O espectro de Hamlet nas traduções brasileiras de Ulisses, de James Joyce: uma arqueologia transtextual
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Tese |
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| Palavras-chave em Português: | |
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Resumo: | A presença de William Shakespeare em Ulisses, de James Joyce, contém diversas camadas de significado. Shakespeare ecoa no romance de Joyce não apenas pelas referências e alusões à obra do bardo inglês, mas também através de uma presença oculta a que só se acede numa leitura aprofundada e atenta do romance. Diferentemente do paralelo homérico, as referências shakespearianas se fragmentam pelo romance sob a forma de alusões e ecos, das quais sem dúvida se destaca a peça Hamlet, obra que evoca temas cruciais do romance, como a questão da paternidade e a relação entre a vida do autor e sua obra. O principal aspecto, no entanto, reside na tensão precursor-sucessor refletida nas relações intertextuais que surgem na obra-prima de Joyce. Neste sentido, Hamlet constituiria um espectro que permeia Ulisses – um espectro que se origina na tensão entre a ausência e a presença, os vivos e os mortos, e os autores do passado que assombram os do presente. No texto traduzido, a intertextualidade impõe um desafio ao tradutor que deseja tornar visíveis ao leitor da língua e cultura de chegada referências e alusões que pertencem à memória coletiva da cultura-fonte. No caso de Joyce e Shakespeare, a intertextualidade hamletiana acrescenta mais uma camada labiríntica em Ulisses. A tradução de uma obra literária envolve não apenas a recriação do texto de partida para outra língua e cultura, mas também de suas conexões intertextuais com outras obras de uma determinada tradição literária, o que requer uma leitura transtextual nos termos definidos por Patrick O’Neill (2005): uma leitura que abrange a comparação entre textos que são o mesmo e simultaneamente distintos entre si, transcendendo diferentes línguas, culturas e contextos, como é o caso do cotejo entre o texto original e sua respectiva tradução. Partindo do princípio de que a intertextualidade constitui uma manifestação conflituosa entre o autor e sua própria tradição literária, esta tese busca elucidar como essas referências hamletianas ressurgem – ou não – nas três traduções que Ulissesrecebeu no Brasil: Antônio Houaiss (1966), Bernardina Pinheiro (2005) e Caetano Galindo (2012). Tendo como base levantamentos das referências organizadas por Arthur Heine (1949) e William Schutte (1957), a presente tese seleciona as referências e alusões que ecoam o caráter espectral da tensão refletida nesta relação intertextual. A análise dos trechos traduzidos à luz da crítica joyceana e shakespeariana constitui uma leitura arqueológica do intertexto hamletiano na qual se buscam indícios e vestígios do espectro shakespeariano nas traduções. Trata-se, portanto, de uma arqueologia transtextual. O objetivo deste estudo consiste em trazer à luz uma nova perspectiva crítica sobre as traduções brasileiras de Ulysses e apresentar um novo olhar sobre a complexa relação entre os dois autores. |
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Neste sentido, Hamlet constituiria um espectro que permeia Ulisses – um espectro que se origina na tensão entre a ausência e a presença, os vivos e os mortos, e os autores do passado que assombram os do presente. No texto traduzido, a intertextualidade impõe um desafio ao tradutor que deseja tornar visíveis ao leitor da língua e cultura de chegada referências e alusões que pertencem à memória coletiva da cultura-fonte. No caso de Joyce e Shakespeare, a intertextualidade hamletiana acrescenta mais uma camada labiríntica em Ulisses. A tradução de uma obra literária envolve não apenas a recriação do texto de partida para outra língua e cultura, mas também de suas conexões intertextuais com outras obras de uma determinada tradição literária, o que requer uma leitura transtextual nos termos definidos por Patrick O’Neill (2005): uma leitura que abrange a comparação entre textos que são o mesmo e simultaneamente distintos entre si, transcendendo diferentes línguas, culturas e contextos, como é o caso do cotejo entre o texto original e sua respectiva tradução. Partindo do princípio de que a intertextualidade constitui uma manifestação conflituosa entre o autor e sua própria tradição literária, esta tese busca elucidar como essas referências hamletianas ressurgem – ou não – nas três traduções que Ulissesrecebeu no Brasil: Antônio Houaiss (1966), Bernardina Pinheiro (2005) e Caetano Galindo (2012). Tendo como base levantamentos das referências organizadas por Arthur Heine (1949) e William Schutte (1957), a presente tese seleciona as referências e alusões que ecoam o caráter espectral da tensão refletida nesta relação intertextual. A análise dos trechos traduzidos à luz da crítica joyceana e shakespeariana constitui uma leitura arqueológica do intertexto hamletiano na qual se buscam indícios e vestígios do espectro shakespeariano nas traduções. Trata-se, portanto, de uma arqueologia transtextual. O objetivo deste estudo consiste em trazer à luz uma nova perspectiva crítica sobre as traduções brasileiras de Ulysses e apresentar um novo olhar sobre a complexa relação entre os dois autores.Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível SuperiorThe presence of William Shakespeare in James Joyce’s Ulysses contains several layers of meaning. Shakespeare echoes in Joyce's novel not only through references and allusions to the work of the English bard, but also through a hidden presence that can only be accessed through a deep and careful reading of the novel. Unlike the Homeric parallel, the Shakespearean references are fragmented throughout the novel in the form of allusions and echoes, of which the play Hamlet undoubtedly stands out, responsible for evoking crucial themes in the novel, such as the question of paternity and the relationship between the author's life and his work. The main aspect, however, lies in the precursorsuccessor tension reflected in the intertextual relationships that emerge in the work. In this sense, Hamlet would constitute a spectre that permeates Joyce's masterpiece - a spectre that originates in the tension between absence and presence, the living and the dead, and the authors of the past haunting those of the present. In the translated text, intertextuality imposes a challenge on the translator who wants to make references and allusions that belong to the collective memory of the source culture visible to the reader of the target language and culture. In the case of Joyce and Shakespeare, Hamletian intertextuality adds another labyrinthine layer to Ulysses. Translating a literary work involves not only recreating the source text in another language and culture, but also its intertextual connections with other works in a given literary tradition, which requires a transtextual reading based on definition by Patrick O’Neill (2005): a reading that encompasses the comparison between texts that are the same and at the same time different from each other, transcending different languages, cultures and contexts, as is the case with the comparison between the original text and its respective translations. Based on the principle that intertextuality constitutes a conflictual manifestation between the author and his own literary tradition, this thesis seeks to elucidate how these Hamletian references resurface - or not - in the three translations that Ulysses received in Brazil: Antônio Houaiss (1966), Bernardina Pinheiro (2005) and Caetano Galindo (2012). Based on surveys of references organized by Arthur Heine (1949) and William Schutte (1957), this study selects the references and allusions that echo the spectral character of the tension reflected in this intertextual relationship. The analysis of the translated passages in the light of Joycean and Shakespearean criticism constitutes an archaeological reading of the Hamletian intertext in which we look for clues and traces of the Shakespearean spectrum in the translations. This archaeological reading, in turn, a transtextual archeology. The aim of this study is to bring to light a new critical perspective on Brazilian translations of Ulysses and to present a new look at the complex relationship between the two authors188 f.Lages, Susana KampffAmaral, Vitor Alevato doVieira, Pedro Luís Sala2025-10-01T12:55:10Z2025-10-01T12:55:10Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/doctoralThesisapplication/pdfVIEIRA, Pedro Luís Sala. O espectro de Hamlet nas traduções brasileiras de Ulisses, de James Joyce: uma arqueologia transtextual. 2024. 188 f. Tese (Doutorado em Estudos de Literatura) - Programa de Pós-Graduação em Estudos de Literatura, Instituto de Letras, Universidade Federal Fluminense, Niterói, 2024.https://app.uff.br/riuff/handle/1/40276CC-BY-SAinfo:eu-repo/semantics/openAccessporreponame:Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF)instname:Universidade Federal Fluminense (UFF)instacron:UFF2025-10-01T12:55:10Zoai:app.uff.br:1/40276Repositório InstitucionalPUBhttps://app.uff.br/oai/requestriuff@id.uff.bropendoar:21202025-10-01T12:55:10Repositório Institucional da Universidade Federal Fluminense (RIUFF) - Universidade Federal Fluminense (UFF)false |
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A presença de William Shakespeare em Ulisses, de James Joyce, contém diversas camadas de significado. Shakespeare ecoa no romance de Joyce não apenas pelas referências e alusões à obra do bardo inglês, mas também através de uma presença oculta a que só se acede numa leitura aprofundada e atenta do romance. Diferentemente do paralelo homérico, as referências shakespearianas se fragmentam pelo romance sob a forma de alusões e ecos, das quais sem dúvida se destaca a peça Hamlet, obra que evoca temas cruciais do romance, como a questão da paternidade e a relação entre a vida do autor e sua obra. O principal aspecto, no entanto, reside na tensão precursor-sucessor refletida nas relações intertextuais que surgem na obra-prima de Joyce. Neste sentido, Hamlet constituiria um espectro que permeia Ulisses – um espectro que se origina na tensão entre a ausência e a presença, os vivos e os mortos, e os autores do passado que assombram os do presente. No texto traduzido, a intertextualidade impõe um desafio ao tradutor que deseja tornar visíveis ao leitor da língua e cultura de chegada referências e alusões que pertencem à memória coletiva da cultura-fonte. No caso de Joyce e Shakespeare, a intertextualidade hamletiana acrescenta mais uma camada labiríntica em Ulisses. A tradução de uma obra literária envolve não apenas a recriação do texto de partida para outra língua e cultura, mas também de suas conexões intertextuais com outras obras de uma determinada tradição literária, o que requer uma leitura transtextual nos termos definidos por Patrick O’Neill (2005): uma leitura que abrange a comparação entre textos que são o mesmo e simultaneamente distintos entre si, transcendendo diferentes línguas, culturas e contextos, como é o caso do cotejo entre o texto original e sua respectiva tradução. Partindo do princípio de que a intertextualidade constitui uma manifestação conflituosa entre o autor e sua própria tradição literária, esta tese busca elucidar como essas referências hamletianas ressurgem – ou não – nas três traduções que Ulissesrecebeu no Brasil: Antônio Houaiss (1966), Bernardina Pinheiro (2005) e Caetano Galindo (2012). Tendo como base levantamentos das referências organizadas por Arthur Heine (1949) e William Schutte (1957), a presente tese seleciona as referências e alusões que ecoam o caráter espectral da tensão refletida nesta relação intertextual. A análise dos trechos traduzidos à luz da crítica joyceana e shakespeariana constitui uma leitura arqueológica do intertexto hamletiano na qual se buscam indícios e vestígios do espectro shakespeariano nas traduções. Trata-se, portanto, de uma arqueologia transtextual. O objetivo deste estudo consiste em trazer à luz uma nova perspectiva crítica sobre as traduções brasileiras de Ulysses e apresentar um novo olhar sobre a complexa relação entre os dois autores. |
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