Quilombolar-se na Amazônia: “outros” processos de formação, “outras” experiências da classe trabalhadora alargada.

Detalhes bibliográficos
Ano de defesa: 2024
Autor(a) principal: SERRÃO, Ellen Rodrigues da Silva.
Orientador(a): Não Informado pela instituição
Banca de defesa: Não Informado pela instituição
Tipo de documento: Tese
Tipo de acesso: Acesso aberto
Idioma: por
Instituição de defesa: Universidade Federal do Pará
Brasil
Núcleo de Estudos Transdisciplinares da Educação Básica
PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO NA AMAZÔNIA
UFPA
Programa de Pós-Graduação: Não Informado pela instituição
Departamento: Não Informado pela instituição
País: Não Informado pela instituição
Palavras-chave em Português:
Link de acesso: https://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/42313
Resumo: A experiência das lutas das trabalhadoras/es da Terra ao construir modos de vida centrados no trabalho ontológico, na contradição com o capitalismo e ao compor a classe trabalhadora em seu fazer-se produz o seu alargamento, verificado através do Quilombolar-se das Comunidades São José de Icatu, Segundo Distrito, Tambaí-Açu em Mocajuba/PA, Amazônia região Tocantina. A tese se constituiu qualitativamente guiada pelo fio de Ananse (o método). No labirinto de Turiá (modo de investigação), buscou responder frente às contradições entre trabalho-capital, como se evidenciam os elementos dos processos de formação econômicocultural da afirmação do ser social com identidades de classe, gênero e quilombola, bem como as relações dialéticas entre trabalho-educação e economia-cultura que conformam o fazer-se da classe trabalhadora. Para tanto, foi feita revisão de literatura, observações e anotações de campo, realização de entrevistas e rodas de conversas, analisadas pelo conteúdo conforme Laurence Bardin. Sustentaram teoricamente a pesquisa os conceitos de trabalho em Karl Marx, escola da experiência em Rosa Luxemburgo, ontologia do ser social em György Lukács, socialismo indo-afro-latino-americano em José Carlos Mariátegui, gênero, raça, classe e etnia em Lélia González, experiência em Edward P. Thompson, hegemonia em Raymond Williams, leve estiramento marxista em Franz Fanon, lutas quilombolas em Clóvis Moura, dentre outros. Particularidades desse todo artístico atestaram a realidade esculpida nas materialidades produtivo-culturais de mulheres e homens quilombolas resultantes de suas lutas comunitárias cotidianas, de seus saberes da experiência oriundos da relação trabalhocultura- educação, experiências vividas, sentidas, percebidas e modificadas por meio de valores, costumes, tradições, sentimentos, pertencimentos, modos de vida em disputa na contradição trabalho-capital. Nesse sentido, verificou-se que os elementos do alargar-se da classe trabalhadora acontecem na experiência quilombola por meio das lutas comunitárias cotidianas que configuram os quilombolas em trabalhadoras e trabalhadores da terra, filhos da Mãe-Terra, diferentes dos trabalhadores rurais assalariados, mas também afetados pelo capitalismo. Lutam por uma hegemonia não capitalista ao lutarem pelos seus modos de vida. Constatou-se também, como desdobramento do alargar-se da classe trabalhadora como trabalhadoras/es da terra, que o Quilombolar-se é o fazer-se quilombola na Amazônia, região Tocantina, produção da vida do ser social compreendida na circularidade da ancestralidade, processo de Ubuntu 3 acontecer ontológico estabelecido na relação humanos-natureza. Caracterizações desse processo foram verificadas desde as lutas do povo negro ao serem arrancados da África, lutas contra o escravismo, lutas pós-abolição, lutas contra hierarquias sociais miseráveis; lutas pela redemocratização do Brasil; lutas das Associações Quilombolas; lutas por territórios e para se manter; lutas identitárias, lutas por <outras= economias-culturais, lutas pela Educação Quilombola e pela Educação Escolar Quilombola; lutas que comportam saberes de <outras= escolas, lutas quilombolas que se integram a <outras= lutas de outros povos e que se constituem em processos de formação econômico-cultural da classe trabalhadora alargada. A pesquisa aponta saídas do labirinto como <outras= utopias diante dos processos de formação econômico-culturais manifestados e em curso, a citar, a emergência de um <outro= mundo necessário não capitalista, já que o metabolismo do capital opera de forma incompatível à relação humanos-natureza, à democracia, a soluções para a fome e a miséria. Portanto, tomado pela base do comunismo ancestral que possa reincorporar a classe trabalhadora em seu fazer-se - alargar-se.
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A tese se constituiu qualitativamente guiada pelo fio de Ananse (o método). No labirinto de Turiá (modo de investigação), buscou responder frente às contradições entre trabalho-capital, como se evidenciam os elementos dos processos de formação econômicocultural da afirmação do ser social com identidades de classe, gênero e quilombola, bem como as relações dialéticas entre trabalho-educação e economia-cultura que conformam o fazer-se da classe trabalhadora. Para tanto, foi feita revisão de literatura, observações e anotações de campo, realização de entrevistas e rodas de conversas, analisadas pelo conteúdo conforme Laurence Bardin. Sustentaram teoricamente a pesquisa os conceitos de trabalho em Karl Marx, escola da experiência em Rosa Luxemburgo, ontologia do ser social em György Lukács, socialismo indo-afro-latino-americano em José Carlos Mariátegui, gênero, raça, classe e etnia em Lélia González, experiência em Edward P. Thompson, hegemonia em Raymond Williams, leve estiramento marxista em Franz Fanon, lutas quilombolas em Clóvis Moura, dentre outros. Particularidades desse todo artístico atestaram a realidade esculpida nas materialidades produtivo-culturais de mulheres e homens quilombolas resultantes de suas lutas comunitárias cotidianas, de seus saberes da experiência oriundos da relação trabalhocultura- educação, experiências vividas, sentidas, percebidas e modificadas por meio de valores, costumes, tradições, sentimentos, pertencimentos, modos de vida em disputa na contradição trabalho-capital. Nesse sentido, verificou-se que os elementos do alargar-se da classe trabalhadora acontecem na experiência quilombola por meio das lutas comunitárias cotidianas que configuram os quilombolas em trabalhadoras e trabalhadores da terra, filhos da Mãe-Terra, diferentes dos trabalhadores rurais assalariados, mas também afetados pelo capitalismo. Lutam por uma hegemonia não capitalista ao lutarem pelos seus modos de vida. Constatou-se também, como desdobramento do alargar-se da classe trabalhadora como trabalhadoras/es da terra, que o Quilombolar-se é o fazer-se quilombola na Amazônia, região Tocantina, produção da vida do ser social compreendida na circularidade da ancestralidade, processo de Ubuntu 3 acontecer ontológico estabelecido na relação humanos-natureza. Caracterizações desse processo foram verificadas desde as lutas do povo negro ao serem arrancados da África, lutas contra o escravismo, lutas pós-abolição, lutas contra hierarquias sociais miseráveis; lutas pela redemocratização do Brasil; lutas das Associações Quilombolas; lutas por territórios e para se manter; lutas identitárias, lutas por <outras= economias-culturais, lutas pela Educação Quilombola e pela Educação Escolar Quilombola; lutas que comportam saberes de <outras= escolas, lutas quilombolas que se integram a <outras= lutas de outros povos e que se constituem em processos de formação econômico-cultural da classe trabalhadora alargada. A pesquisa aponta saídas do labirinto como <outras= utopias diante dos processos de formação econômico-culturais manifestados e em curso, a citar, a emergência de um <outro= mundo necessário não capitalista, já que o metabolismo do capital opera de forma incompatível à relação humanos-natureza, à democracia, a soluções para a fome e a miséria. Portanto, tomado pela base do comunismo ancestral que possa reincorporar a classe trabalhadora em seu fazer-se - alargar-se.The experience of the struggles of Earth's workers when building ways of life centered on ontological work, in contradiction with capitalism and when composing the working class in its doing produces its expansion, verified through Quilombolar-se of the communities São José de Icatu, Segundo Distrito, Tambaí-Açu in Mocajuba/PA, Amazônia region Tocantina. The thesis was qualitatively guided by Ananse's thread (the method). Within the labyrinth of Turiá (mode of investigation), it sought to respond to the contradictions between work-capital, as evidenced by the elements of the processes of economic-cultural of the affirmation of the social being with class, gender, and quilombola identities, as well as the dialectical relations between work-education and economy-culture that shape the work of the working class. To this end, a literature review, observations and field notes were carried out, interviews and conversation circles were carried out, analyzed through Laurence Bardin's content analysis method. The research was theoretically supported by the concepts of work in Karl Marx, school of experience in Rosa Luxembourg, the ontology of social being in György Lukács, Indo-Afro-Latin American socialism in José Carlos Mariátegui, gender, race, class and ethnicity in Lélia González, experience in Edward Thompson, hegemony in Raymond Williams, slight Marxist stretch in Franz Fanon; quilombola struggles in Clóvis Moura, among others. Particularities of this artistic whole attest to the reality sculpted in the productive-cultural materialities of quilombola women and men resulting from their daily community struggles, their knowledge of experience arising from the work-culture-education relationship, experiences lived, felt, perceived and modified through values, customs, traditions, feelings, belongings, ways of life in dispute in the labor-capital contradiction. In this sense, it was found that the elements of the expansion of the working class occur in the quilombola experience through daily community struggles that configure quilombolas as land workers, children of Mother Earth, different from salaried rural workers, but also affected by capitalism. They fight for a non-capitalist hegemony by fighting for their ways of life. It was also found, as a consequence of the expansion of the working class as workers of the Earth, that Quilombolar-se is the becoming quilombola in the Amazon, Tocantina region, production of the life of the social being understood in the circularity of ancestry, Ubuntu process 3 ontological happening established in the human-nature relationship. Characterizations of this process have been verified since the struggles of black people when they were uprooted from Africa, struggles against slavery, post-abolition struggles, struggles against miserable social hierarchies; struggles for the redemocratization of Brazil; struggles of Quilombola Associations; fights for territories and to maintain oneself; identity struggles, struggles for <other= cultural economies, struggles for Quilombola Education and Quilombola School Education; struggles that involve knowledge from <other= schools, quilombola struggles that are integrated with <other= struggles of other peoples and that constitute processes of economic-cultural formation of the broader working class. The research points to exits from the labyrinth as <other= utopias in the face of the economic-cultural formation processes manifested and ongoing, namely, the emergence of a <other= necessary non-capitalist world, since the metabolism of capital operates in an incompatible way to the human-nature relationship, to democracy, to solutions to hunger and poverty. Therefore, taken on the basis of ancestral communism that can reincorporate the working class into its activities - expand.La experiencia de las luchas de los trabajadores de la Tierra al construir modos de vida centrados en el trabajo ontológico, en contradicción con el capitalismo y al componer la clase trabajadora en su hacer produce su expansión, verificada a través de el Quilombolar-se de las comunidades de São José de Icatu, Segundo Distrito, Tambaí-Açu en Mocajuba/PA, Amazonia Tocantina. La tesis estuvo cualitativamente guiada por el hilo de Ananse (el método). En el laberinto de Turiá (modo de investigación), se buscó responder ante las contradicciones entre capital y trabajo, cómo se evidencian los elementos de los procesos de formación económico-cultural de afirmación del ser social con identidades de clase, género y quilombola, así como la relaciones dialécticas entre trabajo-educación y economía-cultura que configuran el hacerse de la clase trabajadora. Para ello se realizó una revisión de literatura, observaciones y notas de campo, entrevistas y círculos de conversación, analizadas por el método de análisis de contenido de Laurence Bardin. La investigación se sustentó teóricamente en los conceptos de trabajo en Karl Marx, escuela de la experiencia en Rosa Luxemburgo, ontología del ser social en György Lukács, socialismo indo-afrolatinoamericano en José Carlos Mariátegui, género, raza, clase y etnia en Lélia González, experiencia en Edward Thompson, hegemonía en Raymond Williams, el breve estirar del marxismo de Franz Fanon; luchas quilombolas en Clóvis Moura, entre otros. Las particularidades de este conjunto artístico que dan testimonio de la realidad esculpida en las materialidades productivo-culturales de mujeres y hombres quilombolas resultantes de sus luchas comunitarias cotidianas, de sus conocimientos de experiencias surgidos de la relación trabajo-cultura-educación, experiencias vividas, sentidas, percibidas y modificadas a través de valores, costumbres, tradiciones, sentimientos, pertenencias, formas de vida en disputa en la contradicción trabajo-capital. En este sentido, se constató que los elementos de expansión de la clase trabajadora se dan en la experiencia quilombola a través de luchas comunitarias cotidianas que configuran los quilombolas en trabajadores de la tierra, hijos de la Madre Tierra, distintos de los trabajadores rurales asalariados, pero también afectados por el capitalismo. Luchan por una hegemonía no capitalista luchando por sus formas de vida. También se constató, como consecuencia de la expansión de la clase obrera como los trabajadores de la tierra, al Quilombolar-se es el devenir quilombola en la Amazonia, región de Tocantina, produjeron la vida del ser social entendida en la circularidad de la ascendencia. Proceso Ubuntu: acontecimiento ontológico establecido en la relación hombre-naturaleza. Se verificaron caracterizaciones de este proceso a partir de las luchas de los pueblos negros cuando fueron desarraigados de África, en las luchas contra la esclavitud, en las luchas postabolición, en las luchas contra las miserables jerarquías sociales; luchas por la redemocratización de Brasil; luchas de las Asociaciones Quilombolas; luchas por territorios y por mantenerse; luchas de identidad, luchas por <otras= economías culturales, luchas por la Educación Quilombola y la Educación Escolar Quilombola; luchas que involucran conocimientos de <otras= escuelas, luchas quilombolas que se integran con <otras= luchas de otros pueblos y que constituyen procesos de formación económico-cultural de la clase trabajadora en general. La investigación señala las salidas del laberinto como <otras= utopías frente a los procesos de formación económico-cultural manifestados y en curso, a saber, el surgimiento de un <otro= mundo no capitalista necesario, ya que el metabolismo del capital opera de manera incompatible en la relación entre el hombre y la naturaleza, con la democracia y con las soluciones al hambre y la pobreza. Por lo tanto, asumido sobre la base de un comunismo ancestral que pueda reincorporar a la clase trabajadora y sus actividades - expandirse.Universidade Federal do ParáBrasilNúcleo de Estudos Transdisciplinares da Educação BásicaPROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO NA AMAZÔNIAUFPARODRIGUES, Doriedson do Socorro.RODRIGUES, D. S.http://lattes.cnpq.br/1127076028303549ARAÚJO, Ronaldo Marcos de Lima.ARAUJO, R. M. L.http://lattes.cnpq.br/7901626430586502PIMENTEL, Boris Marañón.PIMENTEL, B. M.TIRIBA, Lia Vargas.TIRIBA, L. V.http://lattes.cnpq.br/2006259738336754FISCHER, Maria Clara Bueno.FISCHER, M. C. B.http://lattes.cnpq.br/3835786000876089SILVA, Gilmar Pereira da.SILVA, G. P.http://lattes.cnpq.br/7624395840820523SERRÃO, Ellen Rodrigues da Silva.2024-08-302025-06-30T18:26:50Z2025-06-302025-06-30T18:26:50Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesishttps://dspace.sti.ufcg.edu.br/handle/riufcg/42313SERRÃO, Ellen Rodrigues da Silva. Quilombolar-se na Amazônia: “outros” processos de formação, “outras” experiências da classe trabalhadora alargada. 2024. 423f. Tese (Doutorado em Educação) - Programa de Pós-Graduação em Educação na Amazônia - Associação em Rede, Universidade Federal do Pará, Belém - PA - Brasil, 2024.porinfo:eu-repo/semantics/openAccessreponame:Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFCGinstname:Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)instacron:UFCG2025-07-24T11:11:45Zoai:dspace.sti.ufcg.edu.br:riufcg/42313Biblioteca Digital de Teses e Dissertaçõeshttp://bdtd.ufcg.edu.br/PUBhttp://dspace.sti.ufcg.edu.br:8080/oai/requestbdtd@setor.ufcg.edu.br || bdtd@setor.ufcg.edu.bropendoar:48512025-07-24T11:11:45Biblioteca Digital de Teses e Dissertações da UFCG - Universidade Federal de Campina Grande (UFCG)false
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SERRÃO, Ellen Rodrigues da Silva.
Mulheres quilombolas
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Mulheres quilombolas na ciência
Tese UFPA - mulheres quilombolas
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Análise de conteúdo - Bardin
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Escola da Experiência - Rosa Luxemburgo
Ontologia do Ser Social - György Lukács
Gênero - Lélia González
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Mujeres quilombolas
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Mujeres quilombolas en la ciencia
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Comunidad quilombola São José de Icatu - Mocajuba-PA
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SERRÃO, Ellen Rodrigues da Silva. Quilombolar-se na Amazônia: “outros” processos de formação, “outras” experiências da classe trabalhadora alargada. 2024. 423f. Tese (Doutorado em Educação) - Programa de Pós-Graduação em Educação na Amazônia - Associação em Rede, Universidade Federal do Pará, Belém - PA - Brasil, 2024.
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PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM EDUCAÇÃO NA AMAZÔNIA
UFPA
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