A invenção da delinquência
| Ano de defesa: | 2025 |
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| Tipo de documento: | Dissertação |
| Tipo de acesso: | Acesso aberto |
| Idioma: | por |
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Não Informado pela instituição
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| Programa de Pós-Graduação: |
Não Informado pela instituição
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| Departamento: |
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| País: |
Não Informado pela instituição
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| Palavras-chave em Português: | |
| Link de acesso: | https://app.uff.br/riuff/handle/1/40309 |
Resumo: | O objetivo desta dissertação é problematizar a invenção da noção de delinquência na trama histórica. Ao buscar os processos de constituição da sua invenção, se procederá a um diagnóstico do presente brasileiro no que diz respeito ao funcionamento dessa noção. Em consonância com o referencial teórico foucaultiano, a delinquência é entendida como dispositivo moderno de controle social. Assim, ao tomar como inspiração o método genealógico, foi-se à cata dos processos de constituição desse dispositivo inventariando suas relações de poder, saber e verdades associadas. Com a emergência da sociedade disciplinar, na Europa, na virada do século XVIII para o XIX, mais do que punir as infrações dos sujeitos às leis, haverá punição àquilo que os sujeitos podem vir a fazer. Assim, atravessada pela racionalidade da prevenção, esta sociedade produz indivíduos dóceis e úteis, e tem como pena generalizada aos desvios, a prisão, que fundamentalmente, em seu funcionamento, transforma a figura do infrator em delinquente. A delinquência será entendida constituída por indivíduos anormais, perigosos e de proveniência biográfica negativa. Estará às voltas também com a polícia e uma série de outros profissionais e discursos que, ao trabalhar junto à questão, contribuem para forjá-la tal qual a vemos atualmente. Quanto à penalidade relacionada ao problema, veremos que esta funciona de um modo em que a pobreza é criminalizada. Veremos aí a contribuição de certos saberes acadêmicos que imputam crime a determinados modos de existir. Um dos efeitos nesse contexto de que se fala será uma crescente economia do encarceramento onde a pobreza é a fonte de renda. Neste cenário ainda, será problematizado o biopoder em seu exercício de colar as noções de risco pessoal e social a parcelas da pobreza, em que o resultado, se poderá analisar, é a invenção da delinquência onde ainda não há. Buscou-se, também, abordar a questão dos sentidos políticos do medo no Brasil. Do Império aos dias atuais, vê-se que o medo funciona como estratégia para manter populações submissas. O medo, ao estar associado a indivíduos entendidos como delinquentes, dá condição de possibilidade ao aniquilamento destes aos quais esta noção está colada. Esse medo implicará, ainda, na militarização do cotidiano e no cada vez maior policiamento da vida. Por fim, em vista do fato de que os enunciados científicos têm estatuto de verdade, deu-se importância à analise da criação de realidades que a escrita enseja, em que se enfatizou a escrita psi relacionada à noção de delinquência, isto é, enfatizou-se como os discursos da psicologia, da psicanálise e da psiquiatria contribuem na criação da noção de delinquência. |
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Assim, atravessada pela racionalidade da prevenção, esta sociedade produz indivíduos dóceis e úteis, e tem como pena generalizada aos desvios, a prisão, que fundamentalmente, em seu funcionamento, transforma a figura do infrator em delinquente. A delinquência será entendida constituída por indivíduos anormais, perigosos e de proveniência biográfica negativa. Estará às voltas também com a polícia e uma série de outros profissionais e discursos que, ao trabalhar junto à questão, contribuem para forjá-la tal qual a vemos atualmente. Quanto à penalidade relacionada ao problema, veremos que esta funciona de um modo em que a pobreza é criminalizada. Veremos aí a contribuição de certos saberes acadêmicos que imputam crime a determinados modos de existir. Um dos efeitos nesse contexto de que se fala será uma crescente economia do encarceramento onde a pobreza é a fonte de renda. Neste cenário ainda, será problematizado o biopoder em seu exercício de colar as noções de risco pessoal e social a parcelas da pobreza, em que o resultado, se poderá analisar, é a invenção da delinquência onde ainda não há. Buscou-se, também, abordar a questão dos sentidos políticos do medo no Brasil. Do Império aos dias atuais, vê-se que o medo funciona como estratégia para manter populações submissas. O medo, ao estar associado a indivíduos entendidos como delinquentes, dá condição de possibilidade ao aniquilamento destes aos quais esta noção está colada. Esse medo implicará, ainda, na militarização do cotidiano e no cada vez maior policiamento da vida. Por fim, em vista do fato de que os enunciados científicos têm estatuto de verdade, deu-se importância à analise da criação de realidades que a escrita enseja, em que se enfatizou a escrita psi relacionada à noção de delinquência, isto é, enfatizou-se como os discursos da psicologia, da psicanálise e da psiquiatria contribuem na criação da noção de delinquência.The objective of this work is to discuss the invention of the concept of delinquency in historical plot. In seeking processes of constituting of his invention, it will be conducted in a diagnosis of Brazilian present on which concerns the functioning of this notion. On Foucalt's perspective, delinquency should be understood as a device for social control. Taking as an inspiration the genealogical method, we went on searching the constitution processes of this device, inventorying its power relations, knowledge and associated truths. Within the rise of disciplinary society, in Europe, at the turn of the eighteenth to nineteenth, more than punishing the individual’s infractions to the law, there were the punishments to the possibilities of doing from the same individual, the punishing of what they might be likely to do. Therefore, crossed by the prevention’s rationality, this society would produce useful and docile individuals, and would had as a main rule against deviations in general the detention – which turns, fundamentally in your makings, the image of the lawbreaker into a delinquent one. Delinquency will be understood as an essential characteristic of the abnormal, the dangerous and the ones with a negative biographic provenance. This society would be also surrounded by the police, among another professionals and discourses, who work attached to the punishment question and contribute to forging it into what we can see nowadays. The act of penalizing, in this society, implies on the criminalization of poverty. At this point, we see the contribution of certain academic knowledge which attaches the idea of crime onto certain modes of existing. Within this context, one of the effects will be the imprisonment’s economy – which has poverty as the main resource. Still within these conditions, the bio-power will be questioned in its manners of imputing notions of personal and social risk into the poorest. Therefore, as one may analyze, is the invention of delinquency where there isn’t. We have also tried to approach the question of fear’s political senses in Brazil. Since the Imperial times, fear works as a strategy to maintain populations submitted. For being related to individuals seen as delinquents, fear gives the possibility of annihilating them. This fear will imply also in everyday’s life militarization and the rise of life’s policing. Finally, starting from the presupposition that scientific statements have true status, we gave relevance to analyzing writing’s wish of creating realities. This analysis tried to emphasize the psi prefix related to delinquency’s notion – namely, how psychology, psychoanalysis and psychiatry discourses contribute to notion of delinquency.168 f.Ferreira, Marcelo Santanahttp://lattes.cnpq.br/0158780723584631Pedro, Rosa Maria Leite RibeiroLobo, Lilia FerreiraBaptista, Luis Antonio dos Santoshttp://lattes.cnpq.br/1916841696930283Furtado, Edson Campos2025-10-02T15:12:04Z2025-10-02T15:12:04Zinfo:eu-repo/semantics/publishedVersioninfo:eu-repo/semantics/masterThesisapplication/pdfFURTADO, Edson Campos. A invenção da delinquência. 2013. 168 f. 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