Padrões ecológicos e funcionais em comunidades de peixes recifais ao longo de gradientes de profundidade em províncias biogeográficas do Atlântico

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: Souza, Julia Marx de
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41133/tde-18022025-182611/
Resumo: O Oceano Atlântico abriga distintas províncias biogeográficas, cuja diversidade é influenciada por barreiras naturais, como a vastidão do oceano, correntes marinhas, drenagens fluviais e gradientes de temperatura e profundidade. Essas barreiras moldam a distribuição e a composição das comunidades marinhas, levando ao surgimento de comunidades especializadas e endêmicas. Entre os ecossistemas presentes, os recifes mesofóticos, localizados entre 30 e 150 metros de profundidade, apresentam biodiversidade única. Apesar de sua relevância ecológica, esses ecossistemas permanecem subamostrados e estão cada vez mais sujeitos à impactos antrópicos, como pesca e mudanças climáticas. Assim, diversidade funcional surge como uma abordagem fundamental para compreender como as comunidades biológicas desempenham funções ecológicas e respondem às mudanças no ambiente, contribuindo para estratégias de conservação mais eficazes. Neste contexto, este estudo investiga, de forma inédita, como fatores biogeográficos, históricos e ambientais influenciam a distribuição de peixes ao longo do gradiente de profundidade. O estudo foi realizado em três províncias distintas: no Arquipélago de Fernando de Noronha (AFN) e Arquipélago de São Pedro & São Paulo (ASPSP), no Brasil; em Bermuda, Honduras e Curaçao, no Caribe; e em Cabo Verde, na África. No Brasil, os resultados destacaram diferenças marcantes entre as comunidades de peixes recifais das duas localidades estudadas. Enquanto AFN apresentou maior diversidade de espécies, ASPSP se destacou pela diversidade funcional, com comunidades caracterizadas por atributos únicos e especializações, especialmente em profundidades maiores. Isso evidencia como fatores ecológicos e biogeográficos moldam as comunidades de forma distinta. No ponto de vista mais amplo, considerando as três províncias estudadas, tanto a provincialidade quanto a profundidade foram fatores significativos na estruturação das comunidades de peixes recifais. Entretanto, enquanto a composição taxonômica revelou padrões de gradiente de profundidade independentes entre províncias, as análises de diversidade funcional indicaram que os atributos foram predominantemente influenciados pela profundidade. Esses resultados sugerem que a profundidade exerce um papel mais importante na variação dos aspectos funcionais das comunidades, enquanto a biogeografia influencia principalmente a distribuição das espécies. Esses achados ressaltam a importância dos processos evolutivos que moldam comunidades isoladas e profundas, reforçando a necessidade de estratégias de conservação que considerem a diversidade funcional nesses sistemas vulneráveis.
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spelling Padrões ecológicos e funcionais em comunidades de peixes recifais ao longo de gradientes de profundidade em províncias biogeográficas do AtlânticoEcological and functional patterns in reef fish communities along depth gradients in biogeographic provinces of the AtlanticDiversidade funcionalFunctional diversityIlhas oceânicasOceanic islandsProvíncia tropical AtlânticaTropical Atlantic ProvinceO Oceano Atlântico abriga distintas províncias biogeográficas, cuja diversidade é influenciada por barreiras naturais, como a vastidão do oceano, correntes marinhas, drenagens fluviais e gradientes de temperatura e profundidade. Essas barreiras moldam a distribuição e a composição das comunidades marinhas, levando ao surgimento de comunidades especializadas e endêmicas. Entre os ecossistemas presentes, os recifes mesofóticos, localizados entre 30 e 150 metros de profundidade, apresentam biodiversidade única. Apesar de sua relevância ecológica, esses ecossistemas permanecem subamostrados e estão cada vez mais sujeitos à impactos antrópicos, como pesca e mudanças climáticas. Assim, diversidade funcional surge como uma abordagem fundamental para compreender como as comunidades biológicas desempenham funções ecológicas e respondem às mudanças no ambiente, contribuindo para estratégias de conservação mais eficazes. Neste contexto, este estudo investiga, de forma inédita, como fatores biogeográficos, históricos e ambientais influenciam a distribuição de peixes ao longo do gradiente de profundidade. O estudo foi realizado em três províncias distintas: no Arquipélago de Fernando de Noronha (AFN) e Arquipélago de São Pedro & São Paulo (ASPSP), no Brasil; em Bermuda, Honduras e Curaçao, no Caribe; e em Cabo Verde, na África. No Brasil, os resultados destacaram diferenças marcantes entre as comunidades de peixes recifais das duas localidades estudadas. Enquanto AFN apresentou maior diversidade de espécies, ASPSP se destacou pela diversidade funcional, com comunidades caracterizadas por atributos únicos e especializações, especialmente em profundidades maiores. Isso evidencia como fatores ecológicos e biogeográficos moldam as comunidades de forma distinta. No ponto de vista mais amplo, considerando as três províncias estudadas, tanto a provincialidade quanto a profundidade foram fatores significativos na estruturação das comunidades de peixes recifais. Entretanto, enquanto a composição taxonômica revelou padrões de gradiente de profundidade independentes entre províncias, as análises de diversidade funcional indicaram que os atributos foram predominantemente influenciados pela profundidade. Esses resultados sugerem que a profundidade exerce um papel mais importante na variação dos aspectos funcionais das comunidades, enquanto a biogeografia influencia principalmente a distribuição das espécies. Esses achados ressaltam a importância dos processos evolutivos que moldam comunidades isoladas e profundas, reforçando a necessidade de estratégias de conservação que considerem a diversidade funcional nesses sistemas vulneráveis.The Atlantic Ocean hosts distinct biogeographic provinces, whose diversity is shaped by natural barriers, such as the open ocean, oceanographic currents, freshwater plumes by river discharges, and gradients of temperature and depth. These barriers influence the distribution and composition of marine communities, leading to the emergence of specialized and endemic communities. Among the ecosystems present, mesophotic reefs, located between 30 and 150 meters in depth, harbor unique biodiversity. Despite their ecological relevance, these ecosystems remain under-sampled and are increasingly subjected to anthropogenic impacts, such as fishing and climate change. In this context, functional diversity emerges as a key approach to understanding how biological communities and their ecological functions respond to environmental changes, contributing to more effective conservation strategies. This study, for the first time, investigates how biogeographic, historical, and environmental factors influence the distribution of reef fish along the depth gradient. The study was carried out across three distinct provinces: Fernando de Noronha Archipelago (FNA) and the São Pedro & São Paulo Archipelago (SPSPA) in Brazil, Bermuda, Honduras, and Curaçao in the Caribbean, and Cape Verde in Africa. In Brazil, the results highlighted marked differences between the reef fish communities of the two studied locations. While AFN exhibited higher species richness, ASPSP stood out for its functional diversity, with communities characterized by unique attributes and specializations, particularly at greater depths. This underscores how ecological and biogeographic factors shape communities in distinct ways. From a broader perspective, considering all three studied provinces, both provinciality and depth were significant factors in structuring reef fish communities. However, while taxonomic composition revealed independent depth gradient patterns across provinces, functional diversity analyses indicated that traits were predominantly influenced by depth. These results suggest that depth plays a more significant role in the variation of the functional aspects of communities, while biogeography primarily influences species distribution. These findings highlight the importance of evolutionary processes shaping isolated and deep communities and reinforce the need for conservation strategies that account for functional diversity in these vulnerable systems.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPPinheiro, Hudson TercioSouza, Julia Marx de2024-12-17info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/41/41133/tde-18022025-182611/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-02-19T20:54:01Zoai:teses.usp.br:tde-18022025-182611Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-02-19T20:54:01Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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