Entre-mundos: o desterro do exílio e o enraizar-se no mundo por meio da hospitalidade da escola
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48135/tde-08042025-103918/ |
Resumo: | O século XXI tem sido marcado por diversas crises, entre as quais figura a crise migratória em que milhões de pessoas se encontram atualmente deslocadas de seus países ou regiões de origem. Relegados a estarem à margem dos Estados-nação, os imigrantes e sobretudo os exilados, denunciam a configuração divisionista e discriminatória dos países que separa as pessoas entre o nós e eles, nativos e estrangeiros, pertencentes e exilados. Para fazer frente a esta configuração dos Estados e para romper com a conjuntura do exílio marcada por uma condição do estar-entre mundos (entre o país do qual saiu e ao qual já não pertence e o país ao qual chegou e não pertence ainda), propomos retomar a hospitalidade como um princípio a guiar a ação dos anfitriões, colocando os exilados no centro e não mais às margens. Para compreendermos as dimensões e formas deste princípio, nos debruçamos sobre o exílio de Ulisses contado na Odisseia de Homero e delineamos uma fenomenologia da hospitalidade marcada por cinco gestos centrais: (1) o estrangeiro, ao chegar à porta, é visto e há uma disposição ao seu reconhecimento; (2) à ele se dirige a palavra; (3) abrem-lhe as portas e lhe é feito um convite; uma vez recebido na casa, lhe são oferecidos alimentos e bebidas, a possibilidade de um banho e vestes. Saciadas as necessidades do estrangeiro, estando este (4) protegido e seguro, (5) escutam-se as histórias contadas pelo hóspede. Esta fenomenologia é então aplicada à experiências escolares de pessoas exiladas na infância por regimes ditatoriais sul americanos com o propósito de demonstrar que a hospitalidade possui lugar central na razão de ser e no significado e sentido público atribuído à escola, ainda que possa estar ausente em tantos momentos de seu cotidiano empírico. Para este percurso nos baseamos nas análises de filósofos como Hannah Arendt, Paul Ricoeur, Jacques Derrida, Masschelein e Simons, José Sérgio Fonseca de Carvalho, Claudia Ruitenberg, configurando um exercício de pensamento político. |
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Entre-mundos: o desterro do exílio e o enraizar-se no mundo por meio da hospitalidade da escolaBetween worlds: the banishment of exile and taking root in the world through the hospitality of schoolEducaçãoEducationEscolaExileExílioHospitalidadeHospitalitySchool.O século XXI tem sido marcado por diversas crises, entre as quais figura a crise migratória em que milhões de pessoas se encontram atualmente deslocadas de seus países ou regiões de origem. Relegados a estarem à margem dos Estados-nação, os imigrantes e sobretudo os exilados, denunciam a configuração divisionista e discriminatória dos países que separa as pessoas entre o nós e eles, nativos e estrangeiros, pertencentes e exilados. Para fazer frente a esta configuração dos Estados e para romper com a conjuntura do exílio marcada por uma condição do estar-entre mundos (entre o país do qual saiu e ao qual já não pertence e o país ao qual chegou e não pertence ainda), propomos retomar a hospitalidade como um princípio a guiar a ação dos anfitriões, colocando os exilados no centro e não mais às margens. Para compreendermos as dimensões e formas deste princípio, nos debruçamos sobre o exílio de Ulisses contado na Odisseia de Homero e delineamos uma fenomenologia da hospitalidade marcada por cinco gestos centrais: (1) o estrangeiro, ao chegar à porta, é visto e há uma disposição ao seu reconhecimento; (2) à ele se dirige a palavra; (3) abrem-lhe as portas e lhe é feito um convite; uma vez recebido na casa, lhe são oferecidos alimentos e bebidas, a possibilidade de um banho e vestes. Saciadas as necessidades do estrangeiro, estando este (4) protegido e seguro, (5) escutam-se as histórias contadas pelo hóspede. Esta fenomenologia é então aplicada à experiências escolares de pessoas exiladas na infância por regimes ditatoriais sul americanos com o propósito de demonstrar que a hospitalidade possui lugar central na razão de ser e no significado e sentido público atribuído à escola, ainda que possa estar ausente em tantos momentos de seu cotidiano empírico. Para este percurso nos baseamos nas análises de filósofos como Hannah Arendt, Paul Ricoeur, Jacques Derrida, Masschelein e Simons, José Sérgio Fonseca de Carvalho, Claudia Ruitenberg, configurando um exercício de pensamento político.The 21st century has been marked by several crises, including the migration crisis, in which millions of people are currently displaced from their countries or regions of origin. Relegated to the margins of nation-states, immigrants and especially exiles denounce the divisive and discriminatory configuration of countries that separates people into \"us and them\", natives and foreigners, nationals and exiles. To confront this configuration of states and to break with the condition of exile marked by a condition of being-in-between worlds (between the country from which one left and to which one no longer belongs and the country to which one arrived and to which one no longer belongs), we propose to reclaim hospitality as a principle to guide the actions of hosts, placing exiles at the center and no longer on the margins. To understand the dimensions and forms of hospitality, we focus on the exile of Ulysses as recounted in Homer\'s Odyssey and outline a phenomenology of hospitality marked by five central gestures: (1) the stranger, upon arriving at the door, is seen and there is a willingness to acknowledge him; (2) he is spoken to; (3) the doors are opened and an invitation is extended; once welcomed into the house, he is offered food and drink, the possibility of a bath and clothing. Once the stranger\'s needs are satisfied, and he is (4) protected and safe, (5) the stories told by the guest are heard. This phenomenology is then applied to the school experiences of people exiled in childhood by South American dictatorial regimes with the purpose of demonstrating that hospitality has a central place in the raison d\'être and in the public meaning attributed to school, even though it may be absent in so many moments of their empirical daily life. For this journey we based ourselves on the analyses of philosophers such as Hannah Arendt, Paul Ricoeur, Jacques Derrida, Masschelein and Simons, José Sérgio Fonseca de Carvalho, Claudia Ruitenberg, configuring an exercise of political thought.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCarvalho, José Sergio Fonseca deMoreira, Ligia Zambone2025-02-04info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/48/48135/tde-08042025-103918/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-05-07T13:57:02Zoai:teses.usp.br:tde-08042025-103918Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-05-07T13:57:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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