Estudos fotofísicos de sulfato de quinina e suas interações com haletos
| Ano de defesa: | 1997 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/75/75131/tde-03102025-155043/ |
Resumo: | O dicátion quinina (QS) foi introduzido como padrão para a determinação de rendimentos quânticos de fluorescência no início do século XX, devido às suas características de emissão, como o alto rendimento quântico de fluorescência (Φ = 0,55 em soluções 0,1 N e 1,0 N de H2SO4). Além disso, os processos de emissão da espécie quinina di-protonada em soluções diluídas são pouco influenciados por efeitos de concentração que poderiam provocar reabsorção da radiação emitida ou por reações com oxigênio. O sistema apresenta estabilidade em solução e o rendimento quântico de emissão não depende do comprimento de onda de excitação. Entretanto, o desenvolvimento das técnicas de fluorescência resolvida no tempo, introduzidas no final da década de 1950 e que permitem a determinação dos tempos de vida de cromóforos em estado excitado, revelou que a emissão do QS apresenta decaimento bi-exponencial, com dois tempos de vida distintos: τ1 ≈ 5 × 10-9 s e τ2 ≈ 2 × 10-8 s. Esse comportamento desencoraja o uso do QS como padrão para determinação de tempos de vida de fluorescência, havendo ainda controvérsias sobre os fatores que originam o perfil bi-exponencial. Neste trabalho, investigamos, por meio de medidas de emissão resolvida no tempo do cromóforo quinina (QS) di-protonado em soluções de ácido sulfúrico 1 N, em diferentes comprimentos de onda de emissão, temperaturas e viscosidades, a influência dessas variáveis sobre os tempos de vida. Observou-se um aumento no valor de τ1, passando de aproximadamente 5,0 × 10-9 s em solução de baixa viscosidade (η = 1,5 cP) para cerca de 1,0 × 10-8 s em soluções mais viscosas (η = 10 cP), enquanto o tempo de vida longo (τ2) permaneceu praticamente inalterado. A relação entre τ1 (para emissão em 420 nm) e 1/η mostrou-se linear, permitindo calcular o raio de rotação do grupo cromóforo quinolina, estimado em r ≈ 4,0 Å. Adicionalmente, foram realizados estudos de supressão de fluorescência em solução de H2SO4 0,1 N, avaliando-se o efeito de íons haletos (Cl-, Br- e I-) sobre o QS. As constantes de supressão obtidas foram kq = 3,0 × 109 L·mol-1·s-1 (cloreto) e kq = 7,4 × 109 L·mol-1·s-1 (brometo), valores compatíveis com o mecanismo de supressão por efeito de átomo pesado. Para o iodeto, a variação da intensidade relativa de fluorescência em função da concentração do supressor não apresentou linearidade. A constante de supressão obtida (kq = 7,8 × 109 L·mol-1·s-1) mostrou-se próxima ao limite difusional do sistema (kd = 7,9 × 109 L·mol-1·s-1). Essa não linearidade foi interpretada com base no modelo da esfera de ação associado ao potencial de DebyeHückel. A distância de interação entre o cromóforo excitado e o supressor foi estimada em aproximadamente 7,0 Å, valor compatível com a soma dos raios iônicos do cromóforo quinolina (r ≈ 4,0 Å) e do íon iodeto (r ≈ 2,0 Å). |
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Estudos fotofísicos de sulfato de quinina e suas interações com haletosPhotophysical studies of quinine sulfate and its interactions with halide ionsespectroscopiaestudos fotofísicosfluorescencehalide ionsinterações com haletosluminescênciaphotophysicsquenchingquinine sulfatesulfato de quininaO dicátion quinina (QS) foi introduzido como padrão para a determinação de rendimentos quânticos de fluorescência no início do século XX, devido às suas características de emissão, como o alto rendimento quântico de fluorescência (Φ = 0,55 em soluções 0,1 N e 1,0 N de H2SO4). Além disso, os processos de emissão da espécie quinina di-protonada em soluções diluídas são pouco influenciados por efeitos de concentração que poderiam provocar reabsorção da radiação emitida ou por reações com oxigênio. O sistema apresenta estabilidade em solução e o rendimento quântico de emissão não depende do comprimento de onda de excitação. Entretanto, o desenvolvimento das técnicas de fluorescência resolvida no tempo, introduzidas no final da década de 1950 e que permitem a determinação dos tempos de vida de cromóforos em estado excitado, revelou que a emissão do QS apresenta decaimento bi-exponencial, com dois tempos de vida distintos: τ1 ≈ 5 × 10-9 s e τ2 ≈ 2 × 10-8 s. Esse comportamento desencoraja o uso do QS como padrão para determinação de tempos de vida de fluorescência, havendo ainda controvérsias sobre os fatores que originam o perfil bi-exponencial. Neste trabalho, investigamos, por meio de medidas de emissão resolvida no tempo do cromóforo quinina (QS) di-protonado em soluções de ácido sulfúrico 1 N, em diferentes comprimentos de onda de emissão, temperaturas e viscosidades, a influência dessas variáveis sobre os tempos de vida. Observou-se um aumento no valor de τ1, passando de aproximadamente 5,0 × 10-9 s em solução de baixa viscosidade (η = 1,5 cP) para cerca de 1,0 × 10-8 s em soluções mais viscosas (η = 10 cP), enquanto o tempo de vida longo (τ2) permaneceu praticamente inalterado. A relação entre τ1 (para emissão em 420 nm) e 1/η mostrou-se linear, permitindo calcular o raio de rotação do grupo cromóforo quinolina, estimado em r ≈ 4,0 Å. Adicionalmente, foram realizados estudos de supressão de fluorescência em solução de H2SO4 0,1 N, avaliando-se o efeito de íons haletos (Cl-, Br- e I-) sobre o QS. As constantes de supressão obtidas foram kq = 3,0 × 109 L·mol-1·s-1 (cloreto) e kq = 7,4 × 109 L·mol-1·s-1 (brometo), valores compatíveis com o mecanismo de supressão por efeito de átomo pesado. Para o iodeto, a variação da intensidade relativa de fluorescência em função da concentração do supressor não apresentou linearidade. A constante de supressão obtida (kq = 7,8 × 109 L·mol-1·s-1) mostrou-se próxima ao limite difusional do sistema (kd = 7,9 × 109 L·mol-1·s-1). Essa não linearidade foi interpretada com base no modelo da esfera de ação associado ao potencial de DebyeHückel. A distância de interação entre o cromóforo excitado e o supressor foi estimada em aproximadamente 7,0 Å, valor compatível com a soma dos raios iônicos do cromóforo quinolina (r ≈ 4,0 Å) e do íon iodeto (r ≈ 2,0 Å).Quinine dication (QS) was introduced as a standard for fluorescence quantum yield measurements early in this century, due to its emission features, i.e., high fluorescence quantum yield (Φ = 0.55 in 0.1 N and 1.0 N H2SO4 solutions). In addition, the emission processes of the di-protonated form of quinine at low concentrations (lower than 10-3 mol/L) are weakly affected by concentration effects (which may arise from the reabsorption of part of the emitted radiation) or by reactions with oxygen in non-deaerated media. The compound is stable in solution at room temperature, and its quantum yield does not depend on the excitation wavelength. However, the development of time-resolved fluorescence measurements, introduced at the end of the 1950s and allowing the lifetime measurements of excited chromophores to be carried out, showed that the fluorescence decay of quinine has two lifetimes: τ1 ≈ 5 × 10-9 s and τ2 ≈ 2 × 10-8 s, respectively. In the present work, our results of fluorescence lifetime and intensity measurements for QS in H2SO4 solutions, obtained at different temperatures and viscosities, showed an increase in the short lifetime (τ1) from about 5 × 10-9 s in low viscosity solution (η = 1.5 cP) to approximately 1.0 × 10-8 s in viscous medium (η = 10 cP), while the long lifetime (τ2) was not significantly affected by increasing the viscosity of the solutions. A plot of 1/τ1 against 1/η for emission at 420 nm was found to be linear. This relationship allowed us to calculate the rotational radius of the chromophoric group in the solvent cavity related to a structural transition between two main conformers, resulting in a radius of 4.0 Å, close to the molecular size of the 6-methoxyquinoline group. Results of fluorescence quenching of the dication by ionic halides in H2SO4 solutions are also presented, and the quenching constants kq were found to be about 3.8 × 109 and 7.4 × 109 L·mol-1·s-1 for chloride and bromide quenching processes, respectively. These processes were found to be strictly dynamic. For the iodide ion quenching process, the plot of relative emission intensity against quencher concentration was not linear. The quenching constant (kq = 7.8 × 109 L·mol-1·s-1) is near the diffusional limit of the system (kd = 7.9 × 109 L·mol-1·s-1). The absence of linearity is explained based on the sphere-of-action model, with an interaction potential of the Debye type. The interaction distance r between the excited chromophore and the quencher was calculated to be about 7.0 Å, which is nearly the sum of the ionic radii of the 6-methoxyquinolyl chromophoric group (r = 4.0 Å) and the iodide quencher (r = 2.0 Å).Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGehlen, Marcelo HenriqueRocha, Claudio José1997-10-31info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/75/75131/tde-03102025-155043/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-10-06T15:41:02Zoai:teses.usp.br:tde-03102025-155043Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-10-06T15:41:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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O dicátion quinina (QS) foi introduzido como padrão para a determinação de rendimentos quânticos de fluorescência no início do século XX, devido às suas características de emissão, como o alto rendimento quântico de fluorescência (Φ = 0,55 em soluções 0,1 N e 1,0 N de H2SO4). Além disso, os processos de emissão da espécie quinina di-protonada em soluções diluídas são pouco influenciados por efeitos de concentração que poderiam provocar reabsorção da radiação emitida ou por reações com oxigênio. O sistema apresenta estabilidade em solução e o rendimento quântico de emissão não depende do comprimento de onda de excitação. Entretanto, o desenvolvimento das técnicas de fluorescência resolvida no tempo, introduzidas no final da década de 1950 e que permitem a determinação dos tempos de vida de cromóforos em estado excitado, revelou que a emissão do QS apresenta decaimento bi-exponencial, com dois tempos de vida distintos: τ1 ≈ 5 × 10-9 s e τ2 ≈ 2 × 10-8 s. Esse comportamento desencoraja o uso do QS como padrão para determinação de tempos de vida de fluorescência, havendo ainda controvérsias sobre os fatores que originam o perfil bi-exponencial. Neste trabalho, investigamos, por meio de medidas de emissão resolvida no tempo do cromóforo quinina (QS) di-protonado em soluções de ácido sulfúrico 1 N, em diferentes comprimentos de onda de emissão, temperaturas e viscosidades, a influência dessas variáveis sobre os tempos de vida. Observou-se um aumento no valor de τ1, passando de aproximadamente 5,0 × 10-9 s em solução de baixa viscosidade (η = 1,5 cP) para cerca de 1,0 × 10-8 s em soluções mais viscosas (η = 10 cP), enquanto o tempo de vida longo (τ2) permaneceu praticamente inalterado. A relação entre τ1 (para emissão em 420 nm) e 1/η mostrou-se linear, permitindo calcular o raio de rotação do grupo cromóforo quinolina, estimado em r ≈ 4,0 Å. Adicionalmente, foram realizados estudos de supressão de fluorescência em solução de H2SO4 0,1 N, avaliando-se o efeito de íons haletos (Cl-, Br- e I-) sobre o QS. As constantes de supressão obtidas foram kq = 3,0 × 109 L·mol-1·s-1 (cloreto) e kq = 7,4 × 109 L·mol-1·s-1 (brometo), valores compatíveis com o mecanismo de supressão por efeito de átomo pesado. Para o iodeto, a variação da intensidade relativa de fluorescência em função da concentração do supressor não apresentou linearidade. A constante de supressão obtida (kq = 7,8 × 109 L·mol-1·s-1) mostrou-se próxima ao limite difusional do sistema (kd = 7,9 × 109 L·mol-1·s-1). Essa não linearidade foi interpretada com base no modelo da esfera de ação associado ao potencial de DebyeHückel. A distância de interação entre o cromóforo excitado e o supressor foi estimada em aproximadamente 7,0 Å, valor compatível com a soma dos raios iônicos do cromóforo quinolina (r ≈ 4,0 Å) e do íon iodeto (r ≈ 2,0 Å). |
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