Vulnerabilidades em saúde de imigrantes haitianas no município de São Paulo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Cruz, Raphael Marques de Almeida Rosa da
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6140/tde-03122025-162826/
Resumo: Introdução: A Introdução: A imigração de mulheres haitianas ao Brasil e sua inserção no sistema de saúde brasileiro ocorrem em contextos marcados por precariedade e barreiras institucionais, revelando fragilidades no acesso ao cuidado em saúde. Objetivo: Analisar o acesso de mulheres haitianas a serviços de saúde do Município de São Paulo. Métodos: Estudo qualitativo, exploratório e descritivo, que foi fundamentado no conceito de Vulnerabilidade em Saúde. Foram entrevistadas 35 mulheres haitianas em idade reprodutiva, residentes em diferentes regiões de São Paulo. Os dados foram coletados entre 2022 e 2023 por meio de entrevistas semiestruturadas, com base em amostragem em cadeia (snowball). As entrevistas foram gravadas, transcritas na íntegra e submetidas à técnica de análise de conteúdo temática, conforme Bardin e Minayo, com apoio dos softwares Qualtrics e ATLAS.ti. Resultados: As participantes tinham entre 21 e 41 anos, predominantemente com ensino médio completo, migraram entre 2015 e 2020 e residiam nos bairros de São Paulo: Brás, Jardim das Palmas, Parque Rebouças e Paranapanema. A maioria exercia ocupações informais e vivia em condições habitacionais precárias. Da análise dos depoimentos emergiram três categorias temáticas: Acesso à saúde, Acolhimento e Adaptação intercultural. Foram relatadas barreiras linguísticas, exigências documentais, racismo institucional e ausência de acolhimento como entraves ao acesso regular aos serviços. Em contrapartida, redes de apoio da comunidade migrante e profissionais sensíveis ao contexto cultural atuaram como mediadores importantes do cuidado. Conclusão: O acesso das mulheres haitianas aos serviços de saúde é atravessado por múltiplos elementos de vulnerabilidade, que perfazem as dimensões individual, social e programática. Apesar das adversidades, estratégias de enfrentamento são construídas com o apoio de redes comunitárias. Os achados reforçam a necessidade de políticas públicas culturalmente sensíveis, com ênfase na escuta qualificada, mediação intercultural e promoção da equidade no SUS, como condição para a efetivação do direito à saúde e da justiça social.
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Os dados foram coletados entre 2022 e 2023 por meio de entrevistas semiestruturadas, com base em amostragem em cadeia (snowball). As entrevistas foram gravadas, transcritas na íntegra e submetidas à técnica de análise de conteúdo temática, conforme Bardin e Minayo, com apoio dos softwares Qualtrics e ATLAS.ti. Resultados: As participantes tinham entre 21 e 41 anos, predominantemente com ensino médio completo, migraram entre 2015 e 2020 e residiam nos bairros de São Paulo: Brás, Jardim das Palmas, Parque Rebouças e Paranapanema. A maioria exercia ocupações informais e vivia em condições habitacionais precárias. Da análise dos depoimentos emergiram três categorias temáticas: Acesso à saúde, Acolhimento e Adaptação intercultural. Foram relatadas barreiras linguísticas, exigências documentais, racismo institucional e ausência de acolhimento como entraves ao acesso regular aos serviços. Em contrapartida, redes de apoio da comunidade migrante e profissionais sensíveis ao contexto cultural atuaram como mediadores importantes do cuidado. Conclusão: O acesso das mulheres haitianas aos serviços de saúde é atravessado por múltiplos elementos de vulnerabilidade, que perfazem as dimensões individual, social e programática. Apesar das adversidades, estratégias de enfrentamento são construídas com o apoio de redes comunitárias. Os achados reforçam a necessidade de políticas públicas culturalmente sensíveis, com ênfase na escuta qualificada, mediação intercultural e promoção da equidade no SUS, como condição para a efetivação do direito à saúde e da justiça social.Introduction: The immigration of Haitian women to Brazil and their insertion into the Brazilian healthcare system occur within contexts marked by precariousness and institutional barriers, revealing weaknesses in access to healthcare. Objective: To analyze the access of Haitian women to health services in the municipality of São Paulo. Methods: This is a qualitative, exploratory, and descriptive study grounded in the concept of Health Vulnerability. Thirty-five Haitian women of reproductive age, living in different areas of São Paulo, were interviewed. Data were collected between 2022 and 2023 through semi-structured interviews, using snowball sampling. Interviews were audio-recorded, fully transcribed, and analyzed using thematic content analysis based on Bardin and Minayo, supported by the Qualtrics and ATLAS.ti software. Results: Participants were aged between 21 and 41, most had completed high school, migrated between 2015 and 2020, and resided in São Paulo neighborhoods such as Brás, Jardim das Palmas, Parque Rebouças, and Paranapanema. Most held informal jobs and lived in precarious housing conditions. Three thematic categories emerged from the interview analysis: Access to healthcare, Reception, and Intercultural adaptation. Reported barriers included language difficulties, documentation requirements, institutional racism, and lack of reception, all hindering regular access to services. On the other hand, support networks within the migrant community and culturally sensitive professionals acted as key mediators in the care process. Conclusion: Haitian women\'s access to health services is shaped by multiple vulnerability factors, encompassing individual, social, and programmatic dimensions. Despite adversities, coping strategies are built through community support networks. The findings reinforce the need for culturally sensitive public policies, with an emphasis on qualified listening, intercultural mediation, and the promotion of equity in the Brazilian Unified Health System (SUS) as essential conditions for ensuring the right to health and social justice.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPBertolozzi, Maria RitaCruz, Raphael Marques de Almeida Rosa da2025-09-29info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/6/6140/tde-03122025-162826/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-12-03T18:37:02Zoai:teses.usp.br:tde-03122025-162826Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-12-03T18:37:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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