IBIRI-ki: gesto-costura para outras imaginações

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2025
Autor(a) principal: PONTES, Ana Carolina Pedrosa lattes
Orientador(a): Santos, Lívia Maria Natália de Souza lattes
Banca de defesa: Pereira, Lia Krucken, Oliveira, Eduardo David de, Miranda, Fernanda Rodrigues de, Costa, Suzane Lima, Santos, Lívia Maria Natália de Souza
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal da Bahia
Programa de Pós-Graduação: Pós-Graduação em Literatura e Cultura (PPGLITCULT) 
Departamento: Instituto de Letras
País: Brasil
Palavras-chave em Português:
Área do conhecimento CNPq:
Link de acesso: https://repositorio.ufba.br/handle/ri/41296
Resumo: O que chamo aqui de IBIRI-ki é método, procedimento, um gesto poético, literário, de retorno à memória (vivente e ancestre) e também de quebra, na medida em que, o próprio movimento de retorno gera outras dobras, na linguagem e sentidos. Parto da poética das minhas próprias confissões e das minhas linhas avós, relacionando a iniciação para a Vodun Nanã à uma busca de outras noções de cura, que nascem de outros modos de existir e sistemas de interpretação e podem gerar outras vinculações à vida. Aprendi a escrever junto dos convivas da saúde mental antimanicomial, portanto, pensar a linguagem e criação junto do paradigma adoecimento x saúde mental, desde outras perspectivas de mundo, é para mim uma urgência. As poéticas artevida de Stella do Patrocínio e Dona Zôi, duas mulheres negras que tiveram suas vidas interceptadas – de formas distintas, respectivamente, no manicômio e no cuidado em liberdade – pelo sofrimento mental e estigma social da mente, se fazem sustentação teórica, fundamento dessa pesquisa. No encontro proposto entre os trânsitos desde o chão em que fui plantada, com a poesia encarnada de Stella e Dona Zôi e com a mitopoética de Nanã, seu instrumento, o Ibiri, se funde ao Oriki, um gênero literário dos povos Yorubás, nos instrumentalizando nos caminhos de costura dessa pesquisa e, estabelecendo, na própria forma, outros relevos, geografias, paisagens e imaginações. O Oriki dá verso aos nomes, pessoas e coisas, ao que é vivo e vida produz. São versos simples, como gestos poéticos, pequenas narrativas, que, juntando seus fragmentos descritivos e suas histórias maiores por detrás das curtas palavras, atuam junto da ancestralidade do poema, do não dito, do imponderável. O Ibiri é o instrumento que gestualiza os domínios e a dança de Nanã, o retorno, quebra, decantação e ressignificação das movências da linguagem, assim como da vida, em contradição com a mortificação imposta pelo estigma da loucura. O Ibiri-ki se dá, assim, como um operador teórico-conceitual, tecendo encontros, em linhas múltiplas, que aqui partem da criação visual e audiovisual presentes na tese, como nascedouro da escrita, e que também estabelece em si o que estou compreendo como Metodologia da Encruzilhada, um modo de investigação dado pela pesquisa e tecido não somente pelo encontro dessas linhas, mas pelas quimeras – os processos de hibridização poética entre elas. A pesquisa nasce do estudo de linguagens como terreno fecundo, atravessa e é atravessada por uma análise sociogênica e contracolonial e se reconhece sobre o ramo da imaginação radical. Outras noções fundamentais são também lançadas, como flechas, como performance do soerguimento ou puxadas teóricas. Partimos da pergunta, se seria possível lidarmos com o sofrimento mental, pensando-o desde a cultura, desde outras formas de imaginação e acabamos por manejar uma malha de possibilidades que se entrelaçam para nos apontar que voltemos à terra, à cabaça, ao plantio, à diversidade das formas e modos, à expansão da vida, em um movimento de contrafluxo ao mundo como um manicômio.
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As poéticas artevida de Stella do Patrocínio e Dona Zôi, duas mulheres negras que tiveram suas vidas interceptadas – de formas distintas, respectivamente, no manicômio e no cuidado em liberdade – pelo sofrimento mental e estigma social da mente, se fazem sustentação teórica, fundamento dessa pesquisa. No encontro proposto entre os trânsitos desde o chão em que fui plantada, com a poesia encarnada de Stella e Dona Zôi e com a mitopoética de Nanã, seu instrumento, o Ibiri, se funde ao Oriki, um gênero literário dos povos Yorubás, nos instrumentalizando nos caminhos de costura dessa pesquisa e, estabelecendo, na própria forma, outros relevos, geografias, paisagens e imaginações. O Oriki dá verso aos nomes, pessoas e coisas, ao que é vivo e vida produz. São versos simples, como gestos poéticos, pequenas narrativas, que, juntando seus fragmentos descritivos e suas histórias maiores por detrás das curtas palavras, atuam junto da ancestralidade do poema, do não dito, do imponderável. O Ibiri é o instrumento que gestualiza os domínios e a dança de Nanã, o retorno, quebra, decantação e ressignificação das movências da linguagem, assim como da vida, em contradição com a mortificação imposta pelo estigma da loucura. O Ibiri-ki se dá, assim, como um operador teórico-conceitual, tecendo encontros, em linhas múltiplas, que aqui partem da criação visual e audiovisual presentes na tese, como nascedouro da escrita, e que também estabelece em si o que estou compreendo como Metodologia da Encruzilhada, um modo de investigação dado pela pesquisa e tecido não somente pelo encontro dessas linhas, mas pelas quimeras – os processos de hibridização poética entre elas. A pesquisa nasce do estudo de linguagens como terreno fecundo, atravessa e é atravessada por uma análise sociogênica e contracolonial e se reconhece sobre o ramo da imaginação radical. Outras noções fundamentais são também lançadas, como flechas, como performance do soerguimento ou puxadas teóricas. Partimos da pergunta, se seria possível lidarmos com o sofrimento mental, pensando-o desde a cultura, desde outras formas de imaginação e acabamos por manejar uma malha de possibilidades que se entrelaçam para nos apontar que voltemos à terra, à cabaça, ao plantio, à diversidade das formas e modos, à expansão da vida, em um movimento de contrafluxo ao mundo como um manicômio.What I name IBIRI-ki here is a method, procedure, a poetic, literary gesture of return to memory (living and ancestral) and also of breaking, to the extent that as the movement of return itself generates other folds, in language and senses. I start from the poetics of my own confessions and my grandparents' lines, relating the initiation into Vodun Nanã to a search for other notions of healing, which arise from other ways of existing and systems of interpretation and can generate other connections to life. I learned to write together the anti-asylum mental health community, so think about language and creation within the illness x mental health paradigm, from other perspectives of the world, is urgent for me. The poetic artlife of Stella do Patrocínio and Dona Zôi, two black women who had their lives intercepted – in different ways, respectively, in the asylum and in care in freedom – due to mental suffering and social stigma of the mind, provide theoretical support, the foundation of this search. In the proposed meeting between the transits from the ground on which I was planted, with the embodied poetry of Stella and Dona Zôi and with the mythopoetics of Nanã, her instrument, the Ibiri, merges with Oriki, a literary genre of the Yoruba people, instrumentalizing us in the sewing paths of this research and, establishing, in the form itself, other reliefs, geographies, landscapes and imaginations. Oriki gives verse to names, people and things, to what is alive and life produces. They are simple verses, as a poetic gestures, small narratives, which, bringing together their descriptive fragments and their larger stories behind the short words, act together with the ancestry of the poem, the unsaid, the imponderable. The Ibiri is the instrument that gestures Nanã's domains and dance, the return, break, decantation and resignification of the movements of language, as well as of life, in contradiction with the mortification imposed by the stigma of madness. Ibiri-ki as a theoretical-conceptual operator, weaving encounters, in multiple lines, which here start from the visual and audiovisual creation present in the thesis, as the birthplace of writing, and which also establishes in itself what I understand. as Crossroads Methodology, a mode of investigation given by research and woven not only by the meeting of these lines, but by the chimeras – the processes of poetic hybridization between them. The research is born from the study of languages as a fertile ground, crosses and is crossed by a sociogenic and countercolonial analysis and recognizes as part of the radical imagination. Other fundamental notions are also launched, like arrows, such as uplift performance or theoretical pulls. We start from the question, whether it would be possible to deal with mental suffering, thinking about it from culture, from other forms of imagination and we end up managing a network of possibilities that intertwine to point us back to the land, to the gourd, to planting, to the diversity of forms and modes, to the expansion of life, in a counterflow movement to the world as an asylum.Bolsa Milton Santos de Pesquisa, Criação e Inovação (PROPCI/PROPG/UFBA)porUniversidade Federal da BahiaPós-Graduação em Literatura e Cultura (PPGLITCULT) UFBABrasilInstituto de LetrasIBIRI-kiCrossroads MethodologyStella do PatrocínioDona Zôianti-asylum artCNPQ::LINGUISTICA, LETRAS E ARTESIBIRI-kiMetodologia da EncruzilhadaStella do PatrocínioDona Zôiarte antimanicomialIBIRI-ki: gesto-costura para outras imaginaçõesIBIRI-ki: sewing-gesture for other imaginationsDoutoradoinfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisinfo:eu-repo/semantics/publishedVersionSantos, Lívia Maria Natália de Souzahttp://lattes.cnpq.br/2528662239547111Pereira, Lia KruckenOliveira, Eduardo David deMiranda, Fernanda Rodrigues deCosta, Suzane LimaSantos, Lívia Maria Natália de Souza0000-0001-7771-3867http://lattes.cnpq.br/7936930776870499PONTES, Ana Carolina Pedrosainfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Repositório Institucional da UFBAinstname:Universidade Federal da Bahia (UFBA)instacron:UFBAORIGINALIBIRI-ki_Ana Pedrosa_tese completa_2025.pdfIBIRI-ki_Ana Pedrosa_tese completa_2025.pdfT-AnaCarolinaapplication/pdf7976050https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/41296/1/IBIRI-ki_Ana%20Pedrosa_tese%20completa_2025.pdfa3bfb4f83c8091e1ef17e60ed9fb1010MD51open accessLICENSElicense.txtlicense.txttext/plain1720https://repositorio.ufba.br/bitstream/ri/41296/2/license.txtd9b7566281c22d808dbf8f29ff0425c8MD52open accessri/412962025-02-20 00:27:31.679open accessoai:repositorio.ufba.br:ri/41296TElDRU7Dh0EgREUgRElTVFJJQlVJw4fDg08gTsODTy1FWENMVVNJVkEKCkNvbSBhIGFwcmVzZW50YcOnw6NvIGRlc3RhIGxpY2Vuw6dhLCBvIGF1dG9yIG91IHRpdHVsYXIgZG9zIGRpcmVpdG9zIGRlIGF1dG9yIGNvbmNlZGUgYW8gUmVwb3NpdMOzcmlvIEluc3RpdHVjaW9uYWwgbyBkaXJlaXRvIG7Do28tZXhjbHVzaXZvIGRlIHJlcHJvZHV6aXIsIHRyYWR1emlyIChjb25mb3JtZSBkZWZpbmlkbyBhYmFpeG8pIGUvb3UgZGlzdHJpYnVpciBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gKGluY2x1aW5kbyBvIHJlc3Vtbykgbm8gZm9ybWF0byBpbXByZXNzbyBlL291IGVsZXRyw7RuaWNvIGUgZW0gcXVhbHF1ZXIgbWVpbywgaW5jbHVpbmRvIG9zIGZvcm1hdG9zIMOhdWRpbyBlL291IHbDrWRlby4KCk8gYXV0b3Igb3UgdGl0dWxhciBkb3MgZGlyZWl0b3MgZGUgYXV0b3IgY29uY29yZGEgcXVlIG8gUmVwb3NpdMOzcmlvIHBvZGUsIHNlbSBhbHRlcmFyIG8gY29udGXDumRvLCB0cmFuc3BvciBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gcGFyYSBxdWFscXVlciBtZWlvIGUvb3UgZm9ybWF0byBwYXJhIGZpbnMgZGUgcHJlc2VydmHDp8OjbywgcG9kZW5kbyBtYW50ZXIgbWFpcyBkZSB1bWEgY8OzcGlhIHBhcmEgZmlucyBkZSBzZWd1cmFuw6dhLCBiYWNrdXAgZSBwcmVzZXJ2YcOnw6NvLiAKCk8gYXV0b3Igb3UgdGl0dWxhciBkb3MgZGlyZWl0b3MgZGUgYXV0b3IgZGVjbGFyYSBxdWUgYSBzdWEgcHVibGljYcOnw6NvIMOpIG9yaWdpbmFsIGUgcXVlIG7Do28sIHF1ZSBzZWphIGRlIHNldSBjb25oZWNpbWVudG8sIGluZnJpbmdlIGRpcmVpdG9zIGF1dG9yYWlzIGRlIG5pbmd1w6ltLgoKQ2FzbyBhIHN1YSBwdWJsaWNhw6fDo28gY29udGVuaGEgbWF0ZXJpYWwgcXVlIG7Do28gcG9zc3VpIGEgdGl0dWxhcmlkYWRlIGRvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcywgdm9jw6ogZGVjbGFyYSBxdWUgb2J0ZXZlIGEgcGVybWlzc8OjbyBpcnJlc3RyaXRhIGRvIGRldGVudG9yIGRvcyBkaXJlaXRvcyBhdXRvcmFpcyBwYXJhIGNvbmNlZGVyIGFvIFJlcG9zaXTDs3JpbyBvcyBkaXJlaXRvcyBhcHJlc2VudGFkb3MgbmVzdGEgbGljZW7Dp2EgZSBxdWUgZXNzZSBtYXRlcmlhbCBkZSBwcm9wcmllZGFkZSBkZSB0ZXJjZWlyb3MgZXN0w6EgY2xhcmFtZW50ZSBpZGVudGlmaWNhZG8gZSByZWNvbmhlY2lkbyBubyB0ZXh0byBvdSBubyBjb250ZcO6ZG8gZGEgcHVibGljYcOnw6NvIG9yYSBkZXBvc2l0YWRhLgoKQ0FTTyBBIFBVQkxJQ0HDh8ODTyBPUkEgREVQT1NJVEFEQSBSRVNVTFRFIERFIFVNIFBBVFJPQ8ONTklPIE9VIEFQT0lPIERFIFVNQSBBR8OKTkNJQSBERSBGT01FTlRPIE9VIE9VVFJPIE9SR0FOSVNNTywgVk9Dw4ogREVDTEFSQSBRVUUgUkVTUEVJVE9VIFRPRE9TIEUgUVVBSVNRVUVSIERJUkVJVE9TIERFIFJFVklTw4NPLCBDT01PIFRBTULDiU0gQVMgREVNQUlTIE9CUklHQcOHw5VFUyBFWElHSURBUyBQT1IgQ09OVFJBVE8gT1UgQUNPUkRPLgoKTyBSZXBvc2l0w7NyaW8gc2UgY29tcHJvbWV0ZSBhIGlkZW50aWZpY2FyLCBjbGFyYW1lbnRlLCBvIChzKSBzZXUocykgbm9tZSAocykgb3UgbyAocykgbm9tZSAocykgZG8gKHMpIGRldGVudG9yIChlcykgZG9zIGRpcmVpdG9zIGF1dG9yYWlzIGRhIHB1YmxpY2HDp8OjbyBlIG7Do28gZmFyw6EgcXVhbHF1ZXIgYWx0ZXJhw6fDo28sIGFsw6ltIGRhcXVlbGFzIGNvbmNlZGlkYXMgcG9yIGVzdGEgbGljZW7Dp2EuCg==Repositório InstitucionalPUBhttps://repositorio.ufba.br/oai/requestrepositorio@ufba.bropendoar:19322025-02-20T03:27:31Repositório Institucional da UFBA - Universidade Federal da Bahia (UFBA)false
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