A produção de sisal na Paraíba: o município de Cuité: um estudo de caso.
| Ano de defesa: | 1987 |
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| Autor(a) principal: | |
| Orientador(a): | |
| Banca de defesa: | |
| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
| Instituição de defesa: |
Universidade Federal de Campina Grande
Brasil Centro de Humanidades - CH PÓS-GRADUAÇÃO EM ECONOMIA RURAL E REGIONAL UFCG |
| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
Não Informado pela instituição
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| País: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/2819 |
Resumo: | A investigação sobre as condições de existência e perspectivas da atividade sisaleira do município paraibano de Cuité, realiza da neste estudo, foi possível com a abordagem priorizada: partindo de uma visão geral da economia, ou seja, dentro da própria lógica de expansão do capital para em seguida efetuarmos a análise do caso particular do município sisaleiro de Cuité. No caso de nosso sistema agrário, ele insere - se no capitalismo mundial do com fortes traços de dependência e acentuada desigualdade dos agentes econômicos, sociais e políticos• Os rumos que nortearam o desenvolvimento da agricultura brasileira , nas últimas décadas, têm conduzido a mudanças significativas na sua composição e na maior utilização de insumos e equipamentos de origem industrial e de trabalho assalariado. No entanto , a estrutura social tem-se caracterizado por grande mobilidade nas posições dos diferentes agentes sociais, como expressão da grande vitalidade demonstrada pelo capitalismo brasileiro. A pauperização de parte importante dos pequenos produtores tradicionais e sua constante proletarização as constantes modificações nas relações de produção nas grandes propriedades e a ocupação de novas áreas tem conduzido a modificações drásticas no perfil da e strutura de classe . Entretanto as mudanças técnico-quantitativa evidenciadas recentemente incentivam o latifundismo e a monocultura comercial , como forma de garantir altas rendas e super — lucros , a uma minoria que controla o circuito reprodutivo agrário: complexo latifúndio-agroindústria-bancos. Concomitante , aumentou a falta de terra, de trabalho e de meios elementares de vida para a grande maioria da população rural. A nível interno regional , as condições de implementação e valorização do capital obedecem à mesma lógica expansionista , só que acentuadamente agravadas . Enquanto que no Nordeste em função de sua posição marginal e subordinada na divisão nacional do trabalho. De acordo com interesse e determinações do capital, as atividades agrícolas tradicionais exercem funções de fornecimento de matéria-prima e de composição do exército de reserva, fundamentais ao processo de acumulação capitalista. Nesse contexto, a atividade sisaleira insere - se de forma subordinada e determinada pela lógica dominante do capitalismo . Por tratar-se de uma agricultura especulativa de mercado, está constantemente em crise ora pelos baixos rendimentos por hectare,ora pelas baixas cotações no mercado nacional e internacional . Tais flutuações de mercado influenciam de forma direta a dinâmica da produção interna. 0 mercado internacional delimita e orienta o comportamento econômico dos exportadores e, por extensão, a situação dos "agentes econômicos" envolvidos com a atividade sisaleira . Dentro desta linha de análise, ressalta - se a frágil posição concorrencial do Brasil , apesar de ser o principal exportador de fibras e derivados, detêm diminuta interferência na formação do preço internacional, que é afetado pelos concorrentes de origem sintética, e pelos oligopsônios Essa estrutura de domínio/dependência com relação ao mercado mundial , e um dos fenômenos condicionantes da crise e da vulnerabilidade da sisalicultura brasileira ; que associado aos baixos preços reais do produto, ao baixo dinamismo do mercado interno quanto ao aproveitamento de subprodutos, junto às defeituosas estruturas de comercialização e de financiamento e às discriminatórias politicas oficiais, fazem com que a atividade sisaleira paraibana (e brasileira ) se mantenha numa situação de "penúria" e debilidade permanente. Afim de procedermos à uma análise da produção sisaleira paraibana, especificamente do município sisaleiro de Cuité, efetuamos uma pesquisa direta junto a 50 produtores das categorias pequeno (32 = 6 4 % ) , médio (12 = 24%+ e grande (6 = 1 2 % ). Nosso trabalho coincidiu com mais uma fase negativa do setor, notadamente manifestadamente ao nível do produtor, com baixos preços reais do seu produto. A cultura sisaleira ê realizada por diversas categorias de produtores, englobando desde pequenas até grandes unidades produtivas. No caso especifico do sisal, verifica - se que so podem dedicar - se a essa cultura os produtores que detenham certa estrutura econômica - financeira que lhes permita custear as despesas do período de produção, incluído o de beneficiamento ( desfibragem ) . Sendo um produto de ciclo longo ( entre o plantio e o primeiro corte transcorrem em média 4 anos, o que torna esta atividade inviável para produtores sem terra própria) o que basicamente interessa é o desempenho e retorno de longo prazo, e nisso há de se convir que a atividades sisaleira apresenta boas perspectivas para os produtores. De acordo com a pesquisa de campo, 86% dos 50 entrevistados responderam que acreditava na tendência altista dos preços do sisal. Por outro lado, 52% dos entrevistados pretendem aumentar a área com sisal, 22% manter a mesma área, 16% renovar os campos, apenas 10% pensa em diminuir a área de sisal. Então, basicamente , pode-se ler , por trás destas respostas, que ê a lógica do lucro a que está claramente por trás desta atividade econômica. No entendimento dos podutores de sisal o principal fator que limita o desenvolvimento (expansão) da cultura é o seu preço ( 8 0 % ), considerando nesse momento como não remunerador , e as dificuldades para obtenção de financiamento 58%. A terceira parte ( 36 % ) atribui obstáculos à deficiência e custo de mão-de-obra, e em menor escala dificuldade de acesso a "motor " (1 0 % ) e baixo produtividade ( 6 % ). Isto para nos, vem comprovaras a seletividade dos produtos com capacidade para envolver - se nessa atividade. A demanda limitada existente no mercado internacional , e a deterioração do preço do produto, associado ao atraso têcnico-econômico da cultura , conduz para que a lavoura sisaleira apresente- se corno uma problemática de grande gravidade. Em função deste contexto, os produtores sisaleiros têm-se mobilizado e reinvidicado a participação do governo através da concessão de financiamentos a longo prazo (54% dos entrevistados) tanto para plantio como para recuperação de campos. Similar atitude revelamos que pleiteiam o aumento do preço da fibra seca (3 6 % ), ou outras medidas mencionadas esporadicamente (empréstimos altamente subsidiados, garantia de preços mínimos elevados, financiamentos para custeio agrícola em geral, créditos especiais para as cooperativas). Por conseguinte, a analise permite concluir que a cultura do sisal depende necessariamente de uma decisão política, quanto à possibilidades de expansão da produção (e da cultura) em que o Estado optasse por incentivar uma agritípica de áreas secas, associado ao fato de que, apresenta- se responsável pela geração de emprego para imensos contingentes populacionais do semi-árido paraibano. |
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A produção de sisal na Paraíba: o município de Cuité: um estudo de caso.The production of sisal in Paraíba: the municipality of Cuité a case study.Cultivo do SisalSisal FarmingEconomia RuralRural EconomyCurimataú ParaibanoEstrutura FundiáriaLand StructureEstructura del TerrenoPrecipitação PluviométricaLluviaRainfallMunicípio de Cuité - PBMunicipality of Cuité - PBEconomiaA investigação sobre as condições de existência e perspectivas da atividade sisaleira do município paraibano de Cuité, realiza da neste estudo, foi possível com a abordagem priorizada: partindo de uma visão geral da economia, ou seja, dentro da própria lógica de expansão do capital para em seguida efetuarmos a análise do caso particular do município sisaleiro de Cuité. 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Entretanto as mudanças técnico-quantitativa evidenciadas recentemente incentivam o latifundismo e a monocultura comercial , como forma de garantir altas rendas e super — lucros , a uma minoria que controla o circuito reprodutivo agrário: complexo latifúndio-agroindústria-bancos. Concomitante , aumentou a falta de terra, de trabalho e de meios elementares de vida para a grande maioria da população rural. A nível interno regional , as condições de implementação e valorização do capital obedecem à mesma lógica expansionista , só que acentuadamente agravadas . Enquanto que no Nordeste em função de sua posição marginal e subordinada na divisão nacional do trabalho. De acordo com interesse e determinações do capital, as atividades agrícolas tradicionais exercem funções de fornecimento de matéria-prima e de composição do exército de reserva, fundamentais ao processo de acumulação capitalista. 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Dentro desta linha de análise, ressalta - se a frágil posição concorrencial do Brasil , apesar de ser o principal exportador de fibras e derivados, detêm diminuta interferência na formação do preço internacional, que é afetado pelos concorrentes de origem sintética, e pelos oligopsônios Essa estrutura de domínio/dependência com relação ao mercado mundial , e um dos fenômenos condicionantes da crise e da vulnerabilidade da sisalicultura brasileira ; que associado aos baixos preços reais do produto, ao baixo dinamismo do mercado interno quanto ao aproveitamento de subprodutos, junto às defeituosas estruturas de comercialização e de financiamento e às discriminatórias politicas oficiais, fazem com que a atividade sisaleira paraibana (e brasileira ) se mantenha numa situação de "penúria" e debilidade permanente. Afim de procedermos à uma análise da produção sisaleira paraibana, especificamente do município sisaleiro de Cuité, efetuamos uma pesquisa direta junto a 50 produtores das categorias pequeno (32 = 6 4 % ) , médio (12 = 24%+ e grande (6 = 1 2 % ). Nosso trabalho coincidiu com mais uma fase negativa do setor, notadamente manifestadamente ao nível do produtor, com baixos preços reais do seu produto. A cultura sisaleira ê realizada por diversas categorias de produtores, englobando desde pequenas até grandes unidades produtivas. No caso especifico do sisal, verifica - se que so podem dedicar - se a essa cultura os produtores que detenham certa estrutura econômica - financeira que lhes permita custear as despesas do período de produção, incluído o de beneficiamento ( desfibragem ) . Sendo um produto de ciclo longo ( entre o plantio e o primeiro corte transcorrem em média 4 anos, o que torna esta atividade inviável para produtores sem terra própria) o que basicamente interessa é o desempenho e retorno de longo prazo, e nisso há de se convir que a atividades sisaleira apresenta boas perspectivas para os produtores. De acordo com a pesquisa de campo, 86% dos 50 entrevistados responderam que acreditava na tendência altista dos preços do sisal. Por outro lado, 52% dos entrevistados pretendem aumentar a área com sisal, 22% manter a mesma área, 16% renovar os campos, apenas 10% pensa em diminuir a área de sisal. Então, basicamente , pode-se ler , por trás destas respostas, que ê a lógica do lucro a que está claramente por trás desta atividade econômica. No entendimento dos podutores de sisal o principal fator que limita o desenvolvimento (expansão) da cultura é o seu preço ( 8 0 % ), considerando nesse momento como não remunerador , e as dificuldades para obtenção de financiamento 58%. A terceira parte ( 36 % ) atribui obstáculos à deficiência e custo de mão-de-obra, e em menor escala dificuldade de acesso a "motor " (1 0 % ) e baixo produtividade ( 6 % ). Isto para nos, vem comprovaras a seletividade dos produtos com capacidade para envolver - se nessa atividade. A demanda limitada existente no mercado internacional , e a deterioração do preço do produto, associado ao atraso têcnico-econômico da cultura , conduz para que a lavoura sisaleira apresente- se corno uma problemática de grande gravidade. Em função deste contexto, os produtores sisaleiros têm-se mobilizado e reinvidicado a participação do governo através da concessão de financiamentos a longo prazo (54% dos entrevistados) tanto para plantio como para recuperação de campos. 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Dentro desta linha de análise, ressalta - se a frágil posição concorrencial do Brasil , apesar de ser o principal exportador de fibras e derivados, detêm diminuta interferência na formação do preço internacional, que é afetado pelos concorrentes de origem sintética, e pelos oligopsônios Essa estrutura de domínio/dependência com relação ao mercado mundial , e um dos fenômenos condicionantes da crise e da vulnerabilidade da sisalicultura brasileira ; que associado aos baixos preços reais do produto, ao baixo dinamismo do mercado interno quanto ao aproveitamento de subprodutos, junto às defeituosas estruturas de comercialização e de financiamento e às discriminatórias politicas oficiais, fazem com que a atividade sisaleira paraibana (e brasileira ) se mantenha numa situação de "penúria" e debilidade permanente. Afim de procedermos à uma análise da produção sisaleira paraibana, especificamente do município sisaleiro de Cuité, efetuamos uma pesquisa direta junto a 50 produtores das categorias pequeno (32 = 6 4 % ) , médio (12 = 24%+ e grande (6 = 1 2 % ). Nosso trabalho coincidiu com mais uma fase negativa do setor, notadamente manifestadamente ao nível do produtor, com baixos preços reais do seu produto. A cultura sisaleira ê realizada por diversas categorias de produtores, englobando desde pequenas até grandes unidades produtivas. No caso especifico do sisal, verifica - se que so podem dedicar - se a essa cultura os produtores que detenham certa estrutura econômica - financeira que lhes permita custear as despesas do período de produção, incluído o de beneficiamento ( desfibragem ) . Sendo um produto de ciclo longo ( entre o plantio e o primeiro corte transcorrem em média 4 anos, o que torna esta atividade inviável para produtores sem terra própria) o que basicamente interessa é o desempenho e retorno de longo prazo, e nisso há de se convir que a atividades sisaleira apresenta boas perspectivas para os produtores. De acordo com a pesquisa de campo, 86% dos 50 entrevistados responderam que acreditava na tendência altista dos preços do sisal. Por outro lado, 52% dos entrevistados pretendem aumentar a área com sisal, 22% manter a mesma área, 16% renovar os campos, apenas 10% pensa em diminuir a área de sisal. Então, basicamente , pode-se ler , por trás destas respostas, que ê a lógica do lucro a que está claramente por trás desta atividade econômica. No entendimento dos podutores de sisal o principal fator que limita o desenvolvimento (expansão) da cultura é o seu preço ( 8 0 % ), considerando nesse momento como não remunerador , e as dificuldades para obtenção de financiamento 58%. A terceira parte ( 36 % ) atribui obstáculos à deficiência e custo de mão-de-obra, e em menor escala dificuldade de acesso a "motor " (1 0 % ) e baixo produtividade ( 6 % ). Isto para nos, vem comprovaras a seletividade dos produtos com capacidade para envolver - se nessa atividade. A demanda limitada existente no mercado internacional , e a deterioração do preço do produto, associado ao atraso têcnico-econômico da cultura , conduz para que a lavoura sisaleira apresente- se corno uma problemática de grande gravidade. Em função deste contexto, os produtores sisaleiros têm-se mobilizado e reinvidicado a participação do governo através da concessão de financiamentos a longo prazo (54% dos entrevistados) tanto para plantio como para recuperação de campos. 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