Mapear a terra, mapear o corpo: reflexões sobre cartografias indígenas na educação geográfica

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Cintra, Lydia Minhoto
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-24062025-143615/
Resumo: Esta dissertação discorre sobre possibilidades de utilização, nas escolas não indígenas, de cartografias produzidas por povos indígenas. O objetivo é dialogar com as demandas previstas na Lei Federal 11.645/2008, que versa sobre a obrigatoriedade do ensino de história e cultura indígena na educação básica, por meio das múltiplas práticas de representação da superfície terrestre, indo além da cartografia convencional cartesiana amplamente difundida nos currículos e nos livros didáticos. Intencionamos refletir acerca de cartografias que contribuam para uma educação mais democrática e menos pautada nas formas eurocentradas de observação do mundo. Para tanto, mobilizamos um repertório imagético advindo de exposições artísticas indígenas e obras literárias e etnográficas. A partir desse conjunto de imagens, propomos uma discussão que atravessa a cartografia como ferramenta histórica de poder colonial para situá-la como linguagem humana expressiva, aberta a múltiplas interpretações e usos. Com base nas ontologias relacionais, valemo-nos do conceito de território-corpo e corpo-território como lente para um olhar analítico direcionado aos mapas selecionados. Ponderando a lógica das demarcações e sua relação com uma visão cartográfica oficial do território, tecemos apontamentos quanto à percepção indígena de mobilidade, deslocamento, limites territoriais, caminhos e posse da terra. Paralelamente, trabalhamos com alguns registros narrativos sobre os modos de apreensão da superfície terrestre no ângulo visto \"de cima\", a partir do conhecimento empírico, dos sonhos, do uso de plantas, das narrativas cosmológicas. A contribuição desta pesquisa consiste em apresentar uma seleção de imagens produzidas pelas etnias Desana, Baniwa, Ticuna, Zo\'é, Huni Kuin, Guarani, Maxacali, Yanomami e Wapichana, acompanhadas de seus respectivos contextos críticos, históricos e cosmológicos. Por fim, levantamos provocações para novos fazeres em sala de aula, assim como em livros didáticos, em formações de professores e em proposições curriculares. Trata-se de colaborar para a construção de uma escola que visibilize a diversidade dos povos originários e suas formas de representação, não do ponto de vista folclórico, mas político, ontológico, histórico, sensível e visual
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Para tanto, mobilizamos um repertório imagético advindo de exposições artísticas indígenas e obras literárias e etnográficas. A partir desse conjunto de imagens, propomos uma discussão que atravessa a cartografia como ferramenta histórica de poder colonial para situá-la como linguagem humana expressiva, aberta a múltiplas interpretações e usos. Com base nas ontologias relacionais, valemo-nos do conceito de território-corpo e corpo-território como lente para um olhar analítico direcionado aos mapas selecionados. Ponderando a lógica das demarcações e sua relação com uma visão cartográfica oficial do território, tecemos apontamentos quanto à percepção indígena de mobilidade, deslocamento, limites territoriais, caminhos e posse da terra. Paralelamente, trabalhamos com alguns registros narrativos sobre os modos de apreensão da superfície terrestre no ângulo visto \"de cima\", a partir do conhecimento empírico, dos sonhos, do uso de plantas, das narrativas cosmológicas. A contribuição desta pesquisa consiste em apresentar uma seleção de imagens produzidas pelas etnias Desana, Baniwa, Ticuna, Zo\'é, Huni Kuin, Guarani, Maxacali, Yanomami e Wapichana, acompanhadas de seus respectivos contextos críticos, históricos e cosmológicos. Por fim, levantamos provocações para novos fazeres em sala de aula, assim como em livros didáticos, em formações de professores e em proposições curriculares. Trata-se de colaborar para a construção de uma escola que visibilize a diversidade dos povos originários e suas formas de representação, não do ponto de vista folclórico, mas político, ontológico, histórico, sensível e visualThis dissertation discourses the possibilities of using maps produced by indigenous peoples in non-indigenous schools in the context of teaching Geography. The goal is to dialogue with the demands set forth by Law 11.645/2008, which mandates teaching indigenous history and culture in basic education through various practices of representing the Earth\'s surface in addition to the conventional cartesian cartography widely spread across curricula and textbooks. We intend to reflect on cartographies that contribute to a more democratic education, which is less based on Eurocentric ways of observing the world. We draw on an imagery repertoire from Indigenous art exhibitions and literary or ethnographic works. From this collection of images, we propose a discussion that examines cartography as a historical tool of colonial power, positioning it as an expressive human language open to multiple interpretations and uses. Based on relational ontologies, we employ the multiscale concept of territory-body and body-territory as a lens for an analytical view directed at the selected maps. By considering the logic of demarcations and their relationship to an official cartographic vision of territory, we pointed out some Indigenous perceptions of mobility, displacement, territorial boundaries, paths, and land ownership. At the same time, we work with some narrative records about how to apprehend the Earth\'s surface from the \"top-down\" perspective, using empirical knowledge, dreams, plant usage, cosmological narratives, etc. The contribution of this research consists of presenting a selection of images produced by the Desana, Baniwa, Ticuna, Zo\'é, Huni Kuin, Guarani, Maxacali, Yanomami, and Wapichana ethnic groups, accompanied by their respective critical, historical, and cosmological contexts. Finally, we propose provocations for new thinking and actions in classrooms, as well as in textbooks, teacher training, and curriculum proposals. The goal is to contribute to creating a school that highlights the diversity of Indigenous peoples and their forms of representation, not from a folkloric and submissive perspective but from a political, ontological, historical, sensitive, and visual standpointBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPFonseca, Fernanda PadovesiCintra, Lydia Minhoto2025-04-03info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8136/tde-24062025-143615/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-24T17:40:02Zoai:teses.usp.br:tde-24062025-143615Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-24T17:40:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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