Dos mutirões aos pimentais: a (re)construção das Identidades na contradição Trabalho-Capital, em comunidade quilombola no nordeste paraense.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2019
Autor(a) principal: MIRANDA, Ellen Rodrigues da Silva.
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Dissertação
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Pará
Brasil
Campus Universitário do Tocantins/Cametá
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO E CULTURA
UFPA
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/42377
Resumo: Esta pesquisa analisa, a partir de materialidades produtivas realizadas por homens e mulheres da Comunidade Quilombola de Tambaí-Açu, no município de Mocajuba, Pará, a (re)construção de identidades, na contradição Capital-Trabalho. Busca responder à indagação de como esses sujeitos constroem processos de resistência, ou não, às determinações do modo de produção capitalista, considerando as reproduções ampliadas da vida e as reproduções ampliadas do capital, que lhes possibilita estabelecer, conforme Marx (2013), mediações que (re)constroem suas identidades como classe. Para tanto, adotamos a abordagem qualitativa, pautada no materialismo histórico-dialético, pois entendemos, conforme Araújo (2007), que os fenômenos sociais correspondem a dimensões tanto quantitativas quanto qualitativas, constituindo-se também culturais, de acordo com Thompson (2001), não seguindo os fenômenos econômicos à distância, pois são partes da mesma rede de relações consideradas como totalidade social, unidade do diverso (MARX, 2008). Metodologicamente, com base em Triviños (1987) procedemos ao levantamento documental, às observações e anotações de campo, além da realização de entrevistas semiestruturadas, tratadas, em termos de significância, conforme Bardin (1977), pela análise do conteúdo. Assim enquanto referencial teórico nos pautamos em Marx (1978; 1996; 2008; 2013), Marx e Engels (2007; 2009), Thompson (1981; 1987; 1998; 2001), Mészaros (2002; 2011), Dubar (2005; 2006), Acosta (2016), Antunes (2009), Bogo (2010), Tiriba (2001; 2008; 2012; 2018), Pinto (2001; 2004; 2007), Gomes (1996; 2003; 2006), Funes (2012), Rodrigues (2012), dentre outros. A investigação nos levou à conclusão de que as identidades da Comunidade Quilombola Tambaí-Açu se (re)constroem na mediação dos saberes sociais do Trabalho-Capital, contradição configurada entre o trabalho nos mutirões e trabalho nos pimentais. Para se chegar a tal conclusão, constatamos, a partir de entrevista junto a quatro mulheres e cinco homens da Comunidade Quilombola Tambaí-Açu, que os saberes do trabalho, caracterizados de identidade quilombola, se entrecruzam na prática de trabalho socializado do mutirão, como culturas do trabalho que se (re)constroem no contexto das relações sociais de produção, na perspectiva de luta de classes. Identificamos, ainda, que a partir das materialidades objetivas e subjetivas dos sujeitos, as transformações nas reproduções ampliadas da vida, em face da contradição em relação às reproduções ampliadas do capital, ocorreram por meio do monocultivo intensivo da pimenta-do-reino, observado no entorno da comunidade. Dessa forma, compreendemos que a relação dialética entre aderência e resistências à tentativa de homogeneização da comunidade, para suprir objetivos do mercado, (re)criou experiências que possibilitaram, por conseguinte, um (re)criar identidades, na contradição capital-trabalho. Assim, desde um passado de formação político-cultural, social e econômico, até o presente, os quilombos têm sido alvo de diversas tentativas de aniquilamento, tanto material quanto simbólico. (Re)construindo-se no constante fazer-se quilombola, a partir das reproduções ampliadas da vida, ao unir forças para diminuir o dispêndio do trabalho que produz subsistência e valores que destoam das reproduções ampliadas do capital, caracterizada pela produção em larga escala e divisão do trabalho, que nega experiências, presentes em: comunidades tradicionais, produções comunitárias, associações, agroecológicas, economia e cultura popular. E, nesse constante vir a ser, (re)constroem outras reais possibilidades de viver bem, como culturas do trabalho que se manifestam em experiências, a exemplo do mutirão quilombola. Resistência econômico-cultural à produção capitalista e base da constante formação da classe econômico-cultural, que vive do trabalho
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Busca responder à indagação de como esses sujeitos constroem processos de resistência, ou não, às determinações do modo de produção capitalista, considerando as reproduções ampliadas da vida e as reproduções ampliadas do capital, que lhes possibilita estabelecer, conforme Marx (2013), mediações que (re)constroem suas identidades como classe. Para tanto, adotamos a abordagem qualitativa, pautada no materialismo histórico-dialético, pois entendemos, conforme Araújo (2007), que os fenômenos sociais correspondem a dimensões tanto quantitativas quanto qualitativas, constituindo-se também culturais, de acordo com Thompson (2001), não seguindo os fenômenos econômicos à distância, pois são partes da mesma rede de relações consideradas como totalidade social, unidade do diverso (MARX, 2008). 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Para se chegar a tal conclusão, constatamos, a partir de entrevista junto a quatro mulheres e cinco homens da Comunidade Quilombola Tambaí-Açu, que os saberes do trabalho, caracterizados de identidade quilombola, se entrecruzam na prática de trabalho socializado do mutirão, como culturas do trabalho que se (re)constroem no contexto das relações sociais de produção, na perspectiva de luta de classes. Identificamos, ainda, que a partir das materialidades objetivas e subjetivas dos sujeitos, as transformações nas reproduções ampliadas da vida, em face da contradição em relação às reproduções ampliadas do capital, ocorreram por meio do monocultivo intensivo da pimenta-do-reino, observado no entorno da comunidade. Dessa forma, compreendemos que a relação dialética entre aderência e resistências à tentativa de homogeneização da comunidade, para suprir objetivos do mercado, (re)criou experiências que possibilitaram, por conseguinte, um (re)criar identidades, na contradição capital-trabalho. Assim, desde um passado de formação político-cultural, social e econômico, até o presente, os quilombos têm sido alvo de diversas tentativas de aniquilamento, tanto material quanto simbólico. (Re)construindo-se no constante fazer-se quilombola, a partir das reproduções ampliadas da vida, ao unir forças para diminuir o dispêndio do trabalho que produz subsistência e valores que destoam das reproduções ampliadas do capital, caracterizada pela produção em larga escala e divisão do trabalho, que nega experiências, presentes em: comunidades tradicionais, produções comunitárias, associações, agroecológicas, economia e cultura popular. E, nesse constante vir a ser, (re)constroem outras reais possibilidades de viver bem, como culturas do trabalho que se manifestam em experiências, a exemplo do mutirão quilombola. Resistência econômico-cultural à produção capitalista e base da constante formação da classe econômico-cultural, que vive do trabalhoThis work analyzes the (re)construction of identities, in the confrontation between Capital and Work, starting from the materialities produced by men and women from the Quilombola Community of Tambaí-Açu, in the municipality of Mocajuba, Pará, Brazil, they build processes of resistance to determinations of the capitalist mode of production. It takes into account the enlarged reproductions of life and the enlarged reproductions of capital, which enable them to establish, according to Marx (2013), mediations that (re)construct their identities as a class. For this, we adopt the qualitative approach, based on historical-dialectical materialism, because according to Araújo (2007), we understand that social phenomena correspond to quantitative and qualitative dimensions, and also constitute culture, according to Thompson (2001), not following the economic phenomena at a distance, since they are part of the same network of relations considered as social totality, unity of the diverse (MARX, 2008). In methodological terms, we conducted, based on Triviños (1987), a documentary survey, observations and field notes, as well as semi-structured interviews, treated in terms of significance, according to Bardin (1977), by content analysis. Thus, as a theoretical framework, we base ourselves on Marx (1978; 1996; 2008; 2013), Marx and Engels (2007; 2009), Thompson (1981; 1987; 1998; 2001), Mészaros (2002; 2011), Dubar (2005). ; 2006), Acosta (2016), Antunes (2009), Bogo (2010), Tiriba (2001; 2008; 2012; 2018), Pinto (2001; 2004; 2007), Gomes (1996; 2003; 2006), Funes ( 2012), Rodrigues (2012), among others. This investigation led us to the conclusion that the identities of the Quilombola Community Tambaí-Açu are (re)built in the mediation of the social knowledges of Work-Capital, a contradiction between work in the community and work in the peppers. In order to reach this conclusion, we found from an interview with four women and five men of this community that knowledge of work, characterized by quilombola identity, intersects in the socialized work practice of the community, as work cultures that are (re)build in the context of social relations of production, in the perspective of class struggle. From the objective and subjective materialities of the subjects, we also identified that the transformations in the expanded reproductions of life, in the face of the contradiction in relation to the expanded reproductions of capital, occurred through the intensive monoculture of black pepper, observed around the community. Thus, we understand that the dialectical relationship between adherence and resistance to the attempt of homogenization of the community, to supply market objectives, (re)created experiences that enabled, therefore, a (re)creation of identities, in the contradiction between capital and work. From a past of political, cultural, social and economic formation to the present, quilombos have been the target of various attempts at material and symbolic annihilation. From the extended reproductions of life, (re)building on the constant becoming quilombola, by joining forces to reduce the expenditure of work that produces subsistence and values that deviate from the expanded reproductions of capital, characterized by large-scale production and division of work, which denies experiences, present in: traditional communities, community productions, associations, agroecological, economy and popular culture. And in that constant come to be (re)build other real possibilities of living well, as work cultures that manifest themselves in experiences, such as the quilombola task force. Economic-cultural resistance to capitalist production and the basis of the constant formation of the economic-cultural class, which lives from work.Universidade Federal do ParáBrasilCampus Universitário do Tocantins/CametáPROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO E CULTURAUFPARODRIGUES, Doriedson do Socorro Rodrigueshttps://orcid.org/0000-0002-5120-2484http://lattes.cnpq.br/1127076028303549PINTO, Benedita Celeste de Moraes.https://orcid.org/0000-0001-9450-5461http://lattes.cnpq.br/7489392738166786TIRIBA, Lia Vargas.TIRIBA, L. V.http://lattes.cnpq.br/2006259738336754OLIVEIRA, Mara Rita Duarte.OLIVEIRA, M. R. D.http://lattes.cnpq.br/8038322403743384MIRANDA, Ellen Rodrigues da Silva.2019-06-102025-07-03T16:51:13Z2025-07-032025-07-03T16:51:13Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesishttps://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/42377MIRANDA, Ellen Rodrigues da Silva. Dos mutirões aos pimentais: a (re)construção das Identidades na contradição Trabalho-Capital, em comunidade quilombola no nordeste paraense. 2019. 225f. Dissertação (Mestrado em Educação) - Programa de Pós-Graduação em Educação e Cultura. Universidade Federal do Pará, Cametá - PA - Brasil, 2019.porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFCGinstname:Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)instacron:UFCG2025-07-24T11:24:08Zoai:dspace.sti.ufcg.edu.br:riufcg/42377Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://bdtd.ufcg.edu.br/PUBhttp://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/oai/requestbdtd@setor.ufcg.edu.br || bdtd@setor.ufcg.edu.bropendoar:48512025-07-24T11:24:08Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFCG - Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)false
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