Epidemiologia molecular da malária no Vale do Alto Juruá, Amazônia brasileira.
| Ano de defesa: | 2024 |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
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Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USP
Universidade de São Paulo Instituto de Ciências Biomédicas |
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42135/tde-13042026-170607/ |
Resumo: | Apesar dos recentes progressos rumo à sua eliminação, a transmissão da malária mantém-se nas Américas, onde cerca de 120 milhões de pessoas estão sob risco de infecção. A Bacia Amazônica, que abrange nove países da América do Sul, registra quase 90% dos 600 mil casos confirmados laboratorialmente notificados a cada ano neste continente. Com 151.000 casos em 2022, o Brasil sozinho é responsável por quase 27% da carga de malária na América Latina; 90% das infecções são causadas por <i>Plasmodium vivax </i>. No entanto, pode haver uma grande subestimação da carga real da malária no Brasil, pois o exame microscópico utilizado rotineiramente no diagnóstico em áreas endêmicas é pouco sensível. Além disso, os portadores de parasitemia são frequentemente assintomáticos na Amazônia e deixam de ser identificados por estratégias de busca passiva de casos. É importante ressaltar que a malária vem sendo cada vez mais frequentemente diagnosticada em centros urbanos em toda a Amazônia. Combinamos neste estudo os dados de sete inquéritos consecutivos de prevalência de infecção, em uma amostra aleatória de base domiciliar de 2.774 moradores da cidade de Mâncio Lima, com a genotipagem molecular de parasitos que circulam na região do Vale do Alto Juruá para investigar a epidemiologia da malária no principal foco de transmissão urbana na Amazônia brasileira. Mostramos que a maioria das infecções maláricas diagnosticadas ao longo de quatro anos era assintomática e subpatente ou seja, escapava ao diagnóstico pelo exame microscópico, mas podia ser identificada por métodos moleculares de maior sensibilidade. Além disso, mostramos que uma maior proporção de infecções maláricas deixa de ser diagnosticada pela microscopia à medida que a transmissão diminui. Neste trabalho, identificamos populações de <i>P. vivax </i>e <i>P. falciparum </i> com elevada diversidade genética em circulação pelo Vale do Alto Juruá, com alguns exemplos de linhagens de parasitos compartilhadas entre moradores da área urbana e de localidades rurais do entorno, sugerindo haver dispersão dessas linhagens entre a zona rural e a zona urbana. A elevada proporção de infecções assintomáticas e com baixa parasitemia, indetectáveis pelos métodos diagnósticos empregados rotineiramente, representa um grande desafio para as estratégias de vigilância, controle e eliminação da malária nas cidades da Amazônia, mesmo em áreas com amplo acesso ao diagnóstico microscópico e ao tratamento das infecções. |
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Epidemiologia molecular da malária no Vale do Alto Juruá, Amazônia brasileira.Molecular Epidemiology of Malaria in the Alto Juruá Valley, Brazilian Amazon.Plasmodium falciparumMicrossatélitesMaláriaE</i>pidemiologia<i>Plasmodium vivaxMalariaMicrosatellites<i>Plasmodium vivaxPlasmodium falciparum</i>EpidemiologyApesar dos recentes progressos rumo à sua eliminação, a transmissão da malária mantém-se nas Américas, onde cerca de 120 milhões de pessoas estão sob risco de infecção. A Bacia Amazônica, que abrange nove países da América do Sul, registra quase 90% dos 600 mil casos confirmados laboratorialmente notificados a cada ano neste continente. Com 151.000 casos em 2022, o Brasil sozinho é responsável por quase 27% da carga de malária na América Latina; 90% das infecções são causadas por <i>Plasmodium vivax </i>. No entanto, pode haver uma grande subestimação da carga real da malária no Brasil, pois o exame microscópico utilizado rotineiramente no diagnóstico em áreas endêmicas é pouco sensível. Além disso, os portadores de parasitemia são frequentemente assintomáticos na Amazônia e deixam de ser identificados por estratégias de busca passiva de casos. É importante ressaltar que a malária vem sendo cada vez mais frequentemente diagnosticada em centros urbanos em toda a Amazônia. Combinamos neste estudo os dados de sete inquéritos consecutivos de prevalência de infecção, em uma amostra aleatória de base domiciliar de 2.774 moradores da cidade de Mâncio Lima, com a genotipagem molecular de parasitos que circulam na região do Vale do Alto Juruá para investigar a epidemiologia da malária no principal foco de transmissão urbana na Amazônia brasileira. Mostramos que a maioria das infecções maláricas diagnosticadas ao longo de quatro anos era assintomática e subpatente ou seja, escapava ao diagnóstico pelo exame microscópico, mas podia ser identificada por métodos moleculares de maior sensibilidade. Além disso, mostramos que uma maior proporção de infecções maláricas deixa de ser diagnosticada pela microscopia à medida que a transmissão diminui. Neste trabalho, identificamos populações de <i>P. vivax </i>e <i>P. falciparum </i> com elevada diversidade genética em circulação pelo Vale do Alto Juruá, com alguns exemplos de linhagens de parasitos compartilhadas entre moradores da área urbana e de localidades rurais do entorno, sugerindo haver dispersão dessas linhagens entre a zona rural e a zona urbana. A elevada proporção de infecções assintomáticas e com baixa parasitemia, indetectáveis pelos métodos diagnósticos empregados rotineiramente, representa um grande desafio para as estratégias de vigilância, controle e eliminação da malária nas cidades da Amazônia, mesmo em áreas com amplo acesso ao diagnóstico microscópico e ao tratamento das infecções.Despite recent progress toward elimination, malaria transmission persists in the Americas and poses a risk of infection to 120 million people. The Amazon Basin, spanning nine countries of South America, accounts for nearly 90% of the 600,000 laboratory-confirmed cases recorded annually on this continent. With 151,000 cases notified in 2022, Brazil alone accounts for nearly 27% of the malaria burden in Latin America; 90% of the infections are due to <i>Plasmodium vivax </i>. However, the actual malaria burden in this country may be significantly underestimated because point-of care microscopy is little sensitive. Moreover, parasite carriers are often asymptomatic in the Amazon and are typically missed by passive case detection strategies. Importantly, malaria is increasingly being diagnosed in urban centers across the Amazon Basin. In this study, we combined repeated prevalence surveys of a household-based random sample of 2,774 individuals with parasite genotyping to investigate the epidemiology of malaria in the town of Mâncio Lima, located in Juruá Velley, the main urban transmission hotspot in Amazonian Brazil. Over four years, we found that most malarial infections were asymptomatic and undetected by point-of care microscopy. Our findings indicate that as malaria transmission decreases, more infections are missed by microscopy. We identified genetically highly diverse populations of <i>P. vivax </i>and <i>P. falciparum </i>in the region, with occasionally shared lineages between urban and rural residents, suggesting cross-boundary propagation. The prevalence of low-density and asymptomatic infections poses a significant challenge for routine surveillance and the effectiveness of malaria control and elimination strategies in urbanized areas with readily accessible laboratory facilities.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertacoes da USPUniversidade de São PauloInstituto de Ciências BiomédicasFerreira, Marcelo UrbanoEsquivel, Fabiana Dutra2024-12-052026-04-27info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://teses.usp.br/teses/disponiveis/42/42135/tde-13042026-170607/doi:10.11606/T.42.2024.tde-13042026-170607Reter o conteúdo por motivos de patente, publicação e/ou direitos autoriais.info:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USP2026-04-27T18:17:02Zoai:teses.usp.br:tde-13042026-170607Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-27T18:17:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false |
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Apesar dos recentes progressos rumo à sua eliminação, a transmissão da malária mantém-se nas Américas, onde cerca de 120 milhões de pessoas estão sob risco de infecção. A Bacia Amazônica, que abrange nove países da América do Sul, registra quase 90% dos 600 mil casos confirmados laboratorialmente notificados a cada ano neste continente. Com 151.000 casos em 2022, o Brasil sozinho é responsável por quase 27% da carga de malária na América Latina; 90% das infecções são causadas por <i>Plasmodium vivax </i>. No entanto, pode haver uma grande subestimação da carga real da malária no Brasil, pois o exame microscópico utilizado rotineiramente no diagnóstico em áreas endêmicas é pouco sensível. Além disso, os portadores de parasitemia são frequentemente assintomáticos na Amazônia e deixam de ser identificados por estratégias de busca passiva de casos. É importante ressaltar que a malária vem sendo cada vez mais frequentemente diagnosticada em centros urbanos em toda a Amazônia. Combinamos neste estudo os dados de sete inquéritos consecutivos de prevalência de infecção, em uma amostra aleatória de base domiciliar de 2.774 moradores da cidade de Mâncio Lima, com a genotipagem molecular de parasitos que circulam na região do Vale do Alto Juruá para investigar a epidemiologia da malária no principal foco de transmissão urbana na Amazônia brasileira. Mostramos que a maioria das infecções maláricas diagnosticadas ao longo de quatro anos era assintomática e subpatente ou seja, escapava ao diagnóstico pelo exame microscópico, mas podia ser identificada por métodos moleculares de maior sensibilidade. Além disso, mostramos que uma maior proporção de infecções maláricas deixa de ser diagnosticada pela microscopia à medida que a transmissão diminui. Neste trabalho, identificamos populações de <i>P. vivax </i>e <i>P. falciparum </i> com elevada diversidade genética em circulação pelo Vale do Alto Juruá, com alguns exemplos de linhagens de parasitos compartilhadas entre moradores da área urbana e de localidades rurais do entorno, sugerindo haver dispersão dessas linhagens entre a zona rural e a zona urbana. A elevada proporção de infecções assintomáticas e com baixa parasitemia, indetectáveis pelos métodos diagnósticos empregados rotineiramente, representa um grande desafio para as estratégias de vigilância, controle e eliminação da malária nas cidades da Amazônia, mesmo em áreas com amplo acesso ao diagnóstico microscópico e ao tratamento das infecções. |
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