólico relacionado ao acúmulo de gordura corporal, e a presença ou atividade de Clostridium aldenense e Clostridium clostridioforme pode estar associado a manutenção da massa magra. Conclusão: A MI de pacientes com DM1 pode ser mais vulnerável aos efeitos negativos de elementos de uma dieta inadequada, enquanto indivíduos saudáveis parecem apresentar maior resiliência da MI frente à mesma exposição alimentar. Dada a ausência de diferenças na MI de pacientes com DM1 em relação ao grupo controle, o número e a natureza das correlações observadas podem revelar mecanismos subjacentes a influência da MI no DM1Introduction: Type 1 diabetes mellitus (T1DM) is an autoimmune disease characterized by endogenous insulin deficiency. Despite being a hereditary condition, the incidence of T1DM in individuals at low genetic risk has increased significantly in recent decades. Environmental agents play an important role and may significantly contribute to its pathogenesis. Several environmental exposures may be implicated, including alterations in gut microbiota (GM). Significant interactions have been described among GM, glycemic control, and diet, but the causes are not fully understood. Objective: to identify the composition of GM in adult patients with T1DM and to correlate the findings with food intake, body composition, and variables of glycemic control. Methods: Forty patients were selected from the VALIDYS study and divided into two groups. The control group consisted of healthy patients (n=20) and the T1DM group consisted of patients with a confirmed diagnosis of T1DM (n=20). Patients were matched by age, sex, and body mass index (BMI). The data used for the study included biochemical and body composition variables, dietary intake data, and assessment of GM in stool samples by 16S rRNA gene sequencing. Raw sequence reads of the 16S rRNA gene were processed and clustered into amplicon sequence variants (ASVs) using DADA2 in the R environment (version 1.30.1). Gut microbiota diversity was assessed by comparisons between the Chao1, Shannon, and Simpson indices. Results: No significant differences in characteristics of dietary intake, body composition variables and GM were identified between patients with T1DM and the control group. Despite this, correlation data indicate important differences between the interaction of GM and dietary intake, clinical variables, body composition, and pharmacological treatment. Body composition of patients with T1DM was marked by a higher percentage of body fat and a lower percentage of lean mass, and this seems to have an inverse impact on the relative abundance of some bacterial species. Compared to healthy controls, patients with T1DM showed positive correlations between the consumption of processed foods, Bacteroides finegoldii and Clostridium leptum, and negative correlations between total caloric intake and Oxalobacter formigene. In the T1DM group, the presence or activity of Eubacterium siraeum may be associated with a metabolic profile related to the accumulation of body fat, and the presence or activity of Clostridium aldenense and Clostridium clostridioforme may be associated with the maintenance of lean mass. Conclusion: The GM of patients with T1DM may be more vulnerable to the negative effects of elements of an inadequate diet, while the GM of healthy individuals appear to have a greater resilience to the same dietary exposure. Given the absence of differences in the GM of patients with T1DM compared to the control group, the number and the nature of the observed correlations may reveal mechanisms underlying the influence of GM in T1DMBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPWaitzberg, Dan LinetzkyFigueredo, Leandro Silva2024-11-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5168/tde-06062025-171605/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-12T19:13:02Zoai:teses.usp.br:tde-06062025-171605Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-12T19:13:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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