Georgia Louise Harris Brown - arquitetura, gênero e etnicidade em São Paulo (1954-1993)
| Ano de defesa: | 2023 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16133/tde-07122023-093834/ |
Resumo: | A presente pesquisa busca investigar a trajetória da arquiteta norte-americana Georgia Louise Harris Brown, com enfoque em sua atuação no Brasil no período de 1954-1974. Georgia é considerada a segunda profissional negra licenciada dos Estados Unidos, e que atuou a maior parte da vida no Brasil. Sua carreira começa em 1945, em Chicago, no escritório do arquiteto negro Kenneth Roderick ONeal, cabe aqui ressaltar que ele foi responsável por empregar dois outros importantes profissionais Beverly Loraine Greene (a primeira mulher negra licenciada dos EUA) e John W. Moutoussamy. Em 1949, ela começa a trabalhar com Frank Kornacker em projetos de cálculos estruturais, incluindo alguns edifícios emblemáticos de Mies Van der Rohe: como as torres dos Promontory Apartments e de Lake Shore Drive. Em 1954, ela emigra para o Brasil na esperança de encontrar um país com menos impedimentos raciais, e melhores oportunidades de crescimento profissional. Embora sua escolha pelo Brasil, por ser um país supostamente sem tensões raciais, seja bastante discutível, é evidente o desconforto com a situação racial vivida em seu país de origem. Ela se estabelece em São Paulo num momento de grande desenvolvimento da cidade, da indústria e da construção civil, algo similar à conjuntura de metropolização que ela encontrara em Chicago ao se instalar na cidade. As duas primeiras décadas da carreira de Brown são marcadas pelo envolvimento em grandes construtoras, como a Bosworth e a Racz, responsáveis pela construção de indústrias automobilísticas, farmacêuticas, edifícios corporativos em São Paulo, etc. Sua experiência em obras de grande porte nos EUA, assim como elos eventuais com a rede de empresários norte- americanos atuantes na urbanização da cidade, provavelmente contribuíram para que ela se envolvesse de imediato no desenvolvimento de projetos de grande porte, como plantas industriais. Trata-se portanto, de não somente observar como sua atuação se cruza com sua condição de raça, gênero e nacionalidade, mas como o seu recrutamento por distintas empresas de engenharia e construção permitiu-lhe intervir de modo duplamente sutil no processo de metropolização: enquanto peça invisível de uma complexa engrenagem produtiva de conversão da grande São Paulo em um dos mais dinâmicos territórios industriais do país, e como modo de compreender a construção da cidade para além do campo especializado do planejamento urbano. |
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Em 1949, ela começa a trabalhar com Frank Kornacker em projetos de cálculos estruturais, incluindo alguns edifícios emblemáticos de Mies Van der Rohe: como as torres dos Promontory Apartments e de Lake Shore Drive. Em 1954, ela emigra para o Brasil na esperança de encontrar um país com menos impedimentos raciais, e melhores oportunidades de crescimento profissional. Embora sua escolha pelo Brasil, por ser um país supostamente sem tensões raciais, seja bastante discutível, é evidente o desconforto com a situação racial vivida em seu país de origem. Ela se estabelece em São Paulo num momento de grande desenvolvimento da cidade, da indústria e da construção civil, algo similar à conjuntura de metropolização que ela encontrara em Chicago ao se instalar na cidade. As duas primeiras décadas da carreira de Brown são marcadas pelo envolvimento em grandes construtoras, como a Bosworth e a Racz, responsáveis pela construção de indústrias automobilísticas, farmacêuticas, edifícios corporativos em São Paulo, etc. Sua experiência em obras de grande porte nos EUA, assim como elos eventuais com a rede de empresários norte- americanos atuantes na urbanização da cidade, provavelmente contribuíram para que ela se envolvesse de imediato no desenvolvimento de projetos de grande porte, como plantas industriais. Trata-se portanto, de não somente observar como sua atuação se cruza com sua condição de raça, gênero e nacionalidade, mas como o seu recrutamento por distintas empresas de engenharia e construção permitiu-lhe intervir de modo duplamente sutil no processo de metropolização: enquanto peça invisível de uma complexa engrenagem produtiva de conversão da grande São Paulo em um dos mais dinâmicos territórios industriais do país, e como modo de compreender a construção da cidade para além do campo especializado do planejamento urbano.This research seeks to investigate the trajectory of the north-american architect Georgia Louise Harris Brown, focusing on her work in Brazil in the period of 1954-1974. Georgia is considered the second licensed black professional in the United States, who worked the majority of her life in Brazil.. Her career started i n 1945, in Chicago, in the office of the black architect Kenneth Roderick ONeal, he was responsible for hiring two other important professionals Beverly Loraine Greene (the first licensed black women in the USA) and John Moutoussamy. In 1949, she started to work with Frank Kornacker in structural calculation projects, including some of the emblematics edifices of Mies Van der Rohe: the towers of Promontory Apartments and the Lake Shore Drive. In 1954, she emigrated to Brazil in hopes of finding a country with fewer racial impediments, and better opportunities for professional growth. Although her choice of Brazil, as a country supposedly without racial tensions, is quite debatable, her discomfort with the racial situation experienced in her home country is evident. She established herself in São Paulo in a moment of huge development of the city, industry and civil engineering, something quite similar to what she observed in Chicago when she settled in the city. The first two decades of Brown are marked by the involvement in big construction companies, like Bosworth and Racz, which were responsible for the construction of automobilistic industries, pharmaceuticals, corporate buildings in São Paulo, etc. Her experience in large construction projects in the USA, as well as eventual links with the network of North American businessmen active in the urbanization of the city, probably contributed to her immediate involvement in the development of large-scale projects, such as industrial plants. Therefore, it\'s not a matter of observing how her work combines with her race, gender and nationality, but how her recruitment by different engineering and construction companies allowed her to intervene in a doubly subtle way in the metropolisation: as a invisible part of the productive gear to convert São Paulo into one of the most dynamic industrial territories in the country, and as a way to understand the construction of the city beyond the specialized field of urban planning.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPLira, José Tavares Correia deReis, Juan George Casemiro2023-06-21info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/16/16133/tde-07122023-093834/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2024-01-11T17:00:02Zoai:teses.usp.br:tde-07122023-093834Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212024-01-11T17:00:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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