A inteligência artificial como instrumento de gestão de processo : limites e possibilidades de concretização do acesso à justiça

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2022
Autor(a) principal: Ventura, Nubia Regina
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USP
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2137/tde-26102022-102212/
Resumo: O cenário institucional do Poder Judiciário brasileiro tem sido de promoção do uso de diversas ferramentas tecnológicas, inclusive, de Inteligência Artificial (IA). Para esta tese, o foco foi a utilização de IA para a gestão dos processos repetitivos no Supremo Tribunal de Justiça (STJ). A pergunta que norteou esta pesquisa é a seguinte: de que forma, na seleção do processo paradigma e afetação dos recursos representativos de controvérsia por meio do sistema de IA Athos, o STJ tem promovido o acesso à justiça igualitário? A hipótese a ser testada é se o uso de IA pode aumentar as disparidades e vantagens existentes entre os litigantes habituais e ocasionais, considerando-se a etapa de escolha dos processos representativos de controvérsias (feito pela IA - Athos) um momento definidor da constituição da relação jurídica desigual entre os atores. A partir de uma discussão inicial sobre a relação entre os conceitos de tecnologia, acesso à justiça e desigualdades, a fim de denunciar consensos apenas aparentes sobre eles, passa-se ao estudo da litigância repetitiva e de suas características, com foco na figura do litigante habitual. Em seguida, há estudo dogmático sobre a etapa de afetação do recurso representativo de controvérsia. Posteriormente, aborda-se a atuação do STJ frente à litigância repetitiva e as soluções criadas para efetivar o adequado acesso à justiça, segundo conceitos da própria instituição e com foco no sistema Athos. Para tanto, foram realizadas entrevistas com oito servidores do STJ. Além disso, foram feitas análises dos dados disponíveis no site do STJ a respeito do uso do Athos e da etapa de afetação dos recursos representativos de controvérsia. As conclusões se dão no sentido de que, sendo o uso da IA bastante restrito, e as etapas humanas sendo ainda bastante relevantes, os limites e possibilidades da IA se dão sobre os limites e possibilidades da própria gestão institucional e da técnica dos repetitivos. É necessário um alinhamento do STJ sobre sua função e sobre a função dos repetitivos. Sem entendimento dos fins, a discussão dos meios fica prejudicada. Entendida nesse enfoque, a hipótese de que o uso de IA pode aumentar as desigualdades de acesso foi parcialmente comprovada, mas com diversos indícios contrários a ideia inicial, que reforçam positivamente a utilização de recursos tecnológicos frente a atual situação do Tribunal.
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A hipótese a ser testada é se o uso de IA pode aumentar as disparidades e vantagens existentes entre os litigantes habituais e ocasionais, considerando-se a etapa de escolha dos processos representativos de controvérsias (feito pela IA - Athos) um momento definidor da constituição da relação jurídica desigual entre os atores. A partir de uma discussão inicial sobre a relação entre os conceitos de tecnologia, acesso à justiça e desigualdades, a fim de denunciar consensos apenas aparentes sobre eles, passa-se ao estudo da litigância repetitiva e de suas características, com foco na figura do litigante habitual. Em seguida, há estudo dogmático sobre a etapa de afetação do recurso representativo de controvérsia. Posteriormente, aborda-se a atuação do STJ frente à litigância repetitiva e as soluções criadas para efetivar o adequado acesso à justiça, segundo conceitos da própria instituição e com foco no sistema Athos. Para tanto, foram realizadas entrevistas com oito servidores do STJ. Além disso, foram feitas análises dos dados disponíveis no site do STJ a respeito do uso do Athos e da etapa de afetação dos recursos representativos de controvérsia. As conclusões se dão no sentido de que, sendo o uso da IA bastante restrito, e as etapas humanas sendo ainda bastante relevantes, os limites e possibilidades da IA se dão sobre os limites e possibilidades da própria gestão institucional e da técnica dos repetitivos. É necessário um alinhamento do STJ sobre sua função e sobre a função dos repetitivos. Sem entendimento dos fins, a discussão dos meios fica prejudicada. Entendida nesse enfoque, a hipótese de que o uso de IA pode aumentar as desigualdades de acesso foi parcialmente comprovada, mas com diversos indícios contrários a ideia inicial, que reforçam positivamente a utilização de recursos tecnológicos frente a atual situação do Tribunal.The institutional scenario of the Brazilian Judiciary Power has been promoting the use of several technological tools, including Artificial Intelligence (AI). For this thesis, the focus was the use of AI for the management of repetitive processes in the STJ. The question that guided this research is: how, in selecting the paradigm process and allocating the resources representing controversy through the AI system Athos, has the STJ promoted access to egal- itarian justice? The hypothesis to be tested is whether using AI can increase the existing disparities and advantages between regular and occasional litigants, considering the stage of choosing the processes representing disputes (made by Athos) a defining moment of the constitution of the unequal legal relationship between the actors. From an initial discussion on the relationship between the concepts of technology, access to justice, and inequalities to denounce only apparent consensuses about them, the study of repetitive litigation and its characteristics, focusing on the figure of the usual litigator, is conducted. Then there is a dogmatic study on the stage of allocation of the representative resource of the dispute. Sub- sequently, the performance of the STJ in the face of repetitive litigation and the solutions created to implement adequate access to justice is discussed, according to the institution\'s concepts and with a focus on the Athos system. For so, eight servers of the STJ were inter- viewed. In addition, the data available on the Court\'s website regarding the use of Athos and the stage of allocation of the representative resource of the controversy were analyzed. The conclusions are in the sense that, as the use of AI is quite restricted, and the human stages are still quite relevant, the limits and possibilities of AI are based on the limits and possibil- ities of institutional management itself and the repetitive technique. An alignment of the Court on its role and the role of repetitive is necessary. Without understanding the ends, the discussion of the means is impaired. Understood in this approach, the hypothesis that the use of AI can increase inequalities of access was partially proven, but with several pieces of evidence contrary to the initial idea, which positively reinforce the use of technological resources given the current situation of the Court.Biblioteca Digitais de Teses e Dissertações da USPCosta, Susana Henriques daVentura, Nubia Regina2022-04-08info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/2/2137/tde-26102022-102212/reponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USPinstname:Universidade de São Paulo (USP)instacron:USPLiberar o conteúdo para acesso público.info:eu-repo/semantics/openAccesspor2025-01-31T18:11:15Zoai:teses.usp.br:tde-26102022-102212Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://www.teses.usp.br/PUBhttp://www.teses.usp.br/cgi-bin/mtd2br.plvirginia@if.usp.br|| atendimento@aguia.usp.br||virginia@if.usp.bropendoar:27212025-01-31T18:11:15Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da USP - Universidade de São Paulo (USP)false
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