Estimulação magnética transcraniana repetitiva no alívio da dor na fibromialgia: um ensaio clínico controlado

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Silva, Valquiria Aparecida da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5138/tde-18062025-143956/
Resumo: Introdução: A fibromialgia afeta aproximadamente 2-4% da população mundial e permanece refratária ao tratamento médico convencional em muitos casos. A estimulação magnética transcraniana repetitiva (EMTr) tem demonstrado potencial como tratamento complementar em estudos preliminares, mas sua eficácia em estudos clínicos de grande escala ainda precisa ser confirmada. Objetivo: Avaliar a diminuição da intensidade da dor de 50% na escala de classificação numérica verbal média na semana 8 em comparação com o baseline. Os objetivos secundários incluíram pontuações em dor, interferência da dor, humor, impressão global de mudança e impacto da fibromialgia nas semanas 8 e 16. Métodos: Foi conduzido um ensaio clínico randomizado internacional, multicêntrico, duplo-cego e controlado por placebo, desenvolvido para avaliar a eficácia da EMTr como terapia complementar em mulheres com fibromialgia que eram sintomáticas apesar do melhor tratamento médico. Mulheres 18 anos com fibromialgia foram randomizadas na proporção de 1:1 para receber EMTr do córtex motor (M1) a 10 Hz, 3000 pulsos por dia; ou estimulação placebo, composta de um procedimento idêntico, exceto por bobinas que não emitem campos eletromagnéticos. Os tratamentos consistiram em sessões de indução (diárias por 10 dias), seguidas de manutenção (semanal por 6 semanas) e manutenção estendida (quinzenal por 8 semanas). Resultados: Das 245 mulheres rastreadas (idade média = 48 ± 12,4 anos), 101 foram randomizadas em dois braços: ativo (n = 52) e placebo (n = 49). A análise bayesiana revelou uma probabilidade de 99,4% de redução da dor 50% na semana 8 no grupo ativo versus placebo, com uma razão de probabilidade de 3,04. A análise frequentista apoiou esses resultados (respondedores no grupo ativo = 40,4%, respondedores no grupo placebo = 18,4%; p = 0,028), o número necessário para tratar foi 4,54 e o tamanho do efeito foi 0,49. A probabilidade de atingir a impressão global do doente de melhora (muito melhor/melhora moderada) após EMTr ativa, em comparação com placebo, foi de 96,8% (diferença estimada: 0,759; [intervalo de confiança de 95% (CrI) -0,041, 1,57]). Na semana 16, a probabilidade de alívio da dor 50% para EMTr ativa foi de 34,2% (OR: 0,815), e a probabilidade de melhora da pontuação do questionário de impacto da fibromialgia (FIQ) foi de 79,1% (diferença estimada de 2,45 [95%CrI -8,7, 3,53]). Conclusão: O uso contínuo de opioides no início do estudo foi associado à não resposta à EMTr ativa. A intervenção foi segura, bem tolerada e o cegamento foi eficaz. O complemento de EMTr no córtex motor (M1) reduziu a intensidade da dor, um efeito mantido com sessões semanais de manutenção por até 8 semanas em pessoas com fibromialgia que apresentavam sintomas persistentes apesar do melhor tratamento médico disponível. Os efeitos analgésicos diminuíram ao longo do tempo, enquanto as melhorias funcionais se mantiveram durante as sessões de manutenção estendidas a cada duas semanas até a 16ª semana
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Os objetivos secundários incluíram pontuações em dor, interferência da dor, humor, impressão global de mudança e impacto da fibromialgia nas semanas 8 e 16. Métodos: Foi conduzido um ensaio clínico randomizado internacional, multicêntrico, duplo-cego e controlado por placebo, desenvolvido para avaliar a eficácia da EMTr como terapia complementar em mulheres com fibromialgia que eram sintomáticas apesar do melhor tratamento médico. Mulheres 18 anos com fibromialgia foram randomizadas na proporção de 1:1 para receber EMTr do córtex motor (M1) a 10 Hz, 3000 pulsos por dia; ou estimulação placebo, composta de um procedimento idêntico, exceto por bobinas que não emitem campos eletromagnéticos. Os tratamentos consistiram em sessões de indução (diárias por 10 dias), seguidas de manutenção (semanal por 6 semanas) e manutenção estendida (quinzenal por 8 semanas). Resultados: Das 245 mulheres rastreadas (idade média = 48 ± 12,4 anos), 101 foram randomizadas em dois braços: ativo (n = 52) e placebo (n = 49). A análise bayesiana revelou uma probabilidade de 99,4% de redução da dor 50% na semana 8 no grupo ativo versus placebo, com uma razão de probabilidade de 3,04. A análise frequentista apoiou esses resultados (respondedores no grupo ativo = 40,4%, respondedores no grupo placebo = 18,4%; p = 0,028), o número necessário para tratar foi 4,54 e o tamanho do efeito foi 0,49. A probabilidade de atingir a impressão global do doente de melhora (muito melhor/melhora moderada) após EMTr ativa, em comparação com placebo, foi de 96,8% (diferença estimada: 0,759; [intervalo de confiança de 95% (CrI) -0,041, 1,57]). Na semana 16, a probabilidade de alívio da dor 50% para EMTr ativa foi de 34,2% (OR: 0,815), e a probabilidade de melhora da pontuação do questionário de impacto da fibromialgia (FIQ) foi de 79,1% (diferença estimada de 2,45 [95%CrI -8,7, 3,53]). Conclusão: O uso contínuo de opioides no início do estudo foi associado à não resposta à EMTr ativa. A intervenção foi segura, bem tolerada e o cegamento foi eficaz. O complemento de EMTr no córtex motor (M1) reduziu a intensidade da dor, um efeito mantido com sessões semanais de manutenção por até 8 semanas em pessoas com fibromialgia que apresentavam sintomas persistentes apesar do melhor tratamento médico disponível. Os efeitos analgésicos diminuíram ao longo do tempo, enquanto as melhorias funcionais se mantiveram durante as sessões de manutenção estendidas a cada duas semanas até a 16ª semanaIntroduction: Despite affecting 2-4% of the worldwide population, fibromyalgia remains refractory to the best available medical treatment in a substantial proportion of people. Repetitive transcranial magnetic stimulation (rTMS) has shown promising results for this condition in several small and single-centre clinical trials. Objective: To assess a 50% decrease in pain intensity on the mean verbal numeric rating scale at week 8 compared with baseline. Secondary endpoints included pain scores, pain interference, mood, global impression of change, and fibromyalgia impact at weeks 8 and 16. Methods:an international randomized multicentre double-blind, sham-controlled trial was developed to assess the efficacy of rTMS as an add-on therapy in women with fibromyalgia who were symptomatic despite best medical treatment. Women 18 years-old with fibromyalgia were randomized at 1:1 ratio to receive motor cortex (M1) rTMS at 10Hz, 3000 pulses per day; or sham stimulation, comprised of an identical procedure, except for coils not emitting electromagnetic fields. Treatments consisted of induction sessions (daily for 10 days), followed by maintenance (weekly for 6 weeks), and extended maintenance (fortnightly for 8 weeks). Results: Out of 245 women screened (mean age = 48±12.4 years-old), 101 were randomised into active (n=52) and sham (n=49) arms. Bayesian analysis revealed a 99.4% probability of 50% pain reduction at week 8 in the active group versus sham, with an odds ratio of 3.04. Frequentist analysis supported these results (responders in the active group = 40.4%, responders in the sham group = 18.4%; p=0.028), number needed to treat was 4.54 and an effect size was 0.49. The probability of achieving the patient\'s impression of much/moderate improvement after active rTMS, compared to sham, was 96.8% (estimated difference: 0.759; [95% credible interval (CrI) -0.041, 1.57]). At week 16, the probability of 50% pain relief to active rTMS was 34.2% (OR: 0.815), and the likelihood of improvement of the fibromyalgia impact questionnaire (FIQ) score was 79.1% (estimate difference 2.45 [95%CrI -8.7, 3.53]). Conclusion: Continuous opioid use at baseline was associated with nonresponse to active rTMS. The intervention was safe, well tolerated, and blinding was effective. Add-on rTMS to the motor cortex (M1) reduced pain intensity, an effect maintained with weekly maintenance sessions for up to 8 weeks in people with fibromyalgia who had persistent symptoms despite the best available medical treatment. Analgesic effects diminished over time, while functional improvements were maintained during extended maintenance sessions every two weeks through week 16Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPAndrade, Daniel Ciampi Araujo deBrunoni, Andre RussowskySilva, Valquiria Aparecida da2024-12-03info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/5/5138/tde-18062025-143956/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-06-26T15:01:02Zoai:teses.usp.br:tde-18062025-143956Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-06-26T15:01:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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