Figurações do exílio na obra de Manuel Alegre

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Paniago, Maria Eduarda Miranda
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8150/tde-22012025-120935/
Resumo: A presente dissertação se inscreve no projeto mais amplo \"Figurações do exílio na Literatura Portuguesa do século XX\", coordenado pelo Prof. Dr. Caio Gagliardi. É ainda um desenvolvimento da pesquisa de Iniciação Científica \"Manuel Alegre reescrevendo Camões\", desenvolvida entre 2020 e 2021 e financiada pelo Programa Unificado de Bolsas (PUB-USP). Esta pesquisa tem por objetivo analisar as manifestações líricas da experiência do exílio e da condição da errância na poesia do escritor português Manuel Alegre (1936). Parte-se de duas hipóteses centrais: (1) propõe-se abordar a experiência do exílio como elemento-chave para a compreensão da poética de Alegre, considerando as suas diferentes manifestações ao longo de sua obra; (2) a partir do conceito de \"exílio internalizado\", proposto por MENDES (2008), pretende-se analisar as transformações das representações do exílio na obra do poeta. Se num primeiro momento, elas se deixam ver sobretudo como uma experiência traumática de desterro político-geográfico, passam também a se manifestarem como condições tanto poéticas quanto existenciais. Para tanto, trabalharemos com livros de diferentes momentos da escrita do autor. Em Atlântico (1981), o exílio aparece sobretudo como assunto, associado à experiência biográfica do poeta, condenado ao desterro político durante o salazarismo. Já em Vinte poemas para Camões (1992), revela-se um significativo deslocamento da figuração biopolítica do exílio para o domínio da própria literatura, por meio do diálogo estabelecido com a poesia de Luís de Camões, uma das figuras mais representativas da errância e do desterro no imaginário cultural português. Por fim, o Livro do Português Errante (2001) revela uma dimensão do exílio agora verdadeiramente internalizada à escrita do autor e como condição inerente aos indivíduos na pós-modernidade. A errância, nesta obra e em Senhora das Tempestades (1998) é concebida como forma de resistir a esta condição exílica global e subjetiva
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Parte-se de duas hipóteses centrais: (1) propõe-se abordar a experiência do exílio como elemento-chave para a compreensão da poética de Alegre, considerando as suas diferentes manifestações ao longo de sua obra; (2) a partir do conceito de \"exílio internalizado\", proposto por MENDES (2008), pretende-se analisar as transformações das representações do exílio na obra do poeta. Se num primeiro momento, elas se deixam ver sobretudo como uma experiência traumática de desterro político-geográfico, passam também a se manifestarem como condições tanto poéticas quanto existenciais. Para tanto, trabalharemos com livros de diferentes momentos da escrita do autor. Em Atlântico (1981), o exílio aparece sobretudo como assunto, associado à experiência biográfica do poeta, condenado ao desterro político durante o salazarismo. Já em Vinte poemas para Camões (1992), revela-se um significativo deslocamento da figuração biopolítica do exílio para o domínio da própria literatura, por meio do diálogo estabelecido com a poesia de Luís de Camões, uma das figuras mais representativas da errância e do desterro no imaginário cultural português. Por fim, o Livro do Português Errante (2001) revela uma dimensão do exílio agora verdadeiramente internalizada à escrita do autor e como condição inerente aos indivíduos na pós-modernidade. A errância, nesta obra e em Senhora das Tempestades (1998) é concebida como forma de resistir a esta condição exílica global e subjetivaThis dissertation is part of the broader project \"Figurations of exile in 20th-century Portuguese literature\", coordinated by Prof. Dr. Caio Gagliardi. It is also a development of the Scientific Initiation research \"Manuel Alegre rewriting Camões\", developed between 2020 and 2021 and funded by the Unified Scholarship Program (PUB-USP). This research aims to analyze the lyrical manifestations of the experience of exile and the condition of wandering in the poetry of the Portuguese writer Manuel Alegre (1936). It starts from two central hypotheses: (1) it proposes to approach the experience of exile as a key element for understanding Alegre\'s poetics, considering its different manifestations throughout his work; (2) based on the concept of \"internalized exile\", proposed by MENDES (2008), it intends to analyze the transformations of the representations of exile in the poet\'s work. If at first they are seen primarily as a traumatic experience of political-geographical exile, they also begin to manifest themselves as both poetic and existential conditions. For this purpose, we will work with books from different periods of the author\'s writing. In Atlântico (1981), exile appears above all as a subject, associated with the poet\'s biographical experience, condemned to political exile during Salazar\'s regime. In Vinte poemas para Camões (1992), a significant shift from the biopolitical figuration of exile to the realm of literature itself is revealed, through the dialogue established with the poetry of Luís de Camões, one of the most representative figures of wandering and exile in the Portuguese cultural imaginary. Finally, Livro do Português Errante (2001) reveals a dimension of exile now truly internalized in the author\'s writing and as an inherent condition of individuals in postmodernity. Wandering, in this book and in Senhora das Tempestades (1998), is conceived as a way of resisting this global and subjective exilic conditionBiblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPGagliardi, Caio Márcio Poletti LuiPaniago, Maria Eduarda Miranda2024-10-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8150/tde-22012025-120935/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-01-22T14:22:02Zoai:teses.usp.br:tde-22012025-120935Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-01-22T14:22:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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