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Instabilidade no trabalho em enfermeiros(as) da atenção primária à saúde: correlação com distúrbios osteomusculares e impacto no absenteísmo

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: Santos, Heloisa Ehmke Cardoso dos
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22132/tde-11122025-172159/
Resumo: A incompatibilidade entre a capacidade funcional e/ou cognitiva do trabalhador e as exigências laborais configura-se como um fator de risco relevante para a saúde e a manutenção do emprego. A instabilidade no trabalho, enquanto fenômeno transitório e potencialmente reversível, pode anteceder quadros de incapacidade laboral. Nesse contexto, este estudo teve por objetivo analisar a instabilidade no trabalho em enfermeiros(as) atuantes em unidades de Atenção Primária à Saúde (APS) e como ela está correlacionada aos distúrbios osteomusculares e ao absenteísmo. Trata-se de um estudo realizado com enfermeiros(as) inseridos na APS no Estado de São Paulo, Brasil, conduzido em duas etapas metodológicas: inicialmente, procedeu-se à construção e validação de um questionário; posteriormente, realizou-se um estudo observacional, descritivo e transversal, com abordagem quantitativa. A coleta de dados foi realizada por meio de plataforma digital, utilizando-se os seguintes instrumentos: questionário sociodemográfico e ocupacional e a versão brasileira traduzida e validada da escala Nurse-Work Instability Scale. A análise dos dados empregou estatística descritiva, testes estatísticos e modelos de regressão, com nível de significância fixado em 5%. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (CAAE: 57568822.0.0000.5393). Participaram do estudo 286 enfermeiros(as), dos quais 143 (50,0%) apresentaram risco para instabilidade no trabalho, sendo que 82 (57,3%) demonstraram alto risco. Ademais, 173 (61,3%) relataram sintomas musculoesqueléticos, destacando-se dor no pescoço, formigamento e dormência em punhos/mãos, além de sensação de peso e fadiga nos ombros. Verificaram-se associações estatisticamente significativas entre dor, sensação de peso e fadiga com a presença de alta instabilidade no trabalho. No grupo com alta instabilidade, a média de regiões corporais afetadas foi de 3,72 para dor, 2,60 para sensação de peso e 2,66 para fadiga. Observou-se que níveis mais elevados de renda familiar associaram-se a maiores índices de instabilidade no trabalho. Além disso, identificaram-se correlações entre a presença de sintomas musculoesqueléticos e a instabilidade no trabalho com variáveis individuais, tais como índice de massa corporal e renda familiar, bem como com características ocupacionais, incluindo função desempenhada, turno de trabalho, local de atuação e carga horária semanal. No que tange ao absenteísmo por motivo de doença, os sintomas musculoesqueléticos constituíram a principal causa de afastamentos. Embora a maioria dos participantes (65,9%) apresentasse alto risco de instabilidade no trabalho, não se constatou significância estatística na associação entre instabilidade no trabalho e absenteísmo decorrente de sintomas musculoesqueléticos. Conclui-se que os níveis de instabilidade no trabalho entre enfermeiros(as) da APS são elevados e que a instabilidade está relacionada a fatores individuais e ocupacionais. Destaca-se que os distúrbios musculoesqueléticos são determinantes importantes do absenteísmo nesse grupo profissional. A identificação precoce da instabilidade, a partir dos primeiros sinais de sintomas osteomusculares, é essencial para a implementação de estratégias interventivas que visem à preservação da capacidade laboral e à prevenção de afastamentos e desligamentos relacionados ao trabalho. Os achados deste estudo oferecem subsídios relevantes para o planejamento de ações voltadas à promoção da saúde ocupacional de enfermeiros(as) atuantes na APS.
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Nesse contexto, este estudo teve por objetivo analisar a instabilidade no trabalho em enfermeiros(as) atuantes em unidades de Atenção Primária à Saúde (APS) e como ela está correlacionada aos distúrbios osteomusculares e ao absenteísmo. Trata-se de um estudo realizado com enfermeiros(as) inseridos na APS no Estado de São Paulo, Brasil, conduzido em duas etapas metodológicas: inicialmente, procedeu-se à construção e validação de um questionário; posteriormente, realizou-se um estudo observacional, descritivo e transversal, com abordagem quantitativa. A coleta de dados foi realizada por meio de plataforma digital, utilizando-se os seguintes instrumentos: questionário sociodemográfico e ocupacional e a versão brasileira traduzida e validada da escala Nurse-Work Instability Scale. A análise dos dados empregou estatística descritiva, testes estatísticos e modelos de regressão, com nível de significância fixado em 5%. A pesquisa foi aprovada pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Escola de Enfermagem de Ribeirão Preto da Universidade de São Paulo (CAAE: 57568822.0.0000.5393). Participaram do estudo 286 enfermeiros(as), dos quais 143 (50,0%) apresentaram risco para instabilidade no trabalho, sendo que 82 (57,3%) demonstraram alto risco. Ademais, 173 (61,3%) relataram sintomas musculoesqueléticos, destacando-se dor no pescoço, formigamento e dormência em punhos/mãos, além de sensação de peso e fadiga nos ombros. Verificaram-se associações estatisticamente significativas entre dor, sensação de peso e fadiga com a presença de alta instabilidade no trabalho. No grupo com alta instabilidade, a média de regiões corporais afetadas foi de 3,72 para dor, 2,60 para sensação de peso e 2,66 para fadiga. Observou-se que níveis mais elevados de renda familiar associaram-se a maiores índices de instabilidade no trabalho. Além disso, identificaram-se correlações entre a presença de sintomas musculoesqueléticos e a instabilidade no trabalho com variáveis individuais, tais como índice de massa corporal e renda familiar, bem como com características ocupacionais, incluindo função desempenhada, turno de trabalho, local de atuação e carga horária semanal. No que tange ao absenteísmo por motivo de doença, os sintomas musculoesqueléticos constituíram a principal causa de afastamentos. Embora a maioria dos participantes (65,9%) apresentasse alto risco de instabilidade no trabalho, não se constatou significância estatística na associação entre instabilidade no trabalho e absenteísmo decorrente de sintomas musculoesqueléticos. Conclui-se que os níveis de instabilidade no trabalho entre enfermeiros(as) da APS são elevados e que a instabilidade está relacionada a fatores individuais e ocupacionais. Destaca-se que os distúrbios musculoesqueléticos são determinantes importantes do absenteísmo nesse grupo profissional. A identificação precoce da instabilidade, a partir dos primeiros sinais de sintomas osteomusculares, é essencial para a implementação de estratégias interventivas que visem à preservação da capacidade laboral e à prevenção de afastamentos e desligamentos relacionados ao trabalho. Os achados deste estudo oferecem subsídios relevantes para o planejamento de ações voltadas à promoção da saúde ocupacional de enfermeiros(as) atuantes na APS.The mismatch between a worker\'s functional and/or cognitive capacity and job demands is a relevant risk factor for health issues and job retention. Work instability, as a transient and potentially reversible condition, may precede work incapacity. This study aimed to analyze work instability among nurses working in Primary Health Care (PHC) units and its correlation with musculoskeletal disorders and absenteeism. Conducted in the state of São Paulo, Brazil, the study comprised two stages: first, a questionnaire was developed and validated; then, an observational, descriptive, and cross-sectional study with a quantitative approach was carried out. Data were collected online through a digital platform using a sociodemographic and occupational questionnaire and the translated and validated Brazilian version of the Nurse-Work Instability Scale. Descriptive statistics, statistical tests, and regression models were used for data analysis, with a significance level of 5%. The study was approved by the Institutional Review Board at the University of São Paulo, School of Nursing (CAAE: 57568822.0.0000.5393). A total of 286 nurses participated, 143 (50.0%) of whom were at risk of work instability, and 82 (57.3%) were classified as high risk. Additionally, 173 participants (61.3%) reported musculoskeletal symptoms, most commonly neck pain, tingling and numbness in the wrists/hands, and a feeling of heaviness and fatigue in the shoulders. Statistically significant associations were found between symptoms such as pain, heaviness, and fatigue and high work instability. The mean number of affected body regions among those at high risk of instability was 3.72 for pain, 2.60 for heaviness, and 2.66 for fatigue. Higher family income levels were associated with greater work instability. Furthermore, correlations were identified between musculoskeletal symptoms and work instability with individual variables such as body mass index and family income, as well as occupational characteristics including professional role, work shift, place of work, and weekly workload. Musculoskeletal symptoms were the main reported cause of absenteeism due to illness. Although 65.9% of participants were at high risk of work instability, no statistically significant association was found between work instability and absenteeism due to musculoskeletal symptoms. In conclusion, work instability levels among PHC nurses are high and are influenced by both individual and occupational factors. Musculoskeletal disorders are key contributors to absenteeism in this professional group. Early identification of work instability based on initial musculoskeletal symptoms is essential for implementing intervention strategies aimed at preserving work capacity and preventing work-related absences and dismissals. The findings of this study provide important insights for planning actions to promote the occupational health of nurses working in PHC.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPMarziale, Maria Helena PalucciSantos, Heloisa Ehmke Cardoso dos2025-09-10info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/22/22132/tde-11122025-172159/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2026-04-01T17:50:02Zoai:teses.usp.br:tde-11122025-172159Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212026-04-01T17:50:02Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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