O programa nacional de escolas cívico-militares como dispositivo de militarização da vida : securitização pedagógica e criminalização de infâncias e juventudes populares
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Orientador(a): | |
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| Tipo de documento: | Tese |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul
Escola de Direito Brasil PUCRS Programa de Pós-Graduação em Ciências Criminais |
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/11752 |
Resumo: | A presente tese examina o Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (PECIM) como um dispositivo de militarização da vida, com foco na securitização das práticas pedagógicas e suas implicações na criminalização de infâncias e juventudes das classes populares. A pesquisa, fundamentada a partir do debate biopolítico em Michel Foucault e subsidiada pelos aportes teóricos de outros autores, como Gilles Deleuze e Giorgio Agamben, busca compreender como o PECIM materializa uma lógica neoliberal autoritária que militariza o espaço escolar, impactando a gestão educacional, o currículo e as interações sociais no âmbito das escolas públicas brasileiras.Nesse sentido, o objetivo geral consistiu em investigar como o PECIM se configura como mecanismo de militarização da vida, articulado por meio de práticas de securitização inseridas no contexto pedagógico. Especificamente, busca-se justificar a defesa da escola pública contra a militarização, discutir a inserção da biopolítica no campo educacional e analisar as conexões entre neoliberalismo, autoritarismo e militarização, com especial atenção para seus impactos sobre populações marginalizadas. Assim, os principais resultados apontam que o PECIM reforça uma governamentalidade neoliberal autoritária, promovendo a normalização de comportamentos e a produção de subjetividades conformistas, dóceis e obedientes. Um dos aspectos mais evidentes é a implementação de uma surveillance pedagógica, que consiste no uso de mecanismos de controle no interior do ambiente escolar. Essa vigilância se expressa na imposição de um regime disciplinar rígido, que normatiza a conduta dos alunos, suprimindo quaisquer formas de resistência ou contestação. Dessa forma, as escolas cívico-militares (ECIM) têm inserido práticas de securitização para além da organização militar, estabelecendo um ethos escolar onde controle e vigilância contínuos se tornam instrumentos centrais para a formação dos estudantes, a partir de um manejo específico das políticas e dos processos de subjetivação na escola. Nestes termos, o trabalho denuncia que o PECIM não apenas contribui para a militarização do cotidiano escolar, mas também para a criação de uma pedagogia securitária, a partir da securitização de práticas pedagógicas que legitimam o controle, a vigilância e o hiperdisciplinamento sobre corpos historicamente marginalizados. Além disso, indica que o PECIM contribui para a reprodução e, portanto, para a manutenção de desigualdades sociais, estereótipos de gênero, classe e raça, ao reforçar uma lógica excludente que marginaliza os estudantes que não são capazes de se adequar ao modelo militarizado imposto. A tese conclui que o PECIM, ao militarizar o cotidiano escolar, legitima uma pedagogia autoritária e securitizada que regula e normatiza os comportamentos no espaço educacional, com vistas à normalização do militarismo no interior do campo educacional – o que faz o PECIM distanciar-se de uma proposta pedagógica inclusiva e democrática para consolidar uma estrutura educacional excludente, em face das populações mais vulneráveis que frequentam as escolas públicas. |
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O programa nacional de escolas cívico-militares como dispositivo de militarização da vida : securitização pedagógica e criminalização de infâncias e juventudes popularesEscolas Cívico-MilitaresMilitarização da EducaçãoNeoliberalismo AutoritárioSurveillance PedagógicaSecuritização das Práticas PedagógicasCivic-Military SchoolsMilitarization of EducationAuthoritarian NeoliberalismPedagogical SurveillanceSecuritization of Pedagogical PracticesCIENCIAS SOCIAIS APLICADAS::DIREITOA presente tese examina o Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (PECIM) como um dispositivo de militarização da vida, com foco na securitização das práticas pedagógicas e suas implicações na criminalização de infâncias e juventudes das classes populares. A pesquisa, fundamentada a partir do debate biopolítico em Michel Foucault e subsidiada pelos aportes teóricos de outros autores, como Gilles Deleuze e Giorgio Agamben, busca compreender como o PECIM materializa uma lógica neoliberal autoritária que militariza o espaço escolar, impactando a gestão educacional, o currículo e as interações sociais no âmbito das escolas públicas brasileiras.Nesse sentido, o objetivo geral consistiu em investigar como o PECIM se configura como mecanismo de militarização da vida, articulado por meio de práticas de securitização inseridas no contexto pedagógico. Especificamente, busca-se justificar a defesa da escola pública contra a militarização, discutir a inserção da biopolítica no campo educacional e analisar as conexões entre neoliberalismo, autoritarismo e militarização, com especial atenção para seus impactos sobre populações marginalizadas. Assim, os principais resultados apontam que o PECIM reforça uma governamentalidade neoliberal autoritária, promovendo a normalização de comportamentos e a produção de subjetividades conformistas, dóceis e obedientes. Um dos aspectos mais evidentes é a implementação de uma surveillance pedagógica, que consiste no uso de mecanismos de controle no interior do ambiente escolar. Essa vigilância se expressa na imposição de um regime disciplinar rígido, que normatiza a conduta dos alunos, suprimindo quaisquer formas de resistência ou contestação. Dessa forma, as escolas cívico-militares (ECIM) têm inserido práticas de securitização para além da organização militar, estabelecendo um ethos escolar onde controle e vigilância contínuos se tornam instrumentos centrais para a formação dos estudantes, a partir de um manejo específico das políticas e dos processos de subjetivação na escola. Nestes termos, o trabalho denuncia que o PECIM não apenas contribui para a militarização do cotidiano escolar, mas também para a criação de uma pedagogia securitária, a partir da securitização de práticas pedagógicas que legitimam o controle, a vigilância e o hiperdisciplinamento sobre corpos historicamente marginalizados. Além disso, indica que o PECIM contribui para a reprodução e, portanto, para a manutenção de desigualdades sociais, estereótipos de gênero, classe e raça, ao reforçar uma lógica excludente que marginaliza os estudantes que não são capazes de se adequar ao modelo militarizado imposto. A tese conclui que o PECIM, ao militarizar o cotidiano escolar, legitima uma pedagogia autoritária e securitizada que regula e normatiza os comportamentos no espaço educacional, com vistas à normalização do militarismo no interior do campo educacional – o que faz o PECIM distanciar-se de uma proposta pedagógica inclusiva e democrática para consolidar uma estrutura educacional excludente, em face das populações mais vulneráveis que frequentam as escolas públicas.This thesis examines the National Program of Civic-Military Schools (PECIM) as a dispositif of the militarization of life, focusing on the securitization of pedagogical practices and its implications for the criminalization of childhood and youth from working-class backgrounds. Grounded in the biopolitical debate initiated by Michel Foucault and supported by the theoretical contributions of scholars such as Gilles Deleuze and Giorgio Agamben, the research seeks to understand how PECIM materializes an authoritarian neoliberal logic that militarizes the school space, impacting educational management, curricula, and social interactions within Brazilian public schools. In this sense, the general objective is to investigate how PECIM functions as a mechanism of the militarization of life, articulated through securitization practices embedded in the pedagogical context. Specifically, the study aims to justify the defense of public schools against militarization, discuss the insertion of biopolitics into the educational field, and analyze the connections between neoliberalism, authoritarianism, and militarization, with special attention to their impact on marginalized populations. The main findings indicate that PECIM reinforces an authoritarian neoliberal governmentality, promoting the normalization of behaviors and the production of conformist, docile, and obedient subjectivities. One of the most evident aspects is the implementation of pedagogical surveillance, which consists of the use of control mechanisms within the school environment. This surveillance is expressed in the imposition of a rigid disciplinary regime that regulates students' conduct, suppressing any forms of resistance or contestation. Thus, civic-military schools (ECIM) have incorporated securitization practices beyond military organization, establishing a school ethos in which continuous control and surveillance become central instruments for shaping students through a specific management of policies and subjectivation processes in schools. In these terms, the study denounces that PECIM not only contributes to the militarization of everyday school life but also to the creation of a securitarian pedagogy, in which the securitization of pedagogical practices legitimizes control, surveillance, and hyper-disciplinarity over historically marginalized bodies. Moreover, the research indicates that PECIM contributes to the reproduction – and thus the perpetuation – of social inequalities, as well as gender, class, and racial stereotypes, reinforcing an exclusionary logic that marginalizes students who fail to conform to the imposed militarized model. The thesis concludes that, by militarizing school life, PECIM legitimizes an authoritarian and securitized pedagogy that regulates and normalizes behaviors within the educational space, aiming at the normalization of militarism in the educational field. Consequently, PECIM distances itself from an inclusive and democratic pedagogical proposal, consolidating an exclusionary educational structure that disproportionately affects the most vulnerable populations attending public schools.Conselho Nacional de Pesquisa e Desenvolvimento Científico e Tecnológico - CNPqPontifícia Universidade Católica do Rio Grande do SulEscola de DireitoBrasilPUCRSPrograma de Pós-Graduação em Ciências CriminaisAmaral, Augusto Jobim dohttp://lattes.cnpq.br/4048832153516187Ferraro, José Luís Schifino2025-08-07T18:48:17Z2025-03-20info:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfhttps://tede2.pucrs.br/tede2/handle/tede/11752porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RSinstname:Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)instacron:PUC_RS2025-08-07T23:00:16Zoai:tede2.pucrs.br:tede/11752Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://tede2.pucrs.br/tede2/PRIhttps://tede2.pucrs.br/oai/requestbiblioteca.central@pucrs.br||opendoar:2025-08-07T23:00:16Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da PUC_RS - Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)false |
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A presente tese examina o Programa Nacional de Escolas Cívico-Militares (PECIM) como um dispositivo de militarização da vida, com foco na securitização das práticas pedagógicas e suas implicações na criminalização de infâncias e juventudes das classes populares. A pesquisa, fundamentada a partir do debate biopolítico em Michel Foucault e subsidiada pelos aportes teóricos de outros autores, como Gilles Deleuze e Giorgio Agamben, busca compreender como o PECIM materializa uma lógica neoliberal autoritária que militariza o espaço escolar, impactando a gestão educacional, o currículo e as interações sociais no âmbito das escolas públicas brasileiras.Nesse sentido, o objetivo geral consistiu em investigar como o PECIM se configura como mecanismo de militarização da vida, articulado por meio de práticas de securitização inseridas no contexto pedagógico. Especificamente, busca-se justificar a defesa da escola pública contra a militarização, discutir a inserção da biopolítica no campo educacional e analisar as conexões entre neoliberalismo, autoritarismo e militarização, com especial atenção para seus impactos sobre populações marginalizadas. Assim, os principais resultados apontam que o PECIM reforça uma governamentalidade neoliberal autoritária, promovendo a normalização de comportamentos e a produção de subjetividades conformistas, dóceis e obedientes. Um dos aspectos mais evidentes é a implementação de uma surveillance pedagógica, que consiste no uso de mecanismos de controle no interior do ambiente escolar. Essa vigilância se expressa na imposição de um regime disciplinar rígido, que normatiza a conduta dos alunos, suprimindo quaisquer formas de resistência ou contestação. Dessa forma, as escolas cívico-militares (ECIM) têm inserido práticas de securitização para além da organização militar, estabelecendo um ethos escolar onde controle e vigilância contínuos se tornam instrumentos centrais para a formação dos estudantes, a partir de um manejo específico das políticas e dos processos de subjetivação na escola. Nestes termos, o trabalho denuncia que o PECIM não apenas contribui para a militarização do cotidiano escolar, mas também para a criação de uma pedagogia securitária, a partir da securitização de práticas pedagógicas que legitimam o controle, a vigilância e o hiperdisciplinamento sobre corpos historicamente marginalizados. Além disso, indica que o PECIM contribui para a reprodução e, portanto, para a manutenção de desigualdades sociais, estereótipos de gênero, classe e raça, ao reforçar uma lógica excludente que marginaliza os estudantes que não são capazes de se adequar ao modelo militarizado imposto. A tese conclui que o PECIM, ao militarizar o cotidiano escolar, legitima uma pedagogia autoritária e securitizada que regula e normatiza os comportamentos no espaço educacional, com vistas à normalização do militarismo no interior do campo educacional – o que faz o PECIM distanciar-se de uma proposta pedagógica inclusiva e democrática para consolidar uma estrutura educacional excludente, em face das populações mais vulneráveis que frequentam as escolas públicas. |
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